DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

29/11/07

Etapas

Não sei nas grandes cidades, mas por aqui ainda é muito comum cerimônias de formatura na conclusão do primeiro e segundo graus.
Fui á formatura do segundo grau, do colégio FLAPI, porque era a formatura da Carol, minha única sobrinha.
A caminho, fui tomada por pensamentos clássicos de tia: “Nossa, o tempo passa rápido demais, ela vai fazer 18 anos, já é uma mocinha, já vai fazer faculdade…”
E por pensamentos do tipo “Tomara que seja rápido, geralmente essas cerimônias são sempre iguais e normalmente meio chatas”.
Surpresa!!!
Foi legal! Adorei!
Primeiro eles tiveram a grande idéia de fazer formatura de uma turma de cada vez, então não tinha aquela parte chata de assistir a entrega de certificados á pessoas que não fazem parte de sua vida.
Numa cidade do interior, como Ibitinga, geralmente a turma está junta desde o pré-escolar.
Era o caso. Isso que eu chamo de “amigos de infância”,mesmo!
Resumindo, ficou tudo com cara de reunião de amigos, e na verdade era mesmo.
Os formandos como já disse amigos de infância, e os pais também.
Os tradicionais discursos foram breves, sinceros e emotivos.
Homenagem aos professores, aos pais.
Tudo informal, e muito bem planejado. Para ficar interessante, bom de assistir, bom de ver e lembrar.
Primeiro á homenagem aos amigos, com crônica de Vinicius de Moraes, ao som de Caetano Veloso, cantando “Amanhã” do Guilherme Arantes, dando aos formandos os sonhos do futuro: “Amanhã será um lindo dia”…
Depois, na homenagem aos pais, um texto simples, sincero e emocionado, por Nadiana Inocente ao som de Adriana Calcanhoto cantando Claudinho e Bochecha “eu não existo longe de você, e a saudade é meu pior castigo, eu conto as horas para poder lhe ver, mas o relógio está de mal comigo”… Nesse momento criou-se dois grupos de pais: os que deixaram lágrimas escorrerem furtivas, e os que engoliram as lágrimas em seco. Todos emocionados. Falando pela turma, discurso suscinto e verdadeiro de Mayara Coleone , e presenteaando os professores,representando toda classe,Gabriela Leite,Nathaly e momento coruja: minha sobrinha Carol. Linda.
À medida que cada formando recebia seu diploma, na tela via se imagens dele criança, depois maiorzinho, até momento atual, depois, imagens de todos eles em variados momentos na escola, da CARACOL, o prezinho, ao som de Legião Urbana e Titãs. Ah! Mas teve “Como é grande o meu amor por você” do Roberto Carlos. Teve momentos surpresas, com depoimentos dos colegas que sempre estudaram com a turma toda e agora, estão estudando no exterior.  Ah! os poderes da tecnologia: Depoimentos felizes e emocionados de Isabela Sgarvi Paulo Zani e Luiza Casemiro, vindos Estados Unidos. Houve risos e lágrimas. Teve a Valéria Alem Biazi, professora de português, bonita, que quando foi convocada pela turma sob pedidos de “discurso,discurso’, disse o que tinha que dizer e sem o menor constrangimento, cantou á capela, afinada e tranqüila; “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz” A platéia fez coro.
A cerimônia passou rápido, tédio passou longe, foi emocionante e divertido. E para mim, momentos “túnel do Tempo”.
Foi minha vez de encontrar amigos do “colegial”, que lá estavam para formatura de seus filhos, a maioria, formatura do caçula. Céus!
Um dos depoimentos vindos do exterior, foi do Paulo, filho do Zani, tocando violão, meigo, afinado, como o pai na sua idade, tudo tão igual, tipo: “já vi esse filme, já vi esse cara”, mas diferente do pai tão tímido, ele desinibido, falando á vontade.
Já vi esse filme e vale a pena ver de novo.
Douglas Tramontina, e o filho Victor, que só agora conheci, Walter Secanho,  formando o filho Murilo, de sorriso bonito e escancarado, William Hadad e seu filho Michel.  Meus amigos de bailinhos, de escola, de brincadeiras, paqueras. Eu os vi fazendo cursinho, vestibular, e agora seus filhos á caminho da faculdade.
Sabe, desses amigos que você fica anos sem ver e a conversa continua íntima como se nada tivesse acontecido, o tempo não tivesse passado. Quando esses filhos cresceram que eu não vi?
E o Jacó Storniolo, maior de todos os “melhores amigos”.
Sua filha caçula, a Júlia, indo para faculdade, os outros dois já foram.
Quando esse filhos cresceram que eu não vi?
Saí de lá com a alma leve. Feliz pelos amigos que vi, que trouxeram doces lembranças do passado, feliz pela oportunidade que a cidade do interior nos dá de reencontra los e reviver esse momentos.
Feliz pelo sonhos do futuro que vi brilharem nos olhos dos pais, e os reflexos dos sonhos nos olhos de seus filhos.

Na camiseta dos formandos os dizeres:
“ era uma vez um molusco que estudou 4 anos e  virou presidente. Imagine onde podemos chegar…"

criado por picida_ribeiro    7:20 — Arquivado em: Sem categoria

25/11/07

Extra Extra

Extra-Extra
Ontem, depois de muito tempo, participei de uma festa de confraternização de final de ano com colegas de trabalho.
Sei que as estatísticas comprovam que a maioria acha essas festas chatas, mas eu não faço parte dessa turma.
E quer saber? Acho que todo mundo gosta, mas fica sem graça de confessar.
Ver os colegas de trabalho, num outro ambiente, roupas diferentes, dá um novo astral e surge uma chance de conhecer melhor cada um deles.
Talvez eu seja suspeita para falar, afinal o patrão é meu irmão, a festa foi na casa dele, mas eu gostei e muito.
Estava tudo ótimo!
Minha cunhada, a Graça, fez decoração de natal, lampadinhas nas arvores, serviço de buffet, garçons, afinal eram quase 70 pessoas.
Teve o sorteio de 2 TV 29 polegadas, tela plana.
O sorteio foi por eliminação, os dois últimos é que seriam os ganhadores, adivinhem qual foi o primeiro nome à SAIR? PICIDA.
Eliminada de cara, não deu nem para eu ter uns minutos de esperança…
Mas fico com a frase consolação “azar no jogo, sorte no amor”.
Um dos aparelhos saiu para Marinha, recepcionista simpática, e o outro saiu para a empregada doméstica da casa.
Ela ficou emocionada, chorou de soluçar de alegria. Foi um presentão.
Um prêmio extra: cada funcionário recebeu um cheque num envelope lacradìssimo.
Eu consegui segurar a curiosidade por uma hora mais ou menos, depois discretamente abri meu envelope: 50% do salário. Uaauuu!!!
O Décio só abriu o dele em casa e fez suspense para me contar. Lógico, ele ganha mais que eu.
Premio: 50% do salário. Nooossa, foi um extra inesperado.
Fiz mil planos.
Mas sabe qual a melhor parte da festa? Ver a alegria do meu irmão em poder proporcionar isso para as pessoas que trabalham com ele, o melhor da festa era a constatação de como ele faz absoluta questão de dividir suas merecidas conquistas. Como diz o Décio “Gestos de uma alma generosa”. O melhor dos presentes ele estava proporcionando à si mesmo.
E para mim, que conheço de perto sua história, momentos assim emocionam de verdade.

 

 

criado por picida_ribeiro    13:19 — Arquivado em: Sem categoria

24/11/07

Marido tambem merece

Há alguns dias atrás, quando o Décio foi me buscar no trabalho, ele comentou entre suspiros “Sabe,o que eu queria hoje? Jantar um peixinho, com vinho,coisas assim”.
Em Ibitinga tem apenas dois ou três restaurantes, comidas básicas e simples, e quando o Décio falou em peixinho, sabia que ele não estava falando de pescada, sardinha,ou coisas que o valha.
Fiz que não ouvi. Peixe bom, aqui em Ibitinga é difícil de encontrar e é caro.
Mas registrei. Não é porque o cara está comigo há 25 anos, não é porque eu não gosto muito de peixe, não é porque teria que gastar um “extra”, que eu não deveria me interessar.
Porque, pensa bem: se ele fosse um namorado, ou se eu estivesse na fase da conquista, eu já teria corrido preparar surpresas e climas, não é mesmo?
Marido também merece.
Ontem fui a oportunidade de um gasto “extra”.
Preparei uns canapés com damasco e queijo roquefort, que ele adooora, e fiz camarão bem dotados (alguns poucos e suficientes para dois).
A receita do camarão é fácil e ótima: azeite de oliva e manteiga para refogar alho e cebola,depois tomates sem pele bem picadinhos, só então os camarões, depois, creme de leite fresco, cheiro verde.
Numa travessa faz-se um circulo com purê de batatas, esse camarão vai no centro,coberto com maçã verde ralada, e catupiry, o verdadeiro, nada de genérico ou similar.
Sobremesa simples e fácil: coloquei em taças pequenas brigadeiro de colher. E comprei um vinho italiano, escolhido pelo preço x rótulo, mas que estava bom.
Ele arrumou a mesa, com flores, velas, taças. Ficou bonito.
Só nos dois. Ouvindo The Platers (que vocês queriam: é um jantar romântico de terceira idade rsrsrs).
Conversamos, demos risadas, e até imaginei um final mais animado, se é que vocês me entendem, mas fomos dormir.
Mas valeu a pena tudo. Cada minuto com o Décio vale a pena. O que ficou faltando, atualizo depois.

criado por picida_ribeiro    9:51 — Arquivado em: Sem categoria

21/11/07

Em frente

E vou seguindo…
Clima de final de ano, e já me vejo fazendo os “famosos” planos de ano novo.
Vou me torturar. Vou ler os planos que fiz no final do ano passado, e ver que não realizei quase nada.
Li não sei onde, que os sonhos que não concretizamos, são apenas sonhos.
Eu já disse aqui, planejar e sonhar é o que mais faço, batalhar para realizar já é outra história…
No momento, estou envolvida com meu trabalho.
Estou gostando da história de metas, clientes, organizar, reciclar, ampliar.
Visitar clientes, a dinâmica toda de trabalho, tem sido muito interessante, tem dado novo ânimo á minha vida.
Novo e inesperado, e estou adorando. E TER SALÁRIO ENTÃO…
Só estou encontrando certa dificuldade em liderar.
Já fiz isso muitas vezes, mas agora estou me sentindo meio travada. O fato de ser irmã do patrão, ao invés de dar mais segurança para que eu tome certas atitudes ou decisões, acaba por me inibir.
Mas, uma vez consciente disso, vou “tratar” do caso. Já estou com pauta de reunião traçada, vou pedir socorro para o Aguinaldo do blog  HISTÓRIAS EMPRESARIAIS, QUE ESTÁ NOS "MEUS FAVORITOS’..
Certa vez, conversando com minha amiga Antonia, que conheci no meu primeiro trabalho,( meu e dela), ela me fez ver o quanto eu tinha mudado desde saí da Transport, depois de quase dez anos de trabalho.
È uma história longa, que dia desses eu conto, mas a Antonia mostrou me o quanto minha auto estima ficou abalada depois que saí da empresa.
Mas eu não sentia ser possível, a possibilidade de um novo trabalho, e principalmente que as pessoas me vissem capaz de executar um trabalho com responsabilidade e competência.
Em muitos momentos na minha vida,quando conduzi algumas coisas de maneira errada e até irresponsável, isso acabou por confundir-se com minha vida profissional,e profissionalmente, eu sempre fui muito séria e dedicada, competente mesmo, nada doida.
Sentir que ainda tenho o que fazer, produzir, como já disse, deu um animo a mais a minha vida, ganhando pra isso então…tudo de bom..

criado por picida_ribeiro    22:10 — Arquivado em: Sem categoria

10/11/07

Pré Natal

O natal está chegando e como eu disse no post "estão antecipando o natal" do dia 10/11/06 o comércio está acelerando cada vez mais essa chegada.
Enfeites de natal em outubro?
Com tanta antecedência, só perdôo os panetones, que eu adooroo!!!
E eu me vejo dividida entre sentimentos e situações antagônicas;
Penso em decorar a casa para o natal, como sempre gostei de fazer, imagino enfeites, toalhas e copos novos, tento planejar o cardápio da ceia, afinal o Zé Luis, meu irmão mais novo, que mora em Londres, vem passar o natal com a família, e eu gosto da idéia de espera-lo com mil coisinhas gostosas, momentos bonitos.
Aí, penso na Tia Vera, na saudade que tenho sentido, na dor do marido e dos filhos, eles estão sofrendo tanto, tanto, fico imaginando com que direito posso fazer isso? Com que vontade? Não dá vontade.
Desde 2000 quando voltei á morar em Ibitinga, ela passava as festas de final do ano em minha casa. Tínhamos quase a mesma idade, e desde criança passávamos natal juntas. Juntas tivemos as mesmas expectativas de ganhar presentes, depois brincar, e juntas curtimos o mais esperado presente: O disco do Roberto Carlos. Cada disco, a história de um natal. E no último natal, ela me deu de presente o livro com a biografia do Roberto. Nós duas sabíamos o que ele representava para nós. As histórias do livro, e a nossa história. Como será preparar uma ceia, esperando ela chegar com sua família?
Às vezes acho que não vou conseguir. A Liliana, minha irmã acha que eu nem deveria tentar, que vai ser impossível.
Mas algo me diz que vou tentar.

criado por picida_ribeiro    19:25 — Arquivado em: Sem categoria

4/11/07

DIA DE FINADOS

Quando eu era criança e morava em Tabatinga, fui aprendendo que Finados era um dia triste, cheio de reservas, especialmente para os que haviam perdido entes queridos.
Embora a medicina não tivesse ainda cura para doenças que hoje são tratáveis, câncer era inegociável, pontes de safena, transplantes, era ficção científica, não havia mortes por violência, não havia mortes no trânsito, aliás, não havia violência, nem trânsito.
Em tempos em que não se ouvia falar sobre aquecimento global, todos os anos, nesse dia, fazia muito sol, muito calor e chovia no final da tarde. Sempre, todos os anos.
Ir ao cemitério era um passeio. Introspectivo, mas, passeio.
Eu não tinha nenhum parente enterrado por lá, nem tinha sofrido ainda nenhuma grande perda na vida, eu ia com as amigas passear, encontrar velhos conhecidos, ver os túmulos, quase sempre reformados para essa data.
E a gente ia andando por entre os túmulos, vendo as fotos, vendo quem tinha os arranjos de flores mais caprichados. Poucas flores naturais, rosas, dálias, palmas de Santa Rita, plantadas nos quintais, a maioria dos arranjos era feito de flores de papel crepon.
Nós íamos contando as histórias da vida, e circunstâncias da morte de cada um.
O túmulo de ciganos, cheios de enfeites, com uma porção de pedrinhas que diziam se você fizesse um pedido, virasse uma pedrinha e rezasse uma Ave Maria, o pedido se realizaria.
Eu sempre fazia o pedido, mas nunca soube se algum se realizou, ao sair dali já nem lembrava mais que pedido tinha feito.
Visita ao túmulo do pai da minha amiga que havia se enforcado: a gente dava um tempo levantando hipóteses, porque ele teria feito isso? Parecia tudo tão bem…
Aqueles outros túmulos das irmãs gêmeas que foram passear caíram no rio, morreram afogadas…
O s túmulos bonitos de mármore, com anjinhos de bronze: chiquérrimos!
E assim íamos entre as doces melancias vendidas aos pedaços, reverenciando os mortos.
Em 1970, quando já estava morando em Ibitinga, também uma cidade do interior, mas “infinitamente” maior que Tabatinga, tudo ficou maior.
O ritual de ir ao cemitério continou, só que dessa vez era maior, mais histórias, mais túmulos bonitos, mais barracas de melancias espalhadas pelo percurso.
Carros ainda não podiam ainda ser considerado meio de transporte, era um sobe e desce de pessoas fazendo o caminho á pé, parando nas barraquinhas para comprar velas, fósforos, flores.
À partir de 1975, quando fui morar em SP, Finados passou á ser feriado, para passeio, descanso, viagens.
Em 2000 voltei á morar em Ibitinga, e meu ritual passou á ser ir com minha mãe e irmã, levar flores ao túmulo de meu pai.
Uma sensação estranha, uma dor sempre constante, ver seu nome completo, e ao lado o apelido “LuLa’
A constatação dura, difícil, de ver ali, escancarado: ACABOU.
E nesse finados, levei flores para Tia Vera.
Ainda sem acreditar. Não era hora, nem lugar.
Um finados sem sol, só calor, sem melancias, sem as conversas leves que só a infância nos permite.
E Deus do Céu, o que é aquilo, o show do Padre Marcelo?
Que festa era aquela? Artistas divulgando seus CDs, milhões de pessoas só na diversão, esse papo de” saudades sim, tristeza não”.
Saudades e tristeza, porque não?

criado por picida_ribeiro    22:10 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://picidaribeiro.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.