DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

10/5/07

Não é a mamãe

Talvez essa não seja a semana mais indicada para eu falar sobre minha relação com o famigerado instinto maternal, mas vou me arriscar.
Fico vendo anúncios, programas de TV, palestras, igrejas, enfim, tudo e todos falando do sacrossanto ato de ser mãe.
E tudo isso me soa tão estranho… Nunca fui capaz de entender porque nunca quis isso para mim.
Sinto me diferente das outras mulheres.
Aquele instinto maternal que todas dizem sentir desde sempre, eu nunca tive. Seria então, uma mulher, um ser humano menor?
Sempre ouvi que uma mulher só se torna completa ao ser mãe.
Eu fazia cara de paisagem, meio que concordando, mas caramba eu não sentia, não pensava assim. Vejo mulheres que não podem ter filhos, se sentindo infelizes,fazendo tratamento para engravidar, fertilização em vitro , e juro, não entendo. Queria entender.Não consigo.
Quando criança, nunca gostei muito de brincar com bonecas. Brincava porque as amiguinhas e minha irmã, sugeriam a brincadeira, mas não me divertia muito.
E ficava muito intrigada com a figura de mulheres grávidas, com as barrigas crescendo, achava feio, nunca fui partidária de achar mulher grávida uma visão meio que celestial, nunca concordei que “toda mulher fica linda grávida”, pelo contrário. E sempre fiquei apavorada, sem entender como poderia sair de dentro de mim, outro ser humano.
E a dor? Vendo nos filmes, aquelas caras de dor, choro e sofrimento, ficava ainda mais assustada.
Até hoje não consigo ver nem em novelas cenas assim.
Como nunca quis ser mãe, se sempre fui uma pessoa generosa, solidária, práticamente criei meus irmãos? Tenho com eles uma relação até meio esquisita, faço por eles absolutamente tudo, faço todos aqueles sacrifícios que dizem que só mãe faz.
Muitas vezes acho que nem sei separar o “ser prestativa” do ser “intrometida”.
Com todos os três, devo ter ultrapassado essa linha mil vezes.
Tenho 5 sobrinhos, e com dois deles tenho uma relação intensa de amor, carinho e amizade.
Nem posso dizer que não gosto de crianças.
Ao contrário do Décio, nunca fiz muito sucesso com crianças, mas tenho paciência e carinho com elas.
Quando me casei, sempre deixei claro que não queria filhos. O Décio já tinha um filho do primeiro casamento, talvez por isso não tenha insistido muito, e dizia que um dia a vontade de ser mãe apareceria, que era inerente da mulher. Nunca aconteceu e nunca me arrependi por isso.
Já tentei a teoria que nunca quis ter filho por ter me dedicada muito aos meus irmãos, ajudei mesmo minha mãe a cria-los, que eu já devia estar cansada, não sei.
Certa vez, a Alcina, uma das minhas melhores amigas, que conheci aos 18 anos, me disse que NUNCA, tinha ouvido eu falar sobre ter filhos, nem mesmo a frase banal que todos usam quando vão dar exemplos, tipo” quando tiver meus filhos, farei isso,ou aquilo”.
Só então me dei conta que nunca mesmo, tinha sequer cogitado a hipótese.
O que será que há comigo?? Nem posso dizer que isso me intriga muito, porque já fiz terapia por tempo razoável e sempre que posso volto, e nunca nem discuti o tema.
Sempre me preocupei mais em ser filha, que ser mãe. Sou o que os pais chamam de “Filha de ouro”…
E aos 51 anos, quase dia das mães, me ocorreu falar disso.
Continuo achando estranho a relação da humanidade com as Mães.
Sigo achando que há muitas mulheres más que se tornaram boas mães, que há muitas boas mulheres que não são boas mães, e há claro, e graças à Deus, as boas mulheres, que são boas mães.
Não acho que a maternidade santifica .
Acredito na vocação de mãe, no instinto maternal, mas eu confesso constrangida que não nasci com ele.
Provávelmente, quem mais perdeu com isso, fui eu mesma. Vou morrer sem saber.

* Tatiana Rezende: Juro que o post com o mesmo nome que o seu é pura coincidencia

criado por picida_ribeiro    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Gostei da sua sinceridade! Nesse momento, eu estou tendo que debater (e me debater) essa questão… Ser ou não ser? Confesso que a decisão não está muito fácil, e o tempo (no caso, o meu) é curto. Que droga esse negócio de casar aos 37 e ter apenas dois, três anos no máximo pra tomar uma decisão dessas…. Será que eu entro pro seu time, Pcd?

    Beijinho.

    Comentário por Rosana — 11 11UTC maio 11UTC 2007 @ 8:07

  2. Amiga, não se sinta constrangida or não ter instinto materno. Se o instinto fosse assim tão “instintivo” os animais não rejeitariam suas crias, e tem alguns que rejeitam!
    Eu também nunca tive esse “desejo” de ser mãe. Sempre pensava que talvez um dia, mas nunca me preocupei. Até que um “acidente” aconteceu e eu fiquei grávida. Hoje não imagino a vida sem meu filho, nem me imagino sem ser mãe. Nunca tive paciência com crianças, e continuo não tendo. Mas o amor materno é muito grande.

    Comentário por lucy in the sky — 13 13UTC maio 13UTC 2007 @ 13:07

  3. Oi!!! Fiquei feliz por receber tua mensagem. Ainda não li teus textos, pq sou ansiosa demais e evidentemente por ser ansiosa, quis antes de qualquer coisa, te mandar uma mensagem. Vamos sim, trocar idéias e conversar sobre nossas vidas. Será bom essa troca.
    Um beijo!

    Comentário por Maria Inês — 13 13UTC maio 13UTC 2007 @ 18:38

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