DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

29/6/07

Acontece cada coisa…

Toda mulher tem uma relação especial com seus cabelos, e certamente dedicam á eles atenção especial. Até aquelas que parecem não se importar, as que usam os cabelos de maneira despojada, o despojado é programado, intencional, até a última raiz do cabelo.
Quando criança, eu odiava meus cabelos cacheados, sonhava em ter cabelos lisos e longos. Não dava.
Havia apenas um salão de cabeleireira em Tabatinga, cortava e pronto. Nada especial. Quando tinha 15 anos, morando em Ibitinga, a cabeleireira cortou meu cabelo raspadinho. A Elis Regina fazia muito sucesso e usava o cabelo assim. Achei bom, ficou moderno e prático.
Alguns anos depois. Quando eu estava com 18 anos, em plena moda hippie, foi a vez dos meus cachos fazerem sucesso, assim, meio Gal Costa. Ficou fácil para arrumar.
Era um desarrumado, arrumadinho.
Aos 18 anos, quando me mudei para Sp, carreguei os cacheado comigo. E surgiram as escovas, aquelas que deixavam os cabelos lisos, Arrepiados, mas lisos. Adorei. Logo aprendi a usa-la, e descobri também a fidelidade canina que a mulher tem com o cabeleireiro que acerta seu corte.
Ela troca de marido, de namorado, mas o cabeleireiro, vai por toda vida, se ele muda de bairro, cidade, ela acompanha. A Marta, uma japonesa que trabalhava no Bom retiro foi a primeira cabeleireira á quem fui fiel. Durante anos ela cortava e fazia escova. Claro, só ela sabia deixar meu cabelo com uma cobiçada franja de Vanusa ( quem tem 50 anos sabe de quem estou falando). Certa vez, empolgada com minha franja lisa, resolvi tingir o cabelo de loiro. Fiquei loira por quinze minutos, voltei ao castanho de sempre. Dias depois, resolvi passar um alisante em casa. Os cabelos encruvinharam. Tarde da noite, com o creme alisante nos cabelos, liguei para Marta e com voz aparentando calma, docemente perguntei se podia alisar o cabelo depois das tinturas, e ela disse que NÃO, NUNCA, estragaria o cabelo. Agradeci, e corri apavorada para baixo do chuveiro de roupa e tudo, tirei o alisante, mas, tarde demais, os cabelos estavam estilo Don King Laranja. Dia seguinte, logo cedo, gastei maior grana para um cabeleireiro “dar um Jeitinho”.
No decorrer da vida, ajeitava o cabelo conforme o Caixa permitia$$, ora pintava um De La Lastra, caríssimo, nos jardins, ora qualquer salão de bairro, simples, baratinho e eficiente.
Nunca freqüentei salão de cabeleireira para arrumar cabelos, só para cortar. E ponto. Corte, cores e penteados básicos, nada de mais.
Quando me mudei para cá, vi a deficiência profissional no assunto. Então, deixava para cortar quando ia para SP, numa cabeleireira com bom trabalho e preço ótimo.
Como as idas para SP foram rareando, resolvi arriscar por aqui mesmo. Fui à cabeleireira mais cotada da cidade, para tornar o risco menor. Levei até uma foto do corte que queria, moderninho, repicado. Gastei mais do que queria e saí de lá com o cabelo horrível, sabe aquele corte Chitãozinho e Xororó, anos 80???. Pois é…Quando chequei em casa. O Décio disse que meu estava parecendo os dos bonecos play móbil. E ele não estava elogiando… Liguei educadamente para cabeleireira e falei para ela que tinha ficado horrível, que ela devia ter dito que não ia fazer o corte pedido para me dar chance de escolha. Ela me ouviu civilizadamente, pediu para eu passar lá para arrumar, agradeci. Ficamos assim.
Eu de raiva, fui ao barbeiro do Décio, paguei 8 reais, e pedi que cortasse curtíssimo, acabasse com meu cabelo. Ele assim o fez. E assim estou.
Mas não me torturo. Aguardo serena  e tranquila os cabelos crescerem.

criado por picida_ribeiro    22:49 — Arquivado em: Sem categoria

23/6/07

Festa no Interior II

Adoro festa junina. As músicas, as comidas típicas, as danças.
Quando criança, nas festas juninas em Tabatinga, sempre fiz questão de participar das quadrilhas, a tia Cleide fazia as roupas típicas, depois baton vermelho, rouge bem marcado, pintinhas no rosto, e o chapéu com as trancinhas. Achava tudo lindo.
Quando eu tinha uns doze anos, ficando mocinha, nos ensaios da quadrilha o meu par acabou sendo um menino um tanto mais velho, uns 15/16 anos, já cara e jeito de mocinho, se chamava Maximiniano, apelido Ximino,
e era LIIIINDO. Simpático e educado.
Custei á acreditar na sorte que tive, mas depois de uma série de ensaios, ele desistiu… não de mim, mas de dançar a quadrilha. Arrumei outro par e não fiquei pensando muito no fato dele ter desistido, fiquei é lembrando que dancei com ele. Isso que importava. Logo depois, sua família mudou de cidade, nunca mais o vi, nem soube dele.
No colégio, sempre dei um jeito de participar de algum numero de dança, mandava correios elegantes (ou seriam Torpedos? Rsrsr)
Ontem fui à primeira festa junina do ano. Sim, primeira, porque pretendo ir a outras.
Uma festa beneficente. Meu irmão, Neto, comprou os ingressos, que dá direito á lugares marcados, frango e leitoa assados, quentão e doces típicos.
Tinha uma fogueira enorme, que foi a alegria da criançada, houve queima de fogos, tinha música ao vivo.
Tudo bem, música sertaneja, mas nessas circunstancias elas são até aceitas, digamos assim.
O Rodrigo, meu enteado, mezzo brasileiro, mezzo argentino, achou tudo bom, diferente.
Festas juninas reavivam as lembranças de bons momentos vividos, me alegra a alma, aquecem o espírito.

Mais histórias de Festas Juninas no meu post 09/07/06 "Festa no Interior"

criado por picida_ribeiro    23:59 — Arquivado em: Sem categoria

20/6/07

Sempre amigas

Das histórias da  primeira fase da minha adolescencia, tenho que registrar tambem mais duas amigas. A Regina Elisa e eu sempre estudamos na mesma classe, e sempre nos demos muito bem.
Ela era baixinha, quase gordinha, e sempre alegre, muito simpática, meiga, doce.
Quando ela tinha uns treze anos, seu pai se suicidou. Ninguém entendeu direito porque, e nós nunca falamos sobre isso. Era um assunto proibido. Eu passei então a freqüentar mais sua casa, costumava ir lá ver TV á noite, assistir novelas, conversar, sobre moda, escola, namorado.
Foi na sua casa que assisti Roberto Carlos no histórico programa “Quem tem medo da Verdade”, o final da novela Beto Rockefeller.
Numa das eleições da Rainha dos Estudantes da cidade, cada classe escolhia sua candidata, votei nela e fiz campanha. Deu certo, ela foi escolhida para representar nossa classe, e participar do baile onde o júri escolheria a Rainha.
Eu não podia sequer ir ao baile, não tinha como fazer um vestido para ocasião, pagar para entrar, não dava, mas ajudei com dicas para roupa, maquiagem, cabelo, ajudei a se arrumar, só fui embora quando ela foi para o clube, na maior ansiedade, torcendo muito. Sabíamos que sua chance era pequena, ela também era pequena rsrsrs, mas só a participação para ela foi uma vitória.
A Lucia Salata, era sua vizinha e as duas estavam sempre juntas, eram amigas, A Lucia também estava na nossa classe, era da nossa turma. A Lucia era uma moça bem interessante. Alta, magra, olhos verdes atentos e bonitos, sorriso de dentes largos e brancos. Usava óculos grandes e modernos. Eu percebia que ela gostava de conversar comigo, e conversas sérias, ela se interessava por aprender, saber mais da vida, das pessoas, trocar idéias,idéias de meninas de 14 anos, numa cidade com menos de 20.000 habitantes.Num domingo, após a sessão do cinema, a Lúcia e eu ficamos na praça conversando com o Osmar Malaspina e o Gerson Factore.
O Osmar já fazia faculdade, era de fato um intelectual, mas que dava papo pra gente, aprendi muita coisa com ele. Era bonitinho, cabelos claros cacheados, olhos verdes.O Gerson, era loiro, olhos azuis e muito feiiinhooo, mas era namorado e paixão da Regina Elisa
Nós ficamos conversando, já estava ficando tarde, meu horário era reguladíssimo, eu queria ir embora. Cada vez que eu falava para irmos, a Lùcia, me cutucava, apertava minha mão, como se dissesse “dá mais um tempo”.
Eu percebi que havia uma paquera. Deduzi: O Osmar. Mais velho, intelectual, como a Lucia gostava.Na segunda feira, na escola, já comecei a tratar a Lucia como flerte do Osmar. Ela sorriu, nunca negou, e depois assumiu uma paquera pra valer, que nunca virou namoro, mas durou muito tempo. Ela começou a gostar mesmo dele.
Um dia, muito tempo depois, ela me confessou que naquele domingo que quis ficar até mais tarde na praça conversando com os rapazes, não foi pelo Osmar, ela estava de olho no Gerson. Como assim??? O Gerson, namorado da sua grande amiga??? Pois é. Cabeça das mulheres. Confusa e complicada desde sempre. Ela disse que começou a se interessar pelo Osmar por minha causa, em decorrência da minha confusão. Depois virou de verdade. Nunca contei pra ninguém esse segredo, nem tanto pela Lucia, mas muito pela Regina Elisa. Quis preserva-la da decepção com a amiga. Mas nunca me esqueci disso. Para mim pareceu uma atrocidade na ocasião. Claro, quando eu era criança, e ouvi pela primeira vez a música Filme Triste que dizia “a minha melhor amiga me traiu”, eu até chorei.
Traição de amiga, ninguém merece.
Da Lúcia, também nunca mais tive noticia. A Regina Elisa soube que se casou com um jogador de futebol profissional, se formou em engenharia, teve filhos, mas também nunca mais vi. Eu gostava das duas amigas.
Amigas que o tempo e a distancia também disseram não, mas também ficaram guardadas do lado esquerdo do peito.
Aniversário da Antonia. Amiga há mais de trinta anos, que o passar do tempo e a distancia, não conseguiram afastar.
Tantas histórias. Histórias dos nossos amores, sonhos, esperanças, realizações. Histórias de choro e risos compartilhados, dietas, trabalho, viagens e praia.
Antonia linda, minha amiga Claudia Raia. Que o tempo continue generoso com você como tem sido até agora. E que a vida lhe dê sempre a felicidade que você merece.

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19/6/07

Do lado esquerdo do peito

Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distancia digam não.
Bem pensado e bem dito.
Os amigos, mesmo aqueles que o tempo e a distancia se fazem valer, ficam as lembranças na memória e no coração. Ficam para sempre.
As minhas primeiríssimas amigas, o tempo e a distancia disseram não. Só ficaram as lembranças, e a saudade.
Minha primeira amiga em Tabatinga, quando ainda cursava o curso primário, foi a Célia Giansante. Já falei sobre ela no meu post do dia 09/02 PRIMEIRAS LEMBRANÇAS. 
Embora fosse filha única de pais ricos, linda, não era afetada, vivia sua vida com conforto e muita simplicidade, e principalmente sem desfazer das pessoas que não tinham a mesma situação sócio econonica. Nos dias de hoje, onde TER vale mais do que SER, atitudes assim, são cada vez mais raras.
Como já contei no post citado, convivemos intensamente até os 12 anos de idade, depois perdemos o contato.
No curso ginasial, também em Tabatinga, minhas melhores amigas eram a Sirlei Andrade, e a Marli Fugikata.
Éramos colegas de classe, íamos e voltávamos juntas da escola. Primeiro eu passava na casa da Marli, depois Sirlei, e andávamos uma boa distancia á pé. Não era comum os pais levaram os filhos na escola, mas a gente curtia a caminhada, era um dos momentos mais divertidos, conversávamos muito, colocávamos a conversa em dia, parávamos para conversar com os outros colegas, corríamos para fazer tarefas escolares que por ventura estivesse faltando, não a Marli, claro, os orientais, como sempre senso de responsabilidade nota 10.
Foram quatro anos de amizade intensa, contatos diários.
Com a Sirlei, o contato era maior ainda, porque saíamos juntas tambem aos domingos, íamos a missa, cinema, passeio na praça, paquerávamos e a Marli não. Ela não gostava de sair. Só se interessava pelas novidades na segunda feira.
Teve uma fase em que ela e a Sirlei brigaram, não me lembro o motivo, mas ficaram muito tempo sem se falar, mas hoje acho muito engraçado, eu continuava passando na casa da Marli, depois da Sirlei, e íamos juntas para o colégio.
Eu ficava entre elas, e servia de ligação nos diálogos, as duas só falavam comigo, eu distribuía os diálogos. Acho que essa situação durou por mais de ano, até o dia que não pude ir aula, elas tiveram que ir sozinhas, na ida, foram juntas em silencio, na volta, já estavam amigas.
Quando aos 15 anos, me mudei para Ibitinga, continuamos amigas, nas férias eu passava no mínimo uma semana hospedada na casa da Sirlei, numa integração total, amizade pra valer. Na casa da Marli, eu só fazia visitas. Depois dos 18 anos, quando me mudei para SP, nunca mais as vi, perdemos o contato totalmente,
Ao voltar para Ibitinga, cidade vizinha de Tabatinga, 30 anos depois, soube que a Sirlei havia se formado professora e casado com o Dito, primeiro namorado, que chequei a conhecer, e se mudou para Nova Europa, uma cidadezinha na região.
E 30 anos depois, passeando em Tabatinga, vi a Marli. Pedi para o Décio parar o carro, desci, fui ao seu encontro, me identificando toda sorridente, feliz por vê-la.
“Oi Marli, sou a Picida”. Acho que pensei que ela fosse me abraçar:”Oi que saudades, por onde andou? O que tem feito?”. Que nada. Ao invés disso, ela ficou parada, sem grandes manifestações, cara de paisagem:’Oi, tudo bem?”
Então, eu que converso até com parede, e ela parecia mais uma delas, fiz perguntas, ela me disse que morava em Brasilia, acho que disse que tem um desses empregos federais, e fez uma única menção ao nosso passado:” Outro dia, falei de você para meu chefe, contei para ele que tive uma amiga na escola, que fazia todas as minhas redações, lia meus livros e fazia os meus resumos “ Trocamos os telefones. Ninguém ligou pra ninguém. Nunca mais nos vimos.
Acho que o reencontro emocionado era uma fantasia minha.
Fantasia que alimentei com doces lembranças. Do lado esquerdo do peito.

criado por picida_ribeiro    10:01 — Arquivado em: Sem categoria

17/6/07

Sétimo Dia

Passei a semana alternando momentos de paz e momentos de tristeza. Paz não é felicidade, sequer alegria.
Como contei no post anterior, tive um “dia dos namorados” em paz. E romântico. Foi bom. Mas a dor da saudade ausência da tia Vera, é claro que está cada vez maior.Para os meus irmãos também está sendo assim.
O Neto, meu irmão mais velho, só dois anos mais novo que Tia Vera foi criado pelo meus avós, morou até os 18 anos com a Tia Vera, Mesma casa, mesmo teto, convivência de irmão. È duro. Dói demais.
Fico tentando entender melhor a vida, aceitar melhor a morte. Difícil.
Sexta feira foi missa de sétimo dia.
Vou pouco á igreja, então estranho bastante as mudanças no ritual pós Padre Marcelo Rossi.
Não gosto muito da história de muita música, salva de palmas. Tenho por hábito ser meio resistente á mudanças, e acho esquisito essa nova forma de oração. Acho que devia ser um momento mais intimista, mais reflexivo.
Foi muito doloroso e difícil. Depois de uma semana o inesperado parece ainda mais absurdo. Minhas tias, suas irmãs choraram muito, nós, sobrinhos, também.
No sábado fui com minha irmã e meus dois sobrinhos Daniel e Gabriel passear em Jaú, uma cidade maior, perto de Ibitinga, que é famosa por aqui, por ter muitas fábricas de calçados femininos. Bonitos bons e baratos. Mas nem fomos lá por isso. Foi para dar uma volta, ver lojas, vitrines, shopping, café na Kopenhaggen, passear um pouco.
Hoje, domingo, minhas tia Cleide e Tia Lúcia,assim como minha mãe, minha irmã e meus sobrinhos viram almoçar aqui.
Conversamos sobre tudo, demos risada, falamos pouco sobre a Tia Vera . Mais tarde vamos na casa do Neto, meu irmão comer uma pizza. Mais pela reunião de família. Parece que se ficarmos juntos a dor ficará mais suportável.
E começa uma nova semana, uma nova segunda feira repleta de promessas, sonhos e esperanças

TIA VERA E TIO HUMBERTO

 

criado por picida_ribeiro    16:29 — Arquivado em: Sem categoria

14/6/07

Em Paz

Acho que todos já passaram por dias em que a natureza não traduz o que temos na alma.
Se estou arrebentada de tristeza, se a dor é tão grande, como o céu pode estar tão azul, o sol brilhar tanto,o dias estarem tão bonitos?
As pessoas continuam sua vida, há festas, sorrisos, negócios, dinheiro, orações. A vida continua, mesmo. Na terça feira, Dia dos Namorados, eu sabia que faria alguma coisa para comemorar com o Decio.
Nada desse papo, que é um dia como outro qualquer, que é só comercio. Ora bolas, é tudo isso, mas também é um dia romântico, com um clima diferente, onde quem tem a oportunidade de ter um amor, uma companhia ao seu lado, tem a oportunidade de reverenciar o fato.
Eu gosto disso. 
Seria uma comemoração intima, sem grandes produções, mas no decorrer da tarde, O Neto, meu irmão, ligou convidando para um jantar especial, cerca de dez casais, que não são da minha turma, nem amigos íntimos, mas de uma convivência amigável.
O jantar era numa casa linda, de um casal que já teve um restaurante, e agora recebe em sua casa pequenos grupos, numa espécie de buffet. Eu era convidada, sem sei como eles cobram,acho que é por casal.
Mas estava tudo muito lindo, a decoração era em tons de rosa e lilás, com velas espalhadas pela sala ampla, paredes de vidro rodeada por arvores,uma bela area verde. Um sonho.
Na entrada alguns balões, rosa e lilás em formato de coração. Tinha também cartõezinhos para que fosse escrito uma mensagem para o parceiro, e dentro um pequeno coração de cristal. Escrevi no meu cartão para o Decio: “ Se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores por onde andei, e vivesse na escuridão.” Ele escreveu para mim:”Quero ficar no seu corpo, feito tatuagem que é pra te dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem.” Numa mesa linda, onde cabiam os 10 casais, havia taças de cristal, guardanapos de linho branco. De entrada, uma mesa de frios, vários tipos de queijos, patês, pães e torradas.
Champagne e Lambrusco.
O prato foi rondelli de queijo, com molho rosê, e torta de chocolate de sobremesa. Boa musica dava um clima legal no ambiente.
Quando chequei em casa, no canal TCM estava passando DR Jivago. Nossa!! Eu não via esse filme desde quando era adolescente. Morri de vontade de assistir. Briguei com o sono, mas ele venceu.
Apaguei a luz, me deitei de “conchinha” ao lado do Decio.
Sentindo seu calor, sua respiração tranqüila, e dormi assim abraçadinha. Plena paz. 

criado por picida_ribeiro    11:08 — Arquivado em: Sem categoria

10/6/07

Dor e Saudade

Depois de uma angustiante expectativa a Tia Vera faleceu.
Foram dias terríveis. Eu já ciente que esse desfecho era inevitável, mas muitos se recusando a ver a realidade.
Na madrugada de quinta feira, dia 7, feriado, uma junta médica do Hospital Sírio Libanês, diagnosticou a morte encefálica. O impacto dessa informação foi tão doloroso,
como se não soubéssemos que ela já estava muito mal.
A família foi consultada sobre doação de órgãos, mas depois de acordo feito, o marido, as irmãs, tiveram muita dificuldade para aceitar, porque se os rins, e coração estavam bons, como ela não estava viva? Por mais informadas que as pessoas sejam, nessa hora tudo parece possível. O marido pedia para ficar com ela como ela estivesse, que ele cuidaria. Ela um dia não poderia voltar? Tão difícil de entender, de aceitar…
Foi preciso dois dias para que uma decisão consciente fosse tomada, e no final do dia 8 sexta feira, foi decidido pela doação.
Ela foi velada e enterrada em Ibitinga, no sábado, onde moro, e era sua terra querida.
Das dores de cada parente, cada amigo não consigo nem falar.
As dores e as perdas de cada, sempre parecem ser as maiores do mundo, e eu não fui exceção: a minha dor, era a maior dor do mundo.
Dizer que quem se foi, era uma pessoa muito especial, também é lugar comum, mas ela de fato ERA ESPECIAL.
E no meu post "Tempo,Tempo", de 05/02 eu já havia falado sobre isso.
E sua história passará muitas vezes pelo meu blog, porque nossas histórias em muitas vezes estiveram entrelaçadas. Meu natal, meu reveillon, páscoa, aniversário, sempre histórias entrelaçadas.
Ela merecia ver os filhos casando, merecia ter netos, realizar o sonho de agora aposentada, produzir os artesanatos que fazia tão bem.
Histórias sobre ela aparecerão aqui. Hoje vou deixar registrado o choque, a dor, e a saudade imensa.
No meu post  "Sempre é Tempo"do dia 18/05 , ao invés de comentários como ás vezes fazia, ela me mandou um e mail. Na íntegra:
"Fiquei super feliz ao saber que vc vai fazer academia, é isso aí Picida tenha fé que vc vai ficar enxuta, e eu que vou ter que caminhar mais. E quem sabe em julho vc e o Décio corram juntos? Amanhã no Pque Villa Lobos vai ter show com uma orquestra, Milton Nascimento, Vanessa da Mata e Margareth Menezes, e é de graça se Deus quiser estarei lá. Um beijo pra vocês, fiquem com Deus. Fiquei sabendo da academia pelo seu "blug", grande Zé."

criado por picida_ribeiro    20:17 — Arquivado em: Sem categoria

3/6/07

A espera de um milagre

Parei para pensar naquilo que o ser humano faz questão de ignorar: a morte, sua certeza. A vida: sua fragilidade.
Ser jovem, ter grana, ter disposição de viver, vida saudável, ser amada, nada te dá garantia ou direito á vida.
Eu acho que quem tem sonho deveria ter sempre direito a viver. A hora que mais lamento uma morte é quando sei que havia planos, mesmo os mais simples, mais prosaicos; buscar filho na escola, tão importante quanto ir á sua formatura.
São sonhos. È vida.
Fiquei pensando também em histórias para contar, qualquer outra coisa para escrever, mas não consigo. Só consigo pensar na Tia Vera, mas não no seu fim, fico me lembrando da nossa amizade, da nossa história. Fico pensando nos seus planos, nos seus sonhos.
Plano pra já: Pedir para eu mandar o livro “cassado” do Roberto Carlos, para ela ler em casa enquanto se recuperasse.
Planos para 29/ 7, assistir o Décio na maratona que sairá da Praça Pan Americana, perto da sua casa.
Final do ano, talvez passar Natal em SP, e reveillon aqui em Ibitinga. Continuar com seu trabalho artesanal, expor em feiras, divulgar na internet.
Meu cunhado, através de um colega que trabalha no Sírio Libanês, passou as informações bem cruas do estado em que ela se encontra.
Difícil de ouvir, difícil de falar, mas é o seguinte: lesão gravíssima no cérebro, praticamente morte cerebral. Chances de recuperação: nenhuma. Perguntei sobre quanto tempo isso poderia se prolongar, e ele me respondeu: Horas ou anos. E eu fico por aqui, esperando por um milagre. Ela merece um milagre.

criado por picida_ribeiro    17:44 — Arquivado em: Sem categoria
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