DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

26/4/06

Registrando uma perda

Atualmente moro em uma pequena cidade do interior de SP.

Terça feira fui para Capital,com minha irmã que tem uma loja de moda fazer compras.

Assim que chegamos à primeira pronta entrega,recebemos a noticia que o Valdir,o Didi,acabara de falecer aos 52 anos.

A principio vem o choque da perda,depois o pensamento de hoje em dia 52 anos é cedo para morrer,principalmente levando em conta,que como tenho anunciado vou fazer cinquenta.

E escrever sobre o Didi,foi uma maneira singela que encontrei de homenagear um amigo querido,que estava distante da minha vida há quase dez anos.

Conheci o Didi em 1975,namorado da Helena,que dividia comigo as tarefas do escritorio onde eu trabalhava.

Era um casal jovem,vinte anos ,apaixonado,e juntos  nos divertimos,sonhamos,compartilhamos dores e alegrias.Ainda muito jovem se casaram,tiveram uma filha,e ao Didi devo favores de fiador,avalista,devo momentos de muitas reuniões,as vezes só para um jantar arroz,bife,salada,as vezes grandes festas,muita gente muitos amigos.

Ele sempre ao lado da Helena,estiveram presentes em  muitos momentos da minha vida.AMIZADE.

Com o tempo,o casal foi mudando. O Didi,tranquilo,boa praça,queria apenas ter um trabalho seguro viver com amigos e familia,a Helena uma amiga alegre e generosa,parceira,batalhadora,começou a sonhar cada vez mais alto,arrastava o Didi apaixonadissimo nos seus sonhos :mais um carro,carro mais novo,uma loja moda,casa com piscina

Muito bonita,muito assediada,Helena foi se fascinando pelas possibilidades de sucesso cada vez maior,se apaixonou por alguem mais perto desse perfil.Não pense que foi interesse,ela se apaixonou mesmo.

Se separou do Didi,e desde então ele não quis mais saber das amigas dela,que já sabiam do caso.

 Eu fui madrinha do segundo casamento,e desejei muito que a Helena fosse feliz.

E muitas vezes pensei em procurar o Didi,e falar o quanto gostava dele,o ,o quanto sentia sua falta.Adiei demais.

Um cancer violento acabou com tudo muito rápido.

Mas pelo que eu acompanhava  atraves das noticias  que a filha trazia,a vida dele acabou na separação.Ele não conseguia retomar a vida.

Porque será que sempre a gente deixa para pensar nas coisas pra valer quando já é tarde?

Porque só agora paro para pensar pra valer no quanto ele deve ter sofrido,no quanto eu poderia te-lo ajudado?

A amizade,a admiração,o bem querer,sempre tive.

Por tudo isso essa perda,tem dor em dobro,por não ter dito isso a ele quando  ainda era possível

Para registrar que na vida dele tudo valeu a pena,ficou uma filha presente,carinhosa,que nunca criticou a mãe pela opção feita,encontrou no padastro um amigo,mas que com tudo que ele pode oferecer de material,ao contrario do pai,era para ele que ela voltava inteiro seu amor,seu carinho de filha.

Que fique registrado minha dor,minha saudade,meu lamento.Sincero. 

Acho que remorsos tambem.

criado por picida_ribeiro    23:00 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. É muito triste quando a gente perde um amigo dos tempos de “juventude”… Faz a gente pensar na nossa própria mortalidade, faz a gente rever valores e se dar conta que o que deixamos para amanhã talvez não possa mais ser feito.
    Beijos.

    Comentário por lucy in the sky — 12 12UTC abril 12UTC 2007 @ 13:07

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