11/5/09
MAIS UM CAPÍTULO III
Domingo bonito e ensolarado. Por um raro milagre, acordei naturalmente por volta das 9:00 hs. Costumo dormir muito, e até tarde. Acordar é um problema para mim.
Rotina diária: lavei o quintal. Três cachorros, perceberam? Fizeram a associação? Lavar quintal… três cachorros…
Na semana do LUTO, vou falar do Décio e da separação até a exaustão.
E que ninguém imagine que tudo que ando escrevendo foi publicado.
Páginas e páginas, guardadas. Meus desabafos.
Domingo dia de corrida F1. O Décio não se importa muito com futebol, mas corrida, ele adora.
È de pôr despertador para tocar e assistir treino de classificação de madrugada, quando é o caso. Acompanha, sabe as regras, torce, vibra.
È praticamente um corintiano das corridas.
E em domingos de corrida, eu associava duas coisas que ele ama: corrida e leite com café.
Preparava um café da manhã especial, levava naquelas bandejas de novela.
Leite com café, pão com manteiga, suco, queijo, geléia, torradas, mel.
Eu pensava assim: Homem quando assiste futebol, gosta de petiscos e cerveja.
O Décio não bebe, é fanático pelo tal pingado. Vamos associar os prazeres.
Em dias de corrida, era o único dia, que eu preparava um café assim , espontaneamente, sem resmungar. Odeio fazer café. Prefiro fazer um almoço, um jantar.
Aliás, odeio café. O gosto, o cheiro. Ele adora. Agora, com essa história de blend de café, esses papos de baristas, eu comprava para ele quando a gente viajava, os cafés especiais, que via nas revistas. Aqui em casa, até pó de café da Kopegnhagem rolava.
Ah! Mas ele merecia, juro….
Fiz o tal salpicão para o almoço de domingo. Não ficou ruim, mas já tive melhores momentos.
Alguma coisa faltou no tempero. Acho que um pouco mais de maionese.
O almoço foi na casa do meu irmão, Neto. Pequeno grupo, só família.
Poucos e bons.
As mães trocaram lembrancinhas, e as tias entraram na jogada, porque sempre além de serem tias, foram quase mães, ao menos dos filhos do meu pai.
No almoço, a conversa foi agradável, falar sobre o Décio, foi inevitável.
Sem detalhes, porque eu não tenho mesmo muito para dizer, mas o Pongaí, cunhado do meu irmão, me achou bem. Minha mãe também.
Eu não tinha me ligado, o quanto minha ficou abalada com o que aconteceu.
Só ontem ela me disse que não comia, não dormia, ficou abatida, mesmo.
Minhas tias, só hoje me contaram que quando ela ficou sabendo, foi na casa delas, transtornada, rosto vermelho, precisaram dar água com açúcar.
Ela tem 79 anos. Não é nem por causa do relacionamento. Acho que foi por minha causa mesmo.
Ela sabe o que ele era na minha vida. Descobri que quando a mulher se separa e não tem filhos, como é meu caso, as pessoas se envolvem mais, porque imaginam a pessoa sozinha, imaginam que filho por mais trabalho que dê, é companhia.
E num Dia das Mães, não quero apenas falar de minha mãe.
A minha mãe sempre foi uma mãe cuidadosa, empreendedora e guerreira mesmo, mas o centro da vida dela, sempre foi meu pai, e eu acho isso lindo, e sou grata á ela, por tudo que ela conseguiu fazer para manter a estrutura de família, irmãos amigos e unidos, filhos cuidadosos e presentes.
Hoje, nesse Dias das Mães, quero homenagear as mães, que ficam com os filhos, seja na separação, seja quando eles sequer assumem os filhos.
Não concordo com mulheres que usam o expediente de engravidar, tirando do homem o direito de decisão sobre ser pai ou não, mas já que o filho nasceu, o relacionamento pode parar, mas filho, com licença…tem que criar.
E em separação, o homem deixa os filhos com certa dor, até acredito, mas com tanta tranqüilidade…
A mãe, na maioria das vezes tem que sustentar, educar, divertir, FORMAR.
E SÓZINHA.
Parabéns á todas elas.
MENÇÃO HONROSA: ao Nilton Roberto, listado nos meus blogs preferidos, que por opção, ficou com casal de filhos ainda crianças, e cuida deles, já quase adultos, até hoje.
Encerro o domingo, na rotina que eu mantinha com o Décio: Café Filosófico na TV Cultura, depois bolo de maçã ou banana com canela, chá e bate papo. Era dia dos papos filosóficos.
Mas a gente se divertia.
E se amava.
criado por picida_ribeiro
21:15 — Arquivado em: 

Apesar da dor que eu mais que ninguem sei que voce está sentindo, vejo um lado bom nisso tudo, que é de voce ter um tempo realmente para voce. Embora voce não admitisse, acho que nem percebia, mas vivia sim muito em função do Decio, esquecendo de voce.
Embora voce sempre dissesse que era feliz, basta olhar sua imagem no espelho para ver que não era isso tudo, que alguma coisa não estava bem
Mesmo que voces volte, aproveite esse momento para dedicar um tempo para voce, e nãio precisa ser TODO tempo.Deixa um pouquinho de tempo prá mim rsrsrs
Comentário por Liliana Ribeiro — 12 12UTC maio 12UTC 2009 @ 11:52
Picida,aproveite e escreva tudo o que está no seu coração. Faça um exorcismo, uma catarse.
Daqui a algum tempo você vai ler tudo isso com olhos diferentes.
Repito o conselho dado acima: aproveite esse tempo e cuide de você em todos os sentidos, porque marido é bom, mas dá um trabalho…
Beijos.
Comentário por lucy in the sky — 12 12UTC maio 12UTC 2009 @ 13:52