2/11/06
Eu e o Presidente
Eu e o Presidente
Na juventude, morando no interior, eu era totalmente alienada, não tinha informação nenhuma sobre política, e vivíamos no auge da ditadura militar. Morando em SP,o estilo de vida da cidade,acaba levando á uma participação,uma conscientização maior das coisas que estão acontecendo á nossa volta.
No final dos anos 70, eu ouvia falar do Lula como líder sindical, mas nunca prestei muita atenção no que estava acontecendo de fato.
A primeira vez que o ouvi falar, foi num primeiro debate acho que era 1982, ele candidato a governador.
Não prestei atenção aos erros de português, sabia que ele era um metalúrgico, sem instrução, e sim no conteúdo do que ele dizia, a maneira como dizia.
Gostei dele, passei a me interessar pelo PT.
Assisti a um dos primeiros comícios, que ele fez como candidato, na Praça Princesa Izabel, poucas pessoas e muito entusiasmo.
Eu então, ia até os comitês, comprava bandeirinhas, bottons, adesivos, camisetas.
Em todas as campanhas, eu ajudava. Ia distribuir folhetos, fazia boca de urna.
No comício pelas diretas, na Praça da Sé, eu fui movida pelos discursos do Lula, pela movimentação do PT.
Não imaginei que tomaria aquelas proporções.
Muita gente, um momento que entrou para história e eu estava lá.
Estive também, no Pacaembu, no comício de encerramento da campanha contra Collor.
Uma multidão entusiasmada, muitos jovens, acreditando.
Os artistas que participaram do comício, eram desde o roqueiro Lobão, até Chico Buarque.
Muitos artistas de teatro, escritores, intelectuais, acreditando.
Fiquei muito indignada com o debate da Globo, a história da filha Luriam, que não tinha nada a ver com vida política.
Sempre votei no Lula. Sempre votei no PT.
Para mim, o fato de ser PT, queria dizer pessoas honestas, idealistas trabalhando por um Brasil melhor, de verdade.
Quando Lula, finalmente se elegeu presidente, fiquei até comovida, chorei na vitória, chorei na posse.
Não acreditava.
Poxa, ele chegou lá. Nossa PT chegou lá.
Quando eles assumiram o poder, eu respeitava as criticas quando elas diziam respeito ao governo, mas em questões de ética eu não admitia a hipótese de qualquer questionamento, eles eram acima de qualquer suspeita.Quando me deparei com a historia do Valerioduto, é que fiquei embasbacada.
Me senti como esposa traída.
Sabe aquela que ama o marido, o pai de seus filhos, e “põe a mão no fogo” por ele?
Fiquei com aquela cara de tacho, cara de mulher traída, com a sensação e tristeza de traição. “Todo mundo faz isso, já se fazia isso antes”.
Tudo bem, pode até ser, mas eu votava no PT, por ser diferente.
Eles não podiam fazer igual.
Os fins não justificam os meios.
Ignorei essa campanha, essa eleição.
Não fui votar. Estava triste, chateada, decepcionada.
No segundo turno, comecei a me interessar novamente, de leve.
Aí, no debate, me vi torcendo pelo Lula.
Hummm sabe a esposa traída, mas que perdoa o marido, dá a famosa segunda chance?
Pois é, aqui estou eu, dando uma segunda chance, acreditando de novo. Vejamos…
criado por picida_ribeiro
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