DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

27/1/08

ALGUMA COISA ACONTECE EM MEU CORAÇÃO

Quando cheguei em São Paulo, com 18 anos, a cidade me recebeu. Não foi com braços abertos. Recebeu-me fria, distante, egoísta. Mas convidou-me á ficar.
Se nos anos 70 São Paulo não agredia, também não acalantava…
Era o maior mundo que eu poderia ter ao meu alcance.
Um novo mundo, de coisas nunca vistas, que espantava: escadas rolantes, o mistério inexplicavél da vida em prédios, casas umas sobre as outras, cadê o quintal? Vizinhos, portas coladas, que nem se conheciam? O semáforo com cores que ditavam regras e eram obedecidas. O trânsito uma loucura controlada. O congestionamento, buzinas, correrias, as pessoas com tanta pressa, Espanto. Sustos.
O mistério dos elevadores. As pessoas tão próximas, os mundos tão distantes.
E quando tinha ascensorista, então. Porque alguém tinha que ficar lá o dia todo e apertar o botão do andar. Cada um não podia fazer o seu?
O encantamento de ver grandes lojas, vitrines e luzes.
Primeiro, o comércio do centro da cidade. Mappin, e as luzes da Loja Peter.
Shopping Centers.
Rua Augusta: “desci a Rua Augusta á 120 por hora, joguei a turma toda, do passeio pra fora...”
Rua São Caetano, dos vestidos de noiva,
Rua Consolação, dos lustres,
Rua José Paulino, das lojas populares,
Rua Oscar Freire das lojas sofisticadas,
Rua Teodoro Sampaio dos móveis e assim vai, infinitas possibilidades.
Quando chequei por aqui, e nada entendi, (como diz o poeta Caetano) chorei com as pessoas que passavam apressadas por mim, sem me ver, hoje isso me dá saudades.
A tranqüilidade e leveza do anonimato. Se só mais um, mais alguém.
São Paulo, que amanhece trabalhando, São Paulo que não pode adormecer.
São Paulo 24 horas. Supermercados, feiras, academias ginástica, cinemas, restaurantes, lojas, dentistas, clinicas veterinárias, farmácias, cafés shows, sanduíches, Mercado Municipal, livrarias, bancas de revistas São Paulo 24 hs. em tudo. Para todos.
Oportunidades e trabalho. Hoje um pouco menos, mas sempre oportunidade e trabalho.
Não acredito em ninguém que diz que ficou desempregado em SP. Desempregado sim, sem trabalho, nunca.
São Paulo é terra de profissionais. De qualquer hora. Para ficar lá, viver lá, tem que ser profissional, tem que ser bom no que faz. Todo mundo tem que ser bem informado. Desde faxineira e operários que param nas bancas de revistas para ler as manchetes dos jornais, todo mundo tem uma opinião sobre alguma coisa. Em São Paulo, amador tem que ser profissional. O vendedor ambulante que corre do “rapa” chega ao trabalho ás 4 horas da manhã.
São Paulo, a locomotiva que carrega o país, permite á todos, sonhar e alcançar.
Devo muito á São Paulo.
Ganhei dinheiro por lá, e gastei. Gastei porque optei por viver aquela cidade e tudo que ela podia me oferecer. E ela cobra caro…
Agreguei valores, conhecimentos, profissionalismo, amizade sinceras.
São Paulo me permitiu sonhar, crescer, alcançar.
Em cada aniversário da cidade, sinto me num feriado, fico em festa, comemoro.
Ter vivido 30 anos lá, preparou me para viver em qualquer lugar do mundo, e enfrentar qualquer situação da vida.
Não dà para ter bobeira por lá. Você tem que estar no ritmo. Não dá para ser fraco, nem parar para pensar muito.
Ela cobra soluções, idéias e rápido!
E te oferece as possibilidades.
Lá tudo é possível para quem tentar de verdade!

criado por picida_ribeiro    22:42 — Arquivado em: Sem categoria

20/1/08

O futuro aos 50anos

Aos 50 anos,quero “ter futuro”.
Quero ainda ter e viver uma expectativa profissional,se possível trabalhar com algo que eu conheça,que eu goste.
Ou de repente algo novo,inesperado,algo que eu ainda tenha que aprender.
Quero nesse futuro estar em forma,não só na aparência,mas estar bem de saúde: ágil,caminhando,produzindo.
Quero manter os amigos que há trinta anos fazem parte da minha vida,que não esqueço nunca e que sempre me ligam,me visitam,me escrevem e me dizem que gostam de mim.
Fazer novos amigos,porque não? Com novas histórias de vida.
No meu futuro quero meu amor de hoje.
Meu amor presente.
Não apenas presente,porque é o que vivo hoje,mas presente também como algo muito especial e bom que a vida me deu.
Não é um amor qualquer,não é com um companheiro qualquer.
È muito especial,é real.
Quero continuar a sentir friozinho na barriga,quando ele chega de surpresa,quero no futuro continuar a ouvi lo dizer emocionado que me ama.
No futuro , depois dos cinqüenta quero amor e desejo.
Meu futuro talvez não seja nessa cidade.
Acho que ela  me limita 
Mas vou buscar ,de qualquer tamanho, de qaulquer maneira ,esteja ele onde estiver.

criado por picida_ribeiro    21:56 — Arquivado em: Sem categoria

17/1/08

Noite Perpétua 1

PARTE I

Dia 06/01 tio Rosalvinho foi enterrado, aos 66 anos de idade, vítima de câncer de pulmão.
Seu corpo não resistiu á um tratamento tão agressivo. Sua saúde estava fragilizada, por conta de anos de cigarros e bebidas.
Talvez seus filhos não compreendam direito, porque eu e meus irmãos choramos tanto sua morte, se nossa convivência, nem era assim tão estreita.
Eles não tiveram a oportunidade de acompanhar o que esse tio foi para todos nós.
Como uso esse blog, para deixar algum registro da minha história, vou falar do Tio Rosalvinho, um capítulo importante nela.
Lembro me dele concluindo o “clássico” , sendo o melhor goleiro de todos os tempos de Ibitinga, prestando um concorridíssimo concurso para trabalhar no Banerj.
Cresci esperando feriados ou fins de semana que ele pudesse passar em Ibitinga.
Vinha cheio de presentes e abraços. Gostava de futebol, torcia para o SP, ouvia muito rádio, demorava-se bastante no banho, avisava toda família que estava indo ao banheiro, porque ia demorar e não queria ser
incomodado. Levava jornais e revistas, rádio, barbeador elétrico. Ia perguntando á cada um:”vai usar o banheiro? Use agora, porque vou indo para o banho”. Era carinhoso, numa época em que os homens não
demonstravam as emoções, não pegava bem.
Com ele, não era assim. Ele dizia sempre que podia o quanto nos amava. Eu ouvia risonha e encantada. Só meu tio fazia isso.
Era o orgulho da família. Nos anos 60 trouxe TV, rádio vitrola (quem lembra?) e os discos.
Para cada irmã uma tipo música: Tia Cleide ,Altemar Dutra, Moacir Franco, Agnaldo Timóteo, Ray Connif, para Tia Lúcia Beatles, Elis Regina e Jair Rodrigues, para Tia Vera, Roberto Carlos, Golden Boys e As 14 mais.
Levava os sobrinhos na sorveteria e dizia “escolhe”.
Os olhos estalados olhando para vitrines de doces e opções de sorvetes.Eu aproveitava a oportunidade e pedia umas moedas de chocolates da Lacta, embrulhadas uma á uma em papel dourado e colocadas num tubo azul.
Um sonho de consumo, que se realizava quando ele chegava. Sorriso fácil de dentes brancos, bonitos
Reunia seus amigos e fazia serenata. Tocava um pouco de violão, gostava de cantar uns boleros com sua voz grave, bonita, mas de dicção terrível!
Sua mais “famosa” interpretação, era seu “clássico”: O Relógio
Quem beira os cinqüenta anos deve se lembrar: Trini Lopes.
“Porque não páras relógio, faça essa noite perpétua …”
Os amigos de infância ele manteve por toda vida. O Issao, o Marchado, viraram compadres, batizaram os filhos uns dos outros.
Eu, criança, ficava brigando com o sono, esperando ele voltar para despedir-me dele antes que voltasse para SP, geralmente de madrugada.
Certa vez, fui dormir, mas antes escrevi um bilhete dizendo como era bom quando ele estava conosco, como gostava dele e queria que ele voltasse logo, e deixei na sua mala.
Minhas tias me contaram que ele se emocionou com minha carta, durante anos ele carregou essa cartinha na carteira.
Por sua causa, tenho até hoje a mania do “xixi psicológico”.
Quando criança, toda vez que eu ia sair, ele perguntava: “tomou água? Fez xixi?” E passou a ser assim: cada vez que saio de casa, dou uma conferida. Há um ano atrás, fui visita-lo e ele fez essa inevitável pergunta, e uma prima que o visitou no hospital, disse que ele fez a mesma pergunta para ela.
Porque a sua preocupação com o próximo era uma coisa impressionante.
Não estou falando de grandes boas ações, falo do respeito e solidariedade ao próximo, que estivesse próximo mesmo.
Embora tivesse personalidade marcante, ele mantinha seus pontos de vistas, suas manias, com educação e gentileza. Minha família é toda de pessoas simples, sem grandes erudições, de onde surge um homem
assim? Ele sempre foi assim! Honesto, íntegro. Acho que ele nem sabia como era ser diferente disso. Ele era assim, só assim. Lembro me da festa de seu casamento.
A Tia Ilma era uma das moças mais bonitas de Ibitinga. Era linda mesmo, e foi bonita pela vida toda.
Depois de casado, a lembrança mais forte que tenho, é ele chegando de viagem de madrugada na casa de
meus avós, feliz, contando que a Tia Ilma estava grávida.
Com dois filhos, transferiu se para Ribeirão Preto, só nos encontrávamos em esporádicos natais. Ele sempre fumou muito, e bebia.
Com as informações de hoje, vejo que ele era um caso de dependência, de tratamento.
Ele era um homem esclarecido, com recursos, mas nunca aceitou que fosse um alcoólatra. Mas era. Com certeza.

CONTINUA………………

criado por picida_ribeiro    20:15 — Arquivado em: Sem categoria

Noite Perpétua 2 CONTINUAÇÃO

CONTINUAÇÃO………..
Minha Tia teve momentos difícieis ao seu lado, mas sempre se amaram muito.
Com meus primos, tive menos contato que gostaria.
Eu quis ter mágoa dele, ressentimento, por durante os 5 anos de hemodiálise de meu pai ele nunca ter feito uma visita, ter telefonado. Limitava se a pegar as notícias com os outros irmãos, mandava lembranças. Não consegui.
Mantive o carinho e amor por ele. Justificava:”ele tem seus problemas, muitos problemas…”
Há um ano atrás minha Tia morreu de câncer.
Ele nem chorou muito, mas quem o conhecia, sabia de sua desolação.
Ao se despedir dela, beijou a e disse que logo se encontrariam.
Eu achei que ele fosse retomar a vida. Tinha deixado de fumar e de beber, o filho matriculou-o numa  academia de ginástica, estava aprendendo computação.
Minha irmã, já pensava diferente. Disse que percebeu que ele não viveria muito sem ela, por isso no velório da Tia Ilma tinha chorado tanto…
Ela percebeu que estava perdendo os dois.
A última vez que o vi, foi no enterro da Tia Vera
Do tio Rosalvinho, vou guardar boas lembranças, sua gentileza, educação, ética, honestidade, integridade irredutível.
Vou guardar a questão: um homem assim nasce feito? A vida o torna assim? Ele se faz assim?
Acho que no melhor de mim, tem muito dele.
E as lembranças que fazem a história de nossas vidas, lembranças que perpetuam pessoas.
Ele não teve a exata noção do exemplo que foi.
Exemplo, fumando e bebendo?
Não, esse não, é claro. Desses erros, a maior vitima foi ele mesmo
Mas isso não faz menor tudo de bom que ele era. Grande mesmo. Um grande homem.
Ainda um orgulho.
“Porque não páras relógio? Faz essa noite perpétua, para que nunca se afaste de mim, para que nunca amanheça.”
criado por picida_ribeiro    20:12 — Arquivado em: Sem categoria

9/1/08

Vida e Paixão

Passei o natal com emoções alternadas e alteradas.
Arrumei a casa com os enfeites que eu tinha, preparei a ceia, e vi o marido da Tia Vera e os filhos, chegarem sem ela.
A sensação de perda, a dor de sua ausência, apertava o peito, a garganta, mas eu sorria.
Não sei até que ponto a hipocrisia de fingir que não estava faltando nada, nem ninguem é válida, para que todos ficassem menos infeliz nesse natal.
Optamos por não fazer troca de presentes á meia noite como era costume. Quem conseguiria segurar a emoção, entre abraços, músicas e presentes, e ela ausente. Para sempre.
Mas sorri fui em frente para receber a visita do meu irmão Zé Luiz e seu amigo Alex, do meu enteado Rodrigo que há alguns anos não passava natal conosco.
Meu irmão e o Alex moram em Londres, a gente se encontra á cada 8 meses, eu estava com saudades e feliz por tê- los por aqui
Essas presenças me deram força e ânimo.
O almoço de natal foi na casa do Neto, meu irmão.
A nossa família, a família da Graça, sua esposa, uma festa bonita.Na semana entre natal e ano novo, viajamos para Ribeirão Preto, ficamos num hotel ótimo, passeios em shopping, restaurantes, pagos em libras, porque meus reais não dariam conta de tanta responsabilidade rsrsrsr..

Mas foi bom, e é comovente ver o empenho que o Zé Luiz faz para tirar o atraso, e desfrutar da nossa companhia, a alegria que ele sente em poder proporcionar momentos assim para sua família.
Chegamos em Ibitinga no dia 31.

Resolvemos fazer ceia do reveillon na casa da Liliana, minha irmã, para que seus filhos Daniel e Gabriel, pudessem curtir a presença dos amigos da vizinhança.

Apesar da correria, deu tudo certo.
Decoramos com bexigas e flores brancas, a Ana ex cunhada da minha irmã levou Karaokê, foi uma farra!
No dia seguinte o Rodrigo, voltou para SP.
Ele está estagiando na revista Caros Amigos. Não tinha como começar melhor a carreira, está adorando!
O Zé Luiz e o Alex, foram para SP. Eles embarcaram ás 22 hs para Londres.

No dia 2 retornei ao trabalho. Cheia de gás, pequenas e grandes mudanças, e os resultados já fazendo se notar.Isso é muito gratificante, e surpreendente para mim. Um recomeço.

E começo o ano novo com aqueles sonhos, promessas.
Perder peso (alguém já leu sobre isso por aqui ?) rsrsr, cuidar mais de mim em todos os aspectos, seguir a vida com a mesma paixão que a tenho vivido.Porque eu vivo a vida assim: com paixão e entusiasmo, e não é frase feita, clichê. È verdade, é real.
Eu tenho o dom de ter a verdadeira noção da maravilha que é viver, em cada dia que passa, em cada coisa que vejo, que faço.
E quase nunca é algo extraordinário. Mas nas coisas simples, no cotidiano, também existe felicidade e magia.
Eu não desperdiço nada da vida. Aproveito tudo. O tempo, as dores, as histórias, as pessoas.Tudo traz alguma coisa
Depende de nós, saber o que fazer com ela.

Feliz ano novo e acima de tudo, apreveitem bem e muito a vida.
Estamos aqui para isso.

criado por picida_ribeiro    22:21 — Arquivado em: Sem categoria
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