DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

29/6/09

SABE-SE LA

 

SABE-SE LA

Quantos anos ele tinha quando começou a cantar? Quantos anos ele tinha quando fez sucesso internacional?Aos 10 anos já era um sucesso. Carregava o grupo musical Jackson Five e a família nas costas.

Como deve ter sido para essa família, a consciência de que ELE era a estrela, era quase tudo no grupo?Como o tratavam? Sentiam orgulho? Sentiam inveja? E ele, como se comportava? Seria humilde? Arrogante?  Ele era a estrela. Tão menino. E como cantava.

Eu já era fã, nessa primeira fase. Morava em Tabatinga, quando o vi pela primeira vez na TV, até então, só tinha ouvido. Aquele clip, preto branco, em que ele canta com os irmãos, cabelo Black Power.

Eu lembro detalhes. Estava vendo TV na casa de uma amiga, Lucia Salata e ainda morava em Tabatinga. TV por ali era luxo, não tinha na minha casa.
Lembro de te-lo achado mais novo do que eu imaginava. Nossa, era um menino!!!

Repararam como alem de cantar com grande alcance de voz,era afinado, musical. E já dançava, muito e bem.Alguns anos sumido, e ele ressurge ainda melhor nos anos 70.

E melhor ainda, nos anos 80.

Claro, que mesmo sendo muito fã, não conseguia entender, explicar, o que aconteceu com ele. Céus! Não havia ninguém para trata-lo de verdade? Ninguém para impedir seus exageros?

Que interesses haveriam por trás disso tudo?
Sabe-se lá.

Recentemente eu estava vivendo uma fase Michel Jackson.

Ouvindo muito Jackson Five também. Estranho..   
Há um mês atrás, uma amiga me emprestou o CD, fiz cópias para minha Tia Lùcia, meu irmão Neto, minha irmã Liliana e claro, uma para mim.Ouvia com atenção, deslumbrada com sua voz. Só agora depois de sua morte, prestei maior atenção á sua dança.

Demais, não??? E desde sempre. Gênio. E como todo gênio, a gente não entende.   E tudo que diferente de nós, não aceitamos.

Bem ,mas ele exagerava.

Sabe que chego a acreditar na sua inocência nos casos de pedofilia?
Será que a admiração me cega?

Vejo pais gananciosos, isso sim.
Onde foi que li, “que pais são esses, que preferem um acordo de 20 milhões de dólares, ao invés de mandar para cadeia, o perverso que molestou seu filho?    

Criei uma tese, baseada na minha história.

Quando ele estava em plena infância, teve que trabalhar, era sucesso mundial. Criança ainda virou celebridade e passou a viver isolado. Talvez ele quisesse só ser a criança que não pôde ser na hora certa.

Porque há sonhos e vontades de criança que a gente carregava pela vida toda.
Sei disso porque, há coisas que eu quis e sonhei em criança, e não pude, que sem perceber, fiz questão de ter na vida adulta.

Exemplo: quando vejo belas casas, arquitetura moderna, acho bonita e só. Não me imagino morando ali, não me imagino dona de uma. 
Ah! Mas quando vejo um desses casarões antigos, bem anos 60, eu sonho, imagino ali minha casa.

È uma fantasia infantil. Eram essas casas, ou casas assim, que eu sonhava ter. Meus castelos.

Decoração também. Gosto, e tenho poltronas pé palito anos 60, assim como cristaleira, louças antigas.

Se bobear, escolheria como carro um Sinca Chamboard. Minha irmã, que quando criança nunca pode ter uma boneca como sonhara, ganhou uma da minha mãe quando tinha 20 anos e cuidava de sua boneca, que abria e fechava os olhos, tinha cabelo para pentear.Talvez ele só quisesse recuperar o tempo perdido. Sabe-se lá.

Mas que suas doentias esquisitices, não ofusquem o seu brilho, seu talento descomunal. Gênio.

E todos os gênios tem um final assim. Sempre fóra do tempo, fóra de hora. De Tim Maia,  Elvis Presley, Carmem Miranda, Elis Regina. Nem tão gênio, mas muito bons, nessa turma: Cássia Eller e Cazuza.

John Lennon foi diferente. Gênio, mas morto por fatores externos.
Os demais, morreram de excessos. Tentando retomar á vida, retomar a carreira.

Talvez quisessem parar, mas não podiam mais, não deixavam.  Talvez quisessem apenas recuperar a glória. O que se sabe é que foram cedo, tragicamente, levados pelo excesso. E como diz Mario Mendes em seu blog: excesso de trabalho, de bebidas, de drogas, de remédios, excesso de TALENTO.

Sabe-se lá.

Nos blogs de Mario Mendes e Tatiana Rezende  jornalistas dos bons, tem posts emocionamentes sobre Mickael Jackson. Como eu já comentei em seus posts: escrever assim não se aprende na escola.

 

 

criado por picida_ribeiro    23:25 — Arquivado em: relacionamentos — Tags:, , , , , ,

21/6/09

NOME DE ANJO

 Não sei se é comum entre as pessoas de minha idade, mas eu tenho uma certa resistência á coisas novas.

Resisto, mas me adapto. Tento não me limitar.

Sou assim até nos relacionamentos.

Cultivo e sou atenta aos meus velhos e bons amigos,e aos relacionamentos que a vida foi preservando.

Sou arisca com pessoas que chegam agora, querendo ser, ou ficar “melhores amigos”.

Sou simpática, convivo, mas não confio.

Parece que a decepção virá á qualquer momento. Procuro não criar grandes expectativas. O pior, é que quase sempre acerto.

E eu sou um tanto preconceituosa com essa nova geração.

Embora eles tenham mais informação, tendo a achá-los mais vazios, descartáveis. Menos empreendedores no trabalho, no estudo.

Pré- conceito. Concordo. Mea Culpa. Mea Culpa

Acho-os menos respeitosos com as pessoas, menos educados, menos gentis, mais egoístas.

Estão sempre esperando que alguém faça algo por eles. Os pais, de preferência.

Posso estar equivocadísssima, e essas mudanças, serem reflexos de algo melhor que os tempos em que vivi minha adolescência e juventude, onde éramos muito reprimidos, sem direito a quere e a achar nada.

E com esse olhar crítico e desconfiado, há quase 2 anos atrás conheci o Rafael, hoje com 23 anos.

Ao contrário da maioria de pessoas com sua idade, ele dá atenção e conversa com os mais velhos, sem aquele olhar “blasé”, entediado, ou então com certo desdém, tipo” você não sabe de nada”.

Fiquei observando seu jeito de trabalhar.

Atento, rápido, eficiente. Discreto, inteligente, bonito.

Vi seu comportamento com os colegas de trabalho, clientes, sua sede de aprender, e depois por em prática. Conhecer, saber.

Ele é uma esponja, pronta a absorver o que de bom pode passar por sua vida.

Bom filho, bom namorado, é das pessoas que os mais velhos gostam de ensinar, de ajudar.

Além de receber a gratidão, você tem a chance de perceber que nada foi em vão.

Alguém está tirando proveito das experiências vividas. As certas e as erradas.

E nesse período, não ensinei apenas. Aprendi todo dia.

Aprendo com seu BOOM DIIIIAAAA  sorridente, anunciando um bom traballho.

Se ele tem problemas, e todos têm, não leva para o trabalho.

Trabalha com afinco, dando sugestões, sempre acrescentando alguma coisa.

Ele costuma dizer que têm orgulho da empresa em que trabalha, que é feliz com seu salário, embora queira crescer e ganhar mais.

Eu incentivo. Trabalhamos na empresa de meu irmão, que é do setor financeiro, e atravessa seus momentos de dificuldades, agravados por grande índice de inadimplência. Propus para o Rafael, para incentivá-lo ainda mais, que á cada recebimento eu pagaria 5% de comissão.

 

Ele gentil mas firme, disse que não.Que era pago para fazer esse trabalho, e que receber comissão nesse momento, ele consideraria extorsão. Em outra circunstâncias, talvez. Fiquei calada   

Ele disse que sempre foi o melhor aluno da classe, especialmente, matemática e física.

Sugeri curso universitário á distancia, na área de administração, FGV, ele passou mas a grana não deu, mas ano que vem, fará de novo e vou ajudar no que puder.

Ele ficou amigo do Decio. Gosta de trocar idéias com ele. Aprender sobre filmes, música, conhecer o jazz. Eu ensino a velha e boa MPB.

Nem tudo ele gosta, mas vai conhecendo e formando conceitos.

Quando contei á ele que o Decio ia embora, abaixou a cabeça, e vi lágrimas escorrendo de seus olhos.

Falou como Decio é um amigo importante e querido para ele. Mais que amigo, quase um pai.

Fez questão de ir até minha casa, num momento em que eu não estava e falar isso diretamente para o Decio, de forma sincera e emocionada.

Outra novidade para mim. Nessa geração, especialmente os homens, poucos demonstram os sentimentos e falam sobre eles de maneira tão transparentes

Mesmo sabendo de algumas coisas pessoais, nunca misturou situações, posições e posturas profissionais.

Sempre me tratou com respeito e consideração.

Durante a difícil fase de separação, ao final de mais um dia de trabalho, ele me disse para ir para casa e fazer alguma coisa diferente. “O que você não costuma fazer? O que você não faz NUNCA?”

Nunca coloco música para ouvir, só ouço musica no carro, ele disse então: põe um CD, uma musica que você goste, um som bem alto.

Nunca faço caminhadas, nem exercícios.

Então, sugeriu: caminhe, faça exercícios, e depois coma um bom prato de salada.

Cada vez que eu chegava em casa, e ia desabar na cama, lembrava do que ele me havia dito, e punha em prática. Deu certo. Fez esses meus dias melhores.

Tem lá seus senões… tem ainda o que aprender, sempre temos.

Sendo muito servil, ainda não consegue separar ocasiões ou situações de dizer NÃO. Ou então, quando vai negociar com cliente ou devedor, ainda não sabe a situação em que terá que impor um ponto de vista, ou fazer uma colocação mais profissional.

Certa vez, consultamos o Aguinaldo, do blog Crônicas Corporativas, sobre como ele poderia começar a ser visto com outros olhos, pela direção da empresa, pelos colegas, pelos clientes. O Aguinaldo orientou e ele seguiu. Já melhorou muito!

Outro problema? Não gosta de ler. Naaadaaa. Comecei á levar umas revistas para ele, e tento falar dos prazeres da leitura.

Dia desses, ele me falou que estava esperando a Priscila, sua namorada se arrumar, e sua sogra, A Dona Quitéria, fritou coxinhas para ele, e é muito atenciosa com ele. Disse “Sempre dei sorte com as sogras”. Eu respondi: “Já parou para pensar que foram elas que deram sorte com você?”

Eu costumo dizer lhe  que ele é minha última aposta no ser humano. Se não der certo…desisto…

E espero para ele um futuro brilhante. Espero que ele colha os frutos das boas sementes que planta, pois seu terreno é fértil.

O universo em uma cidade de interior é limitado e ele pode ser muito maior que tudo isso. Basta acreditar em si, não esmorecer e não se adaptar as mesmices . Saber que mesmo por aqui, ele pode sempre ser maior. Porque é grande. Uma grande pessoa. Um grande homem.

 

criado por picida_ribeiro    19:24 — Arquivado em: relacionamentos

18/6/09

SEM NUNCA TER SIDO

 

Para ser jornalista, não será mais necessário a conclusão de curso superior. Acabou a obrigatoriedade.

E o post no blog da Tatiana Rezende, uma jornalista de primeira, no topo da carreira profissional, expõe o assunto com sua habitual competência.

Quando fui deixar meu comentário em seu blog, vieram as lembranças de meus primeiros sonhos profissionais.

Quando deixei Ibitinga, aos 18 anos, no ultimo ano do colegial, queria estudar jornalismo, queria ser uma jornalista.

Isso, porque com a pretensão exorbitada típica nessa idade, acho que já me achava jornalista.

Eu escrevia para o jornal da cidade “O Comercio”.

Era colunista fixa, escrevia sobre variedades, incluindo a vida social da cidade. Era a Joyce Pascowicth do pedaço, da hora.

E quando chequei a S.Paulo, juntei o fato de gostar de escrever, com a tremenda cara de pau, que me era peculiar, e saí entrevistando quem eu tivesse interesse em conhecer, com o pretexto de colocar no jornal.

Unia o útil ao agradável. Eu realmente fazia entrevista, eu realmente as publicava.

Outros tempos, as celebridades davam oportunidade. Eu entrevistei quem eu quis.

No auge de Festivais, num festival da Globo em 1975, ganhou Carlinhos Vergueiro, com uma música que falava sobre futebol. A música era boa, ele era bom, e bonito!.

Descobri sua gravadora, descobri seu empresário, marcamos a entrevista, fui até seu apto na Oscar Freire. Um apto pequeno, modesto, ele com a filha bebê.

Quem estava lá, tocando violão com ele? Toquinho. Um ídolo, grande músico e bonito.

Pensa que eu me acanhei? A caipira do interior, encarou tudo com naturalidade, fiz a entrevista, achei os dois muito legais, educados, atenciosos. Escrevi a matéria. E fiquei “me achando”.

Depois, meu lado “Maria chuteira”, quis conhecer Oscar, na época zagueiro da Ponte Preta, simpático, bonitão, estudava Fisioterapia na PUC de Campinas.

Ele estava despontando na carreira, depois foi por anos zagueiro do SP e foi titular da Seleção Brasileira do Telê Santana, aquela do Zico e Sócrates.

Também descobri na pura cara de pau. Telefonei para time, assessoria de imprensa, marcava entrevista e publicava.

Assim entrevistei o Vladimir do Corinthians, Valdir Peres do São Paulo.

Kito Junqueira era um ator global, de muito prestigio na meio teatral na época, com peçaa de sucesso e prêmios com a peça Bent.

Pronto. Mesma coisa. Pesquisei, localizei, entrevistei, e publiquei.

Onde? No jornal de Ibitinga.

Com todos, eu tirava uma foto.

Minha irmã, fã ardorosa do cantor Fagner. Quer conhece-lo? Deixa comigo…

Ele no auge do sucesso, de lotar estádio, eu entrevistei, nos encontramos tanta vezes que ele chegou a ficar “amigo”, tanto que em duas capas de seus CDs, fotografou com camisas que foram presentes de minha irmã. E um dia, no seu camarim ele nos apresentou Milton Nascimento e nós ali, cara de paisagem… Mas, essa é uma história para um capitulo á parte…

E, glória para mim, foi entrevistar a dupla gaúcha Kleiton e Kledir, meus ídolos máximos dos anos 80, em temporada de sucesso no Palace, a casa de show do momento.

Para mim, isso era muito natural.

Isso não é, digamos um “instinto” jornalista natural?

Eu escrevia o que acontecia.

Com o amadurecimento, essas aventuras foram passando, mas fiz assessoria de imprensa, que era mandar um texto falando sobre os lançamentos, com fotos feitas por profissionais para serem publicadas na imprensa.

Tive considerável êxito nessa tarefa, mas ela era só um complemento de meu trabalho, que era na verdade, gerente de vendas.

Voltando para Ibitinga, fui convidada a escrever na revista Multivisão.

Revista local, pequena circulação, mas eu tinha minha coluna, escrevia sobre o que bem entendesse. Isso não é quase ser jornalista?

Prestei vestibular para Jornalismo na \Usp, não consegui entrar. Fiz Letras, nem completei.

O dinheiro que me sustentava vinha de meu trabalho na área de moda e o sonho e vocação foram passando.

No seu blog, a Tatiana comenta sobre os estragos que um mau jornalismo fez com a história da Escola Base de São Paulo. Realmente. Verdade.

No meu comentário, falo do estrago, que a imprensa fez com a vida e carreira do cantor Wilson Simonal.

Estrago que começou com o pessoal do jornal O Pasquim, o grande órgão de oposição do Governo militar, aquele que tinha coragem e competência para dizer verdades com talento.

Era formado por grandes intelectuais, nenhum jornalista formado.

Grandes intelectuais. Que erraram, acertaram, como qualquer jornalista profissional.

Formados ou não.

criado por picida_ribeiro    23:09 — Arquivado em: relacionamentos

17/6/09

TÔ NAMORANDO II !!! ( A VOLTA )

Tudo bem, o Decio voltou, estamos namorando, quase felizes.

Quase… porque não é tão simples e fácil assim.

Têm as mágoas que foram ditas, as que ainda estão para serem faladas, mas elas estão por aqui.

Ele deve ter mil coisas ainda para dizer, eu tenho coisas para falar.

Qual a hora de falar? Agora, e correr o risco de discussão, perder o clima?

Qual o momento, qual o lugar? E como falar? Ou não falar? 

Não sei como falar para ele sobre o que sinto em relação á sua familia, á seus parentes.

Uma mágoa tão grande pela indiferença com que meus sentimentos foram tratados, a facilidade com que foi tratada a exclusão. Para mim, hoje, parece imperdoável. Não consigo imaginar uma convivencia, sequer amistosa.

Por ele, pelo nosso relacionamento, até onde eu conseguiria ir, "no social"?

A alegria de te-lo de volta, caminha paralela á mágoa dele ter ido.

Hoje, vejo com mais clareza seus motivos, e em muitos lhe dou razão, mas o jeito que isso foi feito, o momento em que isso foi feito, não foi assim , apagado, como se nada tivesse acontecido.

Às vezes, ele percebe a falta de alguma coisa sua, que eu dei, joguei, sumi com elas.

Fica aborrecido, disse que eu não tenho apego a coisas, lógico, o que eu mais queria naquele momento, sera o desapego á esas coisas.

Eu queria que ele voltasse, mas não fiquei esperando que voltasse. Eu gostava de á cada dia, dar um fim em alguma coisa pessoal dele, que estivesse por ali dando sopa.

Um dia uma escova de dente, outro dia uma camisa, camiseta, e outras coisas, que ele ainda não percebeu, e não vou contar agora, que não sou boba!

Mas o importante é mantermos a intenção de ficarmos bem , de ficarmos melhor. Eu estou super á fim. 

criado por picida_ribeiro    13:16 — Arquivado em: relacionamentos

15/6/09

TÔ NAMORANDO!!!

O Decio voltou . Não foi assim, de repente.

À princípio, conversávamos quase  diariámente, naquela  linha ex e amigos.

Na prática, isso dificilmente dá certo. Acaba se tornando hipocrisia.

Eu tinha que ouvi-lo falar de seus planos, e dizer “que bom!”,”ótimo que está tudo dando certo.”

A mais deslavada das mentiras. Se tudo desse certo por lá, ele não haveria de voltar.

Também não poderia dizer: “quero que você se exploda”.

Optei por evitarmos o contato diário, e acho que isso ajudou a faze-lo sentir minha falta.

Ele disse que se sentiu muito incomodado quando leu no meu blog , a referencia á meu EX MARIDO.

Que ele não se sentia assim. Como não? Porque não?

Há 15 dias atrás ele veio para casa para que conversássemos. Chegou cheio de beijos, presentes e saudades. Tivemos a conversa que deveríamos ter tido quando ele foi embora.

Ele disse que não se sentira preparado para conversar antes. Que provavelmente não partiria. E precisava sair, que tinha perdido suas referencias, que era só uma sombra minha, que era só o que eu queria que ele fosse. Crise de identidade.

Mas que gostava de mim, que deveríamos namorar, e no futuro quem sabe…

Eu tentei entender, aceitar, mas me sentia confusa.              

Passado alguns dias, fiz um balanço de nossa história.

28 anos de convivência, com amor e amizade plenos.

Ele sempre foi um ótimo parceiro, ótima companhia e era o homem que eu amava.

Ele com 60 anos, recomeçando a vida, longe de sua casa, seu espaço, não me parecia certo.

Depois, observei os conselhos. Os amigos do casal, com muita discrição, começaram a comentar que eu deveria mesmo rever algumas atitudes, que eu não deixava espaço para ele. Rosana, Verci, até minha irmã Liliana.

 Bom, quando irmã da gente demonstra uma leve tendência para o outro lado, é porque você pisou na bola e faz tempo…

Pedi que voltasse, que conversaríamos sobre nossa relação aqui. Sempre nos demos muito bem, sempre houve possibilidades de qualquer discussão entre nós. Nos amávamos e respeitávamos o suficiente para isso.

Pedi que voltasse. Que tudo poderia ser revisto daqui.

E assim foi feito.

Ele chegou na noite do Dia dos Namorados, quase dia 13, Dia de Santo Antônio.

Estamos namorando, revendo emoções, situações e ações.

Às vezes, estamos ao lado da pessoa todos os dias, pensamos que está tudo bem tudo bom, e vem insatisfação e questionamentos.

O importante é ficar juntos e tentar fazer e estar melhor.

Dar e receber. Adaptar se á cada mudança do mundo, da vida e das pessoas.

A gente nunca conhece alguem totalmente, nunca.

E isso é que torna a vida nova, sempre. È por isso que uma história de 28 anos de vida conjugal, pode ser nova sempre. Porque á cada dia, é uma nova pessoa que acorda ao seu lado, que se apronta para viver mais um dia com você.

E essas novas pessoas, juntas, têm que se descobrir e apaixonar um pouco, de novo, outra vez.

Admirar o novo de cada um, fortalecer os sentimentos já estabelecidos.

Estamos namorando.

Ampliando sentimentos, preservando espaços.

Começando tudo outra vez. De novo e sempre.

criado por picida_ribeiro    23:45 — Arquivado em: relacionamentos

12/6/09

PRIMEIRO AMIGO II

No post anterior deixei de escrever algumas coisas que acho importante na história dessa grande amizade.

O Negrine, era o melhor amigo, quase irmão, do meu primeiro amor totalmente platônico, Osvaldinho, que já um rapaz universitário, tratavam os meus sentimentos com respeito e delicadeza.

Ele reparava e elogia roupas novas e mudanças no cabelo, numa fase em que a auto estima está em formação, onde a gente não é menina, não é mulher, desengonçada total, ele sempre tinha um olhar e palavras carinhosas.

Embora nunca falasse sobre religião, ele ia todos os domingos á missa pela manhã.

A carta que ele escreveu, os conselhos que ele me deu, fizeram toda diferença em todo o resto de minha vida.

Acendeu uma luzinha de "alerta", "fique esperta", me sentí querida e importante, e não queria decepcionar. Voltei a andar na linha rápidinho, quando já calçava as sandálias para trilhar uns caminhos, sabe-se lá…

Nunca falamos sobre a carta, nem agradeci, mas ele sabia que era o amigo mais querido.

O que ele nunca soube foi a importancia que teve e da diferença que fez em toda minha vida. 

criado por picida_ribeiro    11:13 — Arquivado em: relacionamentos

10/6/09

PRIMEIRO AMIGO

Espalhado nos escritos de 3 anos de existência de meu blog, há registro de histórias e pessoas  significativas da primeira fase de minha vida.

As primeiras lembranças da infância, até 1970, quando com quase 15 anos, me mudei de Tabatinga para Ibitinga.
Cidades vizinhas, 30 Km de distancia, mas estilos de vida muito diferentes.
No interior de SP, não sei sei se ainda é assim, mas existe uma diferença enorme entre o estilo de vida em uma cidade de com uns 10.000 habitantes (Tabatinga, na época), e Ibitinga, já cerca de 40.000.Entre as histórias, há uma que foi muito forte na minha vida. História de um amigo muito especial, sobre quem eu nunca tive coragem de falar aqui.
Não me sentia preparada para retratar com verdade meus sentimentos em relação á ele e sua história.
Não me sentia capaz de transcrever meus sentimentos em relação a sua importância para mim, ainda tão menina.
Mas, lendo um post no blog Lucy in the Sky, onde ela fala sobre um amigo especial, criei coragem para me atrever, para tentar.
No inicio da adolescência, a gente procura ídolos.
Aqueles do cinema, da TV, e os que conhecemos na vida real.
O primeiro ídolo da minha vida, meu primeiro ídolo real, naquele universo tão pequeno em que eu vivia nessa fase ( Tabatinga), era o Negrine. José Negrine.
Tudo que escreverei sobre ele, foi visto com meus olhos de menina encantada.
Primeiro, ele se tornou alvo de minha admiração, porque era bonito.
Já falei de sua beleza, no post Beleza Interior.
Era alto, quase 1,90, ombros largos e atléticos, barriga tanquinho, muito antes da fase das academias de ginásticas.
Era sua natureza, aliada aos esportes que sempre gostou de praticar.
E como era bom atleta.
Goleiro do time oficial da cidade, do colégio, jogava basquete, futebol de salão, corria nos campeonatos dos Jogos Estudantis.
Era bem humorado, sorria, com os olhos, que fechava á cada sorriso.
Richard Gere não perde, mas empata.
Apesar de ser 7 anos mais velho que eu, ficamos amigos.
Cada vez que ele ia jogar, eu pedia para segurar sua mochila, cuidar de seu relógio, segurar seus cadernos.
Ele sempre participava dos grêmios estudantis.
Ele carregava votos. Dos rapazes, porque era amigo, simpático, gente boa.
Das meninas, porque era tudo isso e … bonito.
Eu gostava da maneira que ele me tratava. A gente conversava muito, as vezes sobre amores, planos e muitas vezes piadas e muito risos. Ele era bom nisso.
Eu ria muito com ele.
Ele me tratava com respeito de gente grande. Eu gostava disso.
Ele tratava as pessoas com respeito.
Era um cara simples, hoje vejo que sua postura ética com as pessoas, com o mundo, ele não aprendeu. Nasceu sabendo.
Uma prova definitiva? Eu sempre fui adolescente desinibida, alegre, festiva, mas careta. Não fumava, acreditava que virgindade era para sempre, ou quase isso, beijar na boca era pecado, e dançar de rosto colado, proibido!.
Resultado: Não tinha namorado. Eu via todas minhas amigas namorando, menos eu, sem contar que não tinha nem um pretendente.
O que omaginei? Não namoro porque sou careta, vou ficar mais liberal, como minhas companheiras.
Não fui muito alem, mas comecei a sair com as meninas mais descoladas, que fumavam, dançavam agarradinhas, davam uns beijos. Estava me enturmando.
E nos bailes, quando vinham garotos das cidades vizinhas, comecei a dançar juntinho, estava liberando…
O Negrine, que estava fazendo Faculdade de Matemática em Bauru, e vinha todos os fins de semana para Tabatinga, começou observar minhas atitudes.
Não me disse nada. Escreveu uma carta, onde dizia para eu viver meu tempo, ser eu mesma, escolher as melhores amizades, que eu era diferente, para eu não apressar as coisas e continuar a ser aquilo que eu acreditava.
Uma carta linda. Três paginas, com sua letra grande, firme, forte, de professor. Li a carta para minha mãe, mesmo me arriscando a levar bronca por estar então, tentando “maus caminhos”.
Ela ficou encantada com ele.
Naquele tempo, na minha cidade não havia carteiros. Você passava no correio e perguntava: Tem carta para mim? Não precisava dar o nome.
A emoção indescritível de receber uma carta surpresa. Quase nunca ninguém escrevia para mim. Eu era uma menina de 13 anos. Ele um universitário de 20 então.
Que se preocupou como um irmão com meu futuro. Não me esqueci disso nunca.
A carta veio para mim: Maria Aparecida Ribeiro (Picida.)
Dos 12 aos 15 anos fomos amigos íntimos.
Com 15 anos mudei me para Ibitinga, mas férias e feriados, eu viajava para Tabatinga para rever os amigos especialmente o Negrine. Mantivemos o contato próximo até meus 18 anos quando fui morar em SP.
Então os encontros passaram a ser esporádicos.
Em 1976, no feriado de Finados 01/11 morando em SP, vim passar feriado em Ibitinga e fui passear em Tabatinga.
Eu, na porta do clube com amigos, ele na praça em frente com sua namorada Eunice.
Calça jeans, camisa branca. Chamei seu nome, ele acenou.
 Foi a ultima vez que o vi.
Eu estava com 20 anos. Ele exatos 27.
15 de novembro haveria eleição para prefeito, ele já tão novo, era candidato a vice .Se não me engano, ele foi bem votado, mas não se elegeu.
Duas semanas depois, num sábado a tarde eu vinha de ônibus para Ibitinga passar mais um final de semana. Na parada que o ônibus faz na rodoviária de Araraquara, entrou um antigo colega de classe João Marquesi e me disse que soubera que um Negrine havia morrido.
Pensei em irmãos, primos dele. Jamais nele. Para mim, ele era infalível, e imortal.
Quando o ônibus fez parada em mais uma cidade, Nova Europa, a confirmação: Era o Zé Negrine, e com tiro. Como tiro? Em Tabatinga tinha revolver? Nem guardas eu via armado por lá.
Na parada de Tabatinga, exatamente ás 17 hs, saia o enterro, uma multidão na rua, as pessoas transtornadas.
Eu quis descer do ônibus por lá mesmo, o motorista e mais um amigo de Ibitinga não deixaram
Segui mais meia hora de viagem. Minha mãe e minha irmã me esperavam na rodoviária, queriam ser as primeiras  a me contar. Já imaginavam o choque e a perda que seria para mim.
Foi a primeira vez na minha vida que alguém que eu amava, morria.
E elas me contaram a historia incrivel e trágica. Quase inacreditável.
Na sexta feita a noite, ele deu aulas no Colégio da cidade de Itápolis, e ao contrario do que era habito fazer, avisou na casa do amigo onde costumava se hospedar que após a aula, iria embora para Tabatinga, embora não gostasse de dirigir a noite naquela estrada de terra.
Avisou aos pais do amigos que não esperassem por ele.
Mas os alunos após as aulas da sexta feira, convidaram para um choppinho. Ele foi, conversaram ate tarde, ele se sentiu cansado, mudou de idéia: iria para Tabatinga no sábado pela manhã;
Quando foi para casa do amigo, todos estavam dormindo, ele não quis acordar. Ele já tinha sua cama, seu quarto reservado e sabia o segredo de abrir a porta:
Era só forçar, o trinco baixava, a porta abria.
Quando forçava a porta, o amigo, dono da casa, descia as escadas, perguntou quem era, ele não deve ter ouvido, não respondeu, o amigo que era cadete, deu um tiro para assustar o possível ladrão.
Acertou o amigo. Antes mesmo que ele abrisse a porta, seus pais, desceram correndo para avisar: “Ouvimos o Negrine colocar o carro na garagem.”
Era tarde. Um tiro só. Ele só teve tempo de dizer: “Deus tenha pena de mim”.
Acho que ele falou isso num pedido de socorro.
Depois eu soube, que no enterro, já quase 19 hs, começando a escurecer, o padre teve que pedir a população que deixassem que ele fosse enterrado, que estava escurecendo. AS pessoas se recusavam a aceitar o fato.
Fui á missa de sétimo dia.
A igreja lotada de uma maneira nunca vista.
Os amigos chorando, murros na parede, uma dor escancarada.
Naquele natal e muitos depois a cidade não se enfeitou, não acendeu luzes nem os piscas,
Durante muito tempo, sozinha no meu apto em SP, eu ouvia as musicas do cantor italiano Gianni Morandi, que tocava no cinema de Tabatinga e me lembrava dele, e chorava muito, muito. Tanto que uma vez uma vizinha perguntou quem chorava tanto a noite?
Confessei e assumi.
A dor foi passando, a foi ficando sua falta, saudades e lembranças boas.
Apesar de lamentar sua perda, agradeço a sorte de te- lo conhecido, por ele ter feito parte da minha vida.
E desde então, fiquei pensando intrigada: Pessoas especiais morrem mesmo mais cedo e desse jeito trágico?
Nunca o esqueço.
Voltando á morar no interior, fui passear com o Décio em Tabatinga, e no topo no Ginásio de Esporte seu nome: GINÁSIO DE ESPORTES JOSÉ NEGRINE.
Merecido. Tudo a ver com ele.
E Na TV TEM, Globo regional, quando há campeonatos de futebol de salão são disputados nesse ginásio, ouço seu nome mil vez na TV, lembro dele, de sua historia.
Lembro de tudo que ele foi, penso em tudo que ele poderia ter sido.
Uma saudade doce, melhor das lembranças.
E assim, como o blog lucy in the sky, encerro com Canção da América:
AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR, DO LADO ESQUERDO DO PEITO, MESMO QUE O TEMPO E A DISTANCIA DIGAM NÃO.
 
 
“Das lembranças que trago na vida, ele é a saudade que gosto de ter”.
 

 

criado por picida_ribeiro    21:35 — Arquivado em: relacionamentos

8/6/09

MINHAS HISTORIAS

 

Dias atrás, no noticiário, o show de Jonas Brothers. Queeemmm???
Eu juro que eu tento acompanhar as mudanças, não quero ficar presa só a Beatles e Rolling Stones.
Mas é difícil. Justifico dizendo que a qualidade é outra, tudo tão mais descartável, tão fabricado, ou alguém alem das adolescentes de 13 anos, acredita na história da virgindade dos garotos?
Cada uma … Mas tem sempre que ser apresentado algo diferente.
Então, vira a bola da vez, depois passa, e rápido.
Os Menudos serão lembrados por mais tempo.
Não sei nem cantarolar uma musica deles, não me interesso. Da Britney Spears conheço alguma coisa, mas da vida dela, sei quase tudo.
Repararam que para ser cantora de sucesso nos dias de hoje, tem que ser bonita?
Tem que cantar, dançar. Byoncé, Jennifer Lopes, Rihanna, e as negras não são mais tão negras, e seus cabelos são mais lisos que o meu.
O Brasil tem seus bons exemplares de sucesso de cantoras competentes e bonitas: Ivete Sangalo e Daniela Mercury.
Além de  bonitas, cantam, dançam. E concordo com Camila Paglia que agora declara ao mundo todo que Daniela Mercury é melhor que Madona. Alguém discorda?
Até Maria Rita teve que se adaptar. Canta produzidíssima, de mini saia, e fique feia para ver…
Imagino uma voz como Elis Regina hoje.
Baixinha, meio vesga, dura no palco.
Só a preo0cupação em cantar. Com técnica, com emoção. Perfeição.
Hoje ela teria sucesso? E daquele tamanho?
Gal Costa, e Simone eram bonitas, desenvoltas no palco, mas que era só algo a mais, não o fundamental.
E espaço na tal “mídia” hoje para Bethania, Nana Caymi?
Então, vamos falar do espaço na mídia, para os novos e reais talentos?
Aguardemos os próximos “lançamentos”. Que é só isso mesmo: Lançamento e esquecimento.
Dias atrás deu no noticiário que morreu Zé Rodrix. Queeemmm???
Pois é, quem como eu, tiver mais de 50 anos, sabe de seu talento, sua importância.
Rock rural. Já ouviram falar, e quem já ouviu, se lembra?
Transformou em musica e poesia, os sonhos de uma geração:
“ Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza, dos amigos do peito e nada mais.
Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais.
Eu quero carneiros e cabras, pastando solenes no meu jardim,
Eu quero o silencio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos e filhos de cuca legal.
Eu quero plantar e colher com a mão a pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal, pau a pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros e nada mais.”
Foi sucesso foi na voz de Elis Regina, que sabia como ninguém, reconhecer um grande talento.
Homenagem singela á um compositor de verdade. Para ajudar a lembra. Para não esquecer.  
 
 
 
criado por picida_ribeiro    21:26 — Arquivado em: relacionamentos

7/6/09

TRILOGIA DOS SOBRINHOS

 

Para que não haja ciúmes, porque ele tambem merece, e para encerrar a TRILOGIA DOS SOBRINHOS, Filhos do Neto e Graça, agora é a vez de falar do André.
O filho do meio, que por quase oito anos, foi filho caçula.
Desde pequeno, era esperto, ligado, a vida em alta rotação.
Vaidoso, desde sempre gostava de estar bem vestido, roupas elegantes e
modernas, até arrojadas.
Lembro quando ele tinha uns dois anos, eu e minha irmã, Liliana, que é sua madrinha, repetimos uma tradição: durante o ano, comprávamos roupas infantis, básicas no Brás e Bom Retiro, mas no final do ano, era hora de Shopping Iguatemi, a roupinha mais linda que encontrássemos…
Compramos para ele um conjunto de calças curtas com pregas, muito elegante , camisa branca e gravata vermelha. Era moderno, arrojada, a cara dele.
Quando ele ficou pronto, sabia que estava bonito.
Eu e minha irmã, estávamos na sala, ele saiu do quarto correndo em busca dos elogios, e quando nos viu, parou de repente, brecou, e de peito estufado, ficou á espera dos elogios.
E á medida que os elogios vinham, ele sorria feliz e orgulhoso.
Assim como seu irmão Gustavo, ficava esperando nossas visitas, e já traçava o programa: pizza e sorvete.
Na era pré varejões e sacolão, Ibitinga só tinha frutas básicas, as da região mesmo: banana, laranja, mamão, maçã.
Como ele sempre foi fanático por frutas, levávamos pêssegos, figos, uvas, e o que mais encontrássemos na ocasião.
Cada vez que ele passava perto da geladeira, ele abria e pegava uma fruta.
Sua mãe, tinha que dizer: André, não coma tudo sozinho, deixa para os outros também.
Doce? Carne? Ele nem ligava, e não se liga até hoje.
Legumes? Verduras? Adoraaa!
Sabe aquele menino do comercial “Mãe, quero brócolis?”
È o Andre.
Resultado: zero de gordura ,100% saúde.
Embora, seja leonino, de temperamento forte e mandão, é bem humorado.
Quando criança, já contava piadas e fazia pegadinhas.
Ele devia estar com uns 10/12 anos, quando uma vez me surpreendeu.
Estávamos passeando pelo centro da cidade de Ibitinga, ele entrou numa bicicletaria, e fez uma porção de perguntas sobre rodas de bicicletas.
Marcas, preços, efeitos.
Pensei que ele estava querendo comprar.
Não. Ele estava querendo vender, estava atualizando sua tabela.
Ele fazia negócios. Comprava, vendia, alugava, trocava.
Raciocínio ágil e rápido.
Na fase da sua adolescência, acompanhei seu crescimento de uma certa distância.
Cursou publicidade em Ribeirão Preto e não voltou a morar em Ibitinga.
Os horizontes se expandiram, Ibitinga ficou pequena para ele.
Empreendedor, ainda não mergulhou de cabeça na sua profissão, talvez nem ele mesmo tenha noção do talento que tem para isso.
Ele é publicitário, desde criancinha…
Agora, por mudanças de rumos na vida dele e minha, estamos nos reaproximando.
O bem querer mútuo, sempre existiu.
Também está vivendo sua melhor fase de crescimento como homem, se preparando para novos momentos profissionais.
E com ele também, quero estar bem perto para ver. E aplaudir!
 
criado por picida_ribeiro    19:02 — Arquivado em: relacionamentos

1/6/09

DE PRINCESA Á RAINHA

 

Vivo uma fase nova e diferente. Ao mesmo tempo em que acontece a saída do Décio, o seu afastamento do meu dia a dia, tenho tido a oportunidade de reavaliar relações e conceitos, conviver mais e rever histórias de família.

Coisas que eu adoro: pessoas, histórias e família.

Tenho uma única sobrinha, a Carolina.

Uma princesa. Quase uma Carolina de Mônaco. 

Linda mesmo, de uma beleza acima da média, de você parar e olhar, e não encontrar defeito.

Para provar que não é exagero de tia, assim que eu descobrir como, vou anexar uma foto.

Quando minha cunhada Graça ficou grávida do primeiro filho, ao contrário da maioria dos pais de primeira viagem, meu irmão, torceu para que fosse uma menina.

Já tinha até escolhido o nome : Carolina.

Veio o Gustavo, dois anos depois o André, e assunto filhos ficou encerrado.

Oito anos depois, recebi a noticia que a Graça estava grávida.

Não esqueço o momento da noticia.

Revejo a cena em detalhes, cores e sons.

Na era pré-celular, quase 22 horas, eu estava indo para casa com o Décio, sentí uma necessidade de ligar para casa de minha mãe, sabe quando parece que aconteceu alguma coisa, um pressentimento, sei lá…

Pedi para o Décio parar numa avenida super movimentada, perto do Aeroporto, liguei de um orelhão á cobrar para minha mãe, perguntei se estava tudo bem, se tinha alguma novidade.

Ela disse que estava tudo bem e que a novidade era que eu ia ser tia de novo. Agora acho até engraçada a pergunta que fiz: “Como assim, Tia” ???

Só o Neto era casado, mas eu nem pensava mais na hipótese dele ter mais um filho.

E então chegou a Carolina. Carol.

Chegou sem programação, num momento de recomeço de vida do casal.

Trouxe alegria, felicidade e sorte.

O recomeço deu certo, a vida deu certo e ela nasceu princesa.

Cara e jeito de princesa. Não apenas os mimos e dengos de princesa. Postura e atitudes nobres. 

Contida, observadora, sorriso doce, olhos negros e doces de jabuticaba.

Mimos e dengos de princesa, mas alma fortalecida por conhecimento, formação, cultura, e educação, no sentido mais amplo da palavra.

O Décio sempre dizia: “que homem poderá namorar, casar, com a Carol?”

Que homem estará á altura de alguém assim?”

Numa cidade pequena, onde os meninos demoram mais para amadurecer, vivem grudados em turmas, e as namoradas são vistas apenas como “aderentes”?

Meninos que se tornam companheiros e maridos, que num horizonte de vida limitado, continuam em turmas pela vida toda, e não trazem a companheira para turma. Programas separados, até quando estão no mesmo local, mulheres de um lado, homem de outro. Já vi isso até em festa de Dia dos Namorados.

E a Carol?

Quem vai namorar e que jeito vai namorar, uma menina de 19 anos, bonita, educada, culta, sensível, que não “fica”, só namora?

Como os rapazes de 20 anos vêem uma menina assim?

Admiração? Acham chato ?

Não sei… Tenho pensado muito nisso, nesse momento em que ela vive a crise no primeiro namoro serio

Muitos dirão: “coisa de criança”. Quem não se lembra da dor do fim do primeiro amor? Quem não chorou para valer, aos 19 anos de idade por causa de um grande amor?

Mas chorar mesmo, de se acabar…

Eu me lembro de rios de lágrimas porque ELE tinha dançado com outra.

Já bastava para o mundo cair.

Agora é hora do choro da princesa á quem nada nunca foi negado, o susto da primeira grande frustração.

Mas também o melhor momento para lidar com a perda, deixar de ser princesa e virar rainha. Rainha na auto confiança. Rainha na certeza de sua força.

Rainha no comando de sua vida, seu destino, suas escolhas.

Rainha nas avaliações, nos seu domínio.

E o GRANDE  amor… esse com certeza ainda está por vir…

O primeiro, é importante, mas é só um ensaio.Carol, minha única sobrinha é um raro caso, de verdade;’ QUEM NASCEU PARA RAINHA, NUNCA PERDE A MAJESTADE”.

Mas ela  é que tem que saber disso, ter essa certeza.Veio ao mundo para brilhar. Isso é para poucos.

   

criado por picida_ribeiro    19:35 — Arquivado em: relacionamentos
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