DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

25/5/09

PAZ NO MEU AMOR

Tive um bom final de semana.

No sábado, fui com minha irmã e meus sobrinhos para São Paulo, mas á trabalho mesmo.

Nada de passeio. Fomos fazer compras para loja, mas dessa vez não deu muito certo, os meninos ficam entediados, cansados, claro, não há a menor graça, ficar de loja em loja, fazendo compras em atacado.

Mesmo assim, fomos correndo na R.Santa Efigenia, comprar joguinhos para o Wii. Pronto, já ficaram contentes…

Almoçamos, passamos na doceira Holandesa para um docinho e café, e voltamos . Gosto bastante de SP, mas muita coisa mudou mesmo. Pegamos transito na Marginal Tiete, em pleno sábado, as 9 hs da manhã.

È muito bom chegar em São Paulo, melhor ainda é voltar.

As 19 hs já estávamos em Ibitinga. A faxineira esteve em casa na minha ausência, a casa estava limpinha, tudo em ordem

Dormi cedo.

No domingo, almoçamos com meu irmão e minha cunhada. Os filhos deles estavam em Ribeirão Preto, então, foi um almoço bem tranqüilo, num belo dia ensolarado.

À noite, li e vi tv.

Não falei com ninguém ao telefone, não deu vontade.

Vivo um momento de introspecção, diferente de tristeza. È uma momento de reavaliações.

Buscando manter aceso o que tenho de melhor em mim, que é dar valor REAL para o que se tem hoje, e buscar sempre o melhor.

O que temos de melhor na vida, é o dia de hoje.

È estar pronta para viver as tristezas, enfrentar desafios.

È estar atenta as coisa simples, boas e belas.

Àquelas que não tem preço.

Um domingo assim. Isso não tem preço  

 

 

criado por picida_ribeiro    14:42 — Arquivado em: relacionamentos

22/5/09

TODA DIFERENÇA

 Selma, amiga blogueira que vive na Coréia, me mandou  a letra da musica DRÃO, que Gilberto Gil, fez quando separou se de Sandrão, a DRÃO.

Poesia delicada, que trata do final de um relacionamento com muita  sensibilidade, relevando rancores. Preservando os amores.

Excetuando detalhes que cada história tem, a essência é de um final de relacionamento.

Eu sempre adorei essa música e ela nem por um momento tinha vindo á minha mente, agora, nessa situação.

E rele-la, canta-la, fez toda diferença no rumo da história. Interromper cobranças, procurar culpados, preservar com carinho o amor que se viveu.

No meu blog, posso até vir a falar do Décio, pois foi parte importante de minha história, mas não expor a história da separação. Foi dito e acabou.

Dar o tempo necessário para continuar a amizade. Agora, com certeza não é a hora.

Agora é hora de cada um seguir sua escolha.

O resto, só o tempo…

 

                           DRÃO

 

Drão, o amor da gente é como um grão, uma semente de ilusão

Tem que morrer pra germinar,plantar nalgum lugar.

Ressuscitar no chão nossa semeadura

Quem poderá fazer aquele amor morrer

Nossa caminhadura

Dura caminhada pela estrada escura.

 

Dão, não pense na separação, não despedace o coração

O verdadeiro amor é vão, estende se infinito

Imenso monólito, nossa arquitetura

Quem poderá fazer aquele amor morrer

Nossa caminhadura

Cama de tatame, pela vida afora

 

Drão, os meninos são todos são

Os pecados são todos meus

Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar

Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão

Quem poderá fazer aquele amor morrer

Se o amor é como um grão

Nasce, morre, trigo

Vive, morre, pão

criado por picida_ribeiro    20:16 — Arquivado em: relacionamentos

20/5/09

ESTADO CIVIL

 Para mim, o momento EXATO da separação, não é quando a gente ouve a sentença.

O momento EXATO, para mim, não é quando ele vai embora, tampouco, quando os papeis de divórcio são assinados.

Há casos, em que a separação é falada, as malas são feitas e ela não acontece.

Há casos, em que ela é falada, malas feitas, alguém sai de casa, ficam longe, mas não ficam separados. Um deles, talvez os dois, continuam mantendo algum tipo de ligação, nem sempre saudável , mas muitas vezes, a ligação se faz perpetua, não acontece.

Porque um deles, geralmente o “deixado” fica alimentado, dores, mágoas, ou amores, saudades. E pode deixar de viver sua vida, deixar cada dia, cada hora passar.

O tempo passar. O passar do tempo.

Eu fico atenta procurando o momento EXATO da separação.

Pra que eu possa sentir-me realmente separada.

Não quero esquecer minha história, meu casamento, os momentos bons.

Mas, não quero viver delas.

Apesar de amar o Décio, de viver bem com ele, sempre mantive minha individualidade.

Passeava, viajava, vivia muitas vezes sem ele.

Não me afastei de parentes, de amigos, do trabalho,

Não deixei minha vida de lado. À minha vida, somei a dele.

Nesses 20 dias de separação, ainda não sei o tal momento EXATO da separação, mas posso falar dos momentos em que percebi: não estou casada.

Acho que a primeira vez, foi quando, esqueci o portão aberto e meus TRES cachorros fugiram.

Fiquei um segundo parada. E agora???

Era o Décio que os “recapturava”. A Judy, a huski, muitas vezes, ele tinha que pegar coleira, carro (eu não dirijo) e ir atrás dela, sem contar que eu não tenho comando N-E-N-H-U-M sobre eles.

Chamei pela Judy, e para minha surpresa, ela atendeu, voltou, a Naomi, a filhote viralata, totalmente desnorteada, voltou e a Dani, Fox paulista, eu tive que ir atrás e trazer no colo.

Outro momento: a primeira compra no supermercado.

Nada leite, manteiga, iogurte, café, coador, Gatorade, barrinhas, aveia, queijos, bananas, mel.(Não gosto de nada disso)

Num carrinho pequeno, só enchi a parte de cima, e nem sei direito com o quê.

Ao chegar em casa, a lâmpada da cozinha estava queimada.

Uma das raras coisas, onde o homem faz muita falta: trocar lâmpada e abrir vidros de palmito.

Bem, de palmito eu não gosto, e a lâmpada, EU TROQUEI!!!

A máquina de lavar roupas quebrou, também foi um momento novo para mim. Na maioria das vezes o Décio mesmo consertava. Tive que chamar o técnico, e dessa vez ela teve que ir para o conserto.

Levar o lixo para fora também era serviço do homem… Aiii! E como´e chato…Saudades das lixeiras dos prédios em SP. Bem mais fácil.

O momento que vi a separação hoje, foi quanto referi a ele, como meu EX- MARIDO.

EX- MARIDO. EX- MARIDO. EX- MARIDO.

 

 

criado por picida_ribeiro    23:10 — Arquivado em: relacionamentos

16/5/09

BELEZA INTERIOR?

  Desde sempre fui fascinada pela beleza humana.Sempre observei, e admirei, a beleza, homem ou mulher, que tivessem nascidos bonitos.Muito antes de cirurgias plásticas, implantes de silicone, de cabelo, de dentes, lentes de contato de toda e qualquer cor.A beleza que a natureza deu. A beleza com que se nasce.

Desde sempre, aquelas crianças que já nasceram lindas, e vão melhorando, as que não nasceram tão belas assim , mas vão ficando.Eu sempre observando encantada.Nunca senti inveja. Sentia a mais sincera e profunda admiração.Tanto que sempre, tive o despreendimento de elogiar, cheia de verdade.Na minha infância, em Tabatinga, uma cidade muito pequena, um universo muito restrito, a primeira pessoa, cuja beleza natural chamou-me a atenção foi a Célia Giansante.

Ela era rica, bonita. Simpática, boa aluna. Os olhos verdes, cabelo castanhos claros, sorriso de dentes pequenos e brancos,e era alta!.Porte de Miss.!! Parecia a Priscila Fantin

Enquanto não ficamos a amigas, não sosseguei, e acabamos por ser muito amigas durante todo o primário e meu irmão, Neto foi seu primeiro namorado.Ainda em Tabatinga, já entrando na adolescência, eu estava com 14 anos, chegou a pequena Tabatinga, vinda de uma cidade maior, Araraquara, Márcia Factore.

Ela não tinha a beleza perfeita, mas tinha uma beleza com personalidade. Alta, pernas musculosas, porque adorava praticar esportes, sempre bronzeada, cabelos castanhos, quase dourados, imensos olhos azuis, mas nada daquele azul desbotado. Olhos grandes  azul cor de mar mesmo, quase verdes.Os dentes eram sutilmente para frente, e ela tinha uma cara assim ,meio Angelina Jolie.

Numa cidade pequena, quando vem alguém de fora, você quer se enturmar, e eu no meu fascínio pela beleza, logo quis ficar sua amiga. Assim aconteceu.

E aí eu pensei: “ela tão linda, combina com o rapaz que acho o mais bonito da cidade. José Negrini.Ela tinha 14 anos, ela já tinha 19, nessa fase a diferença de idade é significativa. E alem disso, ela namorava “firme” outra moça bonita, de sua idade, a Eunice Chechi.Mas falei dele para ela, criei expectativas.

Falei dela para ele, iguais expectativas. Resultados: Menos de um mês, ele terminou o namoro firme  com a namorada mais velha, e  começou o namoro com a Márcia que eu apresentei.Poucas pessoas ficaram sabendo que eu fui o Cupido dessa história. E Eles namoram alguns bons anos.

Ele também era um ícone de beleza para mim, naquele universo.Alto, todo sarado, esportista, fechava os olhos quando sorria, a CARA do Richard Gere.Quando vim para Ibitinga, aos 15 anos, a beleza da cidade era a Miss Ibitinga, que teve boa classificação num concurso Miss SP, e era linda mesma. Vera de Jorge.

Alta, magra, olhos claros, elegante, boca e sorriso largos.Nunca tive contato com ela, alem dessa admiração de vê-la ao longe, cada vez mais bonita.

Seu irmão Otavio, de Jorge tinha uma beleza de cinema. Em São Paulo, você encontra pessoas lindas, perfeitas,em todo lugar.Aprendi a ver a beleza mesmo nas pessoas mais simples, e não estou falando de beleza interior.

Hoje refiro me a beleza estética.Conheci modelos, manequins belíssimos.O mito da beleza foi ocupando menor importância na minha vida, outros valores sendo reconhecidos.

Mas, vamos assumir: Nascer bonito, mas bonito mesmo, Lindo, ajuda hemmm!!!

Ah! Eu trocaria a inteligência que eu tenho, nada de superdotada, dessas bem padrão, a sensibilidade acima da média, cultura e conhecimentos básicos, nada tão profundo assim, mas trocaria tudo, se tivesse a oportunidade de escolher entre ser burrinha ou bonita.

Queria ser uma ANTA, mas queria ser linda!.Trabalhando na área de moda, confesso que muitas vezes a beleza foi fator  decisivo para contratação de um funcionário.

Não sabia o serviço, o outro era mais competente? Não tem problema, eu ensino.

Era meio burro, tinha dificuldade em aprender? Não faz mal, Fulana cobre essa parte, ela sorri, desfila e vende. E ainda ganha mais.Essa é a verdade da vida. E isso foi tomando uma dimensão cada vez maior.Eu fui a típica criança sem graça nenhuma. Nem feia, nem linda de morrer.

Era dessas onde tudo era mais ou memos.Nada de destaque. Cabelos castanhos comuns, cacheados quando a moda era liso e não existia chapinha, nem escova progressiva…Olhos do mais comum castanho, nada de íris cor de mel…

E aos 18 anos, graus de miopia…Nada de cílios longos, espessos, Cilios padrão.

Queria acordar, balançar os cabelos feito comercial de shampoo, só passar os dedos e pronto. Nada do cabelo da Maggie do Bart Simpson.

Sem a cara inchada, marcada. Quem pôs essas olheiras aqui?

E não depile o buço para ver…

A hora do dia em que mais sentia falta de não ser bela, era pela manhã.

Em festas, no trabalho, sempre uma boa maquilagem dá um jeito, mas na hora que acorda, meu bem, é ou não é…

Até meus 18 anos era muito magra, pernas finas, peitos grandes, que eu odiava…

Em Tabatinga e Ibitinga nunca fui paquerada, nunca ninguém me namorou. Eu era um “DALHIT”.Meu primeiro namorado mesmo, foi um cara de SP que veio passear aqui, LIIINDOOO, Eduardo Sabaté Manubens, boa gente, apaixonou se por minha BELEZA INTERIOR!!Namoramos quase 2 anos, e ainda namorava com ele quando mudei me para SP.

Fui aprendendo a disfarçar os defeitos, valorizar o que poderia ser melhorado, trabalhando com moda, fui criando meu estilo, lançando moda no meu circulo social, ganhei peso de forma equilibrada.Dos 20 aos 30 anos fiquei bem na fita, embora seja baixinha: 1.60 mts

Um dia vi numa revista feminina as medidas da atriz Sonia Braga, a grande musa da época. Tudo coincidia, exceto os seios.Então, com 25 anos, eu fiz redução de mama. Fiquei me sentindo. Pesava exatos 50 kgs

Vaidosa, foi nessa fase que conheci o Décio. Meu rosto era comum, só o sorriso largo e constante, mas o corpinho estava 10..Aderi lentes de contato tempo integral, fiquei razoável.

Dos 30 aos 40 mantive peso 60/70 kgs com médicos, remédios, spas.Dos 40 em diante, a coisa ficou brava: já cheguei aos 100 kgs. E não venham com o politicamente correto: Com 100 kgs e 1,60mts ninguem é bonito. È mentiroso!!

Não tenho por hábito olhar me no espelho. Só de manhã quando escovo os dentes. Maquilagem, faço com o espelhinho da sombra, para não ver nada.

A única hora que fica fácil entender o fora que levei do Décio, é quando chego ao escritório para o trabalho.  A porta é dessas espelhadas, que de fora ninguém vê nada lá dentro, e quem está dentro vê tudo lá fora. OK.

Mas é um baita espelho.Vejo e penso: Onde está escrito que um homem que encantou, se apaixonou por alguém com 50 kgs, agora tem que amar e desejar uma mulher com declarados 90 ?

E não venha com a conversa politicamente correta, que o que conta é a BELEZA INTERIOR. E as pessoas ligam para isso? Homens ligam para isso?

Tem até uma piada grosseira, mas engraçada: sabe porque homem não se liga em beleza interior? Porque o p… é cego…E eu agora corro atrás do prejuízo, seguindo a dieta “PÉ NA BUNDA”.

 

E agora, do alto dos meus 53 anos, mais que a tal BELEZA INTERIOR, eu queria mesmo era a BELEZA ANTERIOR.Não era muita, mas já quebrava um galho!

 

 

 

criado por picida_ribeiro    19:15 — Arquivado em: relacionamentos

13/5/09

DO LUTO Á LUTA

Hoje completou uma semana que não vejo o Décio. Faz uma semana, que o casamento acabou.

O sétimo dia.

A tristeza e magóa continuam, claro, muita saudade, mas decreto o fim do LUTO e o começo da LUTA.
Não é nada fácil.
Ao acordar, olhos abertos e respiração fechada. Dor no coração, no peito, na alma.
Repito a frase: Ele não está aqui. Ele não quis ficar aqui.
Para escancarar para mim mesma a realidade.
Não houve crise, não se discutiu a relação, ele não propôs mudança, não pediu tempo, não deixou opção.
Não posso me esquecer disso. Não acredito em destino. Acredito em escolhas. Ele fez a dele.
As horas no trabalho passam rápidas e bem.
Quando volto para casa, o sufoco volta com força. Se eu não estivesse saindo de casa, fazendo as caminhadas, morreria.
Mas caminho, escrevo, leio, vejo tv.
Hoje vou sair á noite, com minha irmã, a Ana e minha tia Lúcia.
Vamos à uma choperia em Itápolis, que é bem legal.
È o que eu estou chamando de “missa de sétimo dia”!
Seguir a vida, fazer minhas escolhas, contar comigo, idéias e realizações
À partir de amanhã, depois da “missa”, aciono os contatos com amigos que eu estava evitando falar desde o ocorrido.
Contar para todo mundo, é um dos momentos mais infames da situação.
O cara vai embora, e na cidade do interior, quem fica tem que explicar o que aconteceu…
Explicar como, se nem eu entendi direito ainda…
Mas estou aí, estou no mundo, estou na vida, e sigo em frente, cada dia uma nova lição.
Quando falei da separação, mencionei frases de Chico Buarque, para ilustrar a situação.
Agora quero de forma bem intencional usar frases da Jovem Guarda, que fizeram parte de minha vida adolescente e ainda posso cantar.
Qual a ideal ???
·        “ Estou guardando o que há de bom em mim, para lhe dar quando você chegar” - Roberto Carlos
 
·        “ Não repare na desordem, dessa casa quando entrar, ela diz tudo que sinto, de tanto lhe esperar” –Roberto Carlos
 
·        “ Não, eu não consigo acreditar no que aconteceu, é um sonho meu, nada se acabou. Não. Eu não consigo viver sem você, volte, venha ver, tudo em mim mudou” - Márcio Greick
 
·         Eu não posso mais ficar aqui á esperar que um dia, de repente você volte para mim…Preciso acabar logo com isso, preciso lembrar que eu existo, eu existo…”   -    Roberto Carlos
 
·        Fico com alternativa D
criado por picida_ribeiro    17:40 — Arquivado em: relacionamentos

11/5/09

MAIS UM CAPÍTULO III

Domingo bonito e ensolarado. Por um raro milagre, acordei naturalmente por volta das 9:00 hs. Costumo dormir muito, e até tarde. Acordar é um problema para mim.

Rotina diária: lavei o quintal. Três cachorros, perceberam? Fizeram a associação? Lavar quintal… três cachorros…

Na semana do LUTO, vou falar do Décio e da separação até a exaustão.

E que ninguém imagine que tudo que ando escrevendo foi publicado.

Páginas e páginas, guardadas. Meus desabafos.

Domingo dia de corrida F1. O Décio não se importa muito com futebol, mas corrida, ele adora.

È de pôr despertador para tocar e  assistir treino de classificação de madrugada, quando é o caso. Acompanha, sabe as regras, torce, vibra.
È praticamente um corintiano das corridas.

E em domingos de corrida, eu associava duas coisas que ele ama: corrida e leite com café.

Preparava um café da manhã especial, levava naquelas bandejas de novela.

Leite com café, pão com manteiga, suco, queijo, geléia, torradas, mel.

Eu pensava assim: Homem quando assiste futebol, gosta de petiscos e cerveja.

O Décio não bebe, é fanático pelo tal pingado. Vamos associar os prazeres.

Em dias de corrida, era o único dia, que eu preparava um café assim , espontaneamente, sem resmungar. Odeio fazer café. Prefiro fazer um almoço, um jantar.

Aliás, odeio café. O gosto, o cheiro. Ele adora. Agora, com essa história de blend de café, esses papos de baristas, eu comprava para ele quando a gente viajava, os cafés especiais, que via nas revistas. Aqui em casa, até pó de café da Kopegnhagem rolava.

Ah! Mas ele merecia, juro….

Fiz o tal salpicão para o almoço de domingo. Não ficou ruim, mas já tive melhores momentos.

Alguma coisa faltou no tempero. Acho que um pouco mais de maionese.

O almoço foi na casa do meu irmão, Neto. Pequeno grupo, só família.

Poucos e bons.

As mães trocaram lembrancinhas, e as tias entraram na jogada, porque sempre  além de serem tias, foram quase mães, ao menos dos filhos do meu pai.

 No almoço, a conversa foi agradável, falar sobre  o Décio, foi inevitável.

Sem detalhes, porque eu não tenho mesmo muito para dizer, mas o Pongaí, cunhado do meu irmão, me achou bem. Minha mãe também.

Eu não tinha me ligado, o quanto minha ficou abalada com o que aconteceu.

Só ontem ela me disse que não comia, não dormia, ficou abatida, mesmo.

Minhas tias, só hoje me contaram que quando ela ficou sabendo, foi na casa delas, transtornada, rosto vermelho, precisaram dar água com açúcar.

Ela tem 79 anos. Não é nem por causa do relacionamento. Acho que foi por minha causa mesmo.

Ela sabe o que ele era na minha vida. Descobri que quando a mulher se separa e não tem filhos, como é meu caso, as pessoas se envolvem mais, porque imaginam a pessoa sozinha, imaginam que filho por mais trabalho que dê, é companhia.

E num Dia das Mães, não quero apenas falar de minha mãe.

A minha mãe sempre foi uma mãe cuidadosa, empreendedora e guerreira mesmo, mas o centro da vida dela, sempre foi meu pai, e eu acho isso lindo, e sou grata á ela, por tudo que ela conseguiu fazer para manter a estrutura de família, irmãos amigos e unidos, filhos cuidadosos e presentes.

Hoje, nesse Dias das Mães, quero homenagear as mães, que ficam com os filhos, seja na separação, seja quando eles sequer assumem os filhos.

Não concordo com mulheres que usam o expediente de engravidar, tirando do homem o direito de decisão sobre ser pai ou não, mas já que o filho nasceu, o relacionamento pode parar, mas filho, com licença…tem que criar.

E em separação, o homem deixa os filhos com certa dor, até acredito, mas com tanta tranqüilidade…

A mãe, na maioria das vezes tem que sustentar, educar, divertir, FORMAR.

E SÓZINHA.

Parabéns á todas elas.

MENÇÃO HONROSA: ao Nilton Roberto, listado nos meus blogs preferidos, que por opção, ficou com casal de filhos ainda crianças, e cuida deles, já quase adultos, até hoje.

Encerro o domingo, na rotina que eu mantinha com o Décio: Café Filosófico na TV Cultura, depois bolo de maçã ou banana com canela, chá e bate papo. Era dia dos papos filosóficos.

Mas a gente se divertia.

E se amava.

criado por picida_ribeiro    21:15 — Arquivado em: relacionamentos

10/5/09

COMEÇAR DE NOVO E CONTAR COMIGO

 

Relendo o post anterior, falei das vantagens de recomeço, que ele leva, por estar num novo ambiente, novas perspectivas, com suas iniciativas.
Para mim, o recomeço é mais difícil, porque muitas coisas FICAM, mas não quis dizer que não posso ter as mesmas perspectivas do novo, do recomeço.
Só é mais difícil. Bem mais difícil, mas igualmente possível.
“COMEÇAR DE NOVO E CONTAR COMIGO”.
Ontem na loja, deu tudo certo. A Ana, gerente da loja, ex-cunhada e amiga da minha irmã, fez um trabalho impecável.
A loja estava linda, os petiscos ótimos, assim como os bem casados.
E as vendas corresponderam ás expectativas.
Minha mãe, minhas tias, também passaram por lá
Ganhei até presentes de aniversário! Um hidratante da Natura da Ana, uma camisola das Tias.
O Rafael esteve lá com sua namorada, a Priscila.
Fiquei na loja o dia todo, mulheres tagarelando, roupas, música, um pouco de Décio, claro, só com os mais íntimos.
A uma amiga em comum, quando ele falou da separação e ela perguntou “E a Picida ?”, ele respondeu que eu tenho minha vida aqui, que as atenções e gentilezas que sempre tive com ele, tenho com todo mundo, que é meu jeito.
Vou fazer de conta que não ouvi.
Será que ele não percebia a diferença? Realmente, sou gentil e prestativa para com as pessoas, esse é meu jeito de viver, mas será mesmo que ele não via a diferença entre minha solidariedade e carinho pelas pessoas e o AMOR que eu tinha por ele. Eu disse TINHA?
Cheguei em casa, distração: fogão.
Comecei a preparar um salpicão para ao almoço do Dia das Mães.
Depois vi TV e li. O nome correto do livro que meu irmão emprestou é “CASTELO DE VIDRO”.
“A história de uma família que aprendeu a criar finais felizes”.
Eu, Pollyana, achei essa idéia demais!!! 
 
 
criado por picida_ribeiro    10:41 — Arquivado em: relacionamentos

9/5/09

MAIS UM CAPITULO II

 

Ontem, mais um dia normal de trabalho.

Minha irmã foi para SP fazer mais compras para loja, vendeu bem durante a semana, e não podia se arriscar a trabalhar no Dia das Mães, sem estoque, afinal, é o segundo maior dia de venda no comércio. Só perde para o Natal.

Fui ao dentista, depois pedi carona para o Rafael para vir até em casa.

Passar no supermercado, fazer as compras do dia, escolher cardápio

Inevitável não pensar no DÉCIO. Na nossa rotina.

Como não dirijo, cada um fazia sua parte: ele me levava ás compras, eu sentia imenso prazer em preparar suas comidinhas preferidas.

Recentemente, uma colega de trabalho, comentou sorrindo que eu era a única mulher que ela ouvia dizer:” vou para casa, preparar um jantarzinho para o marido”.

As demais, segundo ela diziam :” agora me tóca ir pra casa, tenho que fazer janta, antes que ele chegue”.

Lembrei também do comentário do Ciro um amigo de SP., que há anos atrás costumava me dizer que eu tinha cara de mulher “ bem comida”.

Era o jeito machista de avaliar que eu tinha cara de “bem amada”.

Algum tempo depois, ouvi com as mesmas palavras, do diretor de uma empresa que eu trabalhava, e claro, não era íntima.

Devia estar na cara mesmo. Devia ter uma luzinha vermelha piscando: feliz! Feliz! Feliz!…

È difícil ir apagando coisas assim. Quero crer que não seja necessário apagar, que basta ir colocando os sentimentos nas gavetas certas, e abrir nas horas certas. Difícil, colocar em prática. Mas, todo começo é só tentativa. Depois vai…

Chequei em casa, muito, muito triste.

Saudades dele, das conversas, do seu beijo, do seu cheiro, de seu abraço.

Saudades dele.

Dediquei me á minha distração preferida: cozinhar.

Preparei os petiscos para o coquetel da loja, ficou muito bom, quase profissional!

Como em todos esses eventos a parceria do Décio era fundamental, era importante eu provar para mim mesma que conseguiria fazer tudo sozinha.

Deu tudo certo. Consegui!!!

No momento imagino que nossas vidas e sentimentos estão assim:

Eu, pensando no que ficou, em como fiquei, olhando para um mundo que existia e desabou.

Ele, pensando no amanhã, no novo, no que está por vir e construir. Leva vantagem.

Leva vantagem também , pelo fato de ter um jeito, assumido por ele, de não criar raízes profundas, de apagar da memória o que quiser apagar, quando quiser.

Mesmo gostando muito das pessoas, convive com elas quando é procurado, senão fica assim, cada um no seu canto.

Muitas vezes eu tinha que falar para ele ligar para o filho, para os irmãos,

Contato com amigos, só se eu tomasse iniciativa.

Quando alguém que ele gostava saía da vida dele, por qualquer motivo que fosse, até a morte, ele dizia:” acabou, faz parte, assim é a vida  .”Bem racional.

O Neto, meu irmão, me perguntou como alguém consegue apagar assim 30 anos de história?

Lembre de uma história que ele me contava de um tio, que tinha um bom trabalho, era exímio desenhista, e um dia disse para família que ia cuidar dos índios no Araguaia. Foi embora, nunca mais voltou. Será que surtou?

Ele estranhava meu jeito exagerado de reagir em perdas assim.

Meus amigos, sempre cuido dos aniversários, das datas, das noticias.

Levo á sério Saint Exupéry: Somos responsáveis por tudo que cativamos.  

criado por picida_ribeiro    21:19 — Arquivado em: relacionamentos

8/5/09

FINAL FELIZ…ENQUANTO DURA

Meu atual trabalho é em mercado financeiro, e nessa área a coisa anda brava, e levando se em conta que a empresa é do meu irmão, a dedicação para os melhores resultados, é total!

È matar um leão por dia. De bom, têm que apesar de muitos contratempos, vejo muitas possibilidades, as coisas caminham melhor, eu e minha irmã, que também está nessa parceria, estamos redescobrindo forças e valores profissionais já esquecidos, mas que agora estão mais fortes que nunca.

Outra coisa boa disso tudo, é que ajuda a passar o tempo e não pensar tanto no Décio.

Não pensar tanto… diferente de não pensar nada.

Penso nele. E ontem os pensamentos iam para direções diversas.

Houve a tendência de pensar coisas ruins. Não eram muitas, nem tão importantes, mas haviam, claro.

Acho que quando há uma separação, quem está sendo dispensado, tem duas opções : primeiro: ficar com raiva, procurar os defeitos, ver os erros, e qualquer que tenha sido a maneira da dispensa, sempre  achar que poderia ter sido diferente, sempre  pensar que haveria uma outra forma, que não foi do jeito mais certo, do jeito mais justo.

Comecei á ver com mais clareza o exato momento em que ele fez o “comunicado”.  Ele havia chegado de viagem e dormido no outro quarto.

Encontramos nos pela manhã na cozinha. Ele disse direto, calmo, objetivo: “Precisamos falar sobre a separação . Não quero mais ficar em Ibitinga. (Nem mencionou a possibilidade de eu ir. Eu não iria, mas não convidou) Não vou levar nada daqui, vou morar com meu irmão, até me ajeitar. Vou embora amanhã”. Foi melhor forma? Foi justo? Existe a melhor maneira?

Segunda opção do Dispensado: ficar lembrando e relembrando os bons momentos, as coisas boas, a musica, comida, conversas, filmes, amigos, passeios, família, sei lá, uma série de coisas boas que passarão a ser vistas como perdas. E perdas das mais doloridas.

Se ficar nessa, não se cura nunca.

Se acrescentar uma dose de culpa: eu devia ter feito isso, aquilo, ou então não devia ter feito, aí, então endoidece.

Mantenho os amigos de sempre e mais alguns que conquistei há pouco, que se assustam com a noticia, mas dão força, não julgam e  dão o tempo de luto que pedi.

Mantenho a família, grande alicerce para toda e qualquer construção.

Meu irmão, Neto, emprestou um livro, romance, de uma escritora americana, chamado “ Casa de Vidro”.

Cheia de interesse, vou começar a ler, motivada pelo subtítulo “ A HISTÓRIA DE UMA FAMILIA QUE APRENDEU A CRIAR FINAIS FELIZES”.

Embora, hoje eu esteja vivendo um Chico Buarque: “Oh! Metade de mim. Oh! Metade amputada de mim…  Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu…”, acredito em  FINAIS FELIZES…enquanto duram.

Aí ,começa outra história

 

criado por picida_ribeiro    15:28 — Arquivado em: relacionamentos

7/5/09

The Winner Is…

 Ontem foi o dia mais dificil. Comparando a tal viuvez repentina, digamos que ontem foi o dia do enterro.O dia que você vê que não há mais nada.

Nem meias, nem cuecas. Nada. Só as histórias.

Só a vida vivida.

Acordei com muita dor de cabeça, vomitei.

Trabalhei angustiada, mas toda enfeitadinha, cortei o cabelo em SP no SOHO, que faz uns cortes mais modernos, meio Ana Maria Braga, só que eu ainda não passei gel para arrepiar, mas está mais moderno, jovial.

Comecei a contatar imobiliárias para ver nova casa.

A noite, caminhei, e fiz uma receita de docinhos “ bem casados” (que ironia), para o coquetel que minha irmã está preparando para sua loja no sábado, véspera dias das mães.

E os tais bem casados, foi uma luta fazer dar certo. Desde o ano passado,  pesquisei receitas , comprei embalagens pela internet, vi como embrulhar no youtube, depois, fui fazendo minhas mudanças nas receitas, até chegar ao ponto ideal. Acho que a receita de ontem ficou ótima, perfeita.

O Décio ajudava a embrulhar, eu dava os lacinhos.

“Está faltando um pedaço..”

Enquanto caminhava, eu pensava, nos tais sinais não vistos, não percebidos.

Já não existiam mais aqueles beijos, os amassos, eram só distraídos selinhos, mas ele ainda me dizia com certa constancia que eu era a coisa mais importante da vida dele, mas EU TE AMO, não rolava mais.

Há umas duas semanas atrás, eu comprei uma briga pelo meu irmão, e depois ele me disse até emocionado, que admirava esse meu jeito de ser, a força, atitude, iniciativa.

Vai entender…

Acho que pensei ter criado um relacionamento de sonho, conto de fadas.

Acreditava no amor sincero, renovado.

Acreditava no friozinho na barriga ao encontro inesperado, nos arrepios com afagos .

Excedi na confiança. E acreditei demais.

Não que ele fosse falso, ele também acreditava, eu acho.

Estávamos vivendo de histórias.

Quero viver de verdade. De sonhos também, senão, quem suporta?

Um dia vou escrever sobre isso tudo: livro, novela, mini série, melhor roteiro adaptado, sei lá.

E vou ganhar premio. Imagino a cena, e penso nos agradecimentos:

“ Agradeço ao Décio, que ao me dar o pé na bunda, me deu a chance de chegar á esse sucesso”

Não seria demaaaiiiisss???

  

criado por picida_ribeiro    12:43 — Arquivado em: relacionamentos
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