DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

28/9/08

A MINHA PRIMEIRA VEZ

No blog da Tatiana Rezende fala do publicitário Washington Olivetto, e da campanha histórica do primeiro sutiã, que “a gente nunca esquece”.
Olivetto acaba de lançar um livro sobre a primeira vez que nunca foi esquecida de muita gente.
No blog, Meridiano Sangrento também é narrado uma “quase primeira vez”.
Recomendo as duas leituras. Os dois estão entre meus favoritos, é só acessar.
E inspirada no que li, resolvi escrever sobre várias primeiras vezes da minha vida.
Aquele instante primeiro que ficou na lembrança para sempre.
Lógico que existem outros, existem muitos, mas esses que cito agora são inesquecíveis, eternos.
Fique á vontade para acrescentar os seus.

Começo com a fase de transição menina /mulher e o momento marcante do primeiro sutiã,
Eu era muito magra, mas desde os tenros 10 aninhos, os seios já davam sinais.
Como foi considerado muito cedo para que eu usasse sutiã, seria como dar um atestado de que eu era uma “mocinha”, e na minha casa ninguém queria isso, eu ganhei um corpete de manha canelada, com alças finas de cetim, com recortes no busto, enfeitado com rendinhas.
Só uns dois anos depois, meu sutiã chegou.
Eu morava em Tabatinga, minha Tia Cleide, levou logo três. Eram moderníssimos.
Já tinham o novo formato com bojo arredondado e com listras delicadas. Um de cada cor.
Listras amarelas, outro verde, e azul.
Os tres sutiãs colocados sobre a cama dos meus pais. Eu sozinha, escolhendo qual iria ser o primeiro.
Listrinhas amarela. Eu sozinha, fechada no quarto, num momento de total privacidade, coloquei a blusa branca do uniforme, rodopiei só de sutiã, olhando para o espelho, um momento inesquecível,
e fui para escola.
Fui me sentindo diferente. Alguma coisa tinha mudado. Eu estava diferente.
Era o ano de 1968 quando ganhei o primeiro sapato de salto alto.
Salto alto era maneira de falar, era um saltinho, só para anunciar que você estava quase chegando lá. Mas nunca esqueci, já falei sobre isso em outro post, era marron, bico fino, um lacinho.
Ele fez parte da transição. A primeira menstruação, que eu nem desconfiava o que era aquilo,achei que eu estava morrendo, que teria apenas mais algumas horas de vida.
O que era aquilo, sangue saindo de lá, do naaadaaa???
Depois de horas de choro compulsivo, com todas minhas tias perguntando o que estava acontecendo e levantando as hipóteses: “saudades da sua mãe? Brigou com as amigas? está doendo alguma coisa?” e eu só respondendo não com a cabeça e insistindo no choro, até a Tia Cleide perguntar “ por acaso, aconteceu isso, aquilo?”. Siiimmm. E em seguida, os cochichos com os vizinhos “ela está mocinha” .

E nessa fase de transição e descobertas, nada como a emoção do primeiro beijo
Eu tinha 13 anos, já estava com meu sutiã e sapatos de saltinho, morava em Tabatinga, vim passar férias em Ibitinga e estava de olho num menino de 15 anos. Mirinho Catalano, baixinho, magro, de óculos, mas eu gostei. Tinha senso de humor, era falante e inteligente.
Ele mandou um recado pelo amigo Orlandinho Raineri, se podia sentar ao meu lado no cinema.
O coração já ficou aos pulos, concordei na hora.
Sessão de cinema das 6, Cine Rio Branco, filme “Mogli, O Menino Lobo”
“Necessário, sómente o necessário, o extraordinário é demais…”
Entrei primeiro, guardei um lugar, e só quando as luzes se pagaram, ele sentou se ao meu lado.
No meio do filme, segurou minha mão. Senti um frio na barriga, e ficamos de mãos dadas, sem falar nada, sem nos olhar, inclusive.
Um tempo depois, um selinho, que quase nem selinho era, de tão sutil, tão rápido.
Durante semanas quando lembrava aqueles momentos, sentia tudo de uma vez.
Coração aos pulos, frio na barriga, mãos geladas.
Durou só essas férias, não houve outro selinho, mas nunca esqueci, principalmente as emoções que senti.

E das emoções inesquecíveis e primeiras, faz parte o primeiro baile, que era acontecimento máximo, escolher roupa mais social, maquiagem, saber dançar, de rosto colado até…
Primeiro baile de réveillon, primeiro amor, desses platônicos, da gente escrever nome no caderno, rodeado por um coração.
Gelar só em vê-lo passar. Passar em frente á casa dele, só para ver se ele está lá.

E das lembranças de amores, guardo com carinho, a primeira vez que dormi com o Decio.
Eu tinha 25 anos, ele já era um homem de 32, divorciado, um filho, sabia como teria que ser.
Nós já namorávamos há quase um ano.
Ele morava sozinho, assistimos “Casablanca” na Globo, Creedo, ainda não existia vídeo cassete.
Ele foi o primeiro homem com quem eu dormi, o primeiro com quem eu acordei. Aliás, primeiro e único.
Ele levou café da manhã na cama, com florzinha e tudo. Esse homem não é o máximo?
Para não esquecer mesmo.
Já contei aqui, que nunca esqueci, a primeira geladeira que meu pai comprou, branca, arredondada na sala, que eu nem acreditava que tinha, que acordava para ver.
Já contei também da primeira vez que vi o mar em Caraguatatuba. Isso ninguém esquece.
Nunca fui de viajar muito, mas não esqueço quanto tirei as primeiras férias, depois de um ano trabalhando na Transport em SP, e fui ao Rio de Janeiro, de ônibus, com minha irmã Liliana e minha amiga Antônia.

Conhecer o Rio, as praias, primeira vez que me hospedei em hotel, foi inesquecível e inenarrável.
E coroando a viagem, primeira vez na casa de shows Canecão, ver um show do Roberto Carlos.
Tem noção? 19 anos e descobrir tudo isso?

E a primeira vez que, aos 18 anos, chegando á SP?
Ver semáforos, trânsitos, elevadores, escada rolante,primeiro Shopping Center Ibirapuera recém inaugurado, tudo ao mesmo tempo, agora?
Eu nunca tinha visto nada nem parecido.

Andar de avião pela primeira vez também a gente nunca esquece.
Minha primeira vez de avião, foi uma ponte aérea para o Rio de Janeiro, á trabalho, mas deu tempo de ir conhecer o Bar Garota de Ipanema, e depois num outro bar comer casquinha de siri olhando para o mar.
Com 52 anos acompanhei o surgimento das novidades tecnológicas e algumas surpreenderam, a ponto de eu não me esquecer nunca.

O primeiro gravador, desses de fita cassete que vi, eu tinha uns 12 anos, morava em Tabatinga, e um amigo do Neto, um irmão, que morava em SP, Vilson (Marinheiro), gravou eu cantando no banheiro. Quando eles me mostraram eu não acreditava no que via, ou ouvia.

Tempos depois, um primo de minha mãe, Gerson, de SP, foi passear num Galaxie, com toca fitas no carro, e nos levou á passear de carro, ouvindo música. Nooossaa, demais!!!

Também nunca esqueci a primeira vez que vi vídeo cassete. Um amigo, Rene Ferri, um dos donos da loja de discos Woob Boop, gravou um show de Elis Regina e fui assistir.
Ela tinha acabado de falecer, e eu tentando entender. Ele me disse que deixou gravando, com a TV desligada, nem estava em casa ????????
A primeira vez que um caixa eletrônico, expeliu dinheiro, quase enlouqueci. Adorei!

E tantas coisas, tantas emoções e lembranças…
Contarei depois… Contarei tudo.

criado por picida_ribeiro    21:32 — Arquivado em: Sem categoria

7 Comentários »

  1. Oi, Picida,
    obrigada pela citação. Adorei.
    Beijos!

    Comentário por TATIANA REZENDE — 29 29UTC setembro 29UTC 2008 @ 15:58

  2. MAs que bacana!
    E acredite: você tem uma sorte imensa de ter tido sua primeira experiência com o homem de sua vida. Isto é tão romântico! Tão único e especial!

    Sobre os filmes da Audrey: eu coleciono tudo a respeito dela. Tenho Sabrina e alguns outros, como o próprio Breakfast at Tiffanys, A Princesa e o Plebeu, Um Clarão na Escuridão, etc, que assisto sempre.São todos um encanto! Ela era única e inigualável!
    Bjs e ótima semana!

    Comentário por Holly — 29 29UTC setembro 29UTC 2008 @ 16:42

  3. Oi Picida! Voltei…. continuo adorando teus textos… beijo com carinho pra ti… o Maluco Errante esta em novo porto, viu? Confere no blogspot!

    Comentário por Daniel, o marujo — 2 02UTC outubro 02UTC 2008 @ 20:17

  4. Picida:

    Vocé é o máximo, muito sensível. Tudo que a gente não tem coragem e não sabe como se expressar vc. escreve.
    é uma grande escritora.

    Parabéns

    Lurdinha

    Comentário por maria de lourdes soares — 2 02UTC outubro 02UTC 2008 @ 22:19

  5. Muito obrigada pelas lindas palavras, Picida!
    O carinho de minhas amigas blogueiras fez meu aniversário ser mais lindo ainda!
    Bjão

    Comentário por Karen — 3 03UTC outubro 03UTC 2008 @ 13:16

  6. Thanks Picida…suas palavras melhoram meus dias, bjs.

    Comentário por meridiano — 4 04UTC outubro 04UTC 2008 @ 12:51

  7. Oi Picida, que gostoso quando a gente le um relato tao sensivel, tao direto, como se estivessemos conversando entre amigos! Parabens pelo blog e por seus textos sublimes. De uma passadinha no CONTONTON e conheca um pouco dos meus textos. Abs, da terra do frevo e do maracatu, Tonton

    Comentário por Tonton — 22 22UTC novembro 22UTC 2008 @ 8:51

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