DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

22/4/08

Quando o mar me foi apresentado

Conheci Pedro Bocca no início dos anos 70, quando comecei a estudar com uma de suas filhas: a Beatriz.
E através da Bia, conheci sua família, conheci toda a família.
Um homem que acreditava e praticava que SER era muito maior que TER.
Ele tinha a autoridade de pai e era amigo das filhas.
Nos anos 70, suas filhas tinham no pai, um amigo para falar de estudos, escolas, projetos, sonhos, amores e namorados.
Ele era um pai, que nos anos 70 falava com as filhas sobre tudo, sobre a vida.
Com as amigas das filhas também.
Sempre gostou de ler, falava pouco e falava bem. Um homem culto e intelectual, dono de humor sutil próprio das pessoas inteligentes.
Um bom pai, também bom marido.
Quando convivi com a família, observava enternecida sua dedicação à esposa.
Seus passeios de carro, num vistoso Opala marrom, no início da noite.
Quando Ibitinga ainda não tinha tido a expansão da indústria de bordados, ele tinha o maior escritório de contabilidade da cidade.
Por lá passaram e fizeram carreira Ibitinguenses de destaque, como Sebastião, o Tiãozinho, que depois virou professor no curso de contabilidade na escola de Comércio, Dirceu Fiorentino, que foi seu funcionário, formou-se professor de contabilidade e advogado.
Assim como eles, uma geração de contadores passou por lá.
Recentemente, conversando com uma funcionária sua, a Léia, ela falava de como gostava de trabalhar e conviver com ele.

Nos anos 70, passar férias na praia era um acontecimento e tanto.
Oportunidade rara!
E foi com ele e sua família que fui à praia pela primeira vez.
Nunca esqueci a alegria da viagem, o tratamento exatamente igual ao das suas filhas que ele me dispensava, mil fotos, mil risos e para mim, o até então, inédito churrasco numa paradisíaca praia deserta.
E dessa viagem, fez parte meu amigo Jose Roberto Zani e seus pais.
São histórias que foram vistas sob um olhar adolescente nos anos 70.

Histórias daqui, de nossa gente, nossa cidade.
Nunca esqueci as conversas, as lições, sua ética, seus conhecimentos.
Nunca esqueci um homem bom que mudou minha visão da vida, e apresentou-me a visão do mar.

* Texto publicado na Revista Multivisão mes 04/08

criado por picida_ribeiro    12:42 — Arquivado em: Sem categoria

20/4/08

Roberto Carlos, Tia Vera e eu

Desde 2006 quando criei meu blog, á cada aniversário do Roberto Carlos, escrevo sobre ele.
Se não tanto por sua questionável qualidade musical, tanto pela importancia que suas musicas tiveram em minha vida.
Foi minha trilha sonora. Cresci ouvindo e cantando suas músicas.
Meu gosto musical sempre foi muito eclético.
Bossa Nova passou muito de leve, não deixou marcas.
Ouço bossa nova,mas não com aquela paixão dos puristas, ás vezes acho João Gilberto até meio enjoadinho.
Comecei a curtir música através da Jovem Guarda, que a intelectualidade abominava, mas eu nem sabia disso. Tinha 10 anos e gostava.
Lógo em seguida, conheci MPB através de festivais de canção, e adorei para todo o sempre.
Os dinossauros desse movimento. Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Mutantes.
Que são meus idolos até agora. Acrescentei Milton Nascimento, Djavan, João Bosco, Ivan Lins,Tim Maia. Mas para mim, Roberto reinava absoluto.
E quem me "apresentou" Roberto Carlos, foi minha Tia Vera, quatro anos mais velha que eu, e uma pessoa que eu sempre admirei.
Ela gostava de Roberto, e para mim, tão criança ainda ,se ela gostava, devia ser bom…
E foi através dela, que Roberto ganhou cara. Até então, ele era a voz do
"calhambeque". Aí Tia Vera ganhou o disco "ROBERTO CARLOS CANTA PARA JUVENTUDE", onde ele aparecia com uma malha azul, o rosto apoiado nos braços cruzados e olhar triste e perdido no nada…
E com a Tia Vera trocava ideias e opiniões sobre cada disco lançado, que á cada natal ela ganhava de presente.
Com a Tia Vera, encapava livros e cadernos, forrava parede do quarto com foto e posters seus. Troca de idéias sobre os shows de final de anos na Globo. Sempre tivemos o discernimento para, embora fãs não gostarmos de tudo, mas como fãs, perdoarmos tudo.
Vi seu casamentos, filhos, separação, vi musicas toscas e as com muita qualidade. Mas a voz, olhar sempre marcantes. Ùnicos. Um sonho para mim.
Nesse ano, em que há poucos meses,Tia Vera faleceu, a relação da minha vida e Roberto Carlos, veio através da memória dela, e da saudades que sinto, da falta que ela me faz.
Ela era uma referencia.
Agora, quando vejo e ouço Roberto é que percebo de verdade que ela não está aqui comigo.
Quanto ao Roberto esquisito de hoje, dou de ombros.
Não me importo muito com o Roberto de agora. Me interessa o Roberto de sempre.

criado por picida_ribeiro    13:20 — Arquivado em: Sem categoria

14/4/08

Outra vez

Que eu amo meu marido todo mundo sabe. Que eu amo a vida de casada também.
Que eu amo a idéia de estar casada com ele há 25 anos não é segredo para ninguém.
Nem quero que seja. Quero que todos saibam que há sim, vida feliz após o casamento.
Quero que as pessoas saibam que de verdade, duas pessoas podem gostar muito de estar juntas, curtir a tranqüilidade de uma rotina criada com o passar do tempo.
Duas pessoas podem continuar a querer-se, ao envelhecer juntas. Que pode haver, e com certeza há, emoção, carinho e amizade que o tempo a rotina não destroem, até fortalecem.
Uma história de amor grande e verdadeiro se constrói assim.
Minha vida com o Décio sempre foi assim. Sempre fomos amigos, companheiros, parceiros. Sócios na vida, desses que dividem dores e alegrias, grana e dívidas, sonhos e desilusões.
Desde que conheci o Décio nunca mais atravessei histórias importantes sozinha. Ele esteve ao meu lado sempre, e eu retribuí com a mesma intensidade. Claro que nem tudo sempre foram flores. Tivemos nossas brigas, algumas até grandes brigas, mas nem posso chamar de CRISE. Nunca tivemos uma crise de ficar dias sem falar, temporadas de mágoas.
Sempre falamos tudo, discutíamos tudo.
O Décio sempre foi bom ouvinte, sempre foi bem humorado, e isso sempre tornava tudo mais fácil.
Um homem sensível, e de boa pegada. Que mais uma mulher poderia querer ??rsrs
Costumo brincar com ele, dizendo que ele só tem um defeito: é pobre, mas em seguida digo, que um homem assim, com dinheiro, seria até desaforo rsrs
Mas últimamente tenho sentido o Decio tão distante…
Tenho atribuído ao computador, de última geração que agora ele tem, e ele adooora, atribuo aos meus quilos extras, á sua idade, quase 60 anos, atribuo á tudo e á nada.
Não sei mesmo. De nada.
Só sei que o homem alegre e risonho que conviví por todo esse tempo, agora é chato e resmungão, não gosta mais de muita gente, não me convida para sair.
Se quero falar á respeito, ele já logo discorda, diz que estou imaginando coisas. Em outros tempos ele até analisaria se alguma coisa estava mesmo acontecendo, falaríamos sobre isso.
Lembrei me de ter visto muitas mulheres sessentonas reclamando do humor dos maridos. Já ouvi dizer que as mulheres se mantem “vivas” por mais tempo que os homens. Será?
Será que terei um marido quase 10 anos mais velho que eu, resmungão?
Se for assim, o que farei com ele?
Só sei o que farei comigo: sempre vou viver tudo de bom que a vida puder me oferecer. Nessa vida vim a trabalho e á passeio. Tudo.
Pensei até em fazermos terapia. Sei lá, só não posso deixar essa coisa rara que sempre tivemos a sorte de encontrar, se perder agora, quando poderíamos ainda colher tudo que plantamos.
Costumo acordar e dar lhe bom dia com beijos, gosto de beija-lo á toda hora, qualquer lugar, gosto de namorar com ele.
Ontem fiz um teste: não dei beijos, tampouco pedi: não ganhei nenhum..
Não puxei conversa. Passamos horas em silencio, eu vendo TV, ele no computador
Nós conversávamos por horas, sobre todos e tudo.
Nos emocionávamos, nos divertíamos.
Não aceito a idéia que isso se perca.
Quero o Décio e tudo que ele me dava de volta, quero tudo de novo.
Quero ser para ele, a companheira, amiga, amante, de sempre. E melhor.
Quero sentir nossos sentimentos evoluindo, renovando, como tem sido até agora.
Uma história de amor antiga, com sentimentos de verdade.
Posso estar exagerando, afinal meu “padrão de qualidade” acabou por final muito alto, vai ver que depois de quase trinta anos juntos, fica assim mesmo. Ah, mas assim não gosto, assim não quero.
Quero “friozinho na barriga” quando ele chegar. Arrepios na nuca quando ele cochichar nos meus ouvidos.
Quero risadas juntos. Quero resgatar nossos sonhos e planos.
Quero acordar ao seu lado sempre e feliz por isso.
Quero cantarolar para ele” amor da minha vida, daqui até a eternidade, nosso destino estava traçado na maternidade’
Quero continuar á me deitar ao seu lado, abraça-lo e dizer, como sempre faço” essa é a melhor hora do meu dia”.
Olhar nos seus olhos, e dizer com verdade: esse é o homem da minha vida, e que bom que ele está aqui comigo .

criado por picida_ribeiro    21:58 — Arquivado em: Sem categoria

8/4/08

ÚTIL E AGRADÁVEL

Com o passar do tempo, vamos ficando mais racionais, buscando cada vez mais equilíbrio.
E ficamos até orgulhosos por isso.È uma grande conquista que o tempo nos dá. Ah! Mas e as loucuras? Os desatinos?
Ou ao menos, as aventuras?
È bom que elas diminuam, mas acho imprescindível que não  desapareçam.
Elas farão parte das relíquias, do tesouro que serão essas lembranças amanhã. Farão parte das histórias que iremos contar.
Tive uma aventura nesse final de semana. Calma, nada tão doido assim…

Vou contar.
Minha irmã, a Liliana, que tem uma loja de roupas, programou sua aventura: Foi de carro para Sp cm seus dois filhos, fazer compras para sua loja. Porque apenas isso foi uma aventura?
Porque durante os quase vinte anos em que esteve casada, nunca mais tinha dirigido  em estradas.
Foi tudo bem, e percebi que ela estava feliz e orgulhosa com sua realização, acho que ela pensava: “pronto, mais uma coisa que posso fazer sem ele”
Então surgiu a idéia do Décio e eu irmos para Sp de ônibus passar o sábado lá e voltarno carro com a Lile.
A parte útil: O Décio voltaria dirigindo á noite, e durante o dia, poderia falar com o Rodrigo, seu filho em plena crise existencial, sem saber se muda para o apto que sua mãe alugou, ou se volta para Argentina pra começar a vida abaixo do zero (não a temperatura), a vida mesmo.
Saímos de ônibus á meia noite, chegamos 6 hs da manhã.
Fomos de metrô para o Bom Retiro, tomamos café na padaria San Remo, paixão do Décio, nos encontra com a Liliana e as crianças.
Enquanto a Lile eu ficamos no Bom Retiro, fazendo compras, o Décio foi com Daniel e Gabriel até a R Santa Efigenia, comprar CDs virgens, na realidade, o Décio quis  leva-los até lá para que eles conhecessem o pedaço. Aventura.
Encontramo-nos com o Rodrigo, almoçamos numa churrascaria na Av. Angélica.
Depois, fomos para o Shopping Morumbi.
As crianças encantadas com tudo, a Lile e eu vendo vitrines, idéias para loja, observando tendências, o Décio falando com o Rodrigo.
Docinhos na Ofner que ninguém é de ferro.
Levamos o Rodrigo para casa, saímos de SP ás 19 hs, chegamos em Ibitinga quase 1 horada manhã.
Chegamos cansados  felizes. Foi meio doido, mas foi bom.
Para a Liliana foi bom, porque foi econômico e prático, viajar de ônibus com sacolas de compras, é difícil e acaba  ficando quase mesmo preço e com mais pessoas, fica  mais barato mesmo, ir de carro.
Para o Décio foi bom, porque pode falar com o Rodrigo e curtir SP um pouco.
Para mim, foi bom porque adorei estar no Bom Retiro. Aquele amontoado de lojas, de pessoas, parece meu habit natural. Trabalhei no bairro por quase trinta anos.
Observei as mudanças, relembrei lugares, fatos e gente.
Fui. Vi. Voltei. Pura Aventura.

criado por picida_ribeiro    21:46 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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