DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

9/5/09

MAIS UM CAPITULO II

 

Ontem, mais um dia normal de trabalho.

Minha irmã foi para SP fazer mais compras para loja, vendeu bem durante a semana, e não podia se arriscar a trabalhar no Dia das Mães, sem estoque, afinal, é o segundo maior dia de venda no comércio. Só perde para o Natal.

Fui ao dentista, depois pedi carona para o Rafael para vir até em casa.

Passar no supermercado, fazer as compras do dia, escolher cardápio

Inevitável não pensar no DÉCIO. Na nossa rotina.

Como não dirijo, cada um fazia sua parte: ele me levava ás compras, eu sentia imenso prazer em preparar suas comidinhas preferidas.

Recentemente, uma colega de trabalho, comentou sorrindo que eu era a única mulher que ela ouvia dizer:” vou para casa, preparar um jantarzinho para o marido”.

As demais, segundo ela diziam :” agora me tóca ir pra casa, tenho que fazer janta, antes que ele chegue”.

Lembrei também do comentário do Ciro um amigo de SP., que há anos atrás costumava me dizer que eu tinha cara de mulher “ bem comida”.

Era o jeito machista de avaliar que eu tinha cara de “bem amada”.

Algum tempo depois, ouvi com as mesmas palavras, do diretor de uma empresa que eu trabalhava, e claro, não era íntima.

Devia estar na cara mesmo. Devia ter uma luzinha vermelha piscando: feliz! Feliz! Feliz!…

È difícil ir apagando coisas assim. Quero crer que não seja necessário apagar, que basta ir colocando os sentimentos nas gavetas certas, e abrir nas horas certas. Difícil, colocar em prática. Mas, todo começo é só tentativa. Depois vai…

Chequei em casa, muito, muito triste.

Saudades dele, das conversas, do seu beijo, do seu cheiro, de seu abraço.

Saudades dele.

Dediquei me á minha distração preferida: cozinhar.

Preparei os petiscos para o coquetel da loja, ficou muito bom, quase profissional!

Como em todos esses eventos a parceria do Décio era fundamental, era importante eu provar para mim mesma que conseguiria fazer tudo sozinha.

Deu tudo certo. Consegui!!!

No momento imagino que nossas vidas e sentimentos estão assim:

Eu, pensando no que ficou, em como fiquei, olhando para um mundo que existia e desabou.

Ele, pensando no amanhã, no novo, no que está por vir e construir. Leva vantagem.

Leva vantagem também , pelo fato de ter um jeito, assumido por ele, de não criar raízes profundas, de apagar da memória o que quiser apagar, quando quiser.

Mesmo gostando muito das pessoas, convive com elas quando é procurado, senão fica assim, cada um no seu canto.

Muitas vezes eu tinha que falar para ele ligar para o filho, para os irmãos,

Contato com amigos, só se eu tomasse iniciativa.

Quando alguém que ele gostava saía da vida dele, por qualquer motivo que fosse, até a morte, ele dizia:” acabou, faz parte, assim é a vida  .”Bem racional.

O Neto, meu irmão, me perguntou como alguém consegue apagar assim 30 anos de história?

Lembre de uma história que ele me contava de um tio, que tinha um bom trabalho, era exímio desenhista, e um dia disse para família que ia cuidar dos índios no Araguaia. Foi embora, nunca mais voltou. Será que surtou?

Ele estranhava meu jeito exagerado de reagir em perdas assim.

Meus amigos, sempre cuido dos aniversários, das datas, das noticias.

Levo á sério Saint Exupéry: Somos responsáveis por tudo que cativamos.  

criado por picida_ribeiro    21:19 — Arquivado em: relacionamentos

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