DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

25/3/07

ROCK DE JAGGER E O ROCKY DE STALONE

ROCKY DE STALONE E O ROCK DE JAGGER
(OU LIÇÕES DE COMO ENVELHECER SEM PERDER A TERNURA
)

Bem, este é um blog de alguém com 50 anos.
Com tempo de vida que já tem muita história para contar.
Mas não quero ficar só na nostalgia. Caminhando para os 51, quero sempre estar atenta para o presente, com os acontecimentos do mundo, da vida, das pessoas.
Sempre repito aqui, que quero aos 50 continuar a ter planos, sonhos, futuro.
Li, um artigo na revista Época de 26/02/07, escrito por ADRIANO SILVA, onde ele fala da volta do Rocky o Lutador, associando ao passar do tempo, á saudade, ao envelhecer.
Transcrevo parte do artigo:
“Rocky está entre as manifestações culturais que mais influenciaram a turma que hoje opera na faixa dos 30/40 anos”. Foi à primeira onda de fisiculturismo no Brasil. Era o corpo que todos os rapazes queriam ter. Passou a ser o irmão mais velho que todos queriam ter, virou o cara que os jovens queriam ser.
“Rocky, é um galanteador antiquado,tímido, respeitador, pai de família, mais protetor que sensual.Tudo é decente, correto, conservador. Rocky acredita nas coisas simples, nos valores primordiais.
Minha geração se fartou nessa fonte. Stallone, por tudo isso, passou a operar acima do bem e do mal. Ele é como aquele tio cheio de defeitos que a gente adora.
Obras como Rocky IV e ruindade de Rocky V não estragam nossa memória afetiva. Obras como Cobra e Especialista não arranham nosso amor por Rocky. Rocky é grande e é para sempre. Neste momento estamos todos saindo emocionados com a despedida de Rocky das telas. ROCKY BALBOA é um filme sobre ficar velho, sobre nostalgia, sobre o passado, sobre perdas que a vida impõe e que a idade cobra. Rocky é também o momento Clint Eastwood de Stallone.
O filme é delicado, é maduro, não foca as cenas de luta, mas nas reflexões sobre a existência. Trata se de um pequeno manifesto sobre acatar a finitude e lutar contra ela.È triste ver Rocky envelhecido na tela. Funciona como espelho: também envelhecemos Aqueles garotos que tinham 15 anos, hoje tem 40. A decadência física de Roky é um golpe duro e franco.A saudade que sentimos de Rocky é a saudade de nós mesmos,ou de nossos pais.que também estão passando. De nossos ídolos, que a idade corrói. E se o filme nos cobre de melancolia,desculpem, mas isso é arte.
Ao mesmo tempo, há regozijo em ver que o viço não sumiu de todo, que é possível envelhecer bem. Stallone ainda tem um abdome mais definido que o jovem ator que faz o campeão dos pesos pesados a quem Rocky enfrenta. È um pouco como ver Mick Jagger em ação.È duro não encontrar mais li o frescor de décadas atrás, constatar que o fim vem para todos,mas em ROCKY BALBOA, como num show dos Stones, é sensacional assistir ao belíssimo espernear de quem decidiu não se entregar fácil a ele.
Rocky é uma instituição pop da séc. XX. Que bom ter vivido. Descanse em paz, Rocky. Obrigado por tudo Sly.”

Achei um texto bonito, que trata o envelhecer com ternura, otimismo.
Para pensarmos em manter O Rocky Balboa de cada um, o Micky Jagger.
E porque não Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fernanda Montenegro.
E nem só ricos e famosos. Aposto que na sua turma tem alguém assim, que o tempo não castiga o corpo e protege a alma.
Tenho minhas tias, inteiras, bonitas, aproveitando cada segundo da vida, mesmo nas coisas mais simples. Não é assim que deve ser?

criado por picida_ribeiro    17:59 — Arquivado em: adulto, relacionamentos

24/3/07

Historia de Amor do Decio

História do primeiro amor do Décio

Há tempos o Décio havia me contado uma historia muito interessante sobre seu primeiro amor. Só agora, falando do meu, lembrei me de sua história.
Ela se chamava Marina, O Decio devia ter uns 17 anos.
Também amor sem beijo, recadinhos pelos amigos e matinee de mãos dadas, assistindo HELP dos Beatles.
Depois, nunca mais se viram.
Já casado comigo, quase 30anos depois, num sábado á tarde,o Decio vinha descendo á pe a Av.Lins de Vasconcelos em SP (sua mãe continuou morando no mesmo bairro) e eles se reencontraram.
O Décio não soube me dizer, quem reconheceu quem primeiro,mas se cumprimentaram, pararam para se falar, para cada um contar sua vida.
Ela havia se casado, tinha filhos.
E disse para o Décio:”Espera, quero te mostrar uma coisa:”
Tirou da carteira, uma pulseira de chapinha, de ouro, que havia ganho do Décio, Os nomes gravados, um de cada lado.
O Décio me falou da emoção que sentiu ao ver aquela pulseira tamanho adolescente, maior símbolo de namoro sério da época, guardada por tantos anos.
Lembrou se por quanto tempo namorou a vitrine onde estava a pulseira, até poder compra-la.
Lembrou se do sapato de saltinho azul e bolsa combinando que ela estava usando.
Mas disse que não deixou transparecer a emoção que sentiu naquele momento.
Uma pena , talvez ela esperasse por isso.
Mas as histórias ficam, as lembranças permanecem. Quem não  tem uma história de primeiro amor para contar?

criado por picida_ribeiro    23:00 — Arquivado em: Sem categoria

23/3/07

BAILES DA VIDA

Nos Bailes da Vida

Na semana que passou, fui com o Dècio para Tabatinga, a cidadezinha que sempre cito nas minhas histórias, que fica á 20 km de Ibitinga,onde moro atualmente.
Em Tabatinga, morei dos 5 aos 15 anos de idade.
Sentamo-nos na pracinha e as histórias vindo em correnteza na memória.
E o Décio, todo ouvidos.
E contei lhe de novo, e dessa vez, com riqueza de detalhes, a história do meu primeiro amor.
Eu tinha treze anos, ele 20.
Eu cursava o que se chamava de terceira serie ginasial. Ele o último ano de magistério.
Para ele, eu era apenas uma menina, criança, que ele tratava com carinho e amizade.
Nunca mais do que isso.
Eu o conheci, quando minha tia Vera, foi com três amigas, tinham uns 17 anos, passar um feriado em Tabatinga.
Com idade mais próxima da dele e dos amigos de sua turma, eles se aproximaram de mim, para falar com elas.
No final, ficamos todos amigos
Eles eram simpáticos, bonitos, engraçados. Boa gente
Minha tia e suas amigas foram embora e eu continuei amiga deles, apesar da diferença de idade.
E fui me encantando como Osvaldinho.
Ele era loiro, olhos verdes, baixinho. Bonitinho, inteligente. E muito, muito simpático
Amor totalmente platônico.
Eu escrevia nossas iniciais dentro de coraçõezinhos em cadernos, bolsas, árvores, carteira escolar.
Mudava de caminho para passar em frente sua casa, para forçar um encontro casual, me enfeitava, me arrumava para vê-lo. Escrevia poemas, pensava nele o tempo todo, ouvindo as músicas românticas de época.Viajava em sonhos ouvindo Roberto Carlos, Beatles, Simon and Garfunkel, Bee Gees. E teve a fase das músicas e filmes italianos;”Dio come ti amo, Se non havesse piu te” “Io che amo solo te” e eu entre sonhos e devaneios com esperanças de que um dia ele iria me ver com outros olhos.
Nós nunca ficávamos sozinhos. Se nos encontrássemos na praça, no cinema, na escola, e estivéssemos sozinhos, só nos cumprimentávamos. Não parávamos para conversar sobre nada.
Só quando eu estava com amigas, ou ele com seus amigos. Aí ficavamos até horas conversando. Em turma.
Às vezes sobre coisas sérias, as vezes sobre a vida, pessoas, cinema, música.
E podíamos ficar horas brincando, rindo, muito.
Essa paixão solitária durou uns dois anos. Em Tabatinga nunca namorei, nunca me interessei por ninguem, só por ele.
Na sua formatura, quando fiquei sabendo que ele se mudaria da cidade para cursar a faculdade em Bauru, chorei muito, muito.
E claro, numa cidade tão pequena, ele sempre soube do meu amor.
Mas sempre me tratou como “café com leite”.
Não desfazia de meus sentimentos, eu notava o respeito e carinho por eles. E me apaixonava ainda mais por isso.
Até o dia que ele começou a namorar com a Lídia, que já era uma moça.
Bonita, quase com sua idade.
Ela também, muito simpática, inteligente, assim como todo o colégio sabia da minha paixão,mas me tratava como ele: com respeito, mas sem levar á serio.
Eu não era nem sombra de uma possível rival.
E assim foi, por quase dois anos, essa paixão de longe. Sonhos, esperas, poesias, suspiros. Risos e lágrimas.
Um momento só nosso que ficou para ser lembrado foi no seu baile de formatura.
Cidades do interior, final dos anos 60, esse era o momento glorioso.
Fiquei toda bonitinha, mas já antevendo que teria que vê-lo dançar a valsa com a namorada.
Nem sei direito o que aconteceu, mas na ultima hora, ela não pode ir.
Minha melhor amiga, a Sirlei, também não pode ir, e eu fiquei com amigas não muito íntimas, nem minhas, nem dele
Durante o baile, como era de costume, fiquei o tempo todo olhando para êle, acompanhando seus movimentos.
Ele estava muito alegre, feliz, talvez até tivesse tomado uma dose á mais, sabe como é, Festa…
A cena foi assim:
Ele olhou para mim, sorrindo, apontou o dedo em minha direção, como se dissesse para si mesmo “achei”. Sorrindo para mim, atravessou o clube, e me tirou para dançar.
Sabe do tempo de bailes, “seleção de músicas lentas”?
Não me lembro de nenhuma das músicas, mas dançamos a seleção toda, com “rosto colado”.
Uma ousadia para época. Rosto colado, era compromisso. Coração batendo tão forte, que eu achava que ele estava ouvindo, que todos estavam ouvindo.
O Negrine, melhor amigo dele, e muito amigo meu, também formando, ao nos ver juntos, sorriu para mim.
Eu suava frio de alegria e felicidade.
Ele me deu um beijo no rosto. Isso não era comum na época. Beijos, no rosto ou na boca, eram para namorados. Esse beijo não entendi até hoje.
Mas me lembro da emoção que senti naquela hora. Foi a felicidade da realização de um sonho. O maior deles, até então. Na maioria das vezes, acertei escolhendo os homens que amei. O Osvaldinho era uma cara bacana que nesse baile me deu de presente um momento mágico para ficar na lembrança por toda uma vida.
Ele me deu uma história para contar, um instante para lembrar.
Tornou meu amor real, O primeiro amor, que poderia ter sido só um sonho.
Nesse baile, naquele momento se fez real.
Se fez magia.
Para contar. Para lembrar. Para sempre.

criado por picida_ribeiro    12:14 — Arquivado em: Sem categoria

6/3/07

Irmãos e amigos

Eu sempre tive amor desmedido por meus irmãos.
Hoje, mais madura, percebo que até exagero na dose.
Por uma série de problemas na vida, minha mãe, sem perceber, desde que eu era criança, foi transferindo para mim, a responsabilidade de cuidar deles, e eu fui levando isso tão á serio, que tomei para mim o compromisso de faze-los feliz.
Como se alguém pudesse ser responsável pela felicidade de alguém…
Acho que o amor incondicional , e as preocupações com eles, foram fundamentais para que eu não quisesse ter filhos. Sempre tive a sensação de já ter criado.
Hoje é um dia importante para dois dos meus irmãos.
A Liliana, reinaugura sua loja,  que ainda não tem o estoque ideal, mas que com sua capacidade extraordinária e experiencia na area, ela faz milagre.
Ontem, o Décio ajudou a montar a vitrine, instalou DVD, ela fez a produção,
Ela mesma fez bijuterias, sabe criar e executar, mudou o astral da loja com pequenas reformas, fez um pequeno jardim, colocou espelhos, enviei flores e desejei boa sorte.
Nesse momento difícil, onde ela tem que se dividir entre os problemas de separação, se ver sozinha com dois filhos, trabalho, ter que arrumar forças para cuidar da saúde, do visual, È uma sobrecarga tão grande, que homem separado nenhum tem idéia .
Cuidar de filhos, cuidar de verdade no dia a dia, levar para cortar cabelo, fonoaudióloga, dentista,  levar e buscar na escola, acompanhar as tarefas escolares,  passeios, avaliar as amizades, preparar comida, carro no mecânico, pagar as contas, cuidar da casa., renovar contratos,as roupas, uniforme, aulas de catecismo á tarde, e ainda tem os cuidados com o cachorro. Para os pais, em geral, fica a agradável tarefa de levar para passear.Eles dão amor, carinho,brincam,  claro ele tem todo tempo para isso, e se possível se fazem de vítima, Oh! Sofro tanto longe dos meus filhos, morro de saudades. Oh! adoro meus filhos, oh! Como sofro.
Tomara que minha irmã encontre forças para recomeçar o trabalho e alegria para recomeçar a vida.
Ela precisa se lembrar de tudo que é capaz, precisa voltar a acreditar em si mesma.
Ela não está sozinha nessa batalha. Tem o Neto e o Zé Luiz,dois irmãos de verdade, e tem a mim,amiga , irmã e cúmplice..
Hoje é aniversário de meu irmão caçula. 
Ele é muito especial, Viveu mais intensamente, mais de perto todos os problemas do alcoolismo do pai, a fase mais crítica , de total insegurança profissional e financeira.
Para ele não ficaram bons momentos para lembrar.
Mas ele atingiu suas metas, seus objetivos. Vive a vida que quer, do jeito que quer e merece.
Ético, íntegro, trabalhador, tenho um baita orgulho dele. Embora more em Londres, é muito presente na nossa vida.
Vem sempre para o Brasil, e acompanha nossas histórias, se envolve, participa.mesmo á distancia.
Tenho amigas, que têm irmãos na mesma cidade, que não são tão amigos.
O Zé Luiz, é meu amigo. Falo para ele o que penso, o que sinto, sou transparente e de verdade, porque sei que ele é meu irmão e parceiro.
O post de hoje é para falar do carinho que tenho por eles. Falar do orgulho que sinto deles por serem tudo isso que são.
O orgulho de cada batalha vencida, de cada sonho alcançado, e de tudo que ainda esta por vir.
E nós ,juntos sempre.

criado por picida_ribeiro    23:04 — Arquivado em: Sem categoria

Simples e bom

Um domingo de muito calor, (aqui é sempre muito quente), céu brilhante.
Eu já tinha avisado á parentes e amigos, que nesse domingo queria ficar sozinha com o Décio, sem hora para nada.
Fiquei de biquíni, esparramada pelo quintal, tomando sol. Ducha e sol, uma delícia. Simples e bom.
Os dermatologistas que me perdoem, mas passei filtro solar só no rosto, queria me bronzear, ficar com “marquinhas, disfarçar celulite, essas coisas, oh, céus!”
Para o almoço, fiz costela assada no forno, ficou ótima, torta holandesa de sobremesa, muito refrigerante diet. Simples e bom.
Fiquei ouvindo Fábio Jr. Sim Fábio Jr.
Atire a primeira pedra quem não tiver pecado rsrsrs.
Ele pode até ser galã da menopausa, mas sempre o achei bonito e com cara de homem gostoso. Obrigaduuu.
Ele gravou um CD com várias músicas que eu gosto muito; Codinome Beija Flor, Juventude Transviada, Sangrando (adoro Gonzaguinha).
Gravou uma música do Juca Chaves, linda, o sonho de toda e qualquer mulher.
È o que toda mulher gostaria que seu amado pensasse á seu respeito, mesmo que não dissesse.
Atenção á letra CUMPLICE
Eu quero uma mulher, que seja diferente de todas que eu já tive toda tão iguais , que seja minha amiga, amante e confidente, a cúmplice de tudo que eu fizer á mais.No corpo tenha o sol, no coração a lua, a pele cor de sonho, a forma de maçãs, a fina transparência, a elegância nua, o mágico fascínio, o cheiro das manhãs.
Eu quero uma mulher de coloridos modos, que morda os lábios, sempre que for me abraçar, e que o seu falar provoque o silenciar de todos, e seu silencio obrigue a me fazer sonhar.
“Que saiba receber, que saiba ser bem vinda que saiba dar jeitinho em tudo que fizer, que ao sorrir provoque uma covinha linda, de dia uma menina, de noite uma mulher”
Não é lindo? E as promessas da música do Frejat? ”Por você, aceitaria a vida como ela é, viajaria á prazo para o inferno, tomaria banho gelado no inverno. Por você eu deixaria de beber, por você, eu ficaria rico num mês, dormiria de meia só para virar burguês.
Por você eu mudaria até o meu nome, eu viveria em greve de fome, DESEJARIA TODO DIA A MESMA MULHER. Que sonho bom né?
E a letra linda de EPITÁFIO; Devia ter amado mais, chorado mais, ter visto o sol nascer, devia ter arriscado mais, até errado mais, ter feito o que eu queria fazer. Queria ter aceitado as pessoas como elas são, cada um sabe a alegria e a dor que trás no coração.O ACASO VAI ME PROTEGER ENQUANTO EU ANDAR DISTRAÍDO (a frase preferida do Decio) Devia ter complicado menos,trabalhado menos,me preocupado menos, com problemas pequenos, ter morrido de amor.”
E do Herbert Vianna “SE EU NÃO TE AMASSE TANTO ASSIM”
Tão lindo que dá até angustia: Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.
Assim. Simples e bom.
À noite, bolo de cenoura e café para o Décio. Simples e bom, muito bom.

criado por picida_ribeiro    0:12 — Arquivado em: Sem categoria

3/3/07

Historias de Infancia

 

,No blog alemdos30.blog.terra.com.br,tem um post sobre as invejas infantis,de quem tem mais de 30 anos.

Texto inteligente, bem escrito, me inspirou.

Primeiro, as invejas infantis de quem tem mais de trinta  e de quem tem mais de 50 anos, têm muita coisa em comum.

Tive quase todas aquelas invejas na infância:

Invejei quem usava aparelhos de correção nos dentes:à mim pareciam charmosos, e coisa de quem tinha dinheiro e tinha cuidados extremados.

Braço ou pernas engessados, fora a popularidade das assinaturas no gesso, era coisa de criança ativa, que estava á mil,fazendo algo diferente,estripulias criativas.

Óculos, também era charme, coisas de quem estava “bem de vida” e tinham pais cuidadosos. Lembro me da coleguinha Fátima Posca  que aos 15 anos colocou inseparáveis óculos e eu a achava tão chique,com cara de inteligente.

Meus dentes, por sorte nasceram certinhos, nunca precisei engessar nada, e aos 18 anos graças á uma miopia galopante, descobri que as palavras” usar óculos” e” charme” nunca estão na mesma frase.

Mas tive também doces invejas infantis, daquelas que chamam inveja boa, que é aquela que não se incomoda que o outro tenha, apenas quer ter também.

Já falei das meias brancas do uniforme da minha amiga Célia Giansante sempre tão branquinhas,(claro,ela tinha várias,trocava sempre),os laços de fita branco,obrigatórios, grandes e engomados,os meus eram até bonitinhos,mas pequenos laços,nada que chamasse a atenção.Eu quis muito aquelas maria chiquinhas de elásticos com bolinhas coloridas na ponta.Minha mãe comprou,mas não tinha como eu usar,cabelos curtos e crespos,mas eu tentei muiitooo,esticava tudo que podia, até ficar com olhos puxados feito japonesa,mas nunca deu certo,os cabelos rebeldes insistiam em escapar. Sempre quis ter e nunca pude: uma lancheira de plástico rosa, quadriculada,com uma garrafinha para o suco, que nem tinha a tecnologia de conservar a bebida gelada. Hummm, mas eu achava tão bacana.

E caixa de lápis de cor, com 24 cores, dos grandes.

As minhas sempre foram de 12 e dos pequenos.

Das crianças, cujos pais tinham profissões itinerantes, nunca tive invejinha. Sempre gostei de ser DA cidade, nada de vida cigana.

Tive invejinha de festa de aniversário. Não era comum na época, só algumas privilegiadas, não só por questões financeiras, os pais achavam que dava trabalho, que não era importante.

A primeira festinha de aniversário que vi, foi em Tabatinga, da Silvinha Sgarbi.

Mesa enfeitada, bexigas, guaraná e groselha, chapeuzinho para as crianças, bolo, e a gloria suprema….as velinhas e o” parabéns  pra você”.

As pessoas chegando com os presentes, as crianças dançando e cantando Roberto Carlos em Ritmo de Aventuras,aquele de “Eu sou terrível”,

Nessa primeira festinha, eu tinha uns 8 anos, minha irmã seis, nós não tínhamos sido convidadas,não éramos amiga da aniversariante, mas éramos vizinhas.

Eu achei tudo aquilo tão bonito, que chamei minha irmã para ir comigo espiar.

Estamos escondidinhas olhando, quando a D.Eunice mãe da Silvinha nos viu. Ela era professora do jardim da infância, o que hoje chamam  de pre escola.

Nos convidou para entrar, participar da festa, e nós na maior inocência,fomos felicissimas.

A Silvinha ,aniversariante, tinha a mesma idade que minha irmã.

Desde esse dia, as duas ficaram amigas insepáraveis, por todo o tempo em que moramos em Tabatinga .

E participamos de todas suas festinhas, agora como convidadas, já íntimas da casa.

A amizade com a Silvinha perdeu se no tempo,quando mudamos da cidade, mas ficaram as lembranças, e para mim ficou a situação especial de festas de aniversário.

Adoooro. Curto as minhas até hoje, faço festas para tias, parentes, amigos, sobrinhos,e quem mais vier.E para eu fazer festa, não preciso de dinheiro.Faço como posso, como dá, mas encaro como festa.

Sou um Mackyver Com uma caixinha de gelatina,uma caixinha de bolo ,faço virar festa.

Invejinha infantil, que deixou marcas profundas não???

criado por picida_ribeiro    20:24 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://picidaribeiro.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.