DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

26/4/07

Felicidade

Domingo passado, vi no "Fantástico" uma matéria com filósofos,psicólogos e pessoas comuns sobre o que seria FELICIDADE.

Nunca se falou tanto sobre isso,e talvez ela nunca esteve tão distante das pessoas como agora.Porque nessa era,de TER e PARECER , as cobranças são maiores e as frustaçãoes acabam sendo proporcionais.

Estão aí as estatísticas sobre o numero cada vez maior de deprimidos,os consultórios terapeuticos lotados, os livros de auto ajuda e os anti depressivos vendendo aos montes .Todos buscando seu caminho para serem felizes.

Na matéria eles mostraram como um momento de verdadeira felicidade, uma mãe, catadora de lixo, cujo filho, as duras penas, conseguiu entrar numa faculdade federal para cursar Biomédicas.

 Fiquei emocionada. Ela falava da sua luta, de seu orgulho. O filho só estudou em colégio de estado,era negro e muito pobre e não precisou da ajuda da tão polemica "cota".

Ela estava feliz.

 Ao perguntarem para um garoto,cerca de 10 anos o que seria felicidade para ele, sua resposta foi ter um irmãozinho. Já uma garota, com a mesma idade, disse que para ela felicidade seria passar um dia inteiro fazendo compras no shopping.

Será que ela tem salvação???

Então, pensei em alguns momentos de felicidades meus.

Sei lá, chego até a achar meio esquisito.Assim como a medicina afirma que existe possibilidade genética de o individuo ter propensão para ser deprimido, deve haver gens para otimismo,felicidade, só que a ciencia não se preocupa com eles, porque disso ninguem reclama né? rsrsrs

Devo fazer parte desse segundo grupo.

Tenho momentos de felicidades com coisas tão pequenas, que para muita gente deve parecer bobeira.

Sei lá, acordar e espreguiçar devagar, gostoso, num lençol macio, rolando na cama pra lá e pra cá, dá uma sensação boa de felicidade mesmo.

Preparar café para o Decio, enquanto ele assiste a F1, torcendo como um corintiano em  jogo de decisão, é felicidade.

No último sábado,vespera de pagamento de um mes cheio de despesas extras, estávamos duros, sem um tostão.

Fomos de carro para Tabatinga, ouvindo boa MPB , sentamos no banco da  pracinha, conversando sobre tudo.

Às vezes um selinho, algumas risadas.

Então, se aproximou da gente um homem  negro, acho que ele estava meio "alto",mas não bebado de trançar as pernas.

Estendeu a mão em nossa direção,para nos cumprimentar,dizendo"Parabéns, vejo que voces se dão muito bem.."

  Sorrimos, agradecemos, mas nos perguntamos:"de onde ele tirou isso"/

Talvez o fato de não ser muito comum, um casal de nossa idade, namorar assim, num banco de jardim?

Não sei…Tenho amigas que dizem que se não tiverem dinheiro, nem saem de casa.

Dinheiro ajuda, claro, não sou doida nem nada,ah! mas se tenho que me divertir,sei fazer isso sem ele, e tenho o dom de dar valor para cada bom momento, por mais simples que ele seja.

Se ele for bom,não esqueço dele nunca mais.È desse bom momento que vou lembrar quando as coisas estiverem difíceis.

E é da soma desses momentos bons e simples que faço minha receita de felicidade.  

criado por picida_ribeiro    22:09 — Arquivado em: Sem categoria

22/4/07

BOM DIA SÃO PAULO

Bom Dia São Paulo

Na quarta feira, dia 18, a Globo comemorou 30 anos de edição do jornal “Bom Dia São Paulo”.
Segundo eles disseram, foi um jornal importante para emissora, porque foi o primeiro jornal matutino, foi o primeiro jornal com entradas ao vivo.
Bem, e você com isso, dirão alguns…
Explico-me. È que à medida que foram mostrando as edições de várias fases, desses 30 anos, fui revendo os jornalistas da época, as notícias, e fui me lembrando de como esse jornal esteve misturado com minha vida pessoal e profissional, em SP.
Eu acordava cedo, e dependendo do compromisso, ia me arrumando para o trabalho, com a TV ligada, eu ligada nas notícias.Se houvesse tempo, assistia as noticias deitadinha, depois me arrumava.
Fóra as grandes noticias, que fizeram histórias, eu ficava ligada também nas notícias locais corriqueiras. O transito, o comercio, a previsão do tempo, as estréias, o dia a dia.
Um dos principais jornalistas da Globo de SP, começou nesse jornal e é meu amigo de infância.
Seu nome é Carlos Alberto Tramontina. Na TV é Carlos Tramontina. Para mim, é o Beto.
Quando ele terminou o estágio de jornalismo no Depto Imprensa na Volkswagem no ABC, foi indicado para um teste na Globo. Comemoramos juntos, a indicação, a contratação.
Ele entrava ao vivo, de madrugada, do aeroporto de Congonhas, dando previsão do tempo.
Depois a emoção que ele teve ao gravar um café da manhã com Elis Regina, um dos quadros do programa, também ao vivo. Ele era fã, tinha assistido “Falso Brilhante” mil vezes. Ele estava eufórico, ligou para me avisar, para eu não deixar de ver.E para esse mesmo jornal ele fez a cobertura da morte da Elis. Depois, por quase 10 anos ele foi apresentador do programa.
Depois, foi tambem editor, agora apresenta e edita SPTV
Nos vemos pouco, mas continuamos amigos.
Há alguns anos atrás, ele lançou um livro sobre grandes entrevistadores da TV: Jô Soares, Hebe Camargo, Boris Casoy, Marilia Gabriela, a critica não gostou, a revista Veja detonou.
Mas e daí?
Simpático, inteligente e bonito. Lindo, mais bonito pessoalmente, que na TV.
Fui ao lançamento do livro. Ele ficou feliz ao me ver, fez uma dedicatória bonita, lembrando nossos planos, nossos sonhos,assinado: BETO Tramontina.
O primeiro apresentador ancora foi Carlos Monfort.
Que eu achava lindo, charmoso, voz sensual, tudo de bom, até o dia que o vi pessoalmente num restaurante com sua família: esposa, filhos pequenos.
Sim, ele era alto, charmoso, mas socorro! não tinha bunda; sabe aquelas bundas caidinhas, que deixam as calças sobrando?
O encanto acabou ali. Credo, cada coisa que achamos importantes aos 23 anos…rsrrs;
Eu via sempre o jornalista Ernesto Paglia, garotão ainda, começando a carreira, morava num prédio vizinho ao meu, eu o via sempre na padaria, mas nunca falei com ele.
Namorei por uns 5 meses um jornalista que começou sua carreira nesse jornal. Era Roberto Cabrini. Ele era o único jornalista a trabalhar na Globo sem ser formado, ainda cursava a faculdade de mas era muito competente, tanto é que fez uma brilhante carreira em outras emissoras. Ele começou como jornalista esportivo. Era uns 3 anos mais novo que eu, devia ter uns 20 anos.
Não tivemos mais contato, só o vejo pela tv. Bom profissional, descolado, inteligente, mas acho que por ser muito novo, eu o achava desengonçado. Sabe aqueles que caras que derrubam vinho na roupa nova da namorada? Pois é, ele sempre fazia isso. Era meio estabanado. Mas era bom papo, foi legal.
Mas na realidade, o que mexeu comigo, foi rever a cidade de SP, o que aconteceu de bom e ruim nesses 30 anos, As mudanças.
Revi tanto da minha história. Uma fase que gosto de lembrar, morando em SP, trabalhando para valer, fazendo amigos, claro, meus vinte e poucos anos.
Mas SP para mim, é uma história a parte. Não consigo “enxergar” o aumento da violência, o transito cada vez pior, as oportunidades de emprego cada vez menor.
Presto atenção em seu movimento. Em você ser e fazer o que quiser sem ninguém se importar. Encontrar o que quiser, 24 hs por dia funcionando. Chaveiro, mecânico, borracheiro, academia, bares, cafés, bancas de revistas, farmácias, dentistas, floriculturas, locadoras, restaurantes, padaria.
Ah! As padarias de SP…
As oportunidades de empregos podem ter diminuído, mas as de trabalho não.
Rever os 30 anos do telejornal, foi rever os 30 anos vividos em SP.
Revisitar uma parte da minha história, que um dia deixarei em detalhes aqui. Sinto saudades de lá.
Bom dia São Paulo!!!

criado por picida_ribeiro    12:19 — Arquivado em: Sem categoria

18/4/07

O Rei

Dia 19 é aniversário do Roberto Carlos. 
O ano passado, escrevi sobre ele no meu blog, da importância de sua música em minha vida.
Falei do respeito e admiração que tenho pelo artista e pelo homem, apesar do cara esquisito em que ele se transformou.
Mas por tudo de bom que ele já fez, relevo.
Ouvi-lo cantar” se o BEM e o BEM existe, você pode escolher,é preciso saber viver”.
È para querer morrer rsrsrs. Mas, relevo.
No último natal, ganhei da tia Vera, (Que me ensinou a gostar do Roberto), o livro “Roberto Carlos em detalhes”, de Paulo Cesar Araújo. 
Eu devorei o livro. Ele foi escrito de maneira séria, imparcial, contando fatos, sem fazer fofocas banais. Só narrando fatos que tivessem alguma ligação com a criação de uma música, falando dos compositores que foram gravados por ele. As histórias de seus amores, nos dando a oportunidade de saber de histórias comoventes de como ele compôs sozinho para o filho “As flores do jardim de nossa casa”, a namorada que inspirou “Detalhes”, e a primeira esposa que inspirou canções como “Amada, amante”, “Sua estupidez”.
Quando “Sentado a beira de um caminho” foi composta em parceria com Erasmo, a gravadora sentindo o potencial da música, esperava que Roberto Carlos gravasse, mas ele insistiu muito que a música era para o Erasmo, que vinha atravessando um período de ostracismo na carreira, sem contrato com TV e gravadora, e com o sucesso da música, retomou a carreira.
Isso mostra seu espírito de gratidão, generosidade.
De como lançou Tim Maia, que já era seu amigo, mas era um cara difícil para caramba. Tim Maia, deixou em sua casa, com Nice, então sua esposa a música “Não vou ficar”, Roberto gostou, pediu para o Tim autorização para fazer pequenas alterações e gravou. Aì Tim Maia estourou. `
“ROBERTO CARLOS EM DETALHES”, é um ótimo livro, bem escrito, com a imparcialidade de um bom profissional, e devoção de um fã assumido.
È um livro emocionante, sobre a vida do maior ídolo brasileiro.
Mostra que fora talento para fazer boas músicas, ele sempre foi de um profissionalismo excepcional, o primeiro artista brasileiro a ter sua própria banda, o primeiro artista a falar abertamente de sexo em suas músicas, o primeiro a deixar cabelos longos, usar anéis, roupas coloridas.
Fez “Debaixo dos caracóis de seus cabelos” para Caetano Veloso, durante seu exílio .
No seu show, antes de cantar essa música, Caetano conta como Roberto compôs essa música para ele, e acrescenta que até então Roberto nunca havia divulgado a origem da música, que agora Caetano contava essa história que era para que nós pudéssemos conhecer melhor aquele que a gente chama de REI.
Roberto Carlos não gostou do livro. Disse que ninguém pode se apropriar de um patrimônio que é seu, que é sua história.
O autor declarou que na realidade, o que existe é um grande interesse comercial na jogada, que o próprio Roberto Carlos, estava se preparando para lançar sua biografia, que é briga de editoras. Sabe se lá…
O livro foi “cassado”, retirado das livrarias, por ordem judicial. Uma pena. Roberto perde a oportunidade de deixar um registro histórico de sua obra, de sua vida.
Sim, porque mesmo quem não goste dele ou de suas músicas, não pode negar sua importância no universo musical brasileiro. 
Hoje é dia de ouvir Roberto, e quem tem 50 anos, com certeza vai escolher uma para cantar junto, cantar alto.
Experimente;”De que vale o céu azul, e o sol sempre a brilhar, se você não vem … Experimente: coloque o disco (LP está valendo) cante bem alto, até dance, balance a cabeça, solte os braços, oouuu, ooouu!!!!

criado por picida_ribeiro    23:16 — Arquivado em: adulto, relacionamentos

15/4/07

Dores do mundo

Dores do mundo

São tantas histórias de violência, no mundo todo, diáriamente, que vão nos surpreendendo,e a gente fica achando que as piores coisas já aconteceram, que não há nada mais que possa nos surpreender.
Novas ruins surpresas, e dores cada vez maiores.
Das maiores dores que um ser humano pode sentir, imagino que perder um filho, em quaisquer circunstancias, seja uma delas .
Dor indescritível.
No Brasil, ficamos todos chocados com a morte do menino João Helio.
As circustancias, foram o retrato cruel do que o ser humano é capaz de fazer por dinheiro.
Agora, tenho pensado nas circunstancias e dores da morte do menino Gustavo, de 1 ano e quatro meses, que morreu esquecido por 4 hs pelo pai, no estacionamento dentro do carro, na Grande SP
Exatamente há um ano atrás aconteceu em SP uma história idêntica.
Não consigo deixar de pensar na tragédia. Na dor da mãe, do pai.
Imagino se o casamento tem condições de continuar, imagino a dor da perda, cobrança, remorso.
Como seguirão essas vidas?
E a história se repetindo: atravessar a cidade, transito louco de SP, deixar a esposa no trabalho, deixar filho na escola ou com parentes, ir para o trabalho no primeiro caso, e ansiedade para descansar no primeiro dia de férias no segundo caso.
E as pessoas pensando:”Como isso pode acontecer?” ou “Comigo isso nunca aconteceria”.
Mas por mais absurdo que nos pareça, acho que poderia acontecer sim
Aconteceu com pessoas comuns, como a gente, que ama, trabalha, quer apenas viver com sua família. O que os fizeram diferentes?
È dia de 24 hs que já não dá mais. Ficou mesmo pequeno.
Viver dá muito trabalho, com filhos então…
Em cidade grande então…
A correria para cumprir todos os compromissos .
Acho que fatos tristes assim, nos devem fazer pensar.
Rever valores, rever prioridades.
O famoso: “Dar um tempo”.
Tirar um tempo agora, respirar fundo, meditar.
Porque corro mesmo? Lógico que o mundo hoje exige ritmo acelerado, lógico que é bom poder acompanhar.
Inclusive, se faz necessário acompanhar. Nesse novo século, queremos SER, queremos TER, queremos PARECER. Queremos e precisamos PARECER SER E TER.
Mas se faz necessário respirar fundo. Devagar. Meditar. “Dar um tempo”.

criado por picida_ribeiro    17:53 — Arquivado em: Sem categoria

14/4/07

UM ANO DE BLOG

A frase tão comum, tão repetida, é tão verdadeira, que a gente nem se dá conta:
Mas “O TEMPO PASSA RÀPIDO DEMAIS”.
Um ano de blog, e eu nem percebi.
Não percebi o tempo passar. Reli uns post para recapitular, rever esse tempo.
Nesse ano que passou, não fiz novos amigos, mas reencontrei alguns velhos e bons amigos. Foram contatos revigorantes no coração e na alma.
Falar com a Rose de Campinas, Sandrinha, Alcina. È relembrar toda história que temos juntas, esperar criar e viver as novas perspectivas.
Nesse primeiro ano, através do blog fiz contatos com pessoas interessantes.
O Niltom, Lucy.
Estive nos “blog em destaque”. Não sei qual o critério de escolha, mas foi bom estar lá.
Recebi mil visitas, vários comentários, a maioria bons de ler.
Escrever no blog, foi resgatando devagarzinho o meu hábito de escrever, que andava esquecido.
Não emagreci como queria, não mudei hábitos alimentares como gostaria, não fiz exercícios como deveria, mas melhorei um pouco.
Emagreci 8 kgs. Como disse meu irmão Zé Luiz, “O que é um grão de areia, num deserto?” rsrsrs Tenho metas, espero daqui um ano, ter resultados melhores para contar.
Nesse ano, ganhei uma viagem de presente para Bueno Aires, pude visitar o Rodrigo
passear com o Décio, namorar.
Nessa viagem conheci a Samia e a gente continua se falando, trocando notícias e idéias.
Trabalhei na loja da minha irmã, agora trabalho em casa para meu irmão Neto, area financeira. Pouca coisa. Anoto recados, confiro trabalho do Décio.
Ganhei um tempo para pensar em outras atividades. Quero ter um outro trabalho paralelo, ganhar um dinheiro e satisfação extra.
Quero planejar menos, realizar mais.
Quero estar melhor. Quero ser alguém melhor.
Bem, que já leu meu blog, já leu isso mil vezes. Sempre digo que quero melhorar em tantas coisas. Acho que de tanto tentar, vou conseguir rsrsr.
Escrever no blog, me fez remoçar, escrever minha história, lembrar da infância, fez com que eu me sentisse uma privilegiada por ter tanto para contar.
Como diz o poeta”Se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi”…

criado por picida_ribeiro    17:28 — Arquivado em: Sem categoria

11/4/07

SANTA NEM UMA SEMANA

SANTA, NEM UMA SEMANA…

As primeiras semanas santas da minha vida, eu ainda criança em Tabatinga, ficava silenciosamente intrigada com o mistério que envolvia o fato de todas as imagens de santos da igreja, estarem cobertos por um cetim roxo. O que estava acontecendo? O que era aquilo?
Quando eu era criança, certas coisas, nem eram para se perguntar.
Se ninguem havia tido o que era, devia ser porque eu não tinha que saber…
Aí no catecismo, desfez se o mistério.
Começava com a quarta feira de cinzas, onde logo na missa de manhã tinha que ir a igreja onde as cinzas depositadas na cabeça pelo padre se confundiam com os confetes, nos cabelos cacheados.
Na quarta feira, carne nem pensar.
Em toda quaresma, as quartas e sextas feiras, só peixe, sardinha, ovos, legumes.
Os açouques nem abriam.
Era uma regra predominante. Em todas as casas, todas as famílias.
E em toda a quaresma, os santos cobertos pelo cetim roxo.
Ficava uma sensação de luto no ar.
Ninguém casava, ninguem batizava, nenhum tipo de festa. Era quaresma. Luto.
Na semana santa, havia a missa do“Domingo de Ramos”.
Eu não conseguia disfarçar a euforia na procissão de ramos, quando as pessoas,especialmente as que moravam na roça, traziam os ramos para serem benzidos.
Eles faziam arranjos, em forma de cestas, de laços, folhas entrelaçadas, eu achava tão lindo!
Muitas crianças como eu, só levavam uns raminhos, mas quando o padre os benzia, eu voltava para casa segurando meus ramos bentos, como se fossem a chave da porta do céu rsrsrs
Na segunda, e terça feiras, nada a acrescentar. A igreja permanecia fechada.
Na quarta feira, “abstecer se de carne,como manda a santa madre igreja.”
Na quinta feira, cerimônia do lava pés.
Eu não entendia, acho que nem me interessava pelo aspecto religioso, eu ficava fascinada com o ritual teatral da cerimônia.
Na sexta feira, as rádios do interior não funcionavam, e os rádios não eram ligados. Silencio total.
Não era permitido cantarolar, assobiar, nem rir muito, nem brincar, nem brigar com os irmãos.
Tudo quieto, comedido,às vezes eu me esquecia, falava ou cantava alto, minha mãe logo corrigia: Silencio: hoje não pode,
Não que minha casa fosse de pessoas muito religiosas. Era assim que tinha que ser.
Na sexta feira o almoço era bacalhau. Mas com sentido religioso.
Sem espírito gastronômico. Receita básica: azeite, molho tomate, cebolas, batatas e azeitonas.
Ao anoitecer, na procissão, a cidade inteira, o pessoal da roça comparecia em massa.
Havia pessoas que vinham para cidade, só uma vez por ano, nesse dia. Mais importante que o Natal.
O momento em que a VERONICA cantava, enxugando o rosto de CRISTO, era para mim o momento mais esperado. O mistério. A Verônica trazia o rosto coberto, a gente nunca sabia quem era. Sábado a ressurreiçaõ, no domingo de páscoa, missa com roupa nova, á principio não havia o ritual dos ovos de páscoa.
No interior, eles foram chegando devagar.
A escola ensinava a música “Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim? “
A primeira vez que os ovos de páscoa apareceram em casa, eu devia ter 11 anos. Na venda onde meus pais tinham conta apareceram os ovos, eu comprei fiado os menores, um para cada irmão, fiz um arranjo com papeis coloridos picados numa travessa coloquei os ovos, fiz surpresa para eles . Primeiros ovos, primeiros chocolates. Aí se fez a Páscoa rsrsrs
À partir dos meus 15 anos o sentido religioso da quaresma foi se perdendo, mas acho que não só para mim.
Hoje o peixe e bacalhau representam mais variedades gastronômicas. O chocolate é só o bom e velho chocolate.
Músicas, festas,TV, tudo normal. A quaresma nem se nota o ínicio e o fim.
Nenhuma crítica as mudanças. Só constatação.
A fila anda. As coisas mudam, até as maiores tradições, vão sofrendo alterações. Mas minhas lembranças,minhas histórias,estão aí.São meus olhos atentos para as mudanças.
Observações.

criado por picida_ribeiro    21:40 — Arquivado em: Sem categoria

9/4/07

METAS SONHOS REALIZAÇÕES FRUSTRAÇÕES

Metas ,sonhos e objetivos.Realizações e Frustrações.

Ah! As metas, os projetos, os sonhos…
Estou sempre prometendo começar, recomeçar.
Passar dos pensamentos aos atos.
Lembrei-me que quando eu era criança, eu era objetiva, persistente.
Uma vez, fui num circo e vi uma criança com a minha idade, fazendo contorsionismo. Achei o máximo, e em segredo, sem falar com ninguém, fui aprendendo sozinha, e devagar. Treinava escondidos todos os dias. Primeiro, ia descendo o corpo, apoiando as mãos na parede, e marcava com lápis o ponto máximo que tinha conseguido chegar.
Todo dia ia baixando um tanto mais, até chegar ao chão. Logo, já estava chegando até o chão, sem precisar apoiar na parede.
Aí, já fazia todos os contorsionismo que vi no circo. Virei até atração na vizinhança. Rsrsrs.
Eram metas e objetivos pequenos, infantis.
Adorava dormir com travesseiro alto, fui tentando dormir sem travesseiro, até conseguir dormir com travesseiro baixo.
E pela adolescência fui seguindo pequenas metas.
Aprender a dançar, decorar letras de músicas. Depois ler um livro por dia, escolhendo a coleção de um escritor.
Primeiro, todas as obras de Monteiro Lobato, José de Alencar, Machado Assis, José Mauro de Vasconcelos .
Sendo uma aluna regular, uma vez fui a última escolha para formação de um grupo de trabalho, onde teríamos que dar uma aula sobre Cristianismo.
A turma que fiquei era fraquíssima, eu pedi a eles que me deixassem preparar e expor a aula sozinha em nome do grupo.
Imagina, todos acharam ótimo.
Sem alarde, me preparei como nunca tinha feito. Tiramos 10. E muitos elogios. Até em outras classes, o professor elogiou minha aula. Foi extremamente gratificante.
Meta e realização.
Ir sozinha trabalhar e estudar em SP, aos 18 anos, sem grana em 1975, era práticamente uma aventura
Mas atingi o sonho de estudar na USP, trabalhar , me sustentar e ajudar a família…
Deu certo. Metas e realizações.
Os namoros que não deram certo, as dores de amores errados, deram-me objetividade para escolher um cara como o Décio.
Mas com o passar do tempo, da vida, as frustrações, cansaço, fizeram de mim uma pessoa cujas metas e projetos, não consigo buscar com afinco e determinação.
Tenho tentado melhorar isso. Ir para o computador, ter um blog, tudo isso faz parte de um COMEÇO.
Os míseros 8 kgs que perdi, fazem parte de um RECOMEÇO.
Tanta coisa por fazer, tanta história para contar.

criado por picida_ribeiro    21:22 — Arquivado em: Sem categoria

7/4/07

Aguas de Março

Águas de Março

Mês de março. No dia 06 aniversário de meu irmão Zé Luiz.Ele mora em Londres, nos falamos por telefone, sabendo que no final do mês ele estaria aqui.Guardamos os beijos e abraços.
O Jr, irmão do Décio,estava de férias e veio passar uma semana conosco Com ele vieram ,a Valéria sua esposa e Vitor, seu filho de 14 anos.
Que delicia, visitas…
Especialmente essas. Primeiro, porque os vejo pouco, depois eles são muito legais, fizeram desses dias que aqui estiveram um acontecimento…
Conversamos muito (oh! Doce contato com vida inteligente), demos risadas, e muita comidinha diet, que não é meu forte, mas o Jr é radical. Ele é médico e fala com razão e conhecimento que pessoas na minha idade, têm que ter alimentação saudável, praticar exercícios, etc . Só comida saudável.
A exceção ficou para o domingo dia 18, quando fomos à melhor pizzaria da cidade, AFFAMATO, que não é nenhuma SPERANZA, mas dá para “enganar”. Comida boa, ambiente agradável, bom atendimento.
Fomos com toda família, minha mãe, minha tia Cleide, tia Lúcia, Neto, Graça, Carol, comemorar 14 anos do meu sobrinho e afilhado DANIEL.
Foi uma festa muito legal, que meu irmão Neto, proporcionou.
O Daniel levou uns 5 “melhores amigos”, teve bolo brigadeiro, dos bons,
Ele está sentindo a ausência do pai que adora, mas temos feito tudo, não para substituir, mas para amenizar a saudade, e a ausência.
O Daniel é um adolescente maravilhoso, e não é papo de tia coruja, é verdade, numa oportunidade dessas, escreverei sobre ele.
Dia 26 foi aniversário do Rodrigo, meu enteado,que mora em La Plata.
Quando conheci o Décio ele devia ter uns 4 anos. A primeira vez que o vi, estava no colo do Décio. Lindo, cabelos encaracolados.
Como era de se esperar, nessa fase rolou um ciuminho básico por parte dele, mas eu sempre entendi, e respeitei. Nos finais de semana que eram do Decio e Rodrigo, por sugestão minha, eu não namorava. Era dos dois.
A não ser que houvesse um evento, uma festa ou uma estréia especial no cinema, eu tomava todo cuidado para não invadir seu tempo e seu espaço.
Sempre que podia eu lhe dava presentes, agradava, buscava ser sua amiga, mas nunca tentei “comprar” sua amizade.
Só ficamos amigos quando ele tinha uns sete anos, a mãe já estava casada com segundo marido, ele foi se desarmando, e foi nascendo entre nós um afeto e uma amizade sincera.
Eu gosto dele de verdade. Nenhum sentimento de mãe, madrasta, mas de amiga, grande amiga. Trocamos confidencias, nos queremos bem, de verdade. Tomara que ele seja feliz. Merece muito.
No dia 30, sexta feira, fomos para Ribeirão Preto, encontrar com o Zé Luiz e o Alex.
Tomamos café da manhã juntos, depois passeio no shopping, e a noite um jantar com para uma pré comemoração do aniversario da minha mãe. 77 anos.
Jantamos massa e vinho. A companhia do Zé e do Alex é sempre muito carinhosa e agradável.
No domingo, dia 1 de abril, fomos almoçar na chácara do Chico Pazian, um paraíso com uma belíssima area verde.
Passamos a semana, curtindo a presença do meu irmão, do meu amigo Alex.
Eles voltarão em dezembro. Passarão o Natal conosco.
Já estou curtindo a espera. Já imagino mil coisas, preparativos, presentes.
E agora, páscoa, muito chocolate.
E como diria Jobim “São as águas de março, fechando o verão, são promessas de vida no meu coração.

criado por picida_ribeiro    16:47 — Arquivado em: Sem categoria
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