DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

6/5/09

Mais um capitulo

Comecei a semana em clima de normalidade, dentro do que se pode considera normal, um fim de casamento de 28 anos.

Onde estavam os sinais que eu não via? Ou não queria ver?

Vim para o trabalho, boa receita atravessar para momentos assim. Não resolve, mas ajuda.

Na segunda feira, saí um pouco mais cedo do trabalho.

Há algum tempo, O Décio havia comentado que estava com vontade de comer uma das minhas especialidades gastronômicas: nhoque de ricota com espinafre.

Fiz um jantarzinho para nós dois, como quase sempre acontecia:

Arrumei a mesa na sala de jantar, flores, velas, vinho, e o tal nhoque, que estava ótimo!

Sobremesa banana flambada com sorvete de creme.

Pedi para ouvir Michel Bublé.

Imagino as variadas opiniões: retardada, masoquista, apaixonada, tonta, sei lá.

Nada disso, ou um pouco disso tudo.

Conversamos banalidades, conversamos um pouco sobre nós.

Quando ele falava nos meus sobrinhos, se emocionava, do Rafael, nosso amigo, também.

Quando falava de nós dois, nem por uma vez sequer senti que ele estava triste por me deixar, ou até preocupado comigo, com meus sentimentos, com a vida prática sem ele.

Vou embora e tchau.

Ouvi “RECUPERAR O TEMPO PERDIDO” Que tempo perdido? Ele mesmo não dizia que era tudo muito bom???

Eu não tenho nenhum tempo perdido. Tenho como conquista cada momento vivido.

Mas, gostei de ter feito jantar. È meu jeito, minha cara.

Ontem, terça feira, só o vi pela manhã. Sabia que quando chegasse do trabalho ele não estaria em casa.

Assim foi. Exatamente assim.

“Meu cachorro me sorriu, latindo”  Creedo, nessa Roberto Carlos forçou…

Mas passada a festa dos cachorros, rodei pela casa uns 15 minutos, sem pensar em nada. Pus o tênis, caminhei por uma hora.

Como todos estamos cansados de saber, caminhar: bom para o corpo e para espírito.

Fiquei pensando,com surpresa e tristeza em como a minha vida que era tão anexada a a dele não importava para ele.

Qualquer manual do politicamente correto, ensinaria que nesses casos, a ultima coisa que devemos querer é que sintam pena da gente, principalmente “ele”.

Então vamos mudar a palavra: consideração, cuidado, amizade, sei lá.

Mas na verdade, acho que por tudo que ele sabia que eu estava sentindo eu queria mesmo, era um pouco de COMPAIXÃO.

Comecei a sentir me uma viúva. Dessas que perde o marido de repente, de forma inesperada.

Mesma dor e surpresa. Para o tamanho da dor, poucas lágrimas.

Vou curtir o luto. Nem tenho atendido telefone. Vou começar a faze-lo depois do “sétimo dia”.

Não quero olhar para tudo ao som de “Meu mundo caiu”.

Prefiro, “amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar”

 

 

criado por picida_ribeiro    13:59 — Arquivado em: relacionamentos
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