DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

2/2/08

HISTORIAS DE CARNAVAL PARTE 1

As histórias de carnaval, a seguir já foram contadas, mas achei que "vale a pena ver de novo"….

Lógico, que quem tem cinqüenta anos tem muitos carnavais para contar.
Quando criança, as primeiras lembranças carnavalescas são das matinês do clube de Tabatinga, e o carnaval apesar de ser apenas em clube, era uma festa democrática,a entrada na matine, era liberada para todos.
A grande preparação era providenciar tecido e costureira para fazer um shortinho combinando com a blusinha, ás vezes um colar de havaiana, umas garrafinhas que espirravam água, ou liquido vermelho, que a molecada chamava de “sangue do diabo”, e era o terror das mães: manchavam roupas.
Opa! Ainda havia lança perfume.
Mas nunca pude comprar um, era caro para meus padrões, mas adorava o cheirinho bom no ar.
A banda local, tocava aquelas marchinhas “Hei, você aí, me dá um dinheiro aí”.
“Ô jardineira, porque estás tão triste, mas o que foi que aconteceu”?
“Se a canoa não virar, olé, olé, olá, eu chego lá”.
“Olha a cabeleira do Zezé, será que ele? Será que ele e´?”
Confete e serpentina eram obrigatórios. E mascaras; De palhaço, monstros, colombinas.
O momento de maior impacto era a chegada do Rei Momo.
As crianças ficavam ao redor, ele fazia um pequeno discurso e já ia para outra cidade.
E haviam as famílias mais abastadas que faziam fantasias para as crianças.
Ainda não existiam prontas para vender. Índias, colombinas, bailarinas, baianas.
Brilhos e paetês.
Eu adorava ver e curtir isso tudo.
Quando digo que era fácil ser pobre em Tabatinga, é porque não tinha como haver discriminação social: o clube era um só, a escola era uma só para todos, a loja de tecidos, o que diferenciava era a criatividade e alegria de cada um, e isso dinheiro não compra…
De cada fase, tenho uma foto que marca bem a época. Das matines de Tabatinga, tenho a foto em preto e branco eu de mãozinhas dadas com minha irmã Liliana, com os já falados conjuntos de shorts, confetes pelos cabelos.
Numa cidadezinha onde nada de novo acontece, a oportunidade de uma festa desse tamanho, era um momento único, era muito esperado, e eu e minha irmã não nos fazíamos de rogadas, cantávamos e dançávamos muito. Pura diversão. Diversão pura.

criado por picida_ribeiro    20:44 — Arquivado em: Sem categoria

HISTORIAS DE CARNAVAL PARTE II

Depois dos 15 anos, morando em Ibitinga, já podia ia aos bailes á noite, devidamente escoltada pelo Neto, meu irmão.
Primeiro problema á resolver: dinheiro para o ingresso, éramos três, não era barato, e a grana em casa era curta.
Lança perfumes suspensos, as mesmas marchinhas continuavam, e chegaram”Quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão.”.
As músicas do Silvio Santos: ”DR eu não me engano, meu coração é corintiano.”.
“Me dá um gelinho aí, eu vou á cem por hora, se não parar o calor, eu jogo a roupa fora”.
Adoniran Barbosa : “Vila Esperança, foi lá que eu passei o meu primeiro carnaval. Vila Esperança, foi lá que conheci Maria Rosa, meu primeiro amor.." Caetano Veloso, chegando, e tornando os trios elétricos populares com “Não se esqueça de mim, não se perca de mim, não desapareça, a chuva está caindo e quando a chuva começa, eu acabo perdendo a cabeça”
“Atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu quem já botou pra quebrar, aprendeu, que é do outro lado do lado, lado de lá”.
“A Praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião. O frevo novo, o frevo, o frevo novo, todo mundo na praça, querendo brincar no salão”. Já pintava climinha de paqueras, dançávamos com as amigas esperando o “galã” da vez nos chamar para dançar.
No carnaval, já tinha direito a maquilagem, batom, shorts, frente única. Com as amigas criávamos bloco de carnaval,aliás, o que adolescente mais gosta é de fazer tudo em bloco,não é mesmo? Pois é, fazíamos a fantasia onde imperava a originalidade, e criatividade para não ficar muito caro. A que fez mais sucesso foi a de Pedrita . Túnica amarela de cetim,as pinceladas tinta preta imitando a estampa de onça, ossinho na chuquinha do cabelo, Certa vez, nos fantasiamos de David Bowie, naquela famosa capa do disco,onde ele aparecia com uns raios coloridos pintados no rosto. Certa vez, eu minha amiga Lilá, minha irmã Liliana, estávamos cheia de expectativas, encontros marcados com paqueras, para noite de segunda feira, roupas especiais. No domingo, brincamos carnaval a noite toda até as 4 h da manhã, como queríamos ficar lindíssimas bronzeadas, por volta às 8hs fomos até chácara de uns amigos, que tinha piscina, o que era raro na época, fomos á pe, caminhando, e garanto que ela era bem longe da cidade. Uma caminhada e tanto. Mas nos bronzeamos e ficamos por lá até 13 hs, voltamos de carona, almoçamos, preparamos a roupa que iríamos usar nesse dia, e por volta das 17hs nos deitamos, as três, no meu quarto, recomendando mil vezes para minha mãe nos acordar ás 22hs para nos prepararmos para grande noite.
O SR Juvenal, pai da Lilá, por volta das 22hs, foi até minha casa, procurando pela filha, minha mãe disse que estávamos dormindo e que já iria nos acordar. Seu pai,disse: “elas estão cansadas, passearam o dia inteiro, já foram no baile ontem, deixe que durmam. Minha mãe CONCORDOU.
No outro dia de manhã, acordamos assustadas, com a sensação de estarmos atrasadas. Minha mãe disse calmamente: O dia já amanheceu nada de baile. o baile já foi. Socorro, a nossa tristeza, nossa decepção foram indescritíveis.
Engraçado, nessa idade, 16/17 anos, os valores são tão distorcidos, naquele momento, aquilo era o que tínhamos de mais importante para fazer, era o que de mais importante podia nos acontecer. Sem contar,que nos anos 70, era muito comum em feriados prolongados virem “mocinhos” de SP para o interior.
Hoje isso não acontece mais. O cara da cidade grande,acha um tédio passear por cidades pequenas.A nossa caipirice, ingenuidade, tinha até certo charme, muitas amigas acabaram namorando e até se casando com esses amores de carnaval.
Eu fiz alguns amigos assim, mas nunca tive namoros de carnaval.
Dessa época, os momentos mais marcantes, além dos blocos de fantasia, foram a paquera que comecei com o Guta, que foi meu amor platônico de toda uma vida, de doces lembranças, e a foto marcante que ficou foi a que estou dançando animadíssima, abraçada com meu amigo Beto, lindo, que depois viria ser conhecido pelo menos em todo estado de SP, como Carlos tramontana, repórter ainda hoje do Globo, hoje apresentando o SPTV 2º edição. Ele continua meu amigo e continua lindo. Era um folião animado.
Acho que curtir carnaval foi uma coisa típica da idade, ou foi algo característico daquela época. Só sei que isso foi passando,o encanto acabando, a vida mudando, as prioridades se reescalonando e tudo passou para outro enquadramento.

criado por picida_ribeiro    20:43 — Arquivado em: Sem categoria

HISTORIAS DE CARNAVAL III

À partir dos 18 anos, já morando em SP, estudando e trabalhando, já pude comprar fantasia de carnaval com todos os brilhos e paetês que eu tinha direito. Mais um bloco, dessa vez fantasia de colombina, e a foto em preto e branco, na porta de entrada do clube.
Mais um ano, prioridades se reescalonando e a idéia de passar carnaval em Ibitinga, foi passando. Fui algumas vezes com minha irmã passar carnaval em Santos: de dia praia, á noite Caiçara Clube, na época era o máximo
Aí foi perdendo a graça. Minha irmã viajava com amigas para praia, ás vezes Santos, as vezes Ubatuba, por algum tempo ela ainda continuou gostando de ir aos clubes.
Eu não. Comecei a descobrir a delícia de ficar com a cidade de SP vazia, só para mim.
No carnaval, SP inteira ia para praia.
Ruas livres de transito, cinema vazios, restaurantes sem fila de espera, uma delicia.
Nunca mais vi graça em cantar ou brincar carnaval.
Aí surgiram as transmissões das escolas de samba pela TV.
À principio, fiquei impactada pelas imagens, mulheres nuas e lindas, sambas enredos muito bons; Paulinho da Viola, Martinho da Vila, e o show de criatividade e inovação de Joãozinho Trinta.
As pioneiras famosas lindas, que apareceram nuas que eu me lembro foram Monique Evans e Luma de Oliveira.
O impacto da imagem foi tão grande que elas foram capa da revista Veja .Os comentaristas dos desfiles eram Leci Brandão, Martinho da Vila, Alcione, gente da comunidade como eles dizem.
Tinha mais verdade.
Depois tudo foi ficando banal, comum, as mulheres nuas continuam lindas, mas nem são sambista, são marqueteiras.
Os sambas são tão iguais, que já nem sei quando acaba um, quando começa outro, e no carnaval seguinte a gente já nem lembra do refrão.
O visual também é o mesmo, sem originalidade alguma.
Agora até implico com carnaval.
Porque nesses 4 dias tem que se ficar alegre, dançar, porque tem que ter propaganda de mais camisinha? Porque o país tem de parar e tudo ficar para “depois do carnaval”
Sei lá, implico, acho tudo chato.
Só gosto do sossego, não trabalhar, horário para nada, tomar um solzinho, por leitura em ordem, ficar por aí lagarteando.
De resto, credo, carnaval é muito chato.
Quando vejo pela TV o carnaval da Bahia, aquela multidão pulando feito pipoca, me pego tentando entender aquele multidão, aquela mobilização, para mim tão sem sentido.
E sectária. O tal do abada custa caro, e um cordão separa os que não podem pagar.
Eles tem dia e hora para poder brincar, usufruir da “generosidade” do espaço e tempo que lhes são permitidos.
A praça Castro Alves é do povo?
Mas histórias acontecem em dias de carnaval.
Depois conto como aproveitei os dias de folga.

criado por picida_ribeiro    20:41 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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