DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

24/9/06

Mais que irmão

A semana que se encerra foi de grandes emoções,grandes alegrias.

O meu irmão,Zè Luiz,que há quase 20 anos mora em Londres,veio para o Brasil,e a gente apreveitou pra matar as saudades.

Na sexta feira,nos encontramos em Ribeirão Preto,ficamos num bom  hotel,passeamos em shopping,fomos as cinema,mas principalmente,conversamos muito.

O Zé Luiz,é uma pessoa muito especial,e independente dele ser meu irmão admiro muito,porque as coisas nunca foram fáceis para ele,mas ele nunca desistiu,e conseguiu realizar seus sonhos.

Fez por merecer.

Ele é quase 7 anos mais novo que eu,e por conta dessa diferença de idade,passamos a infancia sem muita aproximação,e quando ele  começou entrar na idade escolar e começou a descobrir a vida,se deparou com a fase mais dificil do alcoolismo de meu pai,com as maiores dificuldades financeiras.

Só minha mãe prestava atenção nele,de verdade.

Ele foi uma  criança e um adolescente rebelde,não muito amigo da escola.

Quando  fui para SP com 18 anos,ele com 12 anos já começava nos primeiros trabalhos,batalhando seu espaço,seu dinheiro,e sempre falando em viajar,conhecer o exterior.

Quando ele fez 18 anos foi para SP,trabalhou,montou uma loja disco"Bossa Nova",que foi um imenso sucesso,marcou até a história da cidade nos anos 80,e pela primeira vez,ele foi para Europa.

Com seu proprio dinheiro,guardado á cada tostão.

Desse periodo em diante,ficamos amigos.

Ele curte a familia,está sempre presente na nossa vida.

È ético,e fiel aos seus principios.

Coerente.

Resolveu morar em Londres.

Por lá batalhou,lavou pratos,estudou a lingua,fez quase cinco anos de curso de gastronomia,hoje é um chefe de cozinha,e é cidadão i ngles.

Conheceu o mundo: Toda Europa,EUA,Japão,vem duas vezes ao ano para o Brasil

Embora hoje o estilo de vida dele seja muito diferente do resto da familia,ele mantem suas origens,não se envergonha delas.

Superou todas expectativas

È culto,inteligente.

Participa da minha vida,da minha história,é meu amigo.

Quando ele vai embora,deixa uma saudade que chega a doer no peito,mas sabe-lo bem é como um balsamo para essa dor,

"Se em abril voce chega,desde janeiro começo a ser feliz" 

criado por picida_ribeiro    19:45 — Arquivado em: Sem categoria

23/9/06

Terceira idade no sec XXI

No dia 7 de setembro minha tia Lúcia,irmã de meu pai completou 60 anos.

Faço questão de fazer o registro,porque acredito que a maioria das pessoas,especialmente as mulheres,já se sentem meio no final da linha como mulher com essa idade,ou então,as  que vemos por aí,conservadas,inteiras,bonitas,são atrizes famosas,ou endinheiradas com recursos de cirurgia plástica,botox,e por aí vai.

Epa! Não é bem assim,pode não ser assim.

Minha tia é solteira,pele morena,sem rugas,seus dentes brancos e bonitos,carregam um riso fácil.

Corpo firme,sem estrias ,sem celulite, não é a magra top model,está mais para uma linha "Solange Couto",aquela morena.

Ela come sem exageros,o básico,mas não sofre com dietas,

Faz caminhadas,usa uns cremes  da Avon,está sempre bem penteda,com baton,tem sempre um brinco,um colar.

Tem uma vaidade extremamente saudável e invejável.

Esse ano ela terminou a faculdade de pedagogia,e trabalha na biblioteca da cidade. 

Para mim,o único problema que vejo é que ela desconhece toda a força que tem no corpo e na alma,e deveria ainda curtir mais a vida,passear mais,namorar.

E falei nela com todos esses detalhes para que se registre que uma mulher aos sessenta anos pode ser bonita , atraente e produtiva.

È a força total da chamada terceira idade no sec. XXI 

criado por picida_ribeiro    23:00 — Arquivado em: Sem categoria

5/9/06

Amanhã eu faço ……..

Em outras ocasiões,escrevi sobre o amanhã,sobre como pode ser bom você esperar o que virá.
Já escrevi toda otimista,sobre meu lado Scarlet O’Hara,”penso nisso amanhã”.
Só que o problema é que PENSO no amanhã,não FAÇO o amanhã.
E segundo li na revista Saúde,essa história de “Amanhã eu faço”,se chama procrastinação,e pasmem,isso num grau elevado,numa coisa muito constante(é meu caso),é considerado doença,associada á depressão.
“Quanto maior a angústia,maior o alivio.È um esquema análogo ao da dependência de drogas”.
As pessoas com esse problema,acabam por deixar tudo a resolver,numa situação limite,num tempo limite.
Há pessoas que deixam exames sérios de saúde,problemas financeiros,compromissos profissionais,pessoais,tudo para amanhã.
“Muita gente não visualiza a recompensa do seu esforço e fica protelando porque não tem clareza dos seus objetivos”.
Eles dão dicas para amenizar o problema:
1.Estabelecer objetivos claros
2.Organizar seu tempo
3.Usar bem agenda
4.Comemorar as conquistas
Isso me pegou em cheio.
O que mais tenho feito na vida é adiar,e isso tem tomado uma proporção muito grande,o meu marido já vinha fazendo observações á respeito.
Posso até não ter a “doença”,mas com certeza,tenho problemas com a tal procrastinação.
Agora,ciente disso,vou correr atrás do prejuízo,mas claro,começo amanhã rsrsrsrsrs.

criado por picida_ribeiro    22:07 — Arquivado em: Sem categoria

Eu,Saudosista????

Na semana que passou,vi várias matérias com o Chico Buarque na Tv,por conta do lançamento de seu novo CD,e do seu show em SP.
Fiquei me lembrando da primeira vez que tomei conhecimento de sua existência:
Estava na 3º série do primário,e a professora de música ensinou a classe toda a cantar A Banda.
Fizemos uma dessas apresentações em festividades escolares.
Hoje,até acho estranho…
Que escola,que educação,que se tinha nessa época,onde os professores de uma pequena cidade do interior,uma escola estadual ensinava Chico Buarque,Caetano Veloso,Gilberto Gil?
Com 10 anos,eu já ia para casa de vizinhos,assistir os famosos festivais pela TV.
E eu não era criada em meio intelectual.
È que era natural.acho que o padrão de qualidade era outro.
Me lembro da professora de música,Dona Angel,primeiro escrever na lousa a letra de Alegria, Alegria,de Caetano Veloso,depois nos ensinar a interpretar o “texto”,e então na sua vitrolinha portátil,colocar o disco para ouvirmos a música.
Eu e toda minha turma cantávamos,sabíamos de cor :”Domingo no Parque,Disparada,Pra não Dizer que não falei de flores,
Entendíamos as músicas,gostávamos delas,torcíamos nos festivais pelas músicas preferidas como se fosse pela seleção brasileira de futebol.
Minha geração foi crescendo com as músicas desses compositores tocando em rádio,sem imposição de gravadora.
Era espontâneo,as pessoas gostavam.
A imprensa,o publico,se interessava  pelo trabalho do artista,muito pouco pela sua vida pessoal.
De vez em quando ouço novamente esses trabalhos.Com ouvidos de uma critíca amadora ignorante,ainda fico fascinada com muita coisa que ouço.
Rever,reler,”reouvir”,as músicas desses caras é reavaliar perto toda mudança que houve no cenário artístico.
Esses caras tem o reconhecimento das pessoas,todos sabem que por décadas ele fizeram a melhor música do mundo,mas reconheçamos.hoje eles já não mobilizam multidões,não vendem milhões de discos,não devem estourar no ibope.
Tivemos a fase do estouro da musica sertaneja,não a que chamam de raiz,e sim aquela de letrinhas e rimas manjadas.
Tivemos os pagodinhos,tivemos o auge do axé,não o da Daniela Mercori,do Carlinhos Brown,do Oludom,e sim o grupo Tchan e seus derivados,quando música tinha bunda.
Agora,temos Banda Calipiso.Acho um hooorrooorrr.
O Decio me perguntou dia desses,que memória,que lembranças,a geração de agora vai ter daqui alguns anos?
È tudo tão rápido,tão descartável,tão comercial,tão raso.
Não acho que seja um saudosismo gratuito.
È uma avaliação do privilegio,do que tenho pra lembrar
Só dos festivais lá se vão 40 anos.
A trilha sonora da minha vida não é fraca não…

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criado por picida_ribeiro    0:18 — Arquivado em: Sem categoria
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