DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

21/2/09

FATOS E BOATOS

Boatos são histórias, sem confirmação, que surgem do nada e vão crescendo á medida que vão sendo contados, acrescidos de mais uma opinião, de mais uma versão e na maioria das vezes, causados por inverdades maldosas.

 E um boato, pode destruir famílias, amizades, negócios e empresas.
Um dos maiores boatos que se tem noticia no Brasil, acabou com uma carreira profissional brilhante, e entrou para história.
Uma página negra na nossa história.
Quem tem mais de 40 anos, conheceu Wilson Simonal. Um cantor brilhante, o primeiro showman brasileiro.
Tinha grande carisma, gingado, e era enorme sucesso nacional.
Suas músicas estavam sempre no topo das paradas de sucesso. “País Tropical”, “Sá Marina” (regravada por Ivete Sangalo), “Vesti Azul”, “Mamãe passou açúcar em mim”.
Lançou moda com seu estilo de vestir, seus bonés, criou gírias, tinha um boneco MUG, sucesso total, que todo jovem descolado queria ter.
Quando uma das maiores cantoras americanas de todos os tempos Sarah Vaughan se apresentou no Brasil, pediu para conhecê-lo e apresentou se com ele. Sucesso total.

watch?v=8Hc0FGmXONk
Tinha seu próprio programa na TV, líder de audiência, foi o primeiro artista a apresentar se num Maracanãzinho lotado, e entrar para história musical do Brasil , por transformar a platéia , num gigantesco coral.
Um negro talentoso e simpático nos anos 70, época da ditadura era o maior sucesso do Brasil!
Rico e famoso, um dia descobriu que o contador de sua confiança, vinha roubando o há tempos e que ele não tinha nem um décimo do que imaginava ter.
Cometeu um erro primário de chamar um amigo particular, que era policial do DEOPS (Policia Política da época) para dar uma “ dura” no contador, para ver se conseguia reaver alguma coisa de seus capital.
E do nada, como todos os boatos, surgiu a história que ele era de extrema direita, amigo dos militares, e que sua função era entregar os artistas, seus colegas, que se opunham ao governo na época. Virou o “dedo duro” do meio artististico.
Shows e contratos cancelados. Perdeu contrato com gravadora, TV, nenhum radio tocava suas musicas, ninguém falava com ele, a imprensa passou a tratá-lo muito mal.
E claro, como sempre acontece nesses momentos, os amigos sumiram
E ele sumiu do mundo artístico, sumiu do mapa.
Bebeu muito, ficou muito doente, morreu cedo, de profunda tristeza.
Seus filhos Simoninha, Max Castro, músicos de prestigio na alta esfera musical, provaram na justiça, que o pai nunca teve envolvimento nenhum na política. Nada do que foi dito era verdade. Mas era tarde. Ele já não estava aqui para ver.
Soube que o conceituado escritor de Best-seller Ruy Castro, se prepara para escrever sua história, provavelmente vai virar mini serie, vamos voltar a contar suas musicas, a nova geração vai conhece-lo.
Mas aí? Será tarde demais? Ou antes tarde do que nunca?
E de FATOS tenho para contar a história profissional que vivi, tendo a oportunidade de trabalhar por mais de 10 anos com empresários judeus, que isso foi uma das melhores coisas que tive na vida.
Aprendi que eles não correspondem á avareza que lhes renderam fama de pão duro e piadas.
Eles respeitam o dinheiro, mas têm muita sabedoria para lidar com ele.
E essa sabedoria é passada de pai para filho. Eles ensinam que é bom ter dinheiro, trabalhar por ele, mas ao contrario do que muitos pensam não apenas pelo prazer de juntar, guardar, possuir.
E eles crêem que o dinheiro tem que girar, e assim o fazem. Priorizando a formação cultural, livro, filme, musica, especialmente musicas clássicas, as melhores escolas, viagens culturais ao redor do mundo, e fazem questão que seus filhos conheçam a vida real em ISRAEL.
Não gastam dinheiro á toa, dão á ele o valor que ele tem. São justos generosos. Cultura para eles é o alimento da alma, e até o ato de comer é repleto de cultura. Formação e informação.
E com eles aprendi, e o livro “A CABALA DO DINHEIRO” do rabino Nilton Konder ensina, que se um parceiro de negócios está lhe devendo algum dinheiro, o melhor que se tem a fazer é dar lhe condições que consiga trabalhar, torcer para que seus negócios prosperem para que ele possa paga-lo.
Para o povo judeu não existe boatos, existem os fatos.
Recomendo a leitura do livro. Podemos sempre aprender com quem tem muito a ensinar.

criado por picida_ribeiro    0:15 — Arquivado em: relacionamentos

6/2/09

Era uma vez…

  Só hoje, me senti preparada para contar essa história.

A história de minha Tia Inês, irmã caçula de minha mãe.

Nas lembranças de minha infância, não tenho dela nenhum registro, ela morava num sítio em Ibitinga, eu, na cidade vizinha de Tabatinga, as visitas eram raras e o convívio pouco.

Tinha uma foto dela, em preto e branco, de noiva, uma bonita grinalda, se casando com um homem que eu nunca vira na vida, em São Paulo.

E a história dela foi assim: Ela morava num sitio, onde seu pai, e irmãos trabalhavam na lavoura, e nem eram os donos da terra.

Uma vida muito, simples, muito pobre. Sem estudos, fato comum na época, ela desde muito jovem, ajudava na lavoura, no serviço da casa.

Conheceu um japonês, agricultor das terras vizinhas, proprietário, ficaram noivos, e pelo que sei nos momentos mais românticos que viveram, ele mostrava para ela a terra onde plantariam tomates. Muito tomates. Assim eram os sonhos do noivo, não os dela.. E não era assim que ela via e queria seu futuro, mas ia levando.

Quando minha Tia Adalgiza, sua irmã, quase 20 anos mais velha, casada, morando em SP foi ter seu único filho, chamou a Tia Inês para fazer companhia, ajudar no resguardo, essas coisa, também comuns na época.

E ela foi, direto da roça, para o Bairro do Limão em SP.

Bonitinha, sua maior característica, era o bom humor, o rosto sempre alegre e sorridente.

E imagino que com essa graça caipira, conquistou o dono da padaria onde diariamente ia buscar o pão para Tia Adalgiza.

Era amor pra valer. Sentimento sério. Ela desmanchou o noivado por carta, e por correio devolveu a aliança. Nunca mais voltou.

Casou apaixonada, por um descendente de portugueses, desses típicos dono de padarias em SP.

Só vim a conhece-lo e comecei frequentar sua casa em 1975 quando fui morar em SP.

Ele era um homem rico, construíram uma casa bonita, enorme, era dono de padarias, de muitas casas de aluguel, foi uma mudança muito grande em sua vida.

Teve um casal de filhos e construiu sua família.

À principio eu achava seu marido, Tio Toninho, muito calado, sisudo, depois, ele foi se soltando, conversando, fazendo piadas, simpático.

Mas o relacionamento dos dois, era uma coisa impressionante. De se tratarem por “benzinho” a vida toda, e dela com seus 65 anos ainda dizer , e sempre dizer “ eu amo ele”.

Eles viviam uma vida simples. Na casa confortável e bonita, ela construiu uma casa á parte onde tinha praticamente um mini mercado. Gostava quando suas irmãs iam visita-la de encher sacolas com presentinhos, gentilezas.

Para saber de um irmão, bastava perguntar para ela. Ela era o centro da família. Que ajudava, comemorava.

As festas de aniversários eram na sua casa, almoço de natal com seus irmãos eram sempre em sua casa.

Eu frequentava mais as tias paternas, mas a visitava sempre, bolo e café aos domingos, reuniões divertidas.

Ela optou por viver uma vida simples. Apesar de meu tio, deixar para seus “alfinetes “ a renda de todos os imóveis que ele tinha alugado, ele nunca comprou roupa em shopping, ia na Lapa, nunca foi em restaurantes finos e caros. No máximo, churrascaria rodízio na Marginal.

Deixava o marido escolher sofá, tapetes, sempre de boa qualidade, nem sempre de bom gosto, e Le curtindo tudo, muito feliz.

Tinha sempre os últimos e melhores lançamentos eletro domésticos. As TVs, os microrondas, DVD, essas coisas, mas porque o marido comprava. Ela nunca fez questão.

 Nunca teve empregada. Sentia alegria e orgulho em cuidar sozinha da casa. Nem faxineira, nunca quis.

Não era por economia. Era opção, por prazer. Esse era seu prazer. Ter suas coisa, cuidar delas. Seu orgulho.

Outro orgulho, o filho Marco, formado em farmácia na USP. Pudera…

Cada filho, um neto, e ela feliz, num casamento de harmonia. Um sonho.

Deve ter tido suas desavenças, mas acredito que nada muito significativo. Para ela era  muito normal e natural que o homem fosse o líder. Ela não queria provar nada, mudar nada.

Sentia prazer em preparar suas refeições, seu café,

Quando nos mudamos de volta para Ibitinga, ele era a irmã mais presente para minha mãe.

Falavam se toda semana. Horas. Sobre a família, receitas, novelas.

Dia 01/11 quando fui para SP com minha mãe, um dos objetivos era visita-la. Era seu aniversário.

Minha mãe passou final de semana em sua casa, e no domingo, fomos até lá comemos bolo, mas tanto eu como minha irmã, a achamos meio abatida, minha irmã, minha mãe, a acharam com cara de cansada. Estava mesmo. Tinha envelhecido, mas continua sorrindo.

Minha mãe vivia dizendo que não se conformava dela nunca ter viajado de avião, navio, sei lá.

Nem praia. O lugar que o casal costumava passear era ir á Aparecida do Norte. Simples assim.

Minha mãe, as vezes resmungava de suas roupas simples, dela ainda não ter empregada, faxineira, nada.

Pra que tanto dinheiro? Dizia minha mãe. Eu respondia: ele é feliz assim ,não é sovinice, é assim que ela quer.

Sem problemas de saúde, com aqueles tradicionais exames de rotina em dia, no primeiro domingo de dezembro, assistindo TV com o marido, era aniversário dele, tinha bolo, refrigerante e café, ela estava esperando as visitas, ele teve um enfarte fulminante.

Acabou.

Na segunda feira, fui para SP no seu velório. Ninguém entendendo nada. Como assim?

Muitos parentes, amigos, de todas as religiões, de todas as idades.

Muita tristeza mesmo.

O marido pelo que soube, pôs a casa á venda. Continua morando na casa, não quis faxineira, por que ela nunca quis ninguém cuidando de suas coisas, de sua casa, e acha que assim está respeitando sua vontade. A filha tem ido limpar de vez em quando.

Fechou a porta da sala onde estavam quando ela morreu e nunca mais entrou lá.

Ela tinha 65 anos. Podia ter sido bem mais tarde, bem depois.

Amou e foi amada. Viveu e morreu feliz.

Carinho, respeito e saudades. 

 


 

 

criado por picida_ribeiro    20:35 — Arquivado em: relacionamentos
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://picidaribeiro.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.