DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

22/10/08

LEMBRANÇAS DO CORAÇÃO E DA MENTE

À princípio, eu observava-a de longe. Vestindo sempre com os modelos da “última moda”, alegre, sorridente, conversando com todo mundo.
Observava-a e queria ser sua amiga.
E nos tornamos amigas íntimas, de ficar sempre juntas, na base do “só vou se você for”.
Às vezes ela pedia que eu ficasse na sua casa até mais tarde, que depois me levaria até em casa, e assim fazíamos. Quando chegávamos, ela dizia que não ia voltar sozinha. Eu voltava com ela.
E juntas íamos para o colégio, depois horas e horas de conversa que não acabava nunca, muitos risos e piadas, muitos choros de amores intensos e platônicos.
Estávamos sempre vivendo uma paixão, quase sempre á distância, vivíamos as histórias dos amores idealizados, a imaginação voando.
Sonhos e desilusões da adolescência. Juntas fizemos planos, vivemos os encantos e desencantos da idade.
Ela vivia as emoções de forma intensa. MUITO feliz, MUITO triste.
Ela era engraçada, fazia rir.
Sempre contava a história, de quando era criança, e saía com sua mãe para fazer visitas, e a mãe orientava que não pedisse nada, esperasse ser oferecido.
E numa dessas ocasiões viu numa cristaleira, uma travessa com doce de abobora que não foi oferecido. Sem querer desobedecer a mãe e parecer mal educada, não pediu, mas queria o doce.
Ficou em pé na cadeira, ergueu um braço e perguntou:”quem gosta de doce de abobora? E ela mesmo respondeu: Eu gosto, eu gosto.” Então a dona da casa ofereceu.
Ela contou essa história mil vezes, e em todas ríamos muito. Essa era a Silvana.
Amava sua família. Tinha orgulho enorme das irmãs, do talento da Arlete para desenhar, da sua personalidade forte e assertativa.
Tinha orgulho da Rosa, sua elegância, sempre bonita, criando o filho, estudando á noite.
O Fábio, seu sobrinho lindo, era um orgulho á parte. Ela assumia a corujice.
Às vezes eles brigavam, mas ela não prolongava a discussão.
O máximo de protesto que ela esboçava era dizer¨” OFábio está na idade da gaveta”. O que era isso?
Segundo ela, era quando a criança deveria ficar guardada numa gaveta, até a chatice passar.
Depois caía na risada. Imagino o orgulho que sentiria o ver a bela carreira profissional que ele tem agora.
No auge do sucesso do conjunto “Secos e Molhados”, fomos convidadas ela professora Ivone Custódio Vilela, á dubla-los numa concorrida gincana em Itápolis.
Ela sabia que só nos seríamos doidas de topar o desafio.
Depois de ensaios sérios e dedicados, com maquiagem da Arlete, música cantada pelo conjunto “Pedras Romanticas”, consagração total: ganhamos a prova com tanto sucesso, que viramos celebridades.
Fomos convidadas para apresentação em Itápolis, Tabatinga, e em todas as escolas de Ibitinga.
Aceitávamos todos os convites.
Ela era incapaz de magoar alguém, preferia até camuflar uma dura verdade.
Certa vez, conversávamos sobre nomes, e eu disse que achava Silvana um nome bonito, mas que não gostava do nome Maria Aparecida ( o meu). Querendo ser gentil, me disse que se eu me chamasse apenas Maria, seria feio, só Aparecida também, mas Maria Aparecida não ficava bonito.
Quando viu a trapalhada, ria e tentava consertar, não era isso que ela queria dizer. Mais risos. Essa era a Silvana.
Eu admirava seu jeito de tratar as pessoas. Foi a primeira pessoa da minha idade que conheci que de verdade, tratava todos da mesma maneira. Era amiga dos meus irmãos, dos meus pais. De ricos, pobres, jovens, velhos, crianças, feios, bonitos, modernos, antiquados, esportistas, intelectuais.
Seu universo era amplo, seu interesse pelas pessoas, irrestrito.
Boa aluna, tinha cadernos caprichados, escritos com letra bonita, redonda, sempre igual,
pedagógica.
Boa amiga, sabia ouvir, doar tempo e carinho. Sabia doar alegria
Em Ibitinga, uma geração inteira frequentou sua casa, estratégicamente instalada bem na esquina do colégio.
Sua casa era refugio, todo mundo ia lá para estudar, namorar no portão, ouvir música, e apenas conversar.
Formou se em Enfermagem, não gostou, optou com sucesso pela carreira pedagógica.
Perdeu se nas emoções, nas fortes e confusas emoções, e hoje sabe se que era portadora de Transtorno Bipolar.
Acho importante sua história ser contada, ser lembrada, para que não fiquem registrados apenas os momentos e situações confusas.
Acho que ela tem que ser lembrada, reverenciada até, pela pessoa especial que era, a amiga fiel e constante.
Sua sensibilidade, inteligência, têm que ser registradas.
Silvana Gaion. Um nome para não ser esquecido, uma pessoa e uma história para serem sempre lembrados, em corações e mentes.

criado por picida_ribeiro    20:21 — Arquivado em: Sem categoria

15/10/08

ENSINAR

Ensinar

Sendo hoje o Dia dos professores,acho ideal registrar a importancia que muitos dos meus professores tiveram em minha vida.
Pode parecer frase feita,mas realmente lecionar,é um sacerdocio,e não vou ganhar nenhum premio Nobel por afirmar que o país só vai se firmar num patamar de dignidade,quando a educação tiver sua importancia realmente reconhecida.
E a educaçaõ,realmente está nas mãos dos professores.
Faz toda diferença no resto de nossas vidas,os professores que a gente encontra pela vida.
Eu tive sorte.Tive oportunidade de estudar numa época em que as melhores escolas eram do estado.
A carreira de professor era valorizada,eles ganhavam bem,eram bem preparados,e nos educavam de verdade.
Não era apenas ensinar matérias,era ensinar comportamento.
Era uma corrente: eles eram bem formados,liam bons livros,viam bons filmes,músicas,eram elegantes na maneira de ser e no espirito.
Tinham noção de sua missão,de seu compromisso.
E ensinavam mesmo,e recebiam de maneira adequada para isso.
Nós tinhamos que aprender,senão ás vezes por causa de uma matéria,por causa de um ponto na nota, teríamos que cursar um ano novo inteiro.
Quando o professor chegava à sala de aula ,a classe toda ficava em pé para recebe-lo.Havia um respeito e admiraçaõ por eles.
E todos esse meandros esquisitos da politica,foi tirando deles,o salário,a dignidade,o respeito,dos alunos e da sociedade.
Agora o professor ganha mal,não consegue se vestir como gostaria,ler os livros que queria,ver seus filmes,viajar.
Geralmente sua formação é rasa,por isso acaba não tendo muito o que acrescentar para o aluno.
Nas escolas particulares,que hoje proliferam pelo país,se eles chamam a atençaõ do aluno,muitos pais vão reclamar,e a escola pede para relevar,não quer perder o aluno-cliente,e cliente tem sempre razão…
Nas escolas do estado,o aluno sabe que não vai repetir de ano,a autoridade que se faz necessária perde o sentido,e professor é só uma tia como qualquer pessoa mais velha.
Parabéns aos professores que ainda hoje conseguem exercer sua profissão com todas as dificuldades que lhe foram imputadas.
E obrigada aos professores especiais que passaram pela minha vida,que ajudarm na minha formaçaõ,que fizeram de mim uma pessoa melhor.
Em Tabatinga,aprendi muito com o SR Dirceu,prof,História e Geografia,as professoras de Portugues,que me incentivaram a ler,a escrever,
Tenho cada um deles na memória,e muitos deles,no coração,prá sempre.
criado por picida_ribeiro    22:14 — Arquivado em: Sem categoria

3/10/08

O inicio de tudo

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criado por picida_ribeiro    22:57 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:,
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