23/9/07
Vale a Pena ver de Novo
Siiiim. Já houve um tempo em que os mais prosaicos eletrodomésticos foram sonhos de consumo, objetos de desejos, símbolos de status.
E não estou falando de sofisticados home teathers, lap tops, computadores, TVs de tela plana.
Podia ser geladeira, liquidificador, enceradeira, e até um acessório como panela de pressão.
Telefone então, era alto luxo, é para um outro capítulo.
Hoje é a vez dos televisores.
A primeira vez que tive contato com a existência de TV foi quando meu Tio Rosalvinho trouxe de SP para Ibitinga um aparelho de TV, que virou atração na cidade.
A casa ficava cheia de gente, muita gente mesmo, tentando assistir a novela “O direito de nascer”.
Era um tal de virar a antena, tentando sintonizar melhor a imagem ou o som, quase nunca os dois chegavam ao mesmo tempo. Na cidade não havia antena retransmissora, tentar ver TV era uma epopéia. Não deu. Meu tio levou a TV embora.
A primeira experiencia de “televizinho” que tive foi na casa da D.Latif ás 5 feiras para ver Silvio Santos, com direito á petiscos, docinhos, uma festa.
Depois, o sr Mario Sgarbi, nas famosas quintas feiras passou a colocar a TV na sua farmácia, aberta ao publico. Era um acontecimento, muita gente, muita gente mesmo.
Eu chegava cedo para ter direito á banquinhos, mas tinha os que levavam banquinhos, cadeiras…
Sair á noite para ver TV nos vizinhos, implicava em primeiro, pedir para meus pais:”posso ir ver TV?”. Depois descobrir onde ir assistir, saber que vizinho estava acompanhando sua novela. Não que houvesse muitas opções, mas o vizinho poderia estar assistindo aquela outra, ou então nenhuma, TV desligada, o que seria o maior dos horrores rsrs
O hábito de assistir TV com as luzes da casa apagadas, só com os reflexos azulados de sua luz, ajudava a saber se a TV estava ligada. “Posso assistir TV na sua casa?”
No interior de SP a TV Tupi reinava absoluta e um pouco de TV Record.
Na Tupi, assistia as novelas “Antonia Maria”, depois “A Fábrica”, Beto Rockfeller, sucesso estrondoso. A primeira vez que uma novela teve trilha sonora especialmente criada para ela, com direito á Bee Gees , Beatles. Lembro de uma cena em que o personagem Beto Rockfeller perde numa aposta uma moto que não era sua, e fica arrasado com um problemão para resolver e vai caminhando por uma avenida de SP, que depois eu soube ser a av Sumaré e toca a música “Sentada á beira do caminho”. A música é longa, tocou inteira, maior clima. Inesquecível. Depois vi numa entrevista, o Lima Duarte, que foi diretor da novela, contar que essa cena foi feita assim pra enrolar, eles estavam sem texto pronto rsrsr . Os closes no rosto belíssimo da atriz Bete Mendes, ao som da música F. comme femme, tambvem tinha a mesma funçaõ, cobrir buracos, mas ficava lindo. Plinio Marcos, grande ator, grande escritor, arrasava como o amigo Vitório. Momentos históricos.
Na Record, “Familia Trapo” “Jovem Guarda” e os festivais de MPB.
Momentos inesquecíveis. Que tempos eram aqueles, que numa cidadezinha do interior, uma criança de 10/11anos, acompanhava os festivais, torcia pelas musicas preferidas, decorava as letras?
Ver nascer Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Zé, Mutantes. Tentar compreender Geraldo Vandré. Inesquecível.
Inesquecível também, o programa “Cidade X Cidade” do Silvio Santos. Ibitinga X Guararapes. Ibitinga ganhou. A Tia Vera se apresentou num número, com várias mocinhas bonitas, com miní saia dourada, mini blusa decorada com grãos de milho, botas brancas, um luuuxooo!!! Rsrsr
Em Ibitinga ver TV nos vizinhos ficou mais fácil. Os vizinhos eram amigos, depois meus avós compraram TV e aí ficou moleza, a TV era como se fosse em casa, tudo de bom.
Flávio Cavalcanti e “Mulheres de Areia”. Ainda nada de TV Globo.
Inesquecível a ocasião que a cidade inteira parou para ver o filme “Os Pássaros” de Hitchicock e quando o filme acabou ninquem acreditava, o que aconteceria depois?E aquele passarinho voando sozinho? Ia voltar?Tinha continuação? Ligaram para TV Tupi, no dia seguinte pedindo explicações, a rádio da cidade teve que avisar que o filme era assim mesmo.
Quando a TV chegou á minha casa em branco e preto, já estava perto da TV colorida
Morando em SP, logo comprei para meus pais, que ainda moravam em Ibitinga, uma TV á cores. Uma glória!!! Minha mãe guardou esse aparelho de TV para sempre.
E morando em SP a TV perdeu um pouco de espaço na minha vida, mas sempre assisti novelas, seriados, especiais de música.
Continuo vendo TV, mas assim, quando não tenho nada para fazer, não deixo de fazer programa nenhum para ver TV, mas sempre que posso, assisto.
Da queda da qualidade dos programas de TV, falo outro dia.
E hoje a TV reina absoluta nos lares brasileiros. Todo mundo tem, e a maioria mais que uma.
Podem acreditar, eu já tive TV até no banheiro…
Agora, não tenho TV na sala. Tenho nos dois quartos e só.
E a história da minha vida se enrosca com as histórias de TV.
Programas, seriados, novelas . Fantasia e realidade se enroscando na minha vida, na minha história.
criado por picida_ribeiro
19:45 — Arquivado em: 

“O Direto de Nascer” - Vc lembra de “Redenção”? Francisco Cuoco bem novinho.
“Família Trappo”- tinha Otelo Zelonni e Ronald Golias. “F.Comme Femme” era cantada por Salvatore Adamo (1969). Flávio Cavacanti (estalando os dedos) e “os comerciais, por favor?”, era algo. Os Festivais tiveram seu auge com Tony Tornado e sua dança enlouquedida e enlouquecedora na BR-3. Mas e o que dizer do Vigilante Rodoviário? Nacional Kid e seus inimigos Incas Venusianos? E Shazam e Xerife sua camicleta? Aquilo sim, era TV!!! Para nem falar no Ultraman e nos Thunderbirds. O começo da televisão foi maravilhoso, não só pela novidade, mas pelo que ela tinha para mostrar.
Comentário por Nilton Roberto — 24 24UTC setembro 24UTC 2007 @ 21:17
Na época que passou Beto Rockfeller eu era criança e não ficava acordada até tão tarde (se não me engano passava às 10 da noite?).
A primeira novela que eu assisti toda foi A Grande Mentira, na Globo, que passava no horário das 7. Era um dramalhão com tantas grandes mentiras que até hoje eu não sei a qual delas o título se referia. A Neusa Amaral fazia o papel da vilã (e que vilã…).
Antes de ir para o colégio, não perdia National Kid, Vigilante Rodoviário, Viagem ao Fundo do Mar…
Tínhamos em casa o disco “proibido” do Geraldo Vandré, que minha bisavó guardou como relíquia por muitos anos (e de vez em quando botava pra tocar).
Lembro da Copa do Mundo de 70, a primeira Copa transmitida pela TV. Quanta emoção!
Beijos e apareça!
Comentário por lucy in the sky — 25 25UTC setembro 25UTC 2007 @ 17:44
Fiquei imaginando essa fase dos televizinhos… As pessoas eram mais próximas, mais amigas, mas disponíveis, mais festeiras. Me lembro quando criança que toda tarde tinha gente em casa, que chegava sem avisar (nem dava, não tínhamos telefone!) e por lá ficava para jogar papo fora e tomar café da tarde. Hoje é considerado falta de educação ir à casa dos outros sem “dar uma ligadinha”. Tenho saudades daqueles tempos, pois parece que tínhamos mais tempo…
Bjs!
Comentário por Selma — 30 30UTC setembro 30UTC 2007 @ 4:53
Oi Cida!
Fazia tempinho que não te visitava, e hoje me levaste a uma viagem no túnel do tempo. A gente vai lendo e vem à tona em nossa memória cada parte que descreves tão bem em teu texto. Muito show.
Um beijo
Comentário por Maria Inês — 1 01UTC outubro 01UTC 2007 @ 23:39
Você falou em fantasia e realidade. O noticiário está tão patético que realmente não dá para saber o que é real e o que é ficção…
Comentário por TATIANA REZENDE — 3 03UTC outubro 03UTC 2007 @ 20:32
E do tempo em q quase ninguém tinha telefone em casa e para passar um simples “trote” tinha q andar alguns quarteirões até achar algum “clube” com as portas abertas e o relógio marcando as horas…
Comentário por eu mesmo. — 4 04UTC outubro 04UTC 2007 @ 15:36
Cidinha!
Estás bem? há tanto tempo sem postar um novo blog… fico preocupada. Espero que estejas bem e todos a quem ama.
Um beijão e não suma tá?
Comentário por Maria Inês — 5 05UTC outubro 05UTC 2007 @ 13:19
Picida,
vc já sabe que eu adooooro os seus textos… Principalmente porque são assim tão caregados de nostalgia de um tempo em que eu era criança, mas do qual tenho algumas lembranças. Este texto, em particular, tem tudo a ver comigo que sou uma telemaníaca… Também me lembro do dia em que a TV em cores entrou na minha casa e das brigas eternas com a minha mãe para poder assistir á sessão da tarde (proibida porque eu tinha que estudar). Continue escrevendo estas coisas lindas para que possamos rememorar, tá?
Abração
Valéria
Comentário por Valéria — 2 02UTC novembro 02UTC 2007 @ 9:41