13/10/07
Uma doce historia
Conheci Nelson Balseiro no início dos anos 70.
Ele tinha uma Kombi, onde já vendia doces nos pequenos bares e mercadinhos da região.
Eu adorava aquela Kombi. Ela tinha tudo o que gostava na vida: Doces, muitos doces.
Quando me dava carona ele já avisava:
“Picida, não abra nenhum pacote de doces, pode pegar doces dos pacotes que estiverem abertos”.
Os pacotes fechados, ele tinha chance de vender inteiros.
Os já abertos, ele vendia em unidades em comercio menores.
E foi assim, de doce em doce, que ele foi construindo sua vida.
Fiquei quase trinta anos sem vê-lo, sem saber dele.
Quando minha irmã Liliana, voltou á morar em Ibitinga, ela me telefonou e disse que ele tinha um depósito enorme de doces, que a reconheceu e perguntou por mim.
“A Picida ainda gosta muito de doces?”
SIIIIMMM
“Ela continua magrinha?”
NÃAAOOO.
Depois de algum tempo de eu ter voltado á morar em Ibitinga, nos encontramos num banco. Ficamos mais de uma hora conversando.
Ele querendo muito me contar sua história. Eu, querendo muito ouvir.
Contou-me da luta que foi para ter sua primeira Kombi, do crédito que só foi dado pela Osmar D’Abruzio de Tabatinga, do seu trabalho de formiguinha. Nada caiu do céu, nada foi fácil. Resumiu cada dia de trabalho, cada batalha ganha, cada pequena conquista.
Contou como já maduro, conheceu a esposa. Estava casado e feliz.
Falou das casas que construiu para os funcionários mais antigos, o mutirão que organizou em Iacanga para construir casas para membros da família. De como continuava a viver a vida com simplicidade, de como mantinha hábitos e amigos.
Uma oficina só para seus inúmeros caminhões. Até chegar a fabrica de casquinhas de sorvetes. (ele fabrica em grande escala para o Mac Donald)
È para ele sentir orgulho mesmo. Acho sua história bonita. História de luta, que prova que o trabalho persistente e honesto pode sim dar certo.
Gosto de contar sua história para meus amigos de SP que vem aqui passear.
Costumo leva-los até a Dipal, sua empresa, mostro os caminhões, conto a história.
História bonita de luta.
Uma historia com um DOCE sabor , DE VITORIA .
* Esse texto vai sair na revista Multivisão de Ibitinga ediçaõ outubro.
criado por picida_ribeiro
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