DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

30/5/07

Triste espera

Ontem meu irmão Neto fez 53 anos e nos reunimos em sua casa para um bolo e “Parabéns á você”.
Não foi festa. Foi só reunião mesmo.
Estamos levando nossa vida, mas a dor da espera está em todos nós, muito forte.
Todos os meus irmãos tem uma ligação muito forte com a Tia Vera.
Seu estado continua gravíssimo, ela foi transferida para o Hospital Sírio Libanês, que é um dos hospitais mais bem equipado para casos assim. O hospital ajuda, mas não resolve, porque realmente, tudo depende da reação do organismo. Os médicos não podem garantir nada. Na tomografia, foi apresentado pequenas lesões, mas os médicos acham que podem ser reversíveis. Agora, é esperar.
Mas, já estou conseguindo torcer para que tudo dê certo. Não se sabe de onde, mas nasce uma tênue esperança em mim, do nada, do querer apenas.
Escrevo sobre ela no meu blog, porque sei que ela lia sempre, me deixava comentários, e começo a imaginar, que depois que tudo isso passar, ela poderá ver aqui, tudo que enfrentou e venceu.
Quero que ela saiba de cada dia que esperamos por ela, que ela tenha consciência plena do amor de sua família, especialmente marido e filhos.
Um marido que diz que não sabe como seria sua vida sem ela. Agora é esperar, e torcer

Do meu irmão aniversariante, 53 anos com pique, cara e corpo de trinta, quero desejar toda felicidade do mundo, porque ele merece mesmo. E não é só frase feita.
Suas conquistas de hoje são merecidíssimas.
Sempre fomos muito amigos e quando voltei á morar em Ibitinga,não conseguia lidar direito com as mudanças que tínhamos sofrido, não conseguia aceitar o distanciamento, as diferenças. Acho que ele também. Agora estamos aparando essas arestas, lidando melhor com isso. Mas o amor e amizade sempre estiveram inabaláveis. Ele é meio complicado, metódico ao extremo, inteligente, bem informado e muito generoso. Boa alma. Boa gente. Felicidades á ele.

criado por picida_ribeiro    17:29 — Arquivado em: Sem categoria

Dor e espera

 
No último domingo, minha vida parou. Parou com susto, parou com dor.
Eu sabia que minha tia Vera, tinha se submetido á retirada de um mioma no sábado e tudo tinha ido bem. Ela já vinha adiando isso há algum tempo.
Acabou por fazer no Hospital Pro Mater em SP, um conceituado hospital especializado em partos e cirurgias femininas.
Mas no dia seguinte, ela teve uma embolia pulmonar, três paradas cardíacas, ela está em coma induzido e seu estado é gravíssimo.
Quem acompanha meu blog, já teve oportunidade de ler sobre minhas tias. Elas não são qualquer tia.
São especiais. Pessoas especiais e especiais em minha história.
A tia Vera, é a caçula de todos os tios e “temporona”. Ela tem a idade dos sobrinhos. Já falei sobre ela no post Tempo Tempo de 05/ 2/07.
55 anos, rosto e corpinho de 30. Mesmo.
E um astral que carrega a maturidade natural de idade, com a alegria e energia de sempre.
Crescemos juntas. Brincamos na rua, nadamos nos rios em Tabatinga, corri para ficarmos “mocinhas” juntas, passearmos, paquerarmos juntas. E ela já “mocinha’, sempre recebeu a sobrinha ainda criança bem. Acompanhei as primeiras paqueras, o
primeiro namorado.
Eu não a chamava de tia. Um dia ela reclamou. Queria tratamento igual ao das irmãs. Queria ser chamada de tia. E assim foi para sempre. Tia e senhora. Não combinava, mas ficou para sempre,
Já falei da sua persistencia, sua determinação, sua ética, integridade. Tudo acima da média. Perfeccionista extremada.
Muito querida, que criou uma família linda, queridíssima.
Agora, de repente, tenho que ouvir os médicos dizerem que não há nada que possa ser feito. Temos que ESPERAR o que vai acontecer. ESPERAR.
E essa dor no peito que não passa, que aperta e sufoca.
Não consigo nem rezar, nem torcer. Só consigo ESPERAR.
Esperar com dor.

criado por picida_ribeiro    0:51 — Arquivado em: Sem categoria

26/5/07

Meu amor de ontem Meu amor de sempre

Adoro inverno. Dias e noites frios, me estimulam. Fico esperta. O Décio também gosta.
Quando morávamos em SP dias frios era sinônimo de disposição para sair, trabalhar, colocar aqueles casacos que são sempre bonitos, com echarpes, coletes.
Eu sempre me animei mais para comprar roupas no inverno, que no verão. Adorava comprar blazers, malhas. Bonito e aconchegante.
Para a noite, sempre criávamos um programa. Uma sessão de quentão e pipoca, com um bom filme, ou sair e comer uma massa no La Fiorella, ao lado da lareira.
Mas sempre o astral, o clima era diferente. Era como se algo especial estivesse acontecendo. “Oba, está frio, o que vamos fazer hoje?”
Morei 5 anos em Bragança Paulista, clima de montanha.Ao lado de Atibaia, Serra Negra.
Um lugar lindo, com um clima ótimo. Os dias eram ensolarados, mas sempre com temperatura agradável, e as noites, eram sempre de temperaturas amenas .
E no inverno, a coisa era brava. Frio de verdade, pra valer.
Agüentávamos na boa, ir trabalhar diáriamente em Sp ás 6 hs da manhã, já estávamos na estrada, e á noite ou saíamos para tomar um lanche, ou fazíamos um fondue com vinho.
Tenho uma coleção de receitas de sobremesas especiais quentes, próprias para essas ocasiões. Sem falar das sopas, caldo verde,
Em Ibitinga, isso acabou. Aqui é sempre muito quente, desses que a gente se desmancha. Meus casacos ficaram engavetados, minhas receitas também.
E finalmente se fez o frio por aqui. Desses bons, de 15 graus.
Desengavetei lãs e veludos (Os que ainda serviram) meias de lã, sapatos fechados, echarpes, fiquei elegante. Quem não ficaria?
Vi que no canal TCM ia passar ás 22 hs o filme “Meu amor de ontem”.
Eu já tinha visto o filme e adorado. O Décio não conhecia. Já transformei em programação especial de inverno.
Cinquentões também namoram. O que acho legal, é que quando tenho essas idéias, posso contar com a participação do Décio. Sabe aquelas coisas que só mulher gosta, ou que mulher gosta mais? O Décio nunca acha bobo.
Ele transformou o aparador do nosso quarto em mesinha, acendemos velas, preparei um fondue, vinho tinto .
O filme romântico, com Robert Redfort lindo, de fazer Brad Pitt morrer de inveja. Uma linda história de amor, política, relações humanas, feito com muita sensibilidade.
E quando o Décio deixou cair um pedaço de pão no creme eu falei da tradição de dar beijinho cada vez que isso acontece. Ele entrou na brincadeira, colocou logo mais uns quatro pedaços, para ganhar mais beijos.
E diante disso, dou um valor especial para cada momento desses. È um privilégio poder desfrutar de momentos assim ter ao meu lado um companheiro assim.
Mesmo sem grana, cada momento pode realmente ser especial, basta querer.
Dormir abraçados, num ededron bem quentinho, quer coisa melhor? São momentos assim, que fazem meu amor de ontem, ser meu amor de sempre.

criado por picida_ribeiro    15:24 — Arquivado em: Sem categoria

21/5/07

Descrição

Vi nos favoritos do vidamaria.blog.terra.com.br a indicação o blog EU JÁ. Nesse blog as pessoas podem fazer seus comentários e postar os seus “EU JÁ”. Copiei a idéia. Os meus “EU JÁ”, vão muito além dos citados, acho que todos tem uma lista enorme. Sintam se á vontade para listar os seus rsrsrs.

Eu Já

Eu já morei no campo, sem energia elétrica quando eu era criança.
Eu já caí sentada numa bacia cheia de água fervendo e tive queimaduras terríveis, que não deixaram marcas, quando ainda era criança.
Eu já fiz poesias. Eu já dublei Ney Matogrosso, na época dos “Secos e Molhados”.
Eu já aprendi a sambar. Eu já recolhi três cachorros na rua e cuido deles até hoje.
Eu já escrevi para jornais e revistas. Eu já tentei fumar.
Eu já fui confundida com Elis Regina várias vezes
Eu já dei entrevistas na TV. Eu já dormi apenas com duas gotas de Chanel n 5.  Já tive um diário, por longos anos. Já tive ciúmes da ex mulher do Décio. Eu já mandei e recebi cartas de amor.
Eu já fiz vestido novo para assistir “Roberto Carlos em Ritmo de Aventuras”. Eu fui fã da Jovem Guarda. Já chorei por amor, de dor e de saudades. Já chorei á toa, por nada. Já chorei de tanto dar risada. Já acompanhei os famosos festivais na televisão de vizinhos.
Eu já decorei músicas em inglês, sem dominar o idioma.
Eu já passei noites em claro, até terminar de ler um livro.

Eu já fiz campanha para o Lula.Eu já andei com a estrelinha do PT no peito.Eu já votei no Genuíno, eu já votei  no Zé Dirceu.
Eu já passei noite inteira acordada vendo tv.
Eu já dormi uma noite inteira e acordei só as l6 hs do dia seguinte naturalmente.
Já tomei banho, cantando em voz alta e desafinada.
Eu já fui loira por meia hora. Voltei ao cabelereiro e tingi de castanho novamente.
Eu já fiz cirurgia plástica. Eu já fiquei uma semana em spa.
Eu já tomei “bombas” para emagrecer. Já fiz dieta radical. Já comi um bolo de chocolate sozinha. Já ganhei jóias lindas do Decio, penhorei e esqueci a data do resgate: perdi. Já dei um relógio Tissot para ele, no nosso primeiro aniversário e ele conserva com muito carinho.
Eu já entrei em academia de dança para aprender dançar a coreografia do John Travolta no “Embalo dos sábados á noite”.
Eu já usei a meia lurex da novela “Dancing Days”.
Eu já fui apresentada aos músicos Toquinho, Milton Nascimento. Viajei para Rio Janeiro só para ver um show do Roberto no Canecão. Já fui convidada á escrever um livro, mas sabiamente recusei. Já perdi meu pai e dói até hoje
Eu já namorei três celebridades. Já dancei na rua. Já tentei e não consegui aprender á dirigir, nadar, e andar de bicicleta.
Já furei fila, que horror! Já tive o nome no SPC e foi uma luta para tirar.
Eu já fui “maria chuteira”. Já pedi dinheiro emprestado.
Eu já´produzi desfiles de moda, com modelos capas de revistas.
Já dei amasso no carro, beijei muito.
Eu já tomei café da manhã em hotel 5 estrelas. Eu já me interessei por homens bonitos, mas só me apaixonei pelos interessantes.
Eu já ganhei flores do Decio, diáriamente, por meses seguidos
Eu já sofri acidente de carro, fiquei internada uma semana, sem memória.
Eu já quis bater no meu cunhado, por ele brigar com minha irmã.
EU já quis bater na minha irmã, por ela ser teimosa.
Eu já mimei meus sobrinhos.
Eu já fiz terapia.
Eu já tive câncer. Eu já falei sim, quando não podia ou não queria.
Eu já errei e pedi desculpas. Eu já magoei pessoas que amava muito.
Eu já me decepcionei com pessoas que nem imaginava.
Eu já tive altíssimos salários. Eu já fiquei desempregada.
Eu já viajei 8 hs para ver um namorado e ficar com ele 40 minutos. Já gastei fortunas num dia, e fiquei dura no outro.
Eu já fiz jantar romantico, igualzinho de filmes e novelas.
Eu já comprei jantar pronto em restaurante sofisticado, com vinho e sobremesa, fui de táxi do centro de SP,à Interlagos para jantar de surpresa com o Décio.
Eu encontrei no centro de Sp, um amigo querido que eu tinha perdido o contato e não via há anos.
Eu encontrei por acaso um conhecido num grande supermercado em Santo Amaro SP, e horas depois, o reencontrei na plena avenida paulista avenida Paulista.
Já fui madrinha de vários casamentos.
Já procurei amigos pela internet, e até achei. Já peguei o mesmo táxi, no mesmo dia em lugares diferentes em SP. Já usei mini saia e bota branca. Já usei bobs. Já sonhei, já acordei. Já me frustei, me decepcionei. Eu já renasci.
 

criado por picida_ribeiro    23:19 — Arquivado em: Sem categoria

18/5/07

Sempre é Tempo

Estou vivendo dias agitados. O Rodrigo, filho do Décio, veio da Argentina, para o Brasil, dessa vez para ficar, pelo menos, á principio, essa é a idéia.
Ele é formado em jornalismo, pela Universidade de La Plata e pode também lecionar espanhol até em faculdades por aqui. Então, aqui está ele, e a proposta é morar em Ribeirão Preto, procurar emprego por lá.
Nessa primeira semana, ele ficou em casa, então minha rotina mudou: café da manhã, almoço e jantar. Com horários.
Mas acho bom. Somos bastante amigos, gosto dele de verdade, conversamos bastante, é bom te-lo por perto e poder curtir a alegria do Décio com sua presença.
Ele só falta babar, rsrsrs
No domingo, dia das mães, a reunião foi na casa do meu irmão Neto. O tempo estava bom, um lindo domingo ensolarado. Só faltou o Zé Luiz, estavam todos os netos, e mais alguns amigos.
Ganhei de presente de aniversário do meu irmão, Zé Luiz, matrícula e mensalidades pagas para freqüentar academia de ginástica. Tentei escapar, não consegui. Ele praticamente intimou. Capitulei.
Odeio a idéia de academia, mas assim com tudo pago e tanto “incentivo”, vou tentar.
Talvez uma hidroginástica…
E conviver de perto, com o Rodrigo, nesse momento em que ele chega ao Brasil, buscando trabalho, fazendo planos, cheio de esperanças, me remete à fase em que cheguei à SP cheia de sonhos, e lembrar disso dá uma nova força, um novo gás.
Lembrar e relembrar do que somos capazes, do que estamos á fim de verdade, sentir o que podemos fazer e acontecer.
Desengavetar os sonhos mais bem guardados, e sentir que ainda é possível, que ainda há tempo. Sempre é tempo.

criado por picida_ribeiro    16:09 — Arquivado em: Sem categoria

10/5/07

Não é a mamãe

Talvez essa não seja a semana mais indicada para eu falar sobre minha relação com o famigerado instinto maternal, mas vou me arriscar.
Fico vendo anúncios, programas de TV, palestras, igrejas, enfim, tudo e todos falando do sacrossanto ato de ser mãe.
E tudo isso me soa tão estranho… Nunca fui capaz de entender porque nunca quis isso para mim.
Sinto me diferente das outras mulheres.
Aquele instinto maternal que todas dizem sentir desde sempre, eu nunca tive. Seria então, uma mulher, um ser humano menor?
Sempre ouvi que uma mulher só se torna completa ao ser mãe.
Eu fazia cara de paisagem, meio que concordando, mas caramba eu não sentia, não pensava assim. Vejo mulheres que não podem ter filhos, se sentindo infelizes,fazendo tratamento para engravidar, fertilização em vitro , e juro, não entendo. Queria entender.Não consigo.
Quando criança, nunca gostei muito de brincar com bonecas. Brincava porque as amiguinhas e minha irmã, sugeriam a brincadeira, mas não me divertia muito.
E ficava muito intrigada com a figura de mulheres grávidas, com as barrigas crescendo, achava feio, nunca fui partidária de achar mulher grávida uma visão meio que celestial, nunca concordei que “toda mulher fica linda grávida”, pelo contrário. E sempre fiquei apavorada, sem entender como poderia sair de dentro de mim, outro ser humano.
E a dor? Vendo nos filmes, aquelas caras de dor, choro e sofrimento, ficava ainda mais assustada.
Até hoje não consigo ver nem em novelas cenas assim.
Como nunca quis ser mãe, se sempre fui uma pessoa generosa, solidária, práticamente criei meus irmãos? Tenho com eles uma relação até meio esquisita, faço por eles absolutamente tudo, faço todos aqueles sacrifícios que dizem que só mãe faz.
Muitas vezes acho que nem sei separar o “ser prestativa” do ser “intrometida”.
Com todos os três, devo ter ultrapassado essa linha mil vezes.
Tenho 5 sobrinhos, e com dois deles tenho uma relação intensa de amor, carinho e amizade.
Nem posso dizer que não gosto de crianças.
Ao contrário do Décio, nunca fiz muito sucesso com crianças, mas tenho paciência e carinho com elas.
Quando me casei, sempre deixei claro que não queria filhos. O Décio já tinha um filho do primeiro casamento, talvez por isso não tenha insistido muito, e dizia que um dia a vontade de ser mãe apareceria, que era inerente da mulher. Nunca aconteceu e nunca me arrependi por isso.
Já tentei a teoria que nunca quis ter filho por ter me dedicada muito aos meus irmãos, ajudei mesmo minha mãe a cria-los, que eu já devia estar cansada, não sei.
Certa vez, a Alcina, uma das minhas melhores amigas, que conheci aos 18 anos, me disse que NUNCA, tinha ouvido eu falar sobre ter filhos, nem mesmo a frase banal que todos usam quando vão dar exemplos, tipo” quando tiver meus filhos, farei isso,ou aquilo”.
Só então me dei conta que nunca mesmo, tinha sequer cogitado a hipótese.
O que será que há comigo?? Nem posso dizer que isso me intriga muito, porque já fiz terapia por tempo razoável e sempre que posso volto, e nunca nem discuti o tema.
Sempre me preocupei mais em ser filha, que ser mãe. Sou o que os pais chamam de “Filha de ouro”…
E aos 51 anos, quase dia das mães, me ocorreu falar disso.
Continuo achando estranho a relação da humanidade com as Mães.
Sigo achando que há muitas mulheres más que se tornaram boas mães, que há muitas boas mulheres que não são boas mães, e há claro, e graças à Deus, as boas mulheres, que são boas mães.
Não acho que a maternidade santifica .
Acredito na vocação de mãe, no instinto maternal, mas eu confesso constrangida que não nasci com ele.
Provávelmente, quem mais perdeu com isso, fui eu mesma. Vou morrer sem saber.

* Tatiana Rezende: Juro que o post com o mesmo nome que o seu é pura coincidencia

criado por picida_ribeiro    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

5/5/07

PERSONAL BOOKS

Para contar minha história, vou puxando pela memória, para registrar minha relação com a leitura, que desde sempre teve muita importância em minha vida.
Assim que fui alfabetizada, aos 6 anos de idade, comecei a me interessar pelo ato de ler. Numa casa de pessoas simples, meus pais só tinham o curso primário, não havia um livro sequer, mas eu me interessava pelo ato de LER.
Lia os gibis de meu pai do Fantasma, do Mandrake, e ás vezes ele trazia gibizinhos do Tio Patinhas, Pato Donald, eu adorava.
Tinha também as fotonovelas (quem lembra?)
Eram romances, novelas, com fotos com legendas, que minha mãe insistia em esconder para que eu não visse os beijos na boca.
Quando ia para Ibitinga passar férias, as possibilidades de leitura melhoravam um pouco. Mais revistas, até “Família Cristã”, “Seleções”. Eu gostava de ficar horas lendo, o que eu encontrasse.
Mas ao mesmo tempo, não era uma criança quietinha. Desinibida, alegre, gostava de brincar, cheia de amigas, dividia meu tempo sem problemas. Na casa das minhas tias, encontrei meus primeiros livros: “Meu pequeno príncipe”, uma coleção de Louise May Alcott, que as meninas adoravam na época:”As mulherzinhas”, “As mulherzinhas crescem”, “Tom Sawer”, todos lidos numa férias, relidos na outra.
Quando tinha onze anos, minha mãe foi chamada no colégio em Tabatinga, para regularização de documentação, e fomos atendidas na biblioteca, que eu nem sabia que existia.
Dona Esli, a bibliotecária, jovem, bonita, elegante, e moderna.
Diferente do padrão, não é? Ela que disse que todos aqueles livros podiam ser “emprestados”, e indicou Monteiro Lobato.
Li a coleção toda, e não há Harry Potter no mundo que me cative mais que “O Sitio do Pica Pau Amarelo”.
Os livros que os professores mandavam ler para trabalhos de escola, para mim, era o tipo de tarefa agradável. Ao contrário da maioria, eu gostava. Todos os dias da minha vida, na minha adolescência eu tive um livro em minhas mãos.

Eu viajava nas leituras. Mesmo.Quando tinha 13 anos, o Valfredo, irmão da D.Esli, mais velho que eu, num sábado veio até minha casa, perguntou se eu tinha lido “O Guarani” de José de Alencar. Ele precisava fazer um trabalho para escola para segunda feira, sobre o romance, com o resumo, análise dos personagens, essas coisas. Não, eu não tinha lido, ao ver o volume do livro, falei ser impossível ler num fim semana, eu tinha meus planos: passeio, cinema. Então, ele disse a frase mágica: “Eu te pago”. Meus olhos viraram dois cifrõezinhos $$$$$$$
Oba, ler e ainda ganhar para isso??? Assim começou minha carreira. Virei profissional na arte de fazer esses trabalhos para os amigos. Dos que eram amigos mesmos, dos mais íntimos, eu não cobrava. Chegava á fazer dez trabalhos por dia.
José de Alencar, Machado de Assis, José Mauro de Vasconcelos, Èrico Veríssimo, Ligia F. Telles, Jorge Amado e por aí vai. Havia as leituras sobre encomenda, e tinha sempre uns livros que eu já havia decorado, e quando o critério de escolha, ficava por conta por conta do aluno, eu só tinha que ter o trabalho de fazer um diferente do outro. Eu não tinha uma leitura erudita, não era uma intelectual, só gostava muito de ler, e eu ficando tão rápida na leitura que até eu achava impressionante. Quando aos 15 anos, mudei me para Ibitinga, o hábito continuou.
Na biblioteca Municipal, eu lia os livros que eu estava á fim, as opções haviam aumentado um pouco, já encontrei Simone de Beauvoir, Victor Hugo, best sellers.
Mas continuei fazendo trabalhos de escolas aos montes, daqueles romances que os professores queriam embora um deles a D. Eugenia certa vez dissesse na minha classe, que sabia que tinha alguém (ela sabia quem era) que fazia trabalho para os outros e que mesmo mudando as palavras, reconhecia o estilo, reconhecia cada trabalho, mas, segundo ela, azar de quem encomendava.
Em SP, li menos, nunca fui de comprar livros, mas sempre emprestava de alguém, DEVOLVIA, continuei a gostar de ler, embora com menos tempo, e também porque aí surgiram para mim, as revistas e jornais. Até então, eu não tinha interesse por notícias, informações.
Virei uma leitora voraz de revistas e jornais, diminui os livros.
Passados os quase trinta anos morando em SP, voltei a morar em Ibitinga, e o que achei interessante, foi o reencontro com os amigos e os não tão amigos que se lembraram dos trabalhos de escola que eu fiz para eles.
De alguns eu lembrava, mas não lembrava que tinham sido tantos. Até o Decio ficou impressionado. Muita, mas muita gente mesmo. Eu diria que praticamente, nas duas cidades, toda uma geração que não leu porque eu o fiz por eles. Hoje,diria que eu era praticamente uma “PERSONAL BOOKS”.rsrsrsrs
Ganhei muito por isso. Fez muita diferença em toda minha vida, e hoje vejo que se tivesse sido mais bem orientada, meu interesse pela leitura poderia até ter sido mais bem aproveitado.
E como convencer hoje um adolescente, o quanto ler pode nos acrescentar na alma, na vida?
E pode distrair, divertir, emocionar.
Continuo lendo muito. Meu irmão, Neto, compra todas as revistas que encontra nas bancas, TODAS. Desde as mais banais tipo Caras, Vogue, as semanais de informação, as experimentais tipo Piauí, Aplauso, todas as de moda, Boa Forma, Vip, Placar, Exame, Rolling Stones, Trip, acho até que ele é meio compulsivo com isso, rsrsr e as passa para mim.
Ganhei dele de aniversário, o livro NEVE do ganhador do premio Nobel Literatura 2006. Vou começar a ler hoje. Amanhã já devo ter terminado, e não é porque pego o livro e não largo.
Eu paro, vejo TV, passeio, e LEIO.
Sou capaz de virar a noite lendo. Começar um livro na hora em que vou dormir e só parar quando chegar ao final, já com o dia nascendo.
Imaginem o que foi a leitura para uma menina que até os 18 anos só conhecia as cidades de Tabatinga e Ibitinga. Os livros eram o meu mundo, meu passaporte, para onde eles me levassem e tudo valeu muito a pena.

criado por picida_ribeiro    15:58 — Arquivado em: Sem categoria

3/5/07

Foi assim…

Ontem, o já falado dia de aniversário, transcorreu tranqüilo, sem grandes acontecimentos, mas vou deixar registrado aqui, para lembrar sempre.
Os telefonemas começaram logo cedo. Minhas tias, Rosana, Verci, Sandra, meus irmãos, e foi assim no correr do dia, incluindo os irmãos do Decio.
E mails da Antonia, da Alcina.
Resolvi limpar a casa, nada de super faxina, mas estava tudo meio bagunçado, quis deixar em ordem, bonitinho, cheiroso.
Escolhi para ouvir um CD que tem a música “Êxtase” de Guilherme Arantes:”Eu nem sonhava te amar desse jeito,quero te mar te sentindo ao meu lado, sentindo o êxtase de ser amado”…
Nessas datas, costumo fazer algum jantar especial, mas dessa vez, faltavam duas coisas para isso: tempo e dinheiro.
O Décio trabalhou o dia todo, eu ajudei um pouco. Como não dirijo, esperei ele terminar o trabalho para podermos ir ao supermercado. Resolvi fazer uma comidinha simples, mas que o Décio adora: carne moída refogada com alho e cebola, num bom azeite, molho de tomate sem pele batido no liquidificador, com um pouco de noz moscada e vinho tinto seco.
Fica super diferente, e muito bom. Para acompanhar purê de batatas e salada de rucúla.
Sobremesa: bolo e cafezinho. Muito simples, mas arrumei a mesa, toalha e copos bacanas.
Depois assistimos o DVD que ganhamos do Neto. Um show do Michel Bublé, adoramos, muito bom..
Tentamos dançar. Se tem alguma coisa que não conseguimos fazer juntos é isso. O Décio é péssimo bailarino, dança todos os ritmos do mesmo jeito.
Mais um ano de vida, é para comemorar não é?
Ah! E socorro voltar as promessas…Tentar retomar o que a gente acaba deixando de lado. Tentar resgatar o que vivemos e fizemos de bom. E planejar, sonhar. Realizar.

criado por picida_ribeiro    11:25 — Arquivado em: adulto, relacionamentos

2/5/07

Hoje é meu aniversário II

Hoje é meu aniversário II

Há um ano atrás, ao completar 50 anos, fiz um post com esse título, e até hoje é meu post mais visitado.
Nele falo de como curto fazer aniversário, falo um pouco dos aniversários que tive, falo do fato inusitado de aniversariar no mesmo dia que meu marido.
Hoje completo 51 e ele 58 anos.
Gosto de imaginar, ele com 7 anos, indo para escola, deve ter ganhado presentes, bolo, festinha, nesse dia, brincando em SP, onde sempre morou, e eu nascendo numa cidade do interior de SP.
Canto pra ele: “Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nosso destino estava traçado na maternidade”.
È engraçado, mesmo com o passar tempo, não me sinto enve-lhecer.
O rosto e o corpo mostram algumas evidencias, o amadurecimento próprio da idade também se faz presente, mas nada ainda que tenha mudado meu comportamento, aquelas coisas do tipo “não estou disposta agora” ou “fazer isso não fica bem para alguém da minha idade”
O Décio também é assim. Beirando os 60 anos, ele freqüenta diariamente academia, corre, faz natação, nada de reumatismos, dores e desânimos.
Ele tem um astral ótimo, é disposto, bem humorado.
Meu aniversário sempre começa no dia 1º por conta do feriado.
Muitas vezes as comemorações foram nesse dia, e ontem não foi diferente. Meu irmão mais velho, o Neto, fez um jantar em sua casa para a família, abriu um Prosecco, minha cunhada providenciou raviólis ótimos, e bolo de creme com morangos.
Logo após meia noite, o Rodrigo, filho do Décio, ligou. Queria ser o primeiro a nos cumprimentar.
Grana curta, para hoje á noite, usarei muita criatividade, para uma comemoração “íntima”.
Ficaremos em casa, recebendo telefonemas de parentes e amigos, já que a grande maioria mora em SP.
Amanhã conto como foi.

criado por picida_ribeiro    11:35 — Arquivado em: Sem categoria

1/5/07

Balancete da Vida

BALANÇO
E eu não estou falando de samba, de dança, de música. Não estou falando de “balanço, mas não caio”. Também não é balanço contábil.

Balanço de vida.
Às vésperas de completar 51 anos, resolvi parar para pensar nas perdas, nas conquistas, sucessos, fracassos, alegrias, decepções.
A vida que levei, a vida que tive, a que foi acontecendo, a que escolhi ter.
As vezes em que pude optar, as vezes em que não pude fazer nada.
Na lista, do que recebi de bom, poderia começar pela família que tenho. Igual á tantas outras, com brigas, discussões, solidariedade e amor.
De boa escolha, poderia falar da opção de ir para SP aos 18 anos, para trabalhar e estudar.
De bom nessa escolha, os lugares que trabalhei, freqüentei, e os amigos que fiz e ficaram.
Tudo o que aprendi, estudei, e conheci.
São Paulo é para profissionais.
Em qualquer função, em qualquer atividade, até na de simplesmente viver lá. È para gente grande, e é tão bom…
E quem pode reclamar da vida, dos percalços nela inseridos, das batalhas perdidas, da eventual falta de grana, do peso extra que o passar do tempo trouxe, se nesse balanço, nesse saldo, saio com força e vontade para as batalhas que virão, as lutas que criarei, os os sonhos que sonharei, os quilos que perderei. rsrsrs
O que ainda conquistarei.
Como reclamar de qualquer coisa, se nesse balanço, no saldo surge o Décio. È o homem que amo, é o que sonhei.
Companheiro, amante, amigo, solidário. Parceiro em TODOS os momentos da minha vida.
Nos trágicos, dificíeis, felizes. Importantes e banais.
Parceiro nas decisões profissionais, nas dificuldades financeiras, parceiro com meus amigos, com minha família.
Parceiro na faxina, na cozinha, nos passeios, viagens.
Parceiro nas descobertas da vida.
Tão boa gente, e comigo há 25 anos.
E acho que o melhor dessa avaliação, desse balanço, é a esperança que trago em mim, de que sempre o que não está bom, pode melhorar.
A esperança de 51 anos é a chance de lidar com a vida com vigor, somado á experiência.
A experiência ganha, faz toda diferença.
Eu quero é mais…
Bons momentos de agora:

*Ver meu blog, nos FAVORITOS aguinaldocps.blog.terra.com.br” de quem fala com competência das possibilidades, da realidade profissional nos dias de hoje, muitíssimo interessante, muitíssimo recomendado.

*Ver meu blog, nos FAVORITOS “cjsban.blog.terra.com.br” da Bahia, que fala com humor e sabedoria sobre os acontecimentos da vida.
O post sobre seu CARNAVAL esse ano, é muito, muito bom.
Ou seja, quem está lendo meu blog, não é fraco não…
Tô me achando… Obrigada mesmo.

criado por picida_ribeiro    11:37 — Arquivado em: Sem categoria
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