DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

21/12/07

O que é luxo?

Dia desses, Tatiana Rezende, de cujo blog sou fã assumidíssima, falava sobre os luxos da vida.
O que realmente poderia ser considerado luxo.
Hoje existe no mundo todo, inclusive no Brasil, um mercado de alto luxo, para um público AAA***.
E então, chegamos á questão: o que é luxo realmente?
Em cada tempo, em cada sociedade, existe o luxo subjetivo.
Pode ser luxo naquele lugar, naquele momento.
Pode deixar de ser á qualquer momento. Muito subjetivo.
Parei então para pensar nos meus “luxos”.
O primeiro “luxo” que tenho na memória, era quando morando em Tabatinga, práticamente uma vila, passava todas as férias em Ibitinga, que era maior, mais cosmopolita.
À cada férias eu voltava para Tabatinga sentindo me o “maximo”. Lançando moda, vendo filmes recém lançados, biblioteca, revistas. “Me achando”.
Mesmo porque até meus quinze anos, era isso que eu conhecia de perto: Tabatinga e Ibitinga, nada mais.
Ibitinga para mim, era Paris. Um luxo!
Em Tabatinga, na minha infância, ter uma lata de leite condensado Moça, só para mim, que eu sorvia devagarzinho para durar bastante, já era luxo!
Dos 15 aos 18 anos, passei á morar em Ibitinga, e entre os luxos dessa fase, posso falar dos amigos que fiz, que tanto acrescentaram á minha vida, que expandiram meu horizonte, também posso citar o fato de nessa idade, ter sido convidada á escrever para o jornal da cidade, colunista efetiva mesmo. Não era remunerado, mas era um luxo só!
Aos 18 anos fui para SP, e luxo passou á ser tanta coisa…
Trabalhar com moda, onde o trabalho por mais burocrático que seja, tem á ver com show, ver a moda com uma antecedência, conhecer modelos, imprensa especializada.
Preconceito julgar que nessa área há só supercialidade, glamour, anorexia.
Tinha muito trabalho, e foi com ele que por anos consegui manter meus pais, ajudar irmãos, fazer grandes amigos.
Luxo foi fazer Letras na USP, mesmo sem ter concluído o curso.
Luxo, nos anos 80 foi meu irmão “Pardal” da loja Bossa Nova Discos, ter sido eleito por várias revistas e jornais de SP como a melhor de SP.
Sabe o que foi isso para quem veio de Tabatinga, e se destacou numa cidade como SP, onde até os amadores são profissionais? Um luxo mesmo!
Luxo foi toda minha vida em SP.
As pessoas que conheci, tudo que aprendi, o amor que consegui.
As perdas, as conquistas. As lições.
As livrarias, as lojas, a R 25 de março, a Oscar Freire. Desde a simplicidade dos sanduíches do bar C… do padre, os salgadinhos do Yokoyama da Lins de Vasconcelos, as esfiras do Jaber já citadas pela Selma do blog Iacoubs a feijoada do Pardal no Brás, até picanha do Rodeio, massas do In Cittá. O restaurante Carlino, no Arouche que já fechou, era o mais antigo de SP, o Bar Brahma que depois de reformado eu ainda não visitei. Comer em SP é luxo só!
E as padarias, então? Quer luxo maior?
Qualquer pingado em SP, em qualquer padaria é um luxo, Na  Santa Marcelina, então…
Vivendo agora em Ibitinga, luxo são meus cachorros,  minha casa, que eu chamo de meu castelo, não porque seja luxuosa, mas porque nela sou rainha rsrs,  minha família, meu trabalho. Meu blog, também não é um luxo??? rsrsr E os seus luxos? Quais são, quais foram? Se importa de me dizer?

criado por picida_ribeiro    22:45 — Arquivado em: Sem categoria

14/12/07

Natal da minha infancia

È claro que todos têm histórias de Natal em suas vidas, dessas marcantes, inesquecíveis. O Natal é uma data que não tem como passar em branco, ser mais um feriado qualquer, embora alguns não admitam, no natal a gente sempre entra no clima. Realmente, existe o “espírito de natal”. Independente das questões comerciais, as pessoas tendem a sentir o espírito de solidariedade mais intensificado, a fraternidade se faz presente, a família se aproxima, as pessoas querem os familiares por perto, sentem saudade em dobro dos que já não estão mais aqui. Quando criança, em Tabatinga, acreditei piamente em Papai Noel, até meus 9 anosde idade. Embora com muita simplicidade, meus pais mantinham a crença. Eu e meus irmãos, sempre ganhamos de presente de Natal, exatamente o que pedíamos, mas, engraçado, a gente só pedia aquilo que sabia que eles podiam comprar. Nunca ninguém pedia bicicletas. Eram os brinquedinhos que a gente via na vitrine da única loja de presentes da cidade. Ao contrario a minha irmã, eu nunca pedi boneca de presente. Sempre escolhi, brinquedinhos bonitinhos e esquisitos, como uma galinha de plástico que botava ovinhos coloridos. A gente colocava os ovinhos na boca da galinha, ela se baixava e botava um ovinho.Eu achava o máximo da tecnologia. Uma vez contei essa história para o Decio meu marido, e acredita que ele me deu uma de presente, nem sei onde ele achou… (esse homem não é demais?) rsrsrs. Meus pais cumpriam o ritual de ir à véspera de natal comprar os presentes, escondidos. Nós colocávamos os sapatinhos na janela, e acordávamos com o presente devidamente colocado sobre eles. Aì vinha o encantamento de desembrulhar, sorrir, correr pra rua, encontrar com os amigos, mostrar os presentes, revezá-los nas brincadeiras, Na minha família, não fazíamos ceia, só o almoço no dia de natal, quando a família de meu pai se reunia todinha na casa dos meus avós. Tios, primos, muita conversa, risadas, FAMILIA. O cardápio era simples e muito bom. Arroz ao forno, macarronada, frango e leitoa assados e recheado, maionese, manjar de coco com calda de ameixa de sobremesa. Eu escrevia cartas para o Papai Noel, fazia meu pedido, os de meus irmãos, cantarolava as musicas de natal, o dia inteiro. Montar a arvore de natal, era um momento mágico. As crianças ficavam em volta, animadíssimas, ajudando, olhos brilhando. Quando eu tinha 9 anos, meus pais foram comprar os presentes, eu fiquei com a minha irmã de 7 anos, e o meu irmão caçula, com uns 2 anos de idade. A idéia de segui los foi da Liliana. Deixamos meu irmão sozinho dormindo, e fomos atrás deles. Eu relutava em ir, a Lile insistia…E Então nós os vimos na loja, fazendo as compras. E fomos descobertas. Na hora, gelei.Tínhamos feito traquinagem das bravas e deixado meu irmão sozinho. Imaginei que íamos levar muita bronca, mas movidos pelo clima natalino, surpreendentemente meus pais acharam graça, ficou tudo bem. Os almoços natalinos eram embalados sempre pelo mais recente disco do Roberto Carlos, presente que todo ano minha Tia Vera ganhava. Não havia presentes de padrinhos, tios. Só dos pais. A primeira exceção foi quando meu tio Rosalvinho, que começou trabalhar no Banerj, e comprou para todos os sobrinhos, patinhos de pelúcia da Disney.
Presentes, pessoas e momentos inesquecíveis.

criado por picida_ribeiro    10:47 — Arquivado em: Sem categoria

11/12/07

A MISS DE ONTEM x CELEBRIDADES DE HOJE

VERA DI JORGE

O sobrenome de casada Câmara Martins veio depois, mas isso não o faz menos importante, que o Nilton releve, mas para nós, de Ibitinga, era assim que ela era conhecida: VERA DI JORGE
Para Ibitinga e até mesmo outras cidades vizinhas seu nome era quase uma griffe.
Sinônimo de beleza e elegância.
Ah! Quanto as “celebridades” de agora que só acontecem porque são apenas bonitas teriam à aprender com ela…
Eu tinha treze anos, morava em Tabatinga, quando soube que Ibitinga tinha uma miss lindíssima, que ganhou miss região Araraquara, conquistando o direito á ir para SP, disputar miss estadual.
Não venceu o concurso, mas fez bonito.
E ser miss, em 1969 era infinitamente mais importante que ser top model, hoje. Quando nossa cidade foi disputar com a cidade de Guararapes o concorrido programa Cidade x Cidade, do Silvio Santos, líder absoluto de audiência, ela arrasou e claro, trouxe o premio. Eu já morava em Ibitinga, quando ela se casou.
Não fui ao casamento, mas sei detalhes da cerimônia, e tenho tudo gravado, na melhor das memórias: a imaginação.
Início dos anos 70, cerimônia de casamento era tudo igual, longe dos tempos de cerimonialistas de hoje.
Mas o dela foi diferente.
Além das tradicionais daminhas com seus vestidos de rendas e babadinhos, teve sua entrada antecedida por garotas de quinze anos, em elegantes vestidos longo de cetim cor de uva.
Entrou sozinha na igreja, música, meia luz, só um raio de luz no seu rosto lindo de Aline Moraes.
Só então o encontro com o pai, depois o noivo.
E quando falei da sua elegância, não falo apenas das roupas que vestia. Falo da principal delas: elegância nos gestos, atitudes. Educação. Sorriso.
Não a vejo há muitos anos, mas soube que continua elegante e bonita.
E posso me dar ao luxo de falar tudo isso, tanto assim, porque nunca nos falamos, nunca fomos amigas.
È uma admiração desde sempre, de ver, de ouvir.
Para quem estiver me achando saudosista, nostálgica, explico-me: são lembranças, memórias, história.
E Vera Di Jorge tem, por méritos, lugar de destaque nela.

 

Texto publicado na edição de dezembro na revista multivisão de Ibitinga  

criado por picida_ribeiro    1:12 — Arquivado em: Sem categoria
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