DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

25/7/07

Lembranças que deixarm marcas para sempre

No topo da nossa estação rodoviária tem um nome: PEDRO SECANHO NETO.
Para mim e para muitos, era o Pedrinho, que nos deixou de maneira brusca e precoce.
Tive oportunidade de conhece-lo melhor e conviver mais com ele quando mudei me para São Paulo e ele já cursava engenharia.
Ficamos grandes amigos e ele me apresentou S.Paulo.
Me ajudou á transpor limites, conhecer e aprender.
Ao seu lado e do Egidio Bocca, fazíamos os programas típicos dos estudantes dos anos 70. Havia busca de diversão, cultura e engajamento.
Descobri com ele, os cine clubes, sessões especial de filmes do Charles Chaplin no auditório da Faculdade Getúlio Vargas, teatro, shows.
Os discos do Chico Buarque, CALABAR, copiar e discutir as letras. Num domingo chuvoso, fomos ao estádio do Morumbi assistir Palmeiras e S.Paulo.
Tomar chopp no Bar Redondo, para me mostrar travestis, que eu nunca tinha visto. Noitadas na casa do Duílio Galli.
Ele gostava de estréias de filmes, principalmente das mais concorridas.
Filas na estréia de “Tubarão”, “Guerra nas Estrelas”.
Fui com ele á manifestações políticas no Mackenzie, e eu nem sabia direito do que se tratava.
Com ele aprendi a escolher filmes pelos diretores. Assisti pela primeira vez filme do Fellini” Noites de Cabiria”. Também não perdíamos uma “boca livre”: Coquetel de lançamento do Fiat 147, festa de aniversário do Elvis Preslei organizada por uma fã, foi comigo á uma festa chiquerrima no Buffet Torres, casamento do diretor da empresa que eu trabalhava, numa noite inesquecível.
Ele estava sempre ligado em informação, conhecimento. Imagino como seria para ele, esses tempos de internet.
Sua republica, na famigerada rua Herculano de Freitas, ao lado do amigo Chico Pinga, hospedava todos Ibitinguenses que por lá apareciam.
Me apresentou livros de Maiakowsky "Em mim, a anatonia ficou louca, sou todo coração.”
Me emprestou livro com poesias de Manuel Bandeira, que nunca devolvi e guardo até hoje, com sua poesia preferida, que me disse certa vez, que sua mãe lia para ele criança:”Andorinha,lá fora está dizendo: Passei o dia á toa á toa.

 
Andorinha, andorinha
Minha cantiga é mais triste. Passei a vida á toa a toa”.

Casou com a namorada amada, teve filho, fez muito em pouco tempo. Transformou vidas. Deixou grandes marcas num bom caminho á ser seguido. Deixou saudades.

criado por picida_ribeiro    19:08 — Arquivado em: Sem categoria

23/7/07

Pan Pan Pan Paaannn

Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre os jogos Panamericanos, contudo não dá para ignorar o assunto. Não é com orgulho que digo que o esporte nunca chamou minha atenção, até pelo contrário. Ou eu não gostava, ou não me interessava. Nas aulas de educação física, sempre fui aquelas que são as últimas a serem escolhidas para os times, e eu nem me chateava com as amigas que não me escolhiam, eu as entendia e perdoava, eu era ruim mesmo. Basquete, vôlei, casos perdidos, jogos perdidos.
Eu era muito franzina, muito magrinha, e durante alguns anos fui dispensada das aulas de educação física. Ignorância dos médicos, ignorância minha, que ficava toda feliz por isso, me achava uma garota de sorte, por não ter que fazer exercícios, era só comparecer e responder a chamada.
Nunca me interessei nem por jogos de futebol, nunca torci por nenhum time, nem seleção brasileira. Me interessei por alguns jogadores,é beeeemmm diferente!!!
Lógico que alguns nomes ligados ao esporte ficaram na memória, em algum momento fizeram parte da minha vida.
Garrincha, que lembro do auge e decadência, Pelé sempre, Maria Ester Bueno, Eder Jofre, João do Pulo, Nádia Comanecci, talentos excepcionais.
Oscar, Paula, Hortência, Aurélio Miguel, Ricardo Prado, Joaquim Cruz. Nossas medalhas eram raras e cada uma virava uma grande história.
O esporte não me chamava a atenção, mas os atletas sim. Sempre tentei entender, o que os fazia diferente das outras pessoas, o que os fazia diferente de mim. Tanta objetividade, determinação, dedicação. Eu sabia que eles tinham algo á mais, diferente. E não falo da resistência física, falo da resistência psicológica. Algo á mais. Diferente. Admiro muito.
Esse Pan, no Brasil, estou achando umas coisas meio esquisitas.
Primeiro: a abertura achei bonita, mas embora eu não seja mais a fã numero um do Lula, não concordei com as vaias. Acho que não era hora, nem lugar. Ali estava uma autoridade, o presidente do país, eleito por grande maioria. Se quem elegeu foi a classe C D Y Z não importava ali. Era o presidente. Era só não aplaudir. Coisa feia. Acho feio também, toda vez que um atleta estrangeiro vai receber medalhas eles são vaiados. Acho mal educado, desrepeitoso. O esforço, o talento de outros atletas não contam? O desempenho, nada vale? Tem que ser brasileiro? A Globo também acho que pensa assim. Não mostra nada de esportes que o Brasil não participa, ou que não tem chance de medalha, e mostra mil vezes os brasileiros que ganharam. Vejamos, se o Thiago Pereira ganhou lindamente 7 medalhas, eu o vi 7000 vezes na TV e 10.000 vezes sua mãe, “vai Thiago”. Perde a graça.
Na disputa de judô feminino, eles nem diziam a o nome da lutadora americana. Só diziam “a americana”. Não sei se era Mary, Kate, Judy, sei nada. Tudo bem, em situação inversa, provavelmente é assim que o Brasil é tratado, mas acho chato e mal educado.
Eu gostaria de ver outros atletas também, saber outras histórias. A Globo trata como se todas as medalhas tivessem que ficar aqui. Acho esquisito, exagerado.
Enfim, deixo registrado aqui minha modesta opinião. 

Deixo tambem a indicação do post SALVA DE PALMAS de 19/07 da Tatiana Rezende,A TATIREZ no meu Favoritos 

criado por picida_ribeiro    11:33 — Arquivado em: Sem categoria

18/7/07

LUTA E LUTO

Na semana que passou, fui tomada por uma tristeza enorme, um inconformismo pela morte da Tia Vera.
Eu disse para o Decio que a sensação que sentia era que um elefante estava com a pata, comprimindo meu peito.
O Humberto, seu marido, veio com os filhos passar o final de semana aqui em Ibitinga. Era a primeira vez que estavam vindo para cá, sem ela.
Recebe-los, foi muito triste. “Estava faltando um pedaço”.
Dizer que o Humberto envelheceu 10 anos em um mês, não é força de expressão, é a mais pura verdade.
Seu olhar apagou, emagreceu, sua tristeza é imensa.
Ele falou para Débora, sua filha, que chegou a pensar em acabar com a vida, que não está conseguindo conviver com a dor, que não está conseguindo viver sem ela.
E é uma dor profunda e sincera. Nós, da família, cuidamos para demonstrar nosso carinho, nos fazer presente.
Preparei para o Beto, seu filho de 18 anos, receitas minhas que ele gosta: uma massa com molho de camarão e bacalhau ao creme leite. Queria fazer agrados.
Mas apesar da tristeza, continuo a cuidar de mim.
Conversas, meditação e fluoxetina para eu me sentir melhor.
E uma semana de sibutramina(Reductil) para ajudar na dieta. Está dando certo: emagreci três quilos nessa semana, sem grandes sacrifícios, só com alimentação equilibrada.
E hoje assistindo estupefata a tragédia com o avião da TAM
O Beto, marido da minha amiga Rosana é piloto da Tam, faz vôos nacionais e percorre esse país todo, todo os dias. Primeiro, liguei para ela para saber por onde ele andava, ou voava, e era Recife, mas avalio sua tristeza, o choque, ele deve ter perdido colegas de trabalho, amigos.
Avalio a dor de quem perdeu amigos e familiares de maneira tão brusca.
Mortes precoces, muita gente jovem, gente em férias. E vem á cabeça uma música do Vinicius de Moraes com Toquinho:“Aí pergunto á Deus, escuta amigo, se foi pra desfazer, porque é que fez???”

criado por picida_ribeiro    16:01 — Arquivado em: Sem categoria

9/7/07

Ainda é festa junina

Mais festas Juninas 
Teve festa junina na escola do meu sobrinho mais novo, Gabriel, de 10 anos.
Ele é um doce, tímido, e lindo.
A foto não me deixa mentir. E não é corujice de tia.
Ele dançou a música “Xote das meninas”, do Luiz Gonzaga.
Teve quentão, quadrilha, bandeirinhas, e as crianças brincando e se divertindo muito. O Gabriel e amigos inclusive.
Saudades e lembranças.
Eu sempre me diverti muito nas festas juninas, e ontem revivi o clima dos meus tempos de criança. Eu viajo.
Acompanho as músicas, tomo quentão, entro na fila do pastel, e vou comprando para meus sobrinhos, tudo o que eles pedem. Não é para isso tambem que servem os tios?
E eu aproveito para tratar dos “traumas de infância”.
Quantas festas assim, eu ia só com a vontade de brincar, participar, porque dinheiro para comprar as tão desejadas fichas, nem pensar.
Eu nem perguntava para os meus pais, se eles tinham dinheiro
Tinha pena. Se eles me dessem poderia fazer falta, e caso não tivessem sofreriam para me dizer isso.
Com sabedoria infantil, eu nem pedia.
Mas não deixava de me divertir. Bom mesmo era quando a festa junina era na casa de amigos. Tinha o terço, queima de fogos, as comidas, diversão liberada.
Hoje revivo minhas histórias, e vivo atenta, o que há para ser vivido.
Este é o Gabriel na noite da festa junina.

criado por picida_ribeiro    22:46 — Arquivado em: Sem categoria

5/7/07

Segundo semestre

Sempre passa tão rápido…
Socorro! O trem do segundo semestre já está á todo vapor, deixando meus planos e sonhos parados na estação.
Reli meus post, revi minhas idéias, e vi que tenho problemas. Tudo bem, não sou aquela deprimida que acha que nada vai dar certo, pelo contrário, sou disposta, otimista, sempre acho que tudo vai dar certo AMANHÃ.
Sou a overdose da Scarlett O’Hara. “Penso nisso amanhã”. “Amanhã é um novo dia”.
Pronto. Entendi: sou a mulher do AMANHÃ. Amanhã que nunca chega. Hoje não, amanhã com certeza. Amanhã.
Tudo bem, vale ser otimista se for para correr atrás de concretizar, ou como diz minha amiga Rosana” passar das palavras aos atos.”
Eu não consigo. Fico meio que engessada, planejando, pensando, mas não ajo. Não faço acontecer. Não faço nada.
Planejo. E passa um dia, depois outro, mais outro, e não faço nada. E aí caí a ficha: dos planos do novo ano, se passararm os seis primeiros meses, e as realizações… nada.
Desde que voltei a morar em Ibitinga, sou só “prendas domesticas”.Eu sempre trabalhei, tinha bons salários, e mais que nunca tenho sentido falta das duas coisas: trabalho e salário.
Preciso pensar (e realizar) algo para mudar esse cenário.
Como diz o poeta:”Sem o seu trabalho, o homem não tem honra”. Verdade.
Hoje, vejo meus dias passarem lentamente, longe da correria deliciosa de SP, sem grandes compromissos.
Sem filhos, a tarefa domestica também é limitada, e me deixa com tempo livre, mas mesmo assim, não faço nada de concreto por mim. Uso mil desculpas: Ah! Primeiro preciso emagrecer, depois, me envolvo até a raiz dos cabelos com os problemas de amigos e parentes, o que também pode ser pretexto para não prestar atenção á minhas coisas.
E tem o problema já detectado por mim, da procrastinação.
Leiam o post “Amanha eu  faço” de 05/09/06
Vou ver se consigo mudar alguma coisa pra valer. Estou indo á academia fazer hidroginástica, fui ao médico peguei uma receita basica de fluoxetina. Estou sentindo que as garrinhas da depressão ou desanimo, estão todas afiadas para o meu lado. Preciso espanta-las. Para isso, hidroginástica, caminhadas e leituras auto ajuda, porque terapia, agora não vai dar$$$.
E analisar o que posso fazer por mim HOJE.
Todo dia, tenho que me perguntar o que fiz por mim HOJE.
Só não vale responder depois. Não vale perguntar hoje e responder AMANHÃ. rsrsrs

criado por picida_ribeiro    21:14 — Arquivado em: Sem categoria

1/7/07

O Homem é a medida das coisas

Essa semana passou entre altos e baixos, tempestades e bonanças.
Todos na minha família estão com os corações dilacerados com a morte da Tia Vera. Tristeza, raiva, inconformismo e saudades.
Na segunda feira, O Décio, Rodrigo e eu fomos até a casa das minhas tias Cleide e Tia Lucia, as irmãs da Tia Vera.
A Tia Cleide, que como já disse é mais de 20 anos mais velha que Tia Vera, está vivendo dores de morte de filha, e a Tia Lucia chora a morte da irmã e melhor amiga. As duas se davam muito bem.
Elas moram sozinhas, nunca se casaram.
Ficamos lá até ás 10 hs. Vimos novela, conversamos. Elas são divertidas, acabamos dando risadas, até ao lembrarmos de coisas engraçadas da Tia Vera, mas ás vezes, a voz de uma de nós embargava, os olhos marejavam, e cada um disfarçava á sua maneira.
Durante a semana,vivemos a dor e a delicia de ter o Rodrigo, meu enteado por aqui.
Delicias de poder ver o Decio todo feliz pela presença do filho, delicia de sua companhia, um rapaz educado, gentil, culto.
Angústia de pai, insistindo, argumentando para que ele não volte para Argentina. Tentativas mil de faze-lo ver que lá as possibilidades são mínimas, que ele já perdeu muito tempo na vida, que tem que recuperar, aceitar a ajuda da mãe , carro, casa , perspectivas de trabalho. Ele só ouvindo e repetindo preciso voltar, argumentação concreta nenhuma.
O Decio já chorou de tristeza, xingou com raiva, mas parece que ele não vai ficar mesmo. Filhos…
Sexta feira de bonança. Fomos com Décio para Ribeirão Preto á trabalho, mas sempre dá para passear um pouco.Um passeio no shopping, vitrines, lanche, chocolates Kopehagem, estrada,céu azul, sol brilhante.
Sábado á noite, um show grátis com a orquestra filarmônica do conservatório de Tatuí. Um palco com grande estrutura, mais de mil cadeiras para platéia. Lotado. Quem disse que o povo não gosta de boa música?
Domingo de passeio e conversas com a Verci e sua filha Isadora. Décio ainda tentando aliciar o Rodrigo para que ele fique. “Aliciar”. O nome da namorada argentina é Alicia. Humm! Estranha coincidência!
E para ajudar a administração das idéias, sentimentos, encerro o domingo assistindo na TV Cultura o programa Café Filosófico.
“O homem é a medida das coisas”.

criado por picida_ribeiro    23:35 — Arquivado em: Sem categoria
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