5/5/07
PERSONAL BOOKS
Para contar minha história, vou puxando pela memória, para registrar minha relação com a leitura, que desde sempre teve muita importância em minha vida.
Assim que fui alfabetizada, aos 6 anos de idade, comecei a me interessar pelo ato de ler. Numa casa de pessoas simples, meus pais só tinham o curso primário, não havia um livro sequer, mas eu me interessava pelo ato de LER.
Lia os gibis de meu pai do Fantasma, do Mandrake, e ás vezes ele trazia gibizinhos do Tio Patinhas, Pato Donald, eu adorava.
Tinha também as fotonovelas (quem lembra?)
Eram romances, novelas, com fotos com legendas, que minha mãe insistia em esconder para que eu não visse os beijos na boca.
Quando ia para Ibitinga passar férias, as possibilidades de leitura melhoravam um pouco. Mais revistas, até “Família Cristã”, “Seleções”. Eu gostava de ficar horas lendo, o que eu encontrasse.
Mas ao mesmo tempo, não era uma criança quietinha. Desinibida, alegre, gostava de brincar, cheia de amigas, dividia meu tempo sem problemas. Na casa das minhas tias, encontrei meus primeiros livros: “Meu pequeno príncipe”, uma coleção de Louise May Alcott, que as meninas adoravam na época:”As mulherzinhas”, “As mulherzinhas crescem”, “Tom Sawer”, todos lidos numa férias, relidos na outra.
Quando tinha onze anos, minha mãe foi chamada no colégio em Tabatinga, para regularização de documentação, e fomos atendidas na biblioteca, que eu nem sabia que existia.
Dona Esli, a bibliotecária, jovem, bonita, elegante, e moderna.
Diferente do padrão, não é? Ela que disse que todos aqueles livros podiam ser “emprestados”, e indicou Monteiro Lobato.
Li a coleção toda, e não há Harry Potter no mundo que me cative mais que “O Sitio do Pica Pau Amarelo”.
Os livros que os professores mandavam ler para trabalhos de escola, para mim, era o tipo de tarefa agradável. Ao contrário da maioria, eu gostava. Todos os dias da minha vida, na minha adolescência eu tive um livro em minhas mãos.
Eu viajava nas leituras. Mesmo.Quando tinha 13 anos, o Valfredo, irmão da D.Esli, mais velho que eu, num sábado veio até minha casa, perguntou se eu tinha lido “O Guarani” de José de Alencar. Ele precisava fazer um trabalho para escola para segunda feira, sobre o romance, com o resumo, análise dos personagens, essas coisas. Não, eu não tinha lido, ao ver o volume do livro, falei ser impossível ler num fim semana, eu tinha meus planos: passeio, cinema. Então, ele disse a frase mágica: “Eu te pago”. Meus olhos viraram dois cifrõezinhos $$$$$$$
Oba, ler e ainda ganhar para isso??? Assim começou minha carreira. Virei profissional na arte de fazer esses trabalhos para os amigos. Dos que eram amigos mesmos, dos mais íntimos, eu não cobrava. Chegava á fazer dez trabalhos por dia.
José de Alencar, Machado de Assis, José Mauro de Vasconcelos, Èrico Veríssimo, Ligia F. Telles, Jorge Amado e por aí vai. Havia as leituras sobre encomenda, e tinha sempre uns livros que eu já havia decorado, e quando o critério de escolha, ficava por conta por conta do aluno, eu só tinha que ter o trabalho de fazer um diferente do outro. Eu não tinha uma leitura erudita, não era uma intelectual, só gostava muito de ler, e eu ficando tão rápida na leitura que até eu achava impressionante. Quando aos 15 anos, mudei me para Ibitinga, o hábito continuou.
Na biblioteca Municipal, eu lia os livros que eu estava á fim, as opções haviam aumentado um pouco, já encontrei Simone de Beauvoir, Victor Hugo, best sellers.
Mas continuei fazendo trabalhos de escolas aos montes, daqueles romances que os professores queriam embora um deles a D. Eugenia certa vez dissesse na minha classe, que sabia que tinha alguém (ela sabia quem era) que fazia trabalho para os outros e que mesmo mudando as palavras, reconhecia o estilo, reconhecia cada trabalho, mas, segundo ela, azar de quem encomendava.
Em SP, li menos, nunca fui de comprar livros, mas sempre emprestava de alguém, DEVOLVIA, continuei a gostar de ler, embora com menos tempo, e também porque aí surgiram para mim, as revistas e jornais. Até então, eu não tinha interesse por notícias, informações.
Virei uma leitora voraz de revistas e jornais, diminui os livros.
Passados os quase trinta anos morando em SP, voltei a morar em Ibitinga, e o que achei interessante, foi o reencontro com os amigos e os não tão amigos que se lembraram dos trabalhos de escola que eu fiz para eles.
De alguns eu lembrava, mas não lembrava que tinham sido tantos. Até o Decio ficou impressionado. Muita, mas muita gente mesmo. Eu diria que praticamente, nas duas cidades, toda uma geração que não leu porque eu o fiz por eles. Hoje,diria que eu era praticamente uma “PERSONAL BOOKS”.rsrsrsrs
Ganhei muito por isso. Fez muita diferença em toda minha vida, e hoje vejo que se tivesse sido mais bem orientada, meu interesse pela leitura poderia até ter sido mais bem aproveitado.
E como convencer hoje um adolescente, o quanto ler pode nos acrescentar na alma, na vida?
E pode distrair, divertir, emocionar.
Continuo lendo muito. Meu irmão, Neto, compra todas as revistas que encontra nas bancas, TODAS. Desde as mais banais tipo Caras, Vogue, as semanais de informação, as experimentais tipo Piauí, Aplauso, todas as de moda, Boa Forma, Vip, Placar, Exame, Rolling Stones, Trip, acho até que ele é meio compulsivo com isso, rsrsr e as passa para mim.
Ganhei dele de aniversário, o livro NEVE do ganhador do premio Nobel Literatura 2006. Vou começar a ler hoje. Amanhã já devo ter terminado, e não é porque pego o livro e não largo.
Eu paro, vejo TV, passeio, e LEIO.
Sou capaz de virar a noite lendo. Começar um livro na hora em que vou dormir e só parar quando chegar ao final, já com o dia nascendo.
Imaginem o que foi a leitura para uma menina que até os 18 anos só conhecia as cidades de Tabatinga e Ibitinga. Os livros eram o meu mundo, meu passaporte, para onde eles me levassem e tudo valeu muito a pena.
criado por picida_ribeiro
15:58 — Arquivado em: 

OLAH, CIDA. EU GOSTO DE COMENRATAR QDO LEIO TUDO. LI ALGUNS POSTS, INCLUSIVE ESTE. GOSTO DO MODO COMO ESCREVE, PARECENDO UMA CONVERSA INFORMAL COM UMA PESSOA AMIGA. VOU TE MANDAR(ALIÁS PARA O DECIO) UM TEXTO QUE FIZ CONTANDO OS ACONTECIMENTOS DA MINHA PASCOA, INSPIRADO EM NESTE SEU POSR.
GRANDE ABRAÇO.
E COMO DISSE, ANOTEI COMO FAVORITO EM MEU BLOG.
Comentário por CARLOS SANTOS — 8 08UTC maio 08UTC 2007 @ 10:38
olá , fiquei lembrando de qto gostava de ir à biblioteca da miha cidadezinha, vc leu uma coleção chamada “menina e moça”?. gostaria de saber como encontrar, não existe mais na biblioteca bjos com carinho por me fazer lembrar destes tempos…
Comentário por vania — 4 04UTC junho 04UTC 2007 @ 15:58