DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

2/2/08

HISTORIAS DE CARNAVAL III

À partir dos 18 anos, já morando em SP, estudando e trabalhando, já pude comprar fantasia de carnaval com todos os brilhos e paetês que eu tinha direito. Mais um bloco, dessa vez fantasia de colombina, e a foto em preto e branco, na porta de entrada do clube.
Mais um ano, prioridades se reescalonando e a idéia de passar carnaval em Ibitinga, foi passando. Fui algumas vezes com minha irmã passar carnaval em Santos: de dia praia, á noite Caiçara Clube, na época era o máximo
Aí foi perdendo a graça. Minha irmã viajava com amigas para praia, ás vezes Santos, as vezes Ubatuba, por algum tempo ela ainda continuou gostando de ir aos clubes.
Eu não. Comecei a descobrir a delícia de ficar com a cidade de SP vazia, só para mim.
No carnaval, SP inteira ia para praia.
Ruas livres de transito, cinema vazios, restaurantes sem fila de espera, uma delicia.
Nunca mais vi graça em cantar ou brincar carnaval.
Aí surgiram as transmissões das escolas de samba pela TV.
À principio, fiquei impactada pelas imagens, mulheres nuas e lindas, sambas enredos muito bons; Paulinho da Viola, Martinho da Vila, e o show de criatividade e inovação de Joãozinho Trinta.
As pioneiras famosas lindas, que apareceram nuas que eu me lembro foram Monique Evans e Luma de Oliveira.
O impacto da imagem foi tão grande que elas foram capa da revista Veja .Os comentaristas dos desfiles eram Leci Brandão, Martinho da Vila, Alcione, gente da comunidade como eles dizem.
Tinha mais verdade.
Depois tudo foi ficando banal, comum, as mulheres nuas continuam lindas, mas nem são sambista, são marqueteiras.
Os sambas são tão iguais, que já nem sei quando acaba um, quando começa outro, e no carnaval seguinte a gente já nem lembra do refrão.
O visual também é o mesmo, sem originalidade alguma.
Agora até implico com carnaval.
Porque nesses 4 dias tem que se ficar alegre, dançar, porque tem que ter propaganda de mais camisinha? Porque o país tem de parar e tudo ficar para “depois do carnaval”
Sei lá, implico, acho tudo chato.
Só gosto do sossego, não trabalhar, horário para nada, tomar um solzinho, por leitura em ordem, ficar por aí lagarteando.
De resto, credo, carnaval é muito chato.
Quando vejo pela TV o carnaval da Bahia, aquela multidão pulando feito pipoca, me pego tentando entender aquele multidão, aquela mobilização, para mim tão sem sentido.
E sectária. O tal do abada custa caro, e um cordão separa os que não podem pagar.
Eles tem dia e hora para poder brincar, usufruir da “generosidade” do espaço e tempo que lhes são permitidos.
A praça Castro Alves é do povo?
Mas histórias acontecem em dias de carnaval.
Depois conto como aproveitei os dias de folga.

criado por picida_ribeiro    20:41 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Concordo plenamente! O carnaval da Bahia, sempre tão popular tornou-se sectário (como em vários outros lugares). Esse negócio de abadá e cordão de isolamento é discriminatório e não tem nada a ver com o espírito carnavalesco.
    Eu acho que carnaval se tornou mesmo uma fogueira de vaidades.
    Beijos.

    Comentário por lucy in the sky — 4 04UTC fevereiro 04UTC 2008 @ 11:45

  2. Posso dizer que vivi e senti tudo o que voce descreveu. Eu amava os bailes de carnaval até que descobri na adolescência que tinha alguma coisa errada naquilo tudo. Senti que não pertencia a tudo o que passava à minha volta. Também me pergunto o que se passa na cabeça daquele monte de gente espremida nos blocos da Bahia… Enfim… Eu também gosto dos 5 dias do feriado para aproveitar a cidade vazia, e curtir cada minuto!
    Engraçado você citar o Carlos Tramontina! Ele é primo de uma amiga minha, e só descobri isso quando estava na festa de casamento dela!
    Bjs! Curta muuuito o seu carnaval!

    Comentário por Selma — 5 05UTC fevereiro 05UTC 2008 @ 7:07

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