30/4/09
CERIMONIA DO ADEUS
Quem acompanha meu blog já viu mil vezes eu me derramar em elogios para o meu casamento, para meu marido, para nosso amor.
Quem acompanha minha vida, sabe a que realidade sempre foi muito mais forte e muito maior.
Um amor real, concreto, verdadeiro, amigo por exatos 28 anos.
Um casamento feito de companheirismo nos momentos dificies, de namoro, respeito em tempo
Integral, uma vida toda. Perfeito? Não. Nada. Nunca. Mas quase.
Recíproco na mesma medida. De nos olharmos e dizermos como nos completávamos e nos fazíamos felizes.
Jantares, flores, surpresas, recados apaixonados, era nosso dia a dia, juro.
Passeios,onde só nos dois bastávamos, a nossa companhia, nossa diversão.
De um ano para cá, começaram os sinais do distanciamento do Decio.
Tentei conversar, negociar, retomar. Fui a analista, tentei criar climas, e nada mudava. Estávamos sempre os melhores amigos.
Ele jurava que me amava e sua frase era “te amo com John Lennon amou Yoko Ono” que certa vez disse que a amava sem questionar sua beleza, e sem questionar inclusive se ela o amava. Ele a amava e ponto.
E apesar de certas evidencias, a gente tende a acreditar no que gostaria de acreditar.
E o Décio, há poucos dias de fazer 60 anos, (aniversariamos no mesmo dia 02/05) disse que não queria mais morar em Ibitinga, não queria mais trabalhar aqui, queria pensar na vida. Huuuummm…
E foi sozinho, sem me convidar, passar um fim de semana em SP.
Ficou 4 dias. Voltou, disse que queria separação, que não gostava mais de mim, já algum tempo, que ia morar em SP. Acabou.
Na hora, fiz CHICO BUARQUE: “ Quando olhastes bem, nos olhos meus, e seu olhar era de adeus, juro que não acreditei, eu estranhei, me debrucei sobre seu corpo, e duvidei, e me arrastei, me arranhei e me agarrei nos seus cabelos, te adorando pelo avesso prá mostrar que ainda sou sua” .
Houve esse tempo, a maior dor do mundo.
E eles expondo seus motivos: os cuidados que eu tinha com ele, de cuidar de sua comida, sua vida, sua pele, seus dentes, cabelo, corpo, amigos, famílias, seu lar, virou excesso, eu não o deixava viver sua vida, ele quer seu espaço, ser ele mesmo.
A casa, que sempre cuidamos juntos, e deixamos de cuidar ao mesmo tempo, virou “bagunça, desorganização, cachorros que ele adorava, agora enchem o saco.
Os jantarzinhos, nossos encontros, noites e ocasiões especiais criadas, viraram nada.
Meu otimismo, minha alegria de viver, achar que “amanhã será um novo dia,” que ele achava tudo de bom, o que eu tinha de melhor, virou irresponsabilidade.
Sequei as lágrimas, tomei banho, fiz uma escova, baton vermelho, perfume frances, coração estraçalhado, fui ao trabalho.
A experiência vivida por histórias que amigas já passaram, me mostrava que insistir, pedir, argumentar, não adianta.
Ele não vai mudar de idéia. Você argumentar, tentar provar que não era ruim, que ninguem é totalmente certo, nem totalmente errado, citar seus acertos, falar dos erros dele, ou coisa assim, alem de não reconquistar, ainda vai deixa-lo com raiva de você.
E numa situação assim, quando mais pedirmos, é certo que perderemos totalmente nossa auto estima, de maneira irremediável. Sem conserto.
Descobri que para muitos, éramos casal modelo.
Ao contar para meu irmão Neto, sua mulher a Graça, ficou abalada, não acreditou. Meu irmão se preocupou com minha saúde. Ele disse: as vezes a cabeça, o espírito querem ser fortes, mas você tem 52 anos, hipertensa, o corpo pode não agüentar.
Rafael, colega de trabalho amigo verdadeiro do casal, chorou.
Liliana minha irmã, disse “não aceito, não aceito,” vou falar com ele, como se o fora fosse nela.
Nós dois não conversamos mais á respeito, mas sei que ele vai embora no final de semana.
E me vejo administrando dores: a dor da PERDA: ver a casa sem ele, minha vida sem ele. A dor da REJEIÇÃO: ele não me quer mais, INGRATIDÃO E INJUSTIÇA.; a pessoa que deixa, quase sempre dá um jeito de fazer quem está sendo deixada sentir se culpada, e geralmente é assim que fica.
Eu não. Doída, conversei com quem precisava sobre trabalho, ri quando achei graça e repeti meu mantra ( eu que criei em outras eras) no qual acredito de verdade: “QUEM NÃO ME QUER NÃO ME MERECE”.
Não vai ser fácil. Vou balançar. Não vou cair.
Começo a fazer terapia, (adoooroo), comecei a mais eficiente das dietas, a que eu chamo de PÉ NA BUNDA( todas minhas amigas que levaram o fora, e estavam acima do peso, depois ficaram top model).
E meu lado otimista chega aos meus ouvidos de novo, com CHICO BUARQUE ¨”Põe a cerveja pra gelar, muda a roupa de cama, eu to voltando, leva o chinelo para a sala de jantar, que é lá mesmo que a mala eu vou largar, quero te abraçar, pode se perfumar, porque eu to voltando.” ( Que alegria viver!!)
Ou então, um CHICO BUARQUE de novo e por fim “olhos nos olhos, quero ver o que você diz, ao saber que sem você me sinto bem feliz, e que venho até remoçando, me pego cantando, sem mais nem porque.
E tantas águas rolaram, tantos homens me amaram, bem mais e melhor que você”
Ah! Convenhamos, é triste, mas otimista também!
Sou assim!!! Não vai ser fácil. Vou balançar. Não vou cair.
criado por picida_ribeiro
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