DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

20/6/07

Sempre amigas

Das histórias da  primeira fase da minha adolescencia, tenho que registrar tambem mais duas amigas. A Regina Elisa e eu sempre estudamos na mesma classe, e sempre nos demos muito bem.
Ela era baixinha, quase gordinha, e sempre alegre, muito simpática, meiga, doce.
Quando ela tinha uns treze anos, seu pai se suicidou. Ninguém entendeu direito porque, e nós nunca falamos sobre isso. Era um assunto proibido. Eu passei então a freqüentar mais sua casa, costumava ir lá ver TV á noite, assistir novelas, conversar, sobre moda, escola, namorado.
Foi na sua casa que assisti Roberto Carlos no histórico programa “Quem tem medo da Verdade”, o final da novela Beto Rockefeller.
Numa das eleições da Rainha dos Estudantes da cidade, cada classe escolhia sua candidata, votei nela e fiz campanha. Deu certo, ela foi escolhida para representar nossa classe, e participar do baile onde o júri escolheria a Rainha.
Eu não podia sequer ir ao baile, não tinha como fazer um vestido para ocasião, pagar para entrar, não dava, mas ajudei com dicas para roupa, maquiagem, cabelo, ajudei a se arrumar, só fui embora quando ela foi para o clube, na maior ansiedade, torcendo muito. Sabíamos que sua chance era pequena, ela também era pequena rsrsrs, mas só a participação para ela foi uma vitória.
A Lucia Salata, era sua vizinha e as duas estavam sempre juntas, eram amigas, A Lucia também estava na nossa classe, era da nossa turma. A Lucia era uma moça bem interessante. Alta, magra, olhos verdes atentos e bonitos, sorriso de dentes largos e brancos. Usava óculos grandes e modernos. Eu percebia que ela gostava de conversar comigo, e conversas sérias, ela se interessava por aprender, saber mais da vida, das pessoas, trocar idéias,idéias de meninas de 14 anos, numa cidade com menos de 20.000 habitantes.Num domingo, após a sessão do cinema, a Lúcia e eu ficamos na praça conversando com o Osmar Malaspina e o Gerson Factore.
O Osmar já fazia faculdade, era de fato um intelectual, mas que dava papo pra gente, aprendi muita coisa com ele. Era bonitinho, cabelos claros cacheados, olhos verdes.O Gerson, era loiro, olhos azuis e muito feiiinhooo, mas era namorado e paixão da Regina Elisa
Nós ficamos conversando, já estava ficando tarde, meu horário era reguladíssimo, eu queria ir embora. Cada vez que eu falava para irmos, a Lùcia, me cutucava, apertava minha mão, como se dissesse “dá mais um tempo”.
Eu percebi que havia uma paquera. Deduzi: O Osmar. Mais velho, intelectual, como a Lucia gostava.Na segunda feira, na escola, já comecei a tratar a Lucia como flerte do Osmar. Ela sorriu, nunca negou, e depois assumiu uma paquera pra valer, que nunca virou namoro, mas durou muito tempo. Ela começou a gostar mesmo dele.
Um dia, muito tempo depois, ela me confessou que naquele domingo que quis ficar até mais tarde na praça conversando com os rapazes, não foi pelo Osmar, ela estava de olho no Gerson. Como assim??? O Gerson, namorado da sua grande amiga??? Pois é. Cabeça das mulheres. Confusa e complicada desde sempre. Ela disse que começou a se interessar pelo Osmar por minha causa, em decorrência da minha confusão. Depois virou de verdade. Nunca contei pra ninguém esse segredo, nem tanto pela Lucia, mas muito pela Regina Elisa. Quis preserva-la da decepção com a amiga. Mas nunca me esqueci disso. Para mim pareceu uma atrocidade na ocasião. Claro, quando eu era criança, e ouvi pela primeira vez a música Filme Triste que dizia “a minha melhor amiga me traiu”, eu até chorei.
Traição de amiga, ninguém merece.
Da Lúcia, também nunca mais tive noticia. A Regina Elisa soube que se casou com um jogador de futebol profissional, se formou em engenharia, teve filhos, mas também nunca mais vi. Eu gostava das duas amigas.
Amigas que o tempo e a distancia também disseram não, mas também ficaram guardadas do lado esquerdo do peito.
Aniversário da Antonia. Amiga há mais de trinta anos, que o passar do tempo e a distancia, não conseguiram afastar.
Tantas histórias. Histórias dos nossos amores, sonhos, esperanças, realizações. Histórias de choro e risos compartilhados, dietas, trabalho, viagens e praia.
Antonia linda, minha amiga Claudia Raia. Que o tempo continue generoso com você como tem sido até agora. E que a vida lhe dê sempre a felicidade que você merece.

criado por picida_ribeiro    11:12 — Arquivado em: Sem categoria

4 Comentários »

  1. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! (Vinicius de Moraes).
    Muito obrigada, por essa homenagem, eu sou privilegiada por desfrutar da amizade de pessoas como voce e Decio.
    Antonia Landi-

    Comentário por Antonia — 21 21UTC junho 21UTC 2007 @ 10:13

  2. Gostoso de ler teus textos. TJá falei isso, mas tu consegues me transportar de tal forma, que parece que tb sou protagonista de tuas estórias.
    Bjos com carinho

    Comentário por Maria Inês — 21 21UTC junho 21UTC 2007 @ 16:53

  3. Olá…

    Acgei seu blog na net. Sou o Osmar Malaspina citado no texto Sempre Amigas. Vc deve ser de Tabatinga. Pelo seu nome…picida ribeiro..não lembro de vc, mas lembro bem dos 3 outros citados no seu texto, que éstá muito bom…O Regina Elisa (minha prima), do Gerson e da Lucia Salata. Atualmente moro em Rio Claro e sou professor da UNESP.

    Espero um contato seu …para restabelercemos contato…è sempre muito bom reencontrar tabatinguenses…

    abs,

    Osmar

    Comentário por Osmar Malaspina — 9 09UTC agosto 09UTC 2009 @ 21:10

  4. Oi Picida, como vai?
    Nossa, quantas lembranças… mas sabe, não me lembro de ter sentido interesse pelo Jerson.
    Será que apaguei essa informação pela culpa? Eu gostava demais da Regina para traí-la. Mas se vc está dizendo…
    Quanto ao Osmar, meu parceiro de valsa, não posso negar o que sentia. E era, como vc disse, um intelectual. Mas não se interessava por mim.
    O que me lembro de vc (e bem), é seu cabelo pixaim, muito charmoso (na época eu gostava mas não sabia denominar “charmoso”), sua articulação e oratória. Era desinibida e falante. Sempre a considerei inteligente e amiga. Também sabia brigar pelo que acreditava.
    Mas teve um dia que vc quis me dar uma surra na saída da escola. Porque será?
    Aliás, seu irmão e o Valfredo Del Ducca também quiseram me dar uns sopapos. Nossa, eu era praticamente um anjo e tanta gente querendo me pegar.
    Vou ler seu blogue com calma e voltaremos a conversar.
    Beijos com carinho.
    Lucia Salata

    Comentário por Lucia Salata — 12 12UTC agosto 12UTC 2009 @ 13:28

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