DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

18/5/08

Ao Mestre com Carinho

Os professores que temos, faz toda diferença para o resto de nossas vidas.
Eu tive sorte. Tive oportunidade de estudar numa época em que as melhores escolas eram do Estado.
A carreira de professor era valorizada, e eles educavam de verdade.
Não era apenas ensinar a matéria, era ensinar comportamento. EDUCAR.
E na sorte e privilégio que tive de ter grandes mestres, destaco o Prof. Dirceu Sgarbi.
O Sr Dirceu lecionava História e Geografia em Tabatinga, e a visão que tenho dele como homem e professor, talvez nem seus filhos saibam, pois eram ainda muito jovens. Sr Dirceu é o pai da Maria Lia M. Sgarbi Secanho e do Dr Jerônimo Sgarbi, residentes nesta cidade, e também Dr João Paulo residente em Itápolis.
Acredito que é quase impossível alguém ser bom profissional, sem antes de tudo e acima de tudo, ser um bom ser humano.
O Prof Dirceu encarava com seriedade e competência a missão, o compromisso de lecionar.
Ele conseguia ser querido e respeitado por seus alunos, sem precisar tornar-se igual a eles.
Mantinha sua postura, elegância na maneira de ser, no espírito.
Nunca soube que, em qualquer ocasião, houvesse alterado a voz com um aluno sequer, não tenho registro de nenhuma expulsão, nenhuma grande advertência.
Nunca foi preciso. Ele se fazia respeitar sendo como era, apenas isso.
Nunca fez terrorismo com alunos, não me lembro de provas surpresas, era um professor tranqüilo e seguro.
Os alunos percebiam que ele sabia o que estava falando, o que estava ensinando.

Se nos rapazes ele provocava admiração, nas garotas, com todo respeito, arrancava suspiros. Além de tudo, era um galã.
No auge do filme “Dr Jivago” ele era nosso Omar Shariff.
No competente quadro de professores de Tabatinga, o Sr Dirceu era um ícone, admirado inclusive pelos colegas.
Eu ainda estudava lá, quando ele passou a ser o Diretor do Colégio Prof Abdalla Miguel.
Eu nem imaginava como um professor tornava-se diretor; na ocasião pareceu-me natural que fosse ele, acho que imaginei que tivesse sido uma eleição direta.
A mesma lisura com que lecionava, pautou toda sua vida pessoal.
Uma das lembranças mais forte que tenho dele, é do dia que fui com minha mãe pedir transferência para Ibitinga, onde iríamos morar.
Vendo minha tristeza por deixar aquela escola e os amigos que tinha lá, ele disse que seu quisesse continuar a estudar em Tabatinga, ele pagaria minhas passagens diárias.
O plano não deu certo. Meus pais não deixaram, mas a oferta me sensibilizou para sempre.
Ele ficou na minha memória como um homem que dá aos que o cercam tudo aquilo que se espera dele, um grande exemplo a ser seguido.
Um homem a quem tenho muito a agradecer, por ter de alguma forma ajudado na minha formação, e fazer de mim uma pessoa melhor.

• Estendo todas estas palavras ao Professor Oswaldo Pagni Gelli que, assim como o Prof. Dirceu Sgarbi, ensinou a minha geração como se faz a História.

Texto publicado Revista Multivisão  MAIO/2.008

criado por picida_ribeiro    17:55 — Arquivado em: Sem categoria

13/5/08

Maria a “APARECIDA”

Observando as pessoas tímidas, as extrovertidas, analisando, não tenho a menor dificuldade em dizer em qual grupo me enquadro.
No pessoal extrovertido.
Juro que ás vezes tenho que me esforçar para entender os tímidos, pessoas que chegam a sofrer quando têm que falar em público, quando se sentem observados.
Falar em publico para mim sempre foi muito natural.
Desde minha primeira infância, ainda no primeiro grau, eu era aquela que não se encabulava cada vez que o professor convocava para ler, cantar, recitar, na frente dos outros alunos, pelo contrário, até gostava.
Nas datas comemorativas, era comum os professores escolherem dois ou três alunos de cada classe para recitar, e então, para cada escolhido era dado uma poesia para ser declamada.
Não sei qual era o critério da escolha: se eram os melhores alunos, os mais bonitinhos, os mais comportados, ou simplesmente, uma vez de cada vez, só sei que eu queria participar sempre.
Quando percebi que isso nem sempre seria possível, perguntei á professora, se eu poderia fazer minhas poesias. Sem problemas. Pronto.
Então, 7 de setembro lá ia eu; “Agora vou recitar para vocês, a poesia Independência do Brasil, de minha autoria”.
E assim, seguia Dia do Trabalho, Dia das Mães, dos Pais, e o que mais houvesse.
Começaram á gostar, e lá estava eu, em meus momentos de “fama”.
No segundo grau, eu era sempre escolhida pelo grupo para apresentar os trabalhos, às vezes ficava só com essa tarefa, enquanto uns se apavoravam com a idéia, eu fazia isso com a maior tranqüilidade. Normal.
Organizava circos, vendia ingressos, e claro, participava.
Não gostava de participar dos desfiles, ou paradas escolares com uniforme escolar.
Sempre participava, em algum carro alegórico, e conseguir as roupas para isso era outra história.
Nunca havia dinheiro disponível para essas coisas, eu criava, improvisava, dava um jeito, dava certo.
Números musicais, então…
Danças em gincanas, dublê de Ney Matogrosso, Carmem Miranda, e o que mais aparecesse.
Festa junina, teatros, lá estava eu…
Quando, aos 18anos fui para SP. Ibitinga se destacava como Capital Nacional do Bordado,
A prefeitura da cidade fez divulgação nos principais programas de auditório da época, e então precisaram de alguém que desse entrevistas, como eu estava em SP, e era cara de pau suficiente, lá fui eu em “Almoço com as Estrelas”, “Clube dos artistas”, falar da minha cidade.
Rede nacional, horário nobre, eu, caipira do interior, e ali tranquilíssima…
E assim tem sido por toda minha história.
No trabalho, na área de moda, lá ia eu apresentar desfiles de moda, nos programas femininos.
Todas as Tvs. SBT, Globo, Band. Record, Gazeta, até Tv Manchete. Lá estava eu.
Serena.
Como gerente de vendas, sempre na mesma área, falar com gerentes de grandes redes como C&A, lojas sofisticadas de shoppings, ou lojas simples de bairro, lá estava eu.
Apresentando-me, apresentando os produtos, na maioria das vezes, ficando amiga dos clientes.
Quando escrevi para um jornalzinho daqui de Ibitinga, já morando em SP. Achava natural entrevistar celebridades da época, mesmo sendo uma ilustre desconhecida, de jornal ou revista idem.
E assim, entrevistei jogadores de futebol famosos da época, atores, cantores, e quem mais interessasse.
As celebridades também eram mais acessíveis, não era apenas minha cara de pau, eles eram menos “estrelas”.
Ter  esse jeito extrovertido, acho que mais ajudou que atrapalhou.
Conheci pessoas e lugares interessantes, ajudou-me no trabalho, na carreira.
Mas sempre procurei não ser inconveniente, saber a hora de me colocar em cada lugar.
Não sei se sempre acertei, mas sempre estive atenta para isso.
Nem todo mundo sabe, mas Picida é apelido, meu nome é Maria APARECIDA.
Muito APARECIDA.

criado por picida_ribeiro    23:25 — Arquivado em: Sem categoria

4/5/08

Feliz Aniversario

                                             Feliz  Aniversário

Dia 02/05-sexta feira fiz 52 anos, o Décio fez 59.
Por um desses desígnios da vida, na base do “feitos um para o outro” fazemos aniversário no MESMO dia.
Sempre gostei de aniversários, dos outros e meus.
Sempre curti as festas de aniversários que fui connvidada, a vida toda. As sofisticadas, as simples, as íntimas, as de multidões.
De parentes, amigos íntimos, conhecidos.
Não me conte que é seu aniversário, que eu transformo em festa. Adoro!
E quando descobri que o Décio aniversariava comigo, pronto! Pensei: esse é o cara!!!
Claro que não foi só isso, estou brincando, mas que olhei pra ele com outro olhar quando soube disso, confesso que é verdade.
E aniversariar no dia 02 de maio, é bom, por dia 1 ser feriado, que as vezes dá até para emendar.
Neste aniversário, a comemoração começou cedo. No dia 30 abril, quarta feira, ganhei uma festinha surpresa no escritório, depois do expediente. E foi surpresa mesmo, não percebi nada, mas teve salgadinho, refrigerante e bolo. Mais tarde, fui com minha família comer pizza.
No feriado, fomos jantar com o pessoal do escritório, num restaurante simples e com boa comida, foi legal, também, ganhei mil presentes, o Décio também.
Ganhamos um presentão de Neto, meu irmão:
Uma viagem para Ribeirão Preto, a maior e melhor cidade da região, com direito a estadia no melhor hotel da cidade.
Fomos na sexta feira. Viajamos com chuva, ouvindo Marvin Gaye.
À noite, jantamos no próprio hotel, com tudo que tínhamos direito: entrada, massa, petit gateau de sobremesa, Kir Royal, com música de piano.
E o Décio que andava ausente foi voltando.
Como diria Tim Maia: “Até que enfim, encontrei você, até que enfim…”
Beijos, declarações de amor mútuas. Tudo de bom.
No sábado, dia 3 acordamos tarde, mas á tempo de tomar o café da manhã no hotel, que é a refeição que o Décio mais gosta, e convenhamos, café da manhã em hotel, é mesmo imperdível.
Passamos a tarde no shopping, vendo vitrines, atualizando conversas.
À noite, fomos comer uma salada.
Hoje, quando acordei, comentei com o Décio, que não entendo porque casais com grana se separam, que parecia fácil contornar problemas, quando dinheiro não era um deles.
Como assim?
Oras, numa cama King size daquelas, lençóis como aqueles, condicionador de ar, perfumes, cafés da manhã, viagens, jantares…
O Décio: “Ô Picida, você está falando tanta bobagem, mas vou dar um desconto, porque seus neurônios ainda não acordaram…”
Saímos do hotel, por volta do meio dia, fomos passear na Leroy Merlim.
Sim. O Décio considera ir á Leroy Merlim, um grande passeio, e não é que eu aprendi a gostar ?
Passeamos pela Tok Stok, lanchamos no Mac Donald, café na Kopenhagem.
Voltamos ouvindo o CD da Clara Nunes que comprei por 10,00 reais na Lojas Americanas.
Nunca fui de ouvir samba, tinha até esquecido como a Clara Nunes era boa, como seu repertório de samba de raiz era bom.
Nas águas que Maria Rita, começa á navegar ela já dominava há tempos…
Samba de verdade, de grandes compositores, cantados com ritmo e voz de travesseiro.
“Morena de Angola, que leva o chocalho amarrado na canela” do Chico Buarque, que rimas são aquelas?
No CD tem música de Paulinho da Viola, João Bosco e Aldir Blanc, Nelson do Cavaquinho, Cartola, Ivone Lara, Ataúlfo Alves, seu marido, o poeta Paulo César Pinheiro, muita coisa boa.
Resgatei algumas lembranças, e vou aproveitar e apresentar ao meu sobrinho Gabriel, de 10 anos que está aprendendo á tocar cavaquinho. Interessante.
Amanhã, segundona, acho que a comemoração vai continuar com os telefonemas dos amigos que não nos encontraram em casa. Assim espero.
Fica a ausência sentida dos cumprimentos da Tia Vera. Há um ano atrás, no meu aniversário foi a última vez que conversamos, depois só mais um e mail.
Duas semanas depois, ela entraria em coma, para nunca mais. Saudades. Saudades.
Fica também o registro da gratidão ao Neto, por tudo que me dá e proporciona.
Fica o registro de uma idade que nem sinto que tenho.
Fica a sensação de felicidade, de feliz aniversário.
 

criado por picida_ribeiro    23:35 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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