DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

18/8/07

Alem dos 40

Sempre leio coisas interessantes no blog alemdos30.blog.terra.com.br, e agora ele passou a ser alemdos40.blog.terra.com.br. Recomendo. Não é a primeira vez que seus post me instingam e me inspiram.
Nos seus posts mais recentes ela escreveu sobre fotonovelas. Revistas “Capricho”,”Grande Hotel”. Carro DKW, e os primeiros refrigeradores sempre com toque de humor.
Lembrei me que nem faz tanto tempo assim, e refrigerador era um grande sonho de consumo.
Quando eu era criança, em casa não havia geladeira, mas era muito natural ir diáriamente à casa da D. Lídia Cruz, com um baldinho, buscar gelo. Eu ia todo dia, na hora do almoço buscar um pouco de gelo, pra fazer suco para meu pai.
A geladeira era tão prestigiada, que quase nunca ficava na cozinha, era mais comum encontra-la na sala de jantar e até na sala de visitas! Acredite!!! Era muito chic!!! Ficava mais chic ainda, se no topo da dita cuja, tivesse um pingüim, quem sabe um par, melhor ainda, uma
família toda de pingüins. Ou um grandioso liquidificador, destacado em local tão nobre, devidamente coberto por uma capinha cheia de rendas e frufrus. Na “maçaneta” que abria á porta da geladeira, muitas vezes era colocado umas capas que as donas de casa achavam bonitinhas. Podiam ser de crochê com pingentes, ou de tecido, com caras de gatinho, morangos ou cenouras .
Eu devia ter 12 anos, ano de 1968, quando vi na TV do vizinho, os primeiros comerciais de gelatina ROYAL. Não eram comerciais, eram “propagandas” em preto e branco, lógico rsrs
Cantava uma musiquinha, a gelatina saía da forma, dançando, com boquinha sorrindo. Aquilo me fascinava. O que seria?? Como seria??
Então, duas descobertas: a primeira: chegou gelatina no armazém do Sr Nogui em Tabatinga, segunda: não era caro, dava para comprar. Comprei sem falar nada para minha mãe, e fui fazendo conforme as instruções:
.dissolver na água quente.OK
. misturar água temperatura normal,OK
. levar a geladeira. GELADEIRA???
Como assim? Era só aquele liquido?, parecia Q Suco… Precisava ir para geladeira?? Cadê a geladeira? Sem minha mãe saber, coloquei os potinhos, cobertos com pano de prato, numa pequena área de serviço. À noite fazia frio, quem sabe, se ela dormisse no sereno… Quase deu certo.
Ela não ficou firme como na TV, mas deixou de ser liquida, deu uma encorpada, deu para comer com colher rsrsr, toda feliz…
Ainda demorou mais uns dois anos para termos nossa primeira geladeira. Já era usada, mas tinha sido restaurada, estava bonitona. Era daquelas grandonas, de formas arredondadas, que abriam com uma alavanca. Eu achava lindo. Ficava na sala de jantar, que a gente chamava de “copa”.
Às vezes, quando todos na minha casa dormiam, eu me levantava, as luzes todas apagadas, eu abria a geladeira, a luz interna acendia e eu ficava olhando encantada, a casa iluminada só pela luz da geladeira. O máximo. Na minha casa tinha geladeira, nooossaa, eu estava podendo…
Foi uma sensação boa de conquista, numa época que o consumismo não era exacerbado e a gente podia se deleitar com o sonho da EXPECTATIVA de TER. Querer, esperar, era tão bom quanto a conquista em si. Ou até melhor!

criado por picida_ribeiro    15:07 — Arquivado em: Sem categoria
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