18/10/07
Estrela
Nunca assistí ao Paulo Autran no teatro, mas sempre acompanhei de perto seu trabalho.
Assisti `as poucas novelas e aos especiais da TV Globo, os teleteatros da TV Cultura em que participou, sempre com encantamento.
Não sou critica de arte, não sou nenhuma Bárbara Heliodora, mas sou sensível o suficiente para perceber que era soberbo.
È o mínimo que se pode dizer á seu respeito.
Com que leveza, competência, interpretava os personagens mais complexos. Com que verdade transformava tudo em arte.
E para ele parecia tudo tão simples, tão fácil…
Há uns dois anos atrás, vi num inusitado talk show comandado por Mônica Waldvogel no SBT uma entrevista com dois “PAULO”
Um era AUTRAN. O outro VILHENA.
Um era tudo que um ator devia ser. O outro, tudo que um ator nem devia saber.
Tudo bem, um já tinha aprendido tudo da vida, enquanto o outro estava nas primeiras lições. E quantas lições ele teve naquele dia…
Com simplicidade, naturalidade, sem arrogância, o maior ator do Brasil falava para o outro Paulo sobre teatro, textos, peças, escritores, sobre a arte de representar.
Falou da diferença de ser artista e ser “celebridade”.
Eu assisti impressionada.
A reprise do “Roda Viva” na TV Cultura com sua partipação, me fez ver mais uma vez, que alem do ator especial que era, o homem de alma, cabeça e coração de brilho intenso.
Um ser humano diferenciado, maior.
Sua morte foi sinceramente lamentada pela classe teatral, mas na grande imprensa não chegou nem á metade do espaço que ela dedica á qualquer ex Big Brother.
Não achei justo. Ele merecia mais, embora com certeza não se importasse o mínimo com isso. Nunca precisou.
Viveu a vida inteira como muitos gostariam: trabalhando com muito talento naquilo que mais gostava, e morreu deixando saudades e emoções eternas em quem teve a sorte de, mesmo de longe perceber que homem especial ele foi.
Uma vida que valeu a pena ser vivida.
Agora, ele é uma ESTRELA!
criado por picida_ribeiro
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