DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

16/11/09

CLÁSSICO E TRADICIONAL II

Na seguencia dos escritos sobre o que é e será classico e tradicional mais um depoimento:

 

*  Nilton Roberto é o primeiro blogueiro que passei a acompanhar as histórias, escritas diáriamente, com sinceridade e verdade. Um homem de 50 anos que expõe histórias, pensamentos e sentimentos, as vezes contraditórias, até polemicas, mas sempre sinceramente bem escritas

 

A PEDIDO

Outro dia recebi da minha comentarista mais assídua, a Picida, um e-mail com o seguinte conteúdo:

“Tatiana Rezende se baseou numa frase de um post meu, para escrever sobre ‘tradicional“. Então me veio a ideia e vontade de pedir aos escritores de meus blogs favoritos que escrevam sobre o tema.
O que dos dias de agora será “classico” e /ou “tradicional” no futuro?
Vale tudo. Comida, roupa, filme, musica, pessoas, costumes, novela, sei lá.
Conto com sua opinião“.

Bem, para quem não sabe, a Tatiana Rezende é uma jornalista que trabalha na equipe de produção do programa do Jô Soares e tem um blog que pode ser acessado no link http://trezende.wordpress.com/.

Pensei muito se escreveria alguma coisa sobre o tema, porque dele não gosto. Na verdade, se for pensar, hoje em dia não existe nada acontecendo que apresente tendência a virar “clássico“. Os Beatles (como um todo) são um clássico. Oasis, por exemplo, nunca será. Duvido muito que haja explosão de vendas de cd’s daquela banda daqui a 40 e poucos anos, como acontece com os Beatles. Nem se compara.

Não vejo nada que hoje em dia esteja acontecendo para se tornar tradicional.

Aliás, na minha vã filosofia e pouca sabedoria radical acumulada em meus parcos 51 anos de vida, a palavra “tradição“, para mim, significa ”o modo como sempre fizemos as coisas“. Se é o modo como sempre fizemos as coisas, não admite mudanças. Até onde eu vejo, o que não admite mudança não evolui; o que não evolui fica estagnado; o que fica estagnado um dia acaba morrendo. Não vejo como fugir disso.

Sempre digo que minha relação com o tradicionalismo gaúcho acaba no churrasco. Tenho séria dificuldade em estabelecer uma diferenciação pessoal entre o que é tradicional e o que é costume. Não cumpro várias e várias “tradições” autoimpostas ao longo dos anos, que dirá o que vem de fora dos meus interesses.

“O modo como sempre fizemos as coisas“, pelo que percebi até hoje, é não só muito importante para muitas pessoas, como se torna um “hábito“, um “costume” seguro, que evita que as pessoas tenham que pensar em fazer as coisas de um jeito diferente, ficando com aquilo que já conhecem, porque já existe um roteiro pré-programado, seguido ao longo de tantos e tantos anos, que sequer pode ser questionado, ou seja, não admite mudança. É muito mais seguro andar por onde já se conhece do que tentar fazer um caminho diferente e cheio de surpresas, que, para começar, poderia ser muito mais excitante, mais estimulante.

Mas, para não dizer que não falei de flores, consigo admitir que é possível que no futuro, daqui a 60 anos, ainda estejamos falando sobre a “clássica” e “tradicional” roubalheira política em todos os níveis (escrevi roubalheira política? Errei, queria dizer “roubalheira dos políticos“, porque a política não se rouba, ela é uma ferramenta usada para perpetuar a verdadeira roubalheira), porque esta é uma ”tradição” que realmente vingou e que só sobrevive porque “o jeitinho” brasileiro tem sempre uma maneira de modificar “o modo como sempre fizemos as coisas“: para isso, roubar, sempre existe renovação. E o que se renova admite mudança. Se admite mudança, evolui. Se evolui, nunca fica estagnado.

Se não fica estagnado, nunca morre. Parece que existe, sim, em algum momento, uma diferenciação entre tradição e costume.

-

P.S.:

(o mais engraçado é que durante a confecção deste post em alguns momentos fiquei com a sensação de estar escrevendo sobre casamento, por que será?)

criado por picida_ribeiro    21:14 — Arquivado em: relacionamentos

4/11/09

PASSANDO O TEMPO

Gosto mais de feriado prolongado, quando o feriado caí ás segundas feira, como foi agora.

 

Não sei porque, parece que sobra mais tempo para descansar.

Foi o que eu fiz.

Fazia como calor, muito sol, e eu estava muito cansada.

Mental e emocionalmente cansada.

Precisando “dar um tempo”, ficar sozinha, pensar na vida, nas pessoas, no mundo que vivemos, assimilar as mudanças. As boa, as nem tanto.

Sábado dormi bastante, acordei “naturalmente” como costumo dizer, quando durmo até cansar. (dormir cansa?)

Almoço frugal ( acredite, quem quiser), fiquei de maiô ao sol, lendo, pegando uma corzinha.

À tarde,fui á loja da minha irmã, que agora é vizinha da casa nova.

À noite, filme assisti um DVD com meu irmão  Neto e minha cunhada Graça.

Era um musical legal, meu irmão adora, bom de assistir, passou até muito rápido, tomamos um pouco de champagne, conversas e petiscos.

Domingo, mais um pouco de sol, um almoço quase jantar, sorvete em Itápolis.

Segunda feira, Finados, fui ao cemitério levar flores ao tumulo de meu pai.

Não me preocupo se estou cumprindo convenções, faço o ritual.

Acho que é válido. È uma reverencia, com dia marcado, e daÍ?

Faço.

Emocionada, sempre.

Encontrei Tia Cleide. Ela chorou. Vê-la chorar, é ver uma fortaleza desabar.

Mas ela tem mais de setenta anos, não precisa provar e mostrar mais nada.

Se é hora de mostrar a dor, pronto, mostrar a dor.

Deixar ser amparada, não amparar apenas. Pura saudade da Tia Vera, sua irmã caçula.

O calor seguiu sem tamanho, sem medidas.

Só com MUITO sorvete e Coca Cola MUITO gelada.

Comecei a semana, nem triste, nem feliz, mas descansada, de verdade.

Assustada cada vez mais, com a rapidez que o tempo tem passado, me recusando a ver o final do ano aí, me recusando a crer que já tenho cheques pré datados para janeiro de 2010!!!

Farei os tradicionais planos de ano novo? Esse ano cumpri algum? Preciso ver…

criado por picida_ribeiro    23:03 — Arquivado em: relacionamentos

28/10/09

CLÁSSICO E TRADICIONAL

Pedi aos autores de meus blogs favoritos que escrevessem sobre o que consideram clássico e tradicional nos dias de hoje e o que consideram que o serão amanhã. Publicarei por ordem de "chegada"

O Silvio, o blog  MERIDIANO SANGRENTO O FEZ DE FORMA LÚCIDA E PROFUNDA, COMO É DE SEU FEITIO.

Utopia de um homem que está cansado
 
By Meridiano Sangrento
 
Vivemos o tempo dos fenômenos anabolizados pela Internet, uma era torpedeada via Google. Novos Michaels estão sendo gestados em fábricas de fundo de quintal. Só não serão melhores, que o péssimo original, pois estrelas precisam de lendas e mitos pessoais para os engrandecer e isso demanda tempo. Tempo é o que não temos hoje. Vivemos para ser bombardeado pela próxima grande atração que durará o suficiente até que outra a supere. E assim ocorre uma substituição sem fim, numa redundância sufocante. Como músicas que baixamos aos montes e nem nos damos ao trabalho de prestar atenção de verdade, pois sempre tem uma novidade novinha em folha clamando por atenção. A voracidade e o péssimo gosto dos fregueses de novidades impressiona. Se é para ficar linkado em algo, que seja sempre aquele que se expõe mais e se joga sem medo: uma princesa Diana entre ferros retorcidos; um Bush desviando de sapatos. Nosso desejo pelo volátil é imenso. Adoramos vozes belas em invólucros esquisitos, é contra tudo o que crescemos vendo, e é o novo da estação que nós sempre queremos. Sendo estação o sucesso do dia, quiçá, da semana. Balões prateados flutuando ao encontro dos nossos desejos (ou os desejos da mídia e dos seus vampiros).       
 
Mas sempre existirá os rebeldes. Sorrio para esses minúsculos agrupamentos de plantão. Nossos neo-hippies-passadistas. Sempre teremos em meio a toda unanimidade, focos de resistência inermes. Niilistas de fachada, fingindo ser contra tudo e todos. Nada mais fake que grupelhos que usam cabelos mau penteados propositadamente; tatuagens; a roupa que não está na moda; a camiseta do Che. Novos bandos para substituir os de antes: punks, góticos, hippies, nerds, indies, metaleiros. São a resistência ao irreversível. São os anti-tudo da nova era. Abandonados no seu córner, sem adversário para lutar: quem liga pra eles?. "Não, eu não tenho orkut, nem facebook, e odeio msn", significa dizer como em um ontem não tão longínquo: "eu odeio a sociedade, por isso moramos aqui, nessa comunidade, integrados com a natureza, livres da opressão do sistema". Bela inutilidade. 
 
O mundo dá mais voltas que conseguimos acompanhar. Celular sem bateria; um dia sem msn; uns minutos sem trocar e-mails ou torpedos; impossibilidade de baixar mp3s; melhor o Inferno de Dante, diriam não só os jovens, mas também as crianças, os de meia-idade; os idosos. Como imaginar a vida sem internet? Minha mãe esperando na janela meu pai chegar, enquanto cuidava das roupas, dos filhos pequenos, matava uma galinha, arrancava uma cenoura do chão. Minha mãe não conheceu a internet, feliz dela? Creio que não. Imagino ela hoje, ainda esperando meu pai chegar, conversando com seus filhos e netos em São Paulo, com seus filhos e netos em Cuiabá, com seus filhos, netos, bisnetos, irmãs em Campo Grande, ela, com certeza, se sentiria bem mais completa se tivesse tido a oportunidade de algo tão futurista.
 
Uma vida bucólica como era da minha mãe, será, num futuro próximo, um grande hit. Fazendas ecológicas, em que o contato com a natureza, liberdade, vagarosidade, será o tradicional em voga. Serão as sacristias da modernidade galopante. Templos em que se oficiará as novas missas. Computadores ultra-high-techs, laptops mega-powers, celulares-câmeras 24 horas online, mp20, tudo desligado. Rede, só as que dormirão sonos reparadores os visitantes ilustres, ou melhor, os viciados da modernidade, ou seja, quase todo mundo.
 
Outra tradição de um futuro próximo será o se doar. Ser ou estar em ONGs fará toda a diferença. Dos bagres mandis do rio Paraguai aos moradores do mangue da Polinésia. Das Genis dos becos ou as de luxo às pessoas que nunca passaram num concurso público. Dos gnomos e fadas aos políticos anônimos. Todo mundo terá alguém pra chamar de seu. Algo como um bolsa-família monumental. Doar R$ 7,00 para o Criança Esperança que nada. Um mundo mais glorioso será quando todos, tradicionalmente, além da sua jornada de trabalho, partilharem de leituras de livros para cegos analfabetos. Oh, o mundo estará melhor assim? É claro, mas quem não gostará muito serão os totalitários de esquerda que perderão um nicho do seu mercado, no vale-tudo pelo social.  
 
O Carnaval vai sobreviver. Ele, que não é mais o tradicional que conhecemos, mas vai viver e mostrar mulatas ainda rebolando quase sem roupas; celebridades com a pele pintada; comunidades em transe. O carnaval ainda vai ser algo que chamará a atenção do mundo, pois, nós somos o país do futuro, do samba, do futebol, da banana, do pré-sal e de todos os clichês possíveis, não seria justo a maior festa pagã que temos sucumbir assim assim. Que acabe o futebol, essa farra de obtusos desmilinguidos, correndo atrás de uma bola em arenas de concreto e gramados verdes como um pasto, tá, melhor não também, precisamos de toda distração possível para o povo (esse ente infeliz que sofre e sorri ao mesmo tempo que tem seus sentimentos usados pelo bando da hora).
 
Manteremos outras tradições. Aqui não aprenderemos a tomar o chá das cinco londrino, mas salvaremos as que mais nos representam. Pão com mortadela. Casamento na Igreja. Sentar num bar para jogar conversa fora. Festa de debutantes. Café com pão de queijo. Churrasco no fim de semana. Show caipira em festa agro. Pudim de padaria. Trote aos calouros. Banda de escola. Assistir novelas. Postar o novíssimo e revolucionário texto, que não vai ser lido por quase ninguém. Manteremos muitas das nossas tradições: da cidade, do estado, do país, pois somos saudosistas de plantão e nada como uma festa junina pra alegrar um espírito.
 
Já dizia um ilustre escritor: "modernos são móveis velhos e neuroses novas", e clássico o que é? Hoje é tudo que tenha um mix de velho com um élan irrepreensível de novidade. Livros velhos, fotos velhas, fatos velhos, filmes velhos. Mortos famosos. Mortes antigas. Gênios reais e do marketing pessoal. Coisas não tão vistas mas que se materializam e assombram a todos; isso é o clássico de hoje. Mas clássico mesmo num futuro próximo será tudo aquilo que conseguir burlar o tempo atual - eis o grande senhor do mundo: o Tempo, será ele o Deus tão procurado? Aquele que sobreviver à ditadura do já será o clássico do futuro. Quem sobreviverá? Twitter? Kaká? Fast food? Kuat Eco? Obama? U2? Susan Boyle? Faustão? Naruto? Paulo Coelho? Fotografia digital? Clássico, será sempre aquilo que surge e muda tudo ao redor; quebra barreiras, é imitado, e o simples fato de sabermos que existe ou existiu, nos transforma ou transformará. Como um filme do Carlitos. Como Homero e Shakespeare. Como ver Mané Garrincha colocando pra sambar um bando de joões. Hitchcock. Beatles e Ramones. All Star. Arroz feijão bife batata frita e salada. Coco Chanel. Jeans. Como Machado, Kafka e Borges, que aliás empresta o nome de um conto seu para o texto todo.
 

criado por picida_ribeiro    22:40 — Arquivado em: relacionamentos

25/10/09

VOCE CONHECE MERCEDES SOSA?

 Alguns dias depois da morte da cantora argentina Mercedes Sosa, vi uma ota na seção DATAS da revista VEJA “ Morreu Mercedes Sosa a cantora argentina do bumbo”.

Embora eu nunca tenha sido, digamos, uma fã, dessas de comprar os discos, ir  á shows (ela fez vários no Brasil), achei a menção da Veja pouca coisa para o prestigio que ela tinha, e a ironia sobre o “bumbo” achei meio fora de hora e lugar, mas passou…

Na Veja da semana seguinte, vi na seção LEITOR, dois leitores, Fernando Bacha Mokarzel Junior e Maria Abilia M.Paes, reclamando da falta de atenção e até falta de respeito, salientando que ela foi uma voz importante na America Latina, quando os países viviam em épocas de plena ditadura política.

Falaram de bonitos trabalhos dela com os cantores Milton Nascimento e Fagner.

Admiro as pessoas que escrevem para reclamar de coisas assim, que não fariam diferenças nas suas vidas diretamente, mas por questão de lutar por aquilo que acham justo. Eu pensei, mas nada fiz.

Recebi então, um e mail de um amigo conterrâneo e contemporâneo,o Tavinho De Jorge com musica de Mercedes Sosa.

Demorei um pouco para abrir, e quando o fiz, até eu mesma fiquei surpresa: Cantei a musica todinha direto. EU sabia a letra de cor e salteado. Ouvi e cantei de novo.

Acreditem, crianças, a musica com link abaixo, fazia sucesso,era muito tocada nas radios , vendia discos.

Foi em 1976. Eu tinha 20 anos.

CONFIRA

CONFIRA 2

 

criado por picida_ribeiro    18:18 — Arquivado em: relacionamentos

19/10/09

LAR DOCE LAR

 

Estou me sentindo estranha nessa nova casa, que nem é tão nova casa assim.

Já se passaram três meses. Tres meses dos tempos de hoje, que passam tão rápidos que parece um tempo menor.

Mas não me sinto acolhida, não me sinto em casa. Não tem minha cara.

Tanto que não convidei ninguém para vir até aqui, não recebi visitas e páro pouco em casa.

E isso nunca me aconteceu antes.

Minha casa, onde quer que fosse, de que jeito fosse, sempre foi importante para mim. Meu espaço, meu castelo.

Eu, rainha.

Agora, longe disso.

Talvez porque dessa vez, na empreitada de transforma-la em lar, eu estou sozinha.

O Decio não toma nem conhecimento.

Nunca, nesses anos todos, ele participou tão pouco, ou nada, como agora.

Não me lembro de uma vez sequer, uma mudança nossa ter demorado mais que 24horas para ficar impecável, prontinha.

Ele cuidava de cada instalação, eu dos detalhes. Uma parceria desfeita.

Agora, se peço para que faça, passo por chata, vira cobrança.

Se não digo nada, como tenho feito na maior parte do tempo, nada é feito, simplesmente.

Resultado: Continuo com coisas na varanda que deveriam ser levadas para o deposito, louças ainda encaixotas, estantes inacabadas, coisas improvisadas.

As vezes atribuo ao computador. Todo tempo livre do Decio é usado com ele.

As vezes atribuo, que ele pode também não estar se sentindo em casa, mas se não tentarmos fazer daqui uma casa, como saberemos?

Vou tentar para valer, nem que seja sozinha, como faria se ele não estivesse aqui.

Não tenho identificação com a cidade, sempre só com minha casa.

Se na minha casa, não me identificar, ficará complicado,complicadíssimo.

À partir de meus cinco, seis anos de idade, lembro de cada casa que morei.

Detalhes de instalação, decoração, situação.

A primeira lembrança que tenho de uma casa, é da primeira casa que morei em Tabatinga 

Meu pai era funileiro mecânico (ainda existe essa profissão?) um operário enfim, mas muito qualificado e competente. Por isso foi convidado a trabalhar em Tabatinga e ir morar numa das casas do patrão. Ficava ao lado de seu trabalho, na rua principal da cidade.

Era uma casa ampla, simples e confortável.

Uma área ampla antes da entrada, a seguir a cozinha , que era o lugar da casa onde fazíamos as refeições.

Tinha sala de visita, sala de jantar, pouco usadas, e dois quartos amplos.

O Neto, meu irmão mais velho, morava com meus avós em Ibitinga, só nos visitava em férias e feriados, a Liliana tinha 3 anos, lembro muito pouco dela nessa ocasião, e o Zé Luiz, nasceu nessa casa.

Lembro bem desse dia. Carnaval. Eu, brincando no quintal, olhando para o céu, esperando a cegonha.

A casa, minha mãe trazia impecável, como sempre. Em cada mesa, uma toalhinha, com vasinhos de flores de plástico, chão de madeira, encerado, brilhando. Cera Parquetina, com certeza. Brilho de escovão.

Nessa área de entrada, meu pai recebia amigos em dias de festa.

No quintal, passava um riacho que em raras oportunidades, minha mãe deixava me aventurasse.

As melhores lembranças são focadas na vida harmoniosa que meus pais viviam e que meus irmãos não tem como se lembrar.

Os passeios aos domingos á noite com meu pai, cinema e lanche Bauru

Meu pai, fazendo álbuns de figurinhas, lendo gibis de Mandrake e Fantasma. 

Depois moramos em uma fazenda, novamente casa do patrão, uma boa casa, simples, e ampla, muito confortável. Chão de vermelhão, encerado e lustrado. Um brilho só.

Limpeza e organização impecáveis.

Tinha um quarto de hóspedes que nunca era usado, e guardava uns 4 colchões de mola,que á cada distração de minha mãe, eu e a Tia Vera usávamos para pular e brincar.

Não tinha luz elétrica. Nos guiávamos por lamparinas.

Dormíamos cedo, mas dava tempo de brincar de joguinhos com Tia Vera nas férias.

De dia, ia para escola, fui alfabetizada por lá.

À tarde, hora de brincar, sair pelo campo, ver o gado pastando tão próximo, minha mãe pondo roupa para quarar á beira do riozinho, água de poço.

A noite, meu pai, com seu radio de pilha, ouvindo futebol e musicas sertanejas.

Mas, aquelas de verdade. Cascatinha e Inhana, Pedro Bento, Zé Fortuna e Rei do Fole, Tonico e Tinoco.

As vezes ouviamos o programa “Balança mas não Cai”

Voltamos a morar na cidade, meu pai voltou a trabalhar na primeira empresa. A casa era ao lado de seu trabalho, na frente tinha um posto de gasolina.

Já não dava para tantas brincadeiras. A casa era menor, a divisão dos cômodos era esquisita.

Moramos por lá pouco tempo, logo meu pai arrumou uma casa melhor.

A casa de Sr Aristides Cruz. Uma varanda ampla, 2 quartos grandes, e  o melhor da casa: o quintal, com arvores e i riacho que cortava toda a cidade.

Dessa vez pude brincar bastante. E nessa casa fiz amigos na vizinhança.

A Silvinha, a Lidia.

A gente brincava, passeava, conversava. Bola de gude pela rua, queimada, amarelinha, ver TV nos vizinhos, uma festa.

E de novo, e sempre, minha casa, embora simples, sempre muito impecável. Minha mãe nunca deixou para arrumar as camas depois, mais tarde, sei lá, por qualquer motivo que fosse.

Nunca teve dia de faxina, na minha casa todo dia era dia de varrer, encerar, lustrar.

Eu nem reparava. Parecia natural que fosse assim.

Minha mãe cuidava de cada detalhe, conservava por toda vida um enfeite que ganhasse.

A grana que era pouca, foi ficando mais rara á medida que meu pai bebia mais, gastava em bar.

Mudamo-nos para um casarão antigo, a casa do “Dias”.

Tudo muito simples, muito básico.

De bom, mas muito bom mesmo, o quintal enorme, com arvores e rio.

Nessa casa desenvolvi e cultivei manias, quase rituais.

Passei a ajudar minha mãe na  limpeza diária da casa: camas com lençóis bem estendidos,as toalhinhas, criei arranjos de flores secas, ajudava a dar brilho no chão.

À cada cômodo que eu limpava, eu fechava a porta, para manter a ordem.

À tarde ia para a escola, voltava as 17 hs.

Trocava de roupa, fazia  doce de leite cremoso, quase como leite condensado, só para mim, todos os dias, um pouco só, menos que uma xícara.

Deixava esfriando e ia para o quintal, quase bosque. Ou era um bosque mesmo.

Passava horas, sonhando, pensando, brincando, criando historias, lembrando outras, eram as melhores horas do meu dia. Voltava para casa, ao escurecer.

Fiz isso durante anos e todos os dias da minha vida.

Eu não trocava aquilo por nada. Adorava.

A casa seguinte já era uma situação mais modesta. Meu pai tentava seu próprio negocio, e isso nunca foi seu forte.

Ele montou uma oficina na frente e nos fomos morar no salão dos fundos.

Eu costumo dizer que morei num “loft”. Agora isso é tão chic…

Era um salão mesmo, mas que minha mãe dividiu com móveis, deu cara de lar. Lá os cuidaddos eram os mesmos. Sempre tudo muito arrumado e organizado.

Das lembranças boas daí, o Neto veio morar conosco, começamos a fazer amigos, paquerar, sair a noite, eu estava ficando uma “mocinha”.

Quando o negócio não deu certo, meu pai fechou a oficina, nos mudamos para uma casa no centro.

Casa antiga, sem quintal, sem varanda, só um janelão que dava para rua.

Mas era perto de tudo. Dos passeios, de minhas amigas, do cinema, do clube.

Uma das lembranças marcantes nessa casa, foi da chegada da geladeira. De segunda mão, mas conservada, com aqueles trincos gigantes.

Eu achava demais abrir a geladeira e iluminar a sala com ela. Dava um clima. Era um sonho.

A Liliana, minha irmã veio morar em Ibitinga com meus avós, queria estudar numa escola industrial, profissionalizante, que ensinava costurar e cozinhar.

Ela voltava nas ferias e feriados.

E num dia 28/01 seu aniversario, do nada, eu organizei uma festa de aniversario para ela.

Alguns refrigerantes, bolo e sanduíches. Chamamos os amigos, e fizemos uma farra.

Foi a ultima casa que morei em Tabatinga. Eu tinha 14 anos.

Mas dentro de cada fase, cada momento de minha vida, dentro de grande simplicidade, tive um castelo.

Minha mãe me fazia ver assim, sentir assim. Ela não gostava receber de visitas, tampouco as fazia, mas seu lar era seu reino. Aprendi e foi para sempre.

E isso sempre foi bom.

 

Depois falarei das demais casas. Fui quase cigana, mas sempre rainha do castelo

criado por picida_ribeiro    20:42 — Arquivado em: relacionamentos

10/10/09

PENSANDO…PENSANDO…

 

Feriado prolongado chegando na hora certa.

Fim de um ano dificil se aproximando, e as energias precisando ser recompostas.

Vou aproveitar esses três dias para respirar calma e profundamente.

Esquecer os problemas, focar as soluções, como sempre diz meu amigo Rafael

Quero relaxar mesmo, e para ajudar meu telefone está com defeito faz uns 30 dias, eu nem me motivei para pedir conserto, acho que queria um tempo assim.

Pode até não ser bom sinal.Tentativa de isolamento nunca é bom sinal. Mas eu precisava disso.

Já está chegando aquela “cobrança inconsciente” de balanço de final de ano.

Aquelas famosas promessas feitas, quase nunca cumpridas.

E só de começar á pensar nesse balanço inevitável, vem uma boa dose de frustração, que finjo ignorar.

Não fiz quase nada. Fiz muito pouco.

Tem sido um ano agitado, desses de matar um leão á cada dia e não ver o tempo passar. Você termina o dia, o leão do dia está morto, mas fora isso, nada mais foi feito.

Como tenho a grande mania de ver sempre o “lado bom” de tudo, e quer saber? até gosto disso, vou enxergando em cada coisa, algo de bom.

Nem que seja aprendizado.

E se é verdade que é das coisas dificies que se tiram grandes lições, nesse ano fiz mestrado.

Aquelas coisas que parecem clichês, mas nada mais  que as básicas verdades da vida: vivendo e aprendendo.

Em Ibitinga, hoje terá um tradicional Baile do Havaí. Eu nunca fui, mas é um acontecimento na cidade, embora me pareça que não tem mais o glamour de uns anos atrás. O tempo vai passando, outras turmas chegando, com outras preferências. O que vai ser “tradicional” daqui um tempo??

Nos intervalos de meu descanso, vou com minha mãe visitar minhas tias.

Meus primos de SP talvez estejam por aqui, aproveito para pôr conversa e saudades em ordem.

E para pensar sobre a vida.

Hummm…Meditar… oooonnnn…ooonnnn…oooonn

 

criado por picida_ribeiro    14:22 — Arquivado em: relacionamentos

24/9/09

DE FRENTE COM O TEMPO

 

No ultimo domingo, o Decio participou de corrida 10 Km em Bragança Paulista.

Ir até Bragança Paulista, nesse caso, teve mais á ver com memória afetiva, do que com o esporte em si.
Tudo remetia a boas lembranças de tempos e historias vividas por lá.
ao menos, foi na gaveta de boas lembranças que eu arquivei. Tantas nem sejam tão boas assim.
Talvez sejam sonhos, expectativas, ou apenas saudades.
Mas Bragança Paulista na minha vida é como se fosse um endereço de felicidade, com cep e tudo
Eu gostava da cidade, na montanha.
Gostava do sol e céu brilhantes e do friozinho á noite.
Gostava de estar a 60 km de SP. Perto, mas sem estar lá.
E em Bragança, a frase de pára-choque de caminhão “Dinheiro não traz felicidade”, nunca foi tão verdadeira.
Por quase um ano, eu e o Décio ficamos sem trabalho fixo, financeiramente foi uma dureza sem fim, que nos levou a descobrir  graça e beleza nas coisas mais simples.
Aprendemos á valorizar a natureza. Lá tudo é muito bonito. De qualquer ponto da cidade dá para desfrutar uma bela vista, respirar ar puro.
Descobrimos a delicia de um bom hot dog com molhinho especial, um passeio no mercado municipal, um jantar preparado com atenção e carinho, passamos a dar valor de verdade á companhia um do outro. Foi quando fomos mais cúmplices e parceiros.
E como sempre, nesse momentos de dureza, a constatação de que os amigos são poucos, mas mais verdadeiros.
Descobrimos e mantemos os verdadeiros amigos.
Meu pai fazia hemodiálise e apesar das dificuldades da doença, lá era muito bem tratado, fez amigos,tambem descobriu e valorizou as pequenas as coisas. Valorizou sua vida, cada momento dela.
Apesar da doença, diria que foi a melhor fase de sua vida.
Em Bragança valorizei e vivenciei mais a família, meu marido.
Descobri o valor do companheirismo., olhar para seu parceiro e nunca se sentir só.
Logo na entrada da cidade,tem um lago lindo, ponto turistico marcante , ponto de lembranças de emoções diversas.
Parar e olhar o lago, ao entardecer me desmontou.
Chorei muito.
Chorei de saudades de meu pai, ao lembrar de sua emoção num reveillon ali, com grande queima de fogos e grandes abraços.
Chorei de susto ao ver o tempo que passou tão rápido. 11 anos.
Chorei pelo meu cunhado que se separou de minha irmã e da família, meu enteado que se afastou do pai e de mim, pela Silvia uma grande amiga que surtou, por mim e pelo Décio, nesse recomeço.
Chorei a falta do Alf meu poodle, e melhor amigo.
Uma história de 11 anos desfilando pela memória.
Esse passeio com o Décio, quase um recolhimento, vejo que se fazia necessário mesmo.
Um verdadeiro e difícil recomeço.
Mas foram voltando os sorrisos, piadas, carinhos.
Ainda não estou com “meu” Décio de sempre inteiro, mas nesse final de semana ele quase chegou, está faltando uns pedaços, aí então faço a restauração total.
Entre muitas coisas, o que sempre admirei no Décio foi o humor e gentileza, no sentido mais amplo da palavra.
Mais que admiração, encantamento.
E imagina se depois de tanto tempo vou me contentar com um Décio qualquer?
 Nãããoo.
Alí, de frente para o lago, vi que coisas simples sempre me encantam.
Alí, de frente para a vida, vi de verdade a passagem do tempo, o que fiz com ele,e que o poderei  fazer.
Ali, de frente para o passado, tive tempo de sonhar com futuro
Para ser bom, muito bom, não se precisa de muito.
O tempo de fato, é o senhor da razão, mas bem que poderia caminhar mais devagar.
criado por picida_ribeiro    23:19 — Arquivado em: relacionamentos

13/9/09

INDICAÇÃO IMPERDIVEL

Sempre que leio o blog MERIDIANO SANGRENTO o fato com reverencia, mais que admiração.

Reverencia pelo talento de saber escrever. Nem sempre concordo com que ele pensa, gosta, vive, mas ele não está lá para ser guru de ninguem.

Está para escrever.

E o faz com profundidade mesmo nas coisas mais simples. Profundidade nas coisas complicadas, na vida.

Ou seria simplicidade nas coisas profundas?

Indico especialmente esses tres post onde ele escreve sobre a condição de PAI E DE PADASTRO.

 http://meridianosangrento.zip.net/arch2009-09-06_2009-09-12.html#2009_09-10_20_35_11-120021918-0

http://meridianosangrento.zip.net/arch2009-08-23_2009-08-29.html#2009_08-25_22_17_01-120021918-0

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criado por picida_ribeiro    12:38 — Arquivado em: relacionamentos

12/9/09

COMENTÁRIO DE FÃ

 Resolvi publicar na íntegra  o e-mail que recebi da Antonia, uma grande amiga de longa data, para mostrar a espontaneidade de uma avaliação de fã. Ela escreveu assim, com coração, para uma amiga que sabe, gostaria de ter visto o que ela viu. Ela quis dividir.      E eu gostei muito. Foi como se estivessemos  de novo no Canecão no Rio de Janeiro, vendo um show do Rei.                                                           A verdadeira amizade o tempo não apaga. O verdadeiro talento tambem não.

As verdeiras emoções são para sempre. Obrigada Antonia!!

"Picida boa noite ,
Tudo que eu disser é muito pouco para relatar toda a emoção que senti no show do RC , chorei , ri, aplaudi, fiquei de boca aberta , me arrepiei , fiquei encantada , apaixonada , fascinada ….senti Roberto bem perto de mim , literalmente afinal eu estava há uns 7 ou 8 mts de distancia.

A produção foi perfeita a acustica impecável, eu já imaginava que ia assistir um belo show porém superou todas as minhas expectativas.
A cada musica um show de luzes, fotos e imagens no telão .Posso dizer que foi o show da minha vida. Melhor que esse ,só no cruzeiro emoções.
A voz do Roberto não mudou ,ele não força para cantar apesar dos 60 e poucos ,
Roberto é simpatico , carismatico e fala na medida certa.

O público é muito diversificado .Ao meu lado uma senhora de 70 anos cantarolando todas as canções e na minha frente uma jovem com mais ou menos 30 anos gritando liiindooo , jovens rapazes de seus 20 anos aplaudindo .Foi de arrepiar ouvir o ginasio inteiro cantando com ele , a plateia foi ao delirio.
Os musicos perfeitos , os novos arranjos para algumas musicas como cavalgada por exemplo , maravilhosos.
Incrivel ,com mais de 60 anos Roberto Carlos continua um icone .Nunca vai perder a majestade.
E para aqueles que diziam que Roberto estava ultrapassado , aos cinquenta anos de carreira ele consegue ainda cantar e encantar .
Eu posso dizer que tive o privilégio de estar com ele.
Foram 2 horas de duração, quando acabou …..parecia que tinha acabado de começar. Não senti o tempo passar.
Quero bis bis bis .

A GRANDE AMIGA ANTONIA

 


Antonia Landi

PS  CREDITOS DAS FOTOS ROSANA LANDI


 

 

criado por picida_ribeiro    12:16 — Arquivado em: relacionamentos

27/8/09

EM FRENTE

Passando os dias, passando o tempo, vivendo a vida.

Meus dias tem sido: trabalho/ casa/ casa/ trabalho.

Mas sinto que em nenhum desses lugares tenho feito o meu melhor. Sabe quando você sente que pode mudar, melhorar, acrescentar algo, dar uma turbinada?

Vamos lá, de novo, como diz minha amiga Rosana: “Passar do pensamento ao ato”

Eu e o Decio, seguimos no que eu classificaria dentro do padrão de normalidade, num caso assim: uma ida repentina, uma volta ainda não totalmente absorvida.

Mas está melhorando. Ainda não rola, friozinho na barriga, explosão de fogos de artifícios, beijos sem fim.

Meu idealismo e sonho.

Mas já estamos restaurando o convívio, a amizade, parceria, sorrisos.

Tentamos descobrir um novo jeito de amar, porque nessa nova situação, somos um novo casal, noas pessoas.

E nessa nova fase, noto maiores diferenças: ele indo em direção de ser cada vez mais perfeccionista, buscando sempre fazer o mais certo, o melhor.

Eu, caminhando em direção oposta: achando que as coisas não devem ser complicadas, devem ser feitas como podem ser feitas, mais relaxada (Humm, palavra de duplo sentido).

Essas diferenças, geram pequenas brigas, um fica chateado com o outro, mas estamos buscando o meio termo, EQUILIBRIO, a palavra chave.

Mas temos chance. Acho que ainda temos FUTURO. Eu lhe tenho AMOR.

A grande novidade na vida  por esses dias, foi o contato inesperado com amigos importantes na minha historia, da adolescência vivida em Tabatinga.

E tudo aconteceu pela internet, por causa dela.

Um amigo citado em uma das minhas histórias, OSMAR MALASPINA, estava procurando no Google teses e mestrados (sim, porque ele é cheio de títulos e professor na UNESP) e não é que apareceu seu nome no meu blog? Imagino o susto.

Eu, contado casos de final dos anos 60, quase 40 anos, e como de costume, conto mencionando nome e sobrenome.

Foi um reencontro emocionante e divertido.

Quer coisa melhor que lembrar essa fase da vida, que reencontrar um amigo, depois de 40 anos?

E não bastasse isso, ele já trouxe um novo contato, outro nome citado em algumas historias: LUCIA SALATA.

Trocamos idéias, e mails e promessas de reencontro.

Mas sabe que as vezes temo esse reencontro.

Temo as analises das mudanças, decepções, frustrações.

E minhas lembranças, minhas memórias, do jeito que estão guardadas são minhas relíquias, que não quero perder, quero conservar, como são, como estão.

Preservar e confirmar meu tesouro  intacto.

Devo arriscar?

Ainda não contatei as amigas de agora e sempre, as de SP, vou falar logo com elas.

Mas estou entrando em clima de festa : O Zé Luiz, meu irmão que mora em Londres e não vejo desde janeiro, desembargou hoje em Buenos Aires, daqui uma semana estará aqui.

Colocaremos conversas e saudades em dia.

E como sempre, vai ser muito bom.

       

criado por picida_ribeiro    20:29 — Arquivado em: relacionamentos
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