DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

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Terra Blog

17.08.08

UM BOM EXEMPLO

UM BOM EXEMPLO

Na semana que se passou e foi comemorado o “Dia dos Pais”, tive vontade de falar de meu pai.
Falar do que foi sua presença em minha vida, do que tem sido sua ausência.
No “Dia dos Pais”, desse ano, fez exatos 10 anos que meu pai morreu aos 61 anos de idade.
Há 5 anos fazia hemodiálise, sofria as delicias de conhecer de perto o bom da vida, e a dor de despedir se dela.
Cada sessão de hemodiálise era uma despedida.
E na segunda feira, depois do domingo Dia dos Pais, de 1998, ele não voltou.
Tinha pedido para minha mãe esperar por ele, para juntos cumprimentarem o neto André pelo aniversário.
Não deu tempo.
Hoje vou olhar para o homem que ele foi, pelos olhos dos outros.
Outros olhares, que por ele ter sido durante muito tempo de sua vida um homem extremamente recluso, eu não imaginei que pudesse ser assim.
A primeira surpresa, foi quando fui ao veterinário em Bragança Paulista, pagar a continha que ele tinha deixado, ao saber que ele tinha falecido, seus olhos se encheram de lágrimas.
Ele me disse que o achava educado, gentil.
E quando voltei á morar em Ibitinga, minhas amigas Silvaninha, Lila, Zanza, me falaram as mesmas coisas.
Recentemente, o Decio esteve numa oficina mecânica, e se emocionou ao ver o dono da oficina falar de como aprendeu o oficio com ele. Chegou a imitar seu gesto roendo as unhas.
Às vezes, noto seu jeito, no andar de meu irmão Neto, ás vezes no jeito de ser São Paulino do Gustavo meu sobrinho mais velho, as vezes noto seu jeito de se perfumar no Daniel, outro sobrinho.
Mas noto o por aí, por aqui.
Vejo o nas histórias que viveu, nas histórias que deixou.
“Assim se passaram dez anos, sem eu ver seu rosto”.
  • criado por  picida_ribeiro criado por picida_ribeiro
  • Postado em 11:37:22

11.08.08

Pai. . . . Padrasto

Eu sempre me senti incomodada ao ver e ouvir a Cléo Pires dizer que o músico Orlando Morais é seu pai.
Todos nós sabemos que seu pai é o Fábio Jr.
Sempre me senti intrigada com a situação.
Por que ela fala assim? Porque se sente assim?
Não que eu seja a maior fã de Fábio Jr, e isso tenha me levado á um julgamento parcial.
Gosto dele, já comprei discos, já fui á shows, mas, sou fã cega mesmo do Roberto Carlos.
Sou madrasta, e das boas.
Meu enteado, que vi crescer, é muito querido, somos amigos,confidentes, parceiros.
Mas a melhor madrasta do mundo, nunca será a mãe.
Assim como o melhor padrasto de mundo, e acredito que o Orlando tenha sido, será sempre o MELHOR PADASTRO DO MUNDO.
O pai, com todas as ressalvas que possam existir, É O FÁBIO JR.
E intrigada, me pergunto: Teria ela se influenciado por dores, mágoas, da mãe?
Conseguiria ela perceber que a história do ex casal é dos dois, e não dela?
Teria ela como perceber que os pais eram muito jovens, e cada um tem seu tempo de amadurecer?
Pensaria ela que “pode ser que daqui a algum tempo, haja tempo para ser mais, muito mais que dois grandes amigos?”.
Eles já teriam se dado essa oportunidade?
Relevar, perdoar, reavaliar. Aproximar. Cada dia um pouco.
Conviver com Fábio Jr, te-lo como pai, não diminuiria em nada a importância do Orlando Morais em sua vida.
Ele continuaria sendo tudo de bom que ele sempre foi. Um não exclui o outro.
Alguém, alguma vez, já teria dito isso?
Ela já teria falado com alguém sobre isso? Ou acha que não deve, não precisa?
Eu gostaria de poder dizer á ela, que o deixe ser “seu herói, seu bandido, mais, muito mais que um amigo”.
Eu gostaria de poder dizer á ela : “Cléo, o seu pai? Ta na cara. Na sua.”
Eu gostaria de poder dizer lhe que no Dia dos Pais, dê o primeiro passo, “lhe ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver”.
  • criado por  picida_ribeiro criado por picida_ribeiro
  • Postado em 10:32:19

30.07.08

Adeus ao primeiro semestre

E lá vamos nós para o segundo semestre. E depois de agosto, para mim já é fim de ano.
E a conversa que o tempo está passando cada vez mais rápido é a maior verdade.
No primeiro final de semana de julho, eu e o Décio, fomos á SP conhecer o apto do Rodrigo, seu filho.
A mãe dele que alugou, ajeitou tudo, no bairro do Morumbi.
Mas dizer que mora no Morumbi, é demais para um revolucionário barbudo, fã de Fidel Castro.
Ele diz que mora na Vila Sônia. Deve ter uma linha imaginária separando os dois bairros, para que ele não se sinta culpado, para que não sinta traindo seus ideais, mas, ele que me desculpe, mas ali é Morumbi sim.
Descobri que ele mora num lugar, onde não dá para eu “dar um pulinho” no Brás, Bom Retiro, 25 de Março, então, nem pensar.
Descobri também que não dá para dar “um pulinho” ao supermercado, ou padaria, para comprar alguma coisa que ficou faltando.
Fomos á Padaria do Bairro, buscar umas cervejas, a mais em conta era 3,80, paõzinho, então...
Um horror! Quase me quebra!
Mas ele está legal, nos recebeu bem, preparou Rondelli para o jantar, e café da manhã completo para o dia seguinte.
Não visitamos ninguém, só demos uma passeada pelo Shopping Morumbi.
Eu e o Decio jantamos numa churrascaria na Av Angélica das do tipo boa comida bom preço.

Depois fomos para Bragança Paulista, há 60 km de SP .
O Décio participou de uma corrida de 10 km lá.
Ele é novato no assunto, mas tem se saído muito bem.
E participar da corrida em Bragança Paulista foi um pretexto para rever a cidade e os amigos Sandra e Rogério.
Bragança Paulista faz parte de uma fase importante da minha vida.
A cidade, na montanha, paisagem linda, céu sempre azul, clima ótimo, sol radiante o dia todo, mas brisa leve, nunca calor escaldante, e á noite um friozinho bom, e gostoso.
E ainda por cima, 40 minutos de SP.
Eu realizava um dos meus maiores sonhos: vida tranqüila de cidade de interior, trabalhando com vendas na área de moda, viajando diáriamente mas nunca cansada, e sim feliz. Eu adorava





Rever Bragança, é sentir muito forte a ausência do meu pai.
Ali ele passou os piores e os melhores momentos de sua vida.
Enquanto fazia hemodiálise, o que era torturante, ele descobria a vida, sua beleza, seu encanto.
Fez amigos, passeou, viveu bem.
No segundo final de semana de julho, recebemos a visita da Sandrinha e seu filho Vitor de 11 anos.
A Sandrinha é uma grande amiga, que eu não via á anos, ela mora no interior de Minas, e por diferentes histórias, não pudemos nos ver, mas mantivemos contato, mantivemos a amizade intacta, firme e forte.
O reencontro foi tão interessante, que ela está pensando em se mudar para cá.
Na semana seguinte, enfrentei clima de tensão, por conta da viagem dos meus sobrinhos para ver o pai.
Não sou ignorante e tampouco insensível á ponto de achar que eles não deveriam fazer isso.
Não é essa a questão. A grande questão é a maneira como minha irmã me trata.
Nem um sinal de gratidão, pelo contrário, qualquer ajuda é considerada intromissão, e talvez seja, preciso rever meus conceitos... Mas ando triste, uma sensação de muito tempo, muito amor, por nada, nada.


Domingo o Decio enfrentou outra corrida 10 km, dessa vez em Ribeirão Preto, organizada pela Track Field.
Ele alcançou excelente resultado, foi quarto colocado na sua categoria, haviam 200, e foi 240 no geral, de cerca de 1000 concorrentes.
Tem valido a pena vê-lo nessa fase de conquista pessoal, com 59 anos, se superando.


Aliás, todos que ali estão têm sua história de superação.
Acredito que para muitos que ali estão, concluir a corrida já é vitória.
Me emociono com ele, por ele.
Me emociono com nossa vida, nossa história, nossas batalhas e superação.
Transpondo obstáculos, insistindo na estrada, e alcançando as metas.
  • criado por  picida_ribeiro criado por picida_ribeiro
  • Postado em 21:49:46

20.07.08

Exemplo de dedicação ao oficio !!

Nos dias de hoje, temos que trabalhar e ganhar cada vez mais, para que possamos consumir o que o mundo nos oferece. Novidades, moda, tecnologia, tudo novo á cada instante.
Assim está a vida, assim está o mundo, e todo profissional tem que receber o que lhe é de direito, para isso se preparou e é disso que vai viver. Nada mais justo.
Mas certas profissões deviam ser cotadas em outras escalas, outros valores.
Certas profissões, o Estado deveria se encarregar de prover com eficiência e dignidade.
Entre essas profissões: professores e médicos.
A medicina que o Dr. Nascimento pratica, é a que de verdade alivia a dor, e da esperanças, faz dela só um oficio e sim um quase sacerdócio
Como medir o valor de um trabalho assim?
A questão aqui e agora não é levantar a discussão política dessa situação, a questão aqui é destacar o trabalho de um médico, competente e exemplar, que faz seu trabalho, com capacidade e dedicação.
O Grande Nome Ibitinguense é Carlos Eduardo Nascimento. O Dr Nascimento.
Ele não se envolve com os apelos de consumo, quer e faz seu trabalho.
Sei de muitas histórias de pessoas que ele atende, no seu consultório, nas residências, quem pode paga, quem não pode tem dele o mesmo atendimento.
Do paciente mais ilustre, ao mais simples, ele atende com a mesma distinção.
Economiza nos galanteios, vai direto ao assunto. Ouve em silencio e em poucas palavras diagnostica. Impressionante sua margem de acerto.
Sei de muitas histórias, todas com testemunhos veementes e verdadeiros.
Sei de um senhor que após demorado tratamento de dores nas costas, indo em especialistas da região, descobriu tardiamente através do Dr Nascimento, um câncer no pulmão.
Outra paciente, jovem, cerca de trinta anos, depois de muitas tentativas, só conseguiu, saber de seu raro caso, mal Parkinson, nessa idade, com seu diagnóstico certeiro.
Na minha família mesmo, ele diagnosticou casos que salvaram vidas e curou doenças corriqueiras, se é que se pode chamar alguma doença assim.
A sala de espera de seu consultório merecia um estudo social, uma tese.
No mundo sectário de hoje, onde ricos e pobres quase não se encontram, no seu consultório estão todos lá.
No consultório confortável, mas sem luxos, ele atende todos exatamente da mesma maneira.
Ele não faz a menor diferença, entre um e outro. Ali todos se sentem iguais. Somos iguais.
E todos que ali esperam tem uma história para contar.
De diagnósticos difíceis que ele acertou, de favores que ele fez.
Muitos falam que não tomam remédio indicado por nenhum outro médico, sem antes falar com ele.
Todos que ali esperam, esperam com confiança, respeito e gratidão.
Acredito que muitos devem achar que ele é excêntrico, quando na realidade, é um profissional que pratica o juramento feito ao tornar -se médico de salvar vidas, de tratar, de curar.
Até dá para entender quem questiona seu estilo de vida.
Para tornar-se médico, é preciso muito estudo, uma vida toda de empenho e dedicação, isso não tem um preço?
Também não é a questão a ser pensada agora.
Seu atendimento aos pacientes, muitas vezes me remete á figura do Dr Vidal Haddad, mas isso tambem é para outra hora.
Agora, é hora de valorizarmos o presente que termos na cidade um médico assim.
E eu fico olhando sua pequena figura, e vendo o grande médico que ali está.Grande e raro .
Ibitinga agradece.


MATERIA PUBLICADA NA REVISTA MULTIVISÃO   JULHO/08
  • criado por  picida_ribeiro criado por picida_ribeiro
  • Postado em 17:59:04

29.06.08

Isso não tem preço

Mês de junho, se encerra com muita festa junina por aqui.
No interior de SP, a tradição continua firme e eu adoro.
Eu estive em uma festa junina, organizada por uma entidade beneficente, com música ao vivo, bandeirinhas, fogueira enorme, quentão, docinhos, queima de fogos, leitoa e frango assados.
Foi divertido, foi a família toda, meus sobrinhos adoraram.
Tive um Dia dos namorados bom. Eu gosto de datas, entro no clima e levo o Décio comigo.
Não costumamos trocar presentes, e nisso, esse ano não foi diferente.
Sem presentes, mas com programa especial.
Mandei e mail, recados no espelho, eu amo mesmo esse cara.
Fomos á uma pizzaria em Itápolis, uma cidade vizinha, que tem um clima bem legal.
Tinha música ao vivo, romântica e boa, decoração super transada com pequenos balões em forma de coraçõezinhos, velas nas mesas, meia luz.
Flores e sabonetes em forma de coração tomamos um drink, comemos uma pizza.
A melhor parte? Quando ele me abraçou apertado, me beijou, falou que me ama, que não saberia viver sem mim. “Isso não tem preço”.
Tenho trabalhado bastante, e adorando os resultados, tanto para a empresa, como para mim em particular.
Sabe o que é aos 52 anos, você entrar na fase de querer mostrar serviço?
Pensei que não fosse mais viver essa sensação, e acho muito estimulante. Acredito mesmo no trabalho que estou fazendo e na minha idade e “Isso não tem preço”.
Emagreci quatro kgs, mas já faz duas semanas que ponteiro não se altera, preciso começar a exercitar, ou caminhar, para ajudar a queima das calorias, mas pelo menos estou tentando pra valer a tal da alimentação saudável. Arghhh!!!
Nessa semana, morreu aos 56 anos a cantora Silvinha Araújo. Queeemmm?
Pois é, uma cantora da turma da “Jovem Guarda”, provavelmente a melhor delas, começou a carreira menina ainda aos 16 anos, fez dois sucessos que eu cantei a plenos pulmões, com todo entusiasmo de meus 12/13 anos em Tabatinga, logo depois se casou com Eduardo Araujo, então um grande ídolo, e juntos ficaram para sempre. Mas ela sempre foi uma grande voz, gravou muitos jingles, fez shows de jazz em casas noturnas de SP, tinha voz de travesseiro, e nunca perdeu a cara de garotinha. Há uns dois anos atrás, eu estava no Bom Retiro, na loja Equus,e ela estava lá com a filha. Ficamos por muito tempo, uma ao lado da outra, eu só observando suas conversas, e lembrando os meus tempos de criança e fã. A gente nunca deixa de ser fã.
Muda os gostos, os estilos, mas de quem você foi fã, sempre será . Fã do artista que um dia gostou, ao que o artista foi num determinado momento de sua vida.
Há de ter dos de 30 anos, que foram fãs da Xuxa, Simony, e num breve futuro, teremos os fãs saudosistas de Sandy e Jr.
Na maturidade, poucos assumirão. Pena. Eu fui fã da Silvinha, lamento sua morte prematura.
Sábado passado, teve um show raro em Ibitinga, uma vez que quase nunca acontece nada por aqui.
Show do Fábio Jr, banda completa.
Quer saber? Eu gosto do Fabio Jr. Atire a primeira pedra quem não tiver pecado.
Foi um show caro para os padrões de cidade do interior, R$150,00 por pessoa, mas acho que valeu a pena.
Foi num clube de campo, muito bem organizado, lugares marcados, a banda era muito boa, e o coral era composto por cinco negros afinados e bonitões.
O repertório foi de seus maiores sucessos, minha preferida é “Pai”, e sucesso de outros compositores como Gonzaguinha, Raul Seixas, Tim Maia, Renato Teixeira, até Ana Carolina.
Fui com o Decio e minha irmã Liliana.
Como era um grande evento na cidade, compramos roupa nova, caprichamos no cabelo, na maquilagem.
E quando ele entrou no palco, me peguei toda feliz, em pé, batendo palmas e gritando :Lindo!!!
Ele continua um gatão, cara de gostoso.
Foi todo tempo, simpático e educado com a platéia repleta e cinqüentonas felizes, com os hormônios em ordem, ou desordem.
Não deixa de ser interessante observar as mulheres de cinqüenta dos dias de hoje.
Elas estavam ali, a maioria acompanhada dos maridos. Elegantes, jovens, bonitas, alegres e vaidosas, vendo o provável ídolo da juventude, ele também beirando os 60 anos, igualmente inteiro, no visual e trabalhando, produzindo.
Uma geração com mais de 50 anos, cheia de vida.
Com a sabedoria necessária para usufruir tudo de bom que a vida pode dar, mesmo nas coisas mais simples.
Isso também não tem preço.
  • criado por  picida_ribeiro criado por picida_ribeiro
  • Postado em 00:17:12