DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

27/8/09

EM FRENTE

Passando os dias, passando o tempo, vivendo a vida.

Meus dias tem sido: trabalho/ casa/ casa/ trabalho.

Mas sinto que em nenhum desses lugares tenho feito o meu melhor. Sabe quando você sente que pode mudar, melhorar, acrescentar algo, dar uma turbinada?

Vamos lá, de novo, como diz minha amiga Rosana: “Passar do pensamento ao ato”

Eu e o Decio, seguimos no que eu classificaria dentro do padrão de normalidade, num caso assim: uma ida repentina, uma volta ainda não totalmente absorvida.

Mas está melhorando. Ainda não rola, friozinho na barriga, explosão de fogos de artifícios, beijos sem fim.

Meu idealismo e sonho.

Mas já estamos restaurando o convívio, a amizade, parceria, sorrisos.

Tentamos descobrir um novo jeito de amar, porque nessa nova situação, somos um novo casal, noas pessoas.

E nessa nova fase, noto maiores diferenças: ele indo em direção de ser cada vez mais perfeccionista, buscando sempre fazer o mais certo, o melhor.

Eu, caminhando em direção oposta: achando que as coisas não devem ser complicadas, devem ser feitas como podem ser feitas, mais relaxada (Humm, palavra de duplo sentido).

Essas diferenças, geram pequenas brigas, um fica chateado com o outro, mas estamos buscando o meio termo, EQUILIBRIO, a palavra chave.

Mas temos chance. Acho que ainda temos FUTURO. Eu lhe tenho AMOR.

A grande novidade na vida  por esses dias, foi o contato inesperado com amigos importantes na minha historia, da adolescência vivida em Tabatinga.

E tudo aconteceu pela internet, por causa dela.

Um amigo citado em uma das minhas histórias, OSMAR MALASPINA, estava procurando no Google teses e mestrados (sim, porque ele é cheio de títulos e professor na UNESP) e não é que apareceu seu nome no meu blog? Imagino o susto.

Eu, contado casos de final dos anos 60, quase 40 anos, e como de costume, conto mencionando nome e sobrenome.

Foi um reencontro emocionante e divertido.

Quer coisa melhor que lembrar essa fase da vida, que reencontrar um amigo, depois de 40 anos?

E não bastasse isso, ele já trouxe um novo contato, outro nome citado em algumas historias: LUCIA SALATA.

Trocamos idéias, e mails e promessas de reencontro.

Mas sabe que as vezes temo esse reencontro.

Temo as analises das mudanças, decepções, frustrações.

E minhas lembranças, minhas memórias, do jeito que estão guardadas são minhas relíquias, que não quero perder, quero conservar, como são, como estão.

Preservar e confirmar meu tesouro  intacto.

Devo arriscar?

Ainda não contatei as amigas de agora e sempre, as de SP, vou falar logo com elas.

Mas estou entrando em clima de festa : O Zé Luiz, meu irmão que mora em Londres e não vejo desde janeiro, desembargou hoje em Buenos Aires, daqui uma semana estará aqui.

Colocaremos conversas e saudades em dia.

E como sempre, vai ser muito bom.

       

criado por picida_ribeiro    20:29 — Arquivado em: relacionamentos

9/8/09

DIA DOS PAIS 2009

 

 Uns dizem: “Dia dos Pais é todo dia” ou ainda :”È Um dia como outro qualquer, mas não é, ou melhor, acaba não sendo.

Eu sempre acreditei nessas datas, embora muitos digam também :” é só comercio”.

Pode até ser, provavelmente é, mas não há como negar um envolvimento.

Acabamos por entrar no clima.

Eu sempre comemorei essa data quando tinha meu pai comigo.

E como lembro sempre por aqui, ele morreu na segunda feira seguinte á um “Feliz Dia dos Pais”.

E tinha sido feliz mesmo.

Eu fui a ultima a falar com ele e ele me disse todo orgulhoso, que tinha falado com todos os filhos. O Neto e o Zé Luiz, tinham acabado de ligar.

Os filhos do Sr Lula tiveram oportunidade e vontade de falar com ele nesse dia.

E foi bom para todo mundo. Bom para ele, que tenho certeza, viveu sentimentos de carinho e reconhecimento, bom para os filhos que não deixaram para depois.

Hoje, fiquei pensando nos filhos que deixam para depois, ou aqueles que não conseguem ver o valor e importância de TER PAI.

Penso nisso, quando lembro que meu pai, morreu com 60 anos.

Para os padrões de hoje, morreu jovem, e conscientizo disso cada vez que olho para o Decio. Sessenta anos, participando de maratonas, questionando a vida, trabalho, relacionamento, indo atrás de viver e bem.

Meu pai, para muita gente, até para os filhos não deve ter sido um exemplo de pai.

Mas, todos nós filhos, eu especialmente, acabamos por ama-lo como era, entender seus defeitos, valorizar suas qualidades.

Nisso o desempenho de minha mãe, foi fundamental.

Quando reclamávamos dele, ela sempre ressaltava suas qualidades: trabalhador, bom pai. Só ela podia se queixar dele. Não deixava que nós o fizéssemos. Ela nos ajudou a ama-lo e respeita-lo, e isso é uma das coisas que mais admiro nela.

Voltando: penso nos filhos que tratam seus pais, assim como se tudo que recebem deles fosse nada, ou então nada mais que obrigação: pai é para isso mesmo.

Não levam em conta idade, dificuldades, até cansaço.

Não levam em conta a história que o pai viveu parta te-lo, cria-lo, ama-lo.

Mas levam muito em conta o que não foi feito.

Vejo filhos trintões reclamando:”Ah, mas meu pai, aquela vez, não foi me ver, não me deu isso, aquilo, não me deu nada.”

Sei que é até comum pai ausentes. Não falo deles agora.

Falo de filhos ausentes. Ausentes e ingratos.

Que não sabem ou não conseguem ver o valor de pequenos gestos, de um grande amor. Carinho, atenção.

Não vê o pai que mesmo de longe, acolhe, ampara.

Não avaliam suas dores, dificuldades. Acham que só o fato de ser pai, faz deles um forte, infalível.

Pai pode ser imaturo, pode errar, e ser muito boa gente.

Pai pode estar sempre amando e torcendo pelo filho,e isso já pode ser muito, senão o bastante.

 Eu tive comigo, sempre a idéia de que meu pai tinha uma vida muito difícil e que cabia á mim torna-la melhor.

Lutei para isso, consegui fazer isso.

Eu nunca me preocupei com o que meu pai poderia fazer por mim.

Eu valorizava o que ele fazia. Respeitava e admirava.

Isso não me faz melhor que ninguém, mas me faz privilegiada.

Os que ficam mastigando cobranças sobre o que ficou faltando, vão ver depois, quando já for tarde, que receberam bastante, ou receberam tudo que ele poderia lhes dar.

Na vida que ele tinha, aquele era seu melhor.

Vão se lembrar do calor de abraços não dados, do amor de palavras não ditas, de cada injustiça cometida.

E vão sofrer a dor de não ter mais tempo e oportunidade. A dor de só ter a vontade. A dor de só poder ter saudade.

E  não terão o que colher, porque não souberam plantar.

Assim seja.

 

 PARA ENTENDER MELHOR A MINHA HISTORIA

UM BOM EXEMPLO

 O ULTIMO DIAS DOS PAIS

 

criado por picida_ribeiro    23:41 — Arquivado em: relacionamentos

8/8/09

MUDANÇAS

 

Mudanças.

Primeiro: A Mudança de casa.

Céus! Depois de oito anos morando numa mesma casa, juntar as coisas, levar á um outro lugar, fazer encaixar, ficar com sua cara, dá um trabalho danado. È um transtorno, especialmente para alguém como eu, que odeia mudanças.Geralmente, quando me instalo num lugar, e coloco uma cadeira, um vaso que seja , num determinado lugar, lá ele ficará para sempre. Lá é seu lugar. Não mudo mais. Sempre me espanto, com as pessoas que mudam seus móveis de lugar á cada temporada.

Não consigo fazer isso. Nunca gostei disso.

E assim faço meu ninho.

Mas achei bom mudar, acho que eu precisava mudar de casa. Sacudir poeiras, desarrumar gavetas, mudar tudo de lugar, rever as coisas com um novo olhar. Eu e o Decio precisávamos de novos ares.

A nova casa tem o mesmo padrão da anterior, quase o mesmo tamanho, mas o bairro é mais interessante

Como não dirijo, dependia muito do Decio para ir as compras, agora posso encontrar por aqui, quase tudo que preciso.

È perto da loja da minha irmã, com supermercados, farmácias, maiores possibilidades.

Não recebi ninguém em casa, porque estamos fazendo tudo bem devagar: uma coisa de cada vez, sem canseiras e sem stress.

Mas está ficando legal, com uma cara mais leve, mais moderna mesmo.

Outra importante mudança foi de sentimentos.

Nesse período, fui invadida por um turbilhão de sentimentos.

Os que se firmaram, os que se foram, os que se transformaram.

Não pensem que um marido de longa data, vai embora assim, quase do nada, de repente, não mais que de repente, e volta depois de 40 dias, e é como se nada tivesse acontecido.

Não dá para ignorar ou esquecer uma coisa dessas.

Houve o impacto, uma ruptura.

Aí, como existe o amor, a gente junta os cacos.

Quase uma super Blonder. Colando com cuidado para deixar  mínimas marcas possíveis. Míninas, mas existentes.

Eu compreendi os sentimentos do Decio na ida e na volta, mas ainda não esqueci o momento em que se foi.

Eu disse á ele, que fiquei tão passada por ele ter sido capaz de ir, que ainda não consegui assimilar e desfrutar a volta.

À princípio, ficou uma coisa meio estranha.

Mágoas, ressentimentos, pouca conversa.

Só agora, estamos voltando a ser os companheiros de sempre. Só agora, estamos resgatando os sentimentos, a alegria de estarmos juntos.

Eu passei esse tempo todo afastada dos amigos, sem vontade de ver e falar com ninguem

Agora, já estou com saudades.

Vou mandar e mail e ligar para todo mundo.!!!

E falando em saudades, tenho sentido muita falta da Tia Vera.

Faz dois anos que ela morreu aos 55 anos, aparentando nem 40.

È a velha e verdadeira história de darmos o valor exato para a pessoa, quando ela não está mais conosco.

Não que eu não soubesse da importância, do meu bem querer. Sabia. Mas não sabia que era tanto.

Eu tive a sorte de ter podido escrever no blog sobre o que eu sentia por ela três meses antes dela morrer. Ela leu, me respondeu.

Mas hoje, vejo que ela não era uma Tia qualquer para mim, se bem que acho que não existe “Tia qualquer”.

Mas nossa história era especial. A proximidade de idade, fez nossas histórias caminharem juntas, então, fica mais difícil, quando revejo qualquer pedaço da minha vida, ela está lá.

Meu irmão, Neto, dois anos mais novo que ela, me disse recentemente, que sua vida nunca mais foi a mesma sem ela. Falou carregado de dor, de verdade.

È exatamente assim.

Nesses tempos de homenagens á Roberto Carlos, pensei muito nela, maior fã, no aniversário da Tia Cleide também lembrei muito dela, que vinha sempre para cá ajudar na festa e se divertia muito com as trapalhadas e imprevistos de uma festa que por tradição, dura um dia todo, quando não, dois.

Ela ria muito, e ficava feliz. Hoje vejo que fazia feliz.

Mudanças de idéias. Embora eu tenha conseguido manter boas e sinceras amizades, tenho questionado muito a existência da verdadeira amizade, nos dias de hoje, quando os maiores valores, passaram a ser os valores materiais.

Talvez, em uma cidade pequena, as coisas devessem ser diferentes.

Numa cidade pequena, onde as pessoas se conhecem uma vida toda, cresceram juntas, os sentimentos devessem ser o mais importante.

Mas ao menos por aqui, é o “melhor amigo” aquele que tiver grana, enquanto ele tiver.

Aqui, as cobranças, sobre carros, roupas, luxos e aparências, são maiores.

Em cidades pequenas, tem como saber, acompanhar a vida alheia, e alias, tem tempo para isso também.

E vi casos escandalosos, quando entrou dinheiro na jogada, a amizade, ou solidariedade passaram ao longe.

O que é ser verdadeiro amigo? Qual é a verdadeira amizade?

Ela existe? È para sempre? Hummm… sei não..

Solidariedade? Gratidão?  Hummm… sei não…

Mas enfim, resolvi mudar o que eu tinha mudado!!!

Vou retomar minha vida, meu trabalho, meu amores, meus amigos, aqueles que sei que são, e sei quem são!!!

Mudança de atitudes, enfim. Vamos lá

Mudanças sugeridas: Ouvir a musica “Mudança” da Vanusa.

Dê uma espiada. Juro que é boa.

criado por picida_ribeiro    18:54 — Arquivado em: relacionamentos

29/6/09

SABE-SE LA

 

SABE-SE LA

Quantos anos ele tinha quando começou a cantar? Quantos anos ele tinha quando fez sucesso internacional?Aos 10 anos já era um sucesso. Carregava o grupo musical Jackson Five e a família nas costas.

Como deve ter sido para essa família, a consciência de que ELE era a estrela, era quase tudo no grupo?Como o tratavam? Sentiam orgulho? Sentiam inveja? E ele, como se comportava? Seria humilde? Arrogante?  Ele era a estrela. Tão menino. E como cantava.

Eu já era fã, nessa primeira fase. Morava em Tabatinga, quando o vi pela primeira vez na TV, até então, só tinha ouvido. Aquele clip, preto branco, em que ele canta com os irmãos, cabelo Black Power.

Eu lembro detalhes. Estava vendo TV na casa de uma amiga, Lucia Salata e ainda morava em Tabatinga. TV por ali era luxo, não tinha na minha casa.
Lembro de te-lo achado mais novo do que eu imaginava. Nossa, era um menino!!!

Repararam como alem de cantar com grande alcance de voz,era afinado, musical. E já dançava, muito e bem.Alguns anos sumido, e ele ressurge ainda melhor nos anos 70.

E melhor ainda, nos anos 80.

Claro, que mesmo sendo muito fã, não conseguia entender, explicar, o que aconteceu com ele. Céus! Não havia ninguém para trata-lo de verdade? Ninguém para impedir seus exageros?

Que interesses haveriam por trás disso tudo?
Sabe-se lá.

Recentemente eu estava vivendo uma fase Michel Jackson.

Ouvindo muito Jackson Five também. Estranho..   
Há um mês atrás, uma amiga me emprestou o CD, fiz cópias para minha Tia Lùcia, meu irmão Neto, minha irmã Liliana e claro, uma para mim.Ouvia com atenção, deslumbrada com sua voz. Só agora depois de sua morte, prestei maior atenção á sua dança.

Demais, não??? E desde sempre. Gênio. E como todo gênio, a gente não entende.   E tudo que diferente de nós, não aceitamos.

Bem ,mas ele exagerava.

Sabe que chego a acreditar na sua inocência nos casos de pedofilia?
Será que a admiração me cega?

Vejo pais gananciosos, isso sim.
Onde foi que li, “que pais são esses, que preferem um acordo de 20 milhões de dólares, ao invés de mandar para cadeia, o perverso que molestou seu filho?    

Criei uma tese, baseada na minha história.

Quando ele estava em plena infância, teve que trabalhar, era sucesso mundial. Criança ainda virou celebridade e passou a viver isolado. Talvez ele quisesse só ser a criança que não pôde ser na hora certa.

Porque há sonhos e vontades de criança que a gente carregava pela vida toda.
Sei disso porque, há coisas que eu quis e sonhei em criança, e não pude, que sem perceber, fiz questão de ter na vida adulta.

Exemplo: quando vejo belas casas, arquitetura moderna, acho bonita e só. Não me imagino morando ali, não me imagino dona de uma. 
Ah! Mas quando vejo um desses casarões antigos, bem anos 60, eu sonho, imagino ali minha casa.

È uma fantasia infantil. Eram essas casas, ou casas assim, que eu sonhava ter. Meus castelos.

Decoração também. Gosto, e tenho poltronas pé palito anos 60, assim como cristaleira, louças antigas.

Se bobear, escolheria como carro um Sinca Chamboard. Minha irmã, que quando criança nunca pode ter uma boneca como sonhara, ganhou uma da minha mãe quando tinha 20 anos e cuidava de sua boneca, que abria e fechava os olhos, tinha cabelo para pentear.Talvez ele só quisesse recuperar o tempo perdido. Sabe-se lá.

Mas que suas doentias esquisitices, não ofusquem o seu brilho, seu talento descomunal. Gênio.

E todos os gênios tem um final assim. Sempre fóra do tempo, fóra de hora. De Tim Maia,  Elvis Presley, Carmem Miranda, Elis Regina. Nem tão gênio, mas muito bons, nessa turma: Cássia Eller e Cazuza.

John Lennon foi diferente. Gênio, mas morto por fatores externos.
Os demais, morreram de excessos. Tentando retomar á vida, retomar a carreira.

Talvez quisessem parar, mas não podiam mais, não deixavam.  Talvez quisessem apenas recuperar a glória. O que se sabe é que foram cedo, tragicamente, levados pelo excesso. E como diz Mario Mendes em seu blog: excesso de trabalho, de bebidas, de drogas, de remédios, excesso de TALENTO.

Sabe-se lá.

Nos blogs de Mario Mendes e Tatiana Rezende  jornalistas dos bons, tem posts emocionamentes sobre Mickael Jackson. Como eu já comentei em seus posts: escrever assim não se aprende na escola.

 

 

criado por picida_ribeiro    23:25 — Arquivado em: relacionamentos — Tags:, , , , , ,

21/6/09

NOME DE ANJO

 Não sei se é comum entre as pessoas de minha idade, mas eu tenho uma certa resistência á coisas novas.

Resisto, mas me adapto. Tento não me limitar.

Sou assim até nos relacionamentos.

Cultivo e sou atenta aos meus velhos e bons amigos,e aos relacionamentos que a vida foi preservando.

Sou arisca com pessoas que chegam agora, querendo ser, ou ficar “melhores amigos”.

Sou simpática, convivo, mas não confio.

Parece que a decepção virá á qualquer momento. Procuro não criar grandes expectativas. O pior, é que quase sempre acerto.

E eu sou um tanto preconceituosa com essa nova geração.

Embora eles tenham mais informação, tendo a achá-los mais vazios, descartáveis. Menos empreendedores no trabalho, no estudo.

Pré- conceito. Concordo. Mea Culpa. Mea Culpa

Acho-os menos respeitosos com as pessoas, menos educados, menos gentis, mais egoístas.

Estão sempre esperando que alguém faça algo por eles. Os pais, de preferência.

Posso estar equivocadísssima, e essas mudanças, serem reflexos de algo melhor que os tempos em que vivi minha adolescência e juventude, onde éramos muito reprimidos, sem direito a quere e a achar nada.

E com esse olhar crítico e desconfiado, há quase 2 anos atrás conheci o Rafael, hoje com 23 anos.

Ao contrário da maioria de pessoas com sua idade, ele dá atenção e conversa com os mais velhos, sem aquele olhar “blasé”, entediado, ou então com certo desdém, tipo” você não sabe de nada”.

Fiquei observando seu jeito de trabalhar.

Atento, rápido, eficiente. Discreto, inteligente, bonito.

Vi seu comportamento com os colegas de trabalho, clientes, sua sede de aprender, e depois por em prática. Conhecer, saber.

Ele é uma esponja, pronta a absorver o que de bom pode passar por sua vida.

Bom filho, bom namorado, é das pessoas que os mais velhos gostam de ensinar, de ajudar.

Além de receber a gratidão, você tem a chance de perceber que nada foi em vão.

Alguém está tirando proveito das experiências vividas. As certas e as erradas.

E nesse período, não ensinei apenas. Aprendi todo dia.

Aprendo com seu BOOM DIIIIAAAA  sorridente, anunciando um bom traballho.

Se ele tem problemas, e todos têm, não leva para o trabalho.

Trabalha com afinco, dando sugestões, sempre acrescentando alguma coisa.

Ele costuma dizer que têm orgulho da empresa em que trabalha, que é feliz com seu salário, embora queira crescer e ganhar mais.

Eu incentivo. Trabalhamos na empresa de meu irmão, que é do setor financeiro, e atravessa seus momentos de dificuldades, agravados por grande índice de inadimplência. Propus para o Rafael, para incentivá-lo ainda mais, que á cada recebimento eu pagaria 5% de comissão.

 

Ele gentil mas firme, disse que não.Que era pago para fazer esse trabalho, e que receber comissão nesse momento, ele consideraria extorsão. Em outra circunstâncias, talvez. Fiquei calada   

Ele disse que sempre foi o melhor aluno da classe, especialmente, matemática e física.

Sugeri curso universitário á distancia, na área de administração, FGV, ele passou mas a grana não deu, mas ano que vem, fará de novo e vou ajudar no que puder.

Ele ficou amigo do Decio. Gosta de trocar idéias com ele. Aprender sobre filmes, música, conhecer o jazz. Eu ensino a velha e boa MPB.

Nem tudo ele gosta, mas vai conhecendo e formando conceitos.

Quando contei á ele que o Decio ia embora, abaixou a cabeça, e vi lágrimas escorrendo de seus olhos.

Falou como Decio é um amigo importante e querido para ele. Mais que amigo, quase um pai.

Fez questão de ir até minha casa, num momento em que eu não estava e falar isso diretamente para o Decio, de forma sincera e emocionada.

Outra novidade para mim. Nessa geração, especialmente os homens, poucos demonstram os sentimentos e falam sobre eles de maneira tão transparentes

Mesmo sabendo de algumas coisas pessoais, nunca misturou situações, posições e posturas profissionais.

Sempre me tratou com respeito e consideração.

Durante a difícil fase de separação, ao final de mais um dia de trabalho, ele me disse para ir para casa e fazer alguma coisa diferente. “O que você não costuma fazer? O que você não faz NUNCA?”

Nunca coloco música para ouvir, só ouço musica no carro, ele disse então: põe um CD, uma musica que você goste, um som bem alto.

Nunca faço caminhadas, nem exercícios.

Então, sugeriu: caminhe, faça exercícios, e depois coma um bom prato de salada.

Cada vez que eu chegava em casa, e ia desabar na cama, lembrava do que ele me havia dito, e punha em prática. Deu certo. Fez esses meus dias melhores.

Tem lá seus senões… tem ainda o que aprender, sempre temos.

Sendo muito servil, ainda não consegue separar ocasiões ou situações de dizer NÃO. Ou então, quando vai negociar com cliente ou devedor, ainda não sabe a situação em que terá que impor um ponto de vista, ou fazer uma colocação mais profissional.

Certa vez, consultamos o Aguinaldo, do blog Crônicas Corporativas, sobre como ele poderia começar a ser visto com outros olhos, pela direção da empresa, pelos colegas, pelos clientes. O Aguinaldo orientou e ele seguiu. Já melhorou muito!

Outro problema? Não gosta de ler. Naaadaaa. Comecei á levar umas revistas para ele, e tento falar dos prazeres da leitura.

Dia desses, ele me falou que estava esperando a Priscila, sua namorada se arrumar, e sua sogra, A Dona Quitéria, fritou coxinhas para ele, e é muito atenciosa com ele. Disse “Sempre dei sorte com as sogras”. Eu respondi: “Já parou para pensar que foram elas que deram sorte com você?”

Eu costumo dizer lhe  que ele é minha última aposta no ser humano. Se não der certo…desisto…

E espero para ele um futuro brilhante. Espero que ele colha os frutos das boas sementes que planta, pois seu terreno é fértil.

O universo em uma cidade de interior é limitado e ele pode ser muito maior que tudo isso. Basta acreditar em si, não esmorecer e não se adaptar as mesmices . Saber que mesmo por aqui, ele pode sempre ser maior. Porque é grande. Uma grande pessoa. Um grande homem.

 

criado por picida_ribeiro    19:24 — Arquivado em: relacionamentos

18/6/09

SEM NUNCA TER SIDO

 

Para ser jornalista, não será mais necessário a conclusão de curso superior. Acabou a obrigatoriedade.

E o post no blog da Tatiana Rezende, uma jornalista de primeira, no topo da carreira profissional, expõe o assunto com sua habitual competência.

Quando fui deixar meu comentário em seu blog, vieram as lembranças de meus primeiros sonhos profissionais.

Quando deixei Ibitinga, aos 18 anos, no ultimo ano do colegial, queria estudar jornalismo, queria ser uma jornalista.

Isso, porque com a pretensão exorbitada típica nessa idade, acho que já me achava jornalista.

Eu escrevia para o jornal da cidade “O Comercio”.

Era colunista fixa, escrevia sobre variedades, incluindo a vida social da cidade. Era a Joyce Pascowicth do pedaço, da hora.

E quando chequei a S.Paulo, juntei o fato de gostar de escrever, com a tremenda cara de pau, que me era peculiar, e saí entrevistando quem eu tivesse interesse em conhecer, com o pretexto de colocar no jornal.

Unia o útil ao agradável. Eu realmente fazia entrevista, eu realmente as publicava.

Outros tempos, as celebridades davam oportunidade. Eu entrevistei quem eu quis.

No auge de Festivais, num festival da Globo em 1975, ganhou Carlinhos Vergueiro, com uma música que falava sobre futebol. A música era boa, ele era bom, e bonito!.

Descobri sua gravadora, descobri seu empresário, marcamos a entrevista, fui até seu apto na Oscar Freire. Um apto pequeno, modesto, ele com a filha bebê.

Quem estava lá, tocando violão com ele? Toquinho. Um ídolo, grande músico e bonito.

Pensa que eu me acanhei? A caipira do interior, encarou tudo com naturalidade, fiz a entrevista, achei os dois muito legais, educados, atenciosos. Escrevi a matéria. E fiquei “me achando”.

Depois, meu lado “Maria chuteira”, quis conhecer Oscar, na época zagueiro da Ponte Preta, simpático, bonitão, estudava Fisioterapia na PUC de Campinas.

Ele estava despontando na carreira, depois foi por anos zagueiro do SP e foi titular da Seleção Brasileira do Telê Santana, aquela do Zico e Sócrates.

Também descobri na pura cara de pau. Telefonei para time, assessoria de imprensa, marcava entrevista e publicava.

Assim entrevistei o Vladimir do Corinthians, Valdir Peres do São Paulo.

Kito Junqueira era um ator global, de muito prestigio na meio teatral na época, com peçaa de sucesso e prêmios com a peça Bent.

Pronto. Mesma coisa. Pesquisei, localizei, entrevistei, e publiquei.

Onde? No jornal de Ibitinga.

Com todos, eu tirava uma foto.

Minha irmã, fã ardorosa do cantor Fagner. Quer conhece-lo? Deixa comigo…

Ele no auge do sucesso, de lotar estádio, eu entrevistei, nos encontramos tanta vezes que ele chegou a ficar “amigo”, tanto que em duas capas de seus CDs, fotografou com camisas que foram presentes de minha irmã. E um dia, no seu camarim ele nos apresentou Milton Nascimento e nós ali, cara de paisagem… Mas, essa é uma história para um capitulo á parte…

E, glória para mim, foi entrevistar a dupla gaúcha Kleiton e Kledir, meus ídolos máximos dos anos 80, em temporada de sucesso no Palace, a casa de show do momento.

Para mim, isso era muito natural.

Isso não é, digamos um “instinto” jornalista natural?

Eu escrevia o que acontecia.

Com o amadurecimento, essas aventuras foram passando, mas fiz assessoria de imprensa, que era mandar um texto falando sobre os lançamentos, com fotos feitas por profissionais para serem publicadas na imprensa.

Tive considerável êxito nessa tarefa, mas ela era só um complemento de meu trabalho, que era na verdade, gerente de vendas.

Voltando para Ibitinga, fui convidada a escrever na revista Multivisão.

Revista local, pequena circulação, mas eu tinha minha coluna, escrevia sobre o que bem entendesse. Isso não é quase ser jornalista?

Prestei vestibular para Jornalismo na \Usp, não consegui entrar. Fiz Letras, nem completei.

O dinheiro que me sustentava vinha de meu trabalho na área de moda e o sonho e vocação foram passando.

No seu blog, a Tatiana comenta sobre os estragos que um mau jornalismo fez com a história da Escola Base de São Paulo. Realmente. Verdade.

No meu comentário, falo do estrago, que a imprensa fez com a vida e carreira do cantor Wilson Simonal.

Estrago que começou com o pessoal do jornal O Pasquim, o grande órgão de oposição do Governo militar, aquele que tinha coragem e competência para dizer verdades com talento.

Era formado por grandes intelectuais, nenhum jornalista formado.

Grandes intelectuais. Que erraram, acertaram, como qualquer jornalista profissional.

Formados ou não.

criado por picida_ribeiro    23:09 — Arquivado em: relacionamentos

17/6/09

TÔ NAMORANDO II !!! ( A VOLTA )

Tudo bem, o Decio voltou, estamos namorando, quase felizes.

Quase… porque não é tão simples e fácil assim.

Têm as mágoas que foram ditas, as que ainda estão para serem faladas, mas elas estão por aqui.

Ele deve ter mil coisas ainda para dizer, eu tenho coisas para falar.

Qual a hora de falar? Agora, e correr o risco de discussão, perder o clima?

Qual o momento, qual o lugar? E como falar? Ou não falar? 

Não sei como falar para ele sobre o que sinto em relação á sua familia, á seus parentes.

Uma mágoa tão grande pela indiferença com que meus sentimentos foram tratados, a facilidade com que foi tratada a exclusão. Para mim, hoje, parece imperdoável. Não consigo imaginar uma convivencia, sequer amistosa.

Por ele, pelo nosso relacionamento, até onde eu conseguiria ir, "no social"?

A alegria de te-lo de volta, caminha paralela á mágoa dele ter ido.

Hoje, vejo com mais clareza seus motivos, e em muitos lhe dou razão, mas o jeito que isso foi feito, o momento em que isso foi feito, não foi assim , apagado, como se nada tivesse acontecido.

Às vezes, ele percebe a falta de alguma coisa sua, que eu dei, joguei, sumi com elas.

Fica aborrecido, disse que eu não tenho apego a coisas, lógico, o que eu mais queria naquele momento, sera o desapego á esas coisas.

Eu queria que ele voltasse, mas não fiquei esperando que voltasse. Eu gostava de á cada dia, dar um fim em alguma coisa pessoal dele, que estivesse por ali dando sopa.

Um dia uma escova de dente, outro dia uma camisa, camiseta, e outras coisas, que ele ainda não percebeu, e não vou contar agora, que não sou boba!

Mas o importante é mantermos a intenção de ficarmos bem , de ficarmos melhor. Eu estou super á fim. 

criado por picida_ribeiro    13:16 — Arquivado em: relacionamentos

15/6/09

TÔ NAMORANDO!!!

O Decio voltou . Não foi assim, de repente.

À princípio, conversávamos quase  diariámente, naquela  linha ex e amigos.

Na prática, isso dificilmente dá certo. Acaba se tornando hipocrisia.

Eu tinha que ouvi-lo falar de seus planos, e dizer “que bom!”,”ótimo que está tudo dando certo.”

A mais deslavada das mentiras. Se tudo desse certo por lá, ele não haveria de voltar.

Também não poderia dizer: “quero que você se exploda”.

Optei por evitarmos o contato diário, e acho que isso ajudou a faze-lo sentir minha falta.

Ele disse que se sentiu muito incomodado quando leu no meu blog , a referencia á meu EX MARIDO.

Que ele não se sentia assim. Como não? Porque não?

Há 15 dias atrás ele veio para casa para que conversássemos. Chegou cheio de beijos, presentes e saudades. Tivemos a conversa que deveríamos ter tido quando ele foi embora.

Ele disse que não se sentira preparado para conversar antes. Que provavelmente não partiria. E precisava sair, que tinha perdido suas referencias, que era só uma sombra minha, que era só o que eu queria que ele fosse. Crise de identidade.

Mas que gostava de mim, que deveríamos namorar, e no futuro quem sabe…

Eu tentei entender, aceitar, mas me sentia confusa.              

Passado alguns dias, fiz um balanço de nossa história.

28 anos de convivência, com amor e amizade plenos.

Ele sempre foi um ótimo parceiro, ótima companhia e era o homem que eu amava.

Ele com 60 anos, recomeçando a vida, longe de sua casa, seu espaço, não me parecia certo.

Depois, observei os conselhos. Os amigos do casal, com muita discrição, começaram a comentar que eu deveria mesmo rever algumas atitudes, que eu não deixava espaço para ele. Rosana, Verci, até minha irmã Liliana.

 Bom, quando irmã da gente demonstra uma leve tendência para o outro lado, é porque você pisou na bola e faz tempo…

Pedi que voltasse, que conversaríamos sobre nossa relação aqui. Sempre nos demos muito bem, sempre houve possibilidades de qualquer discussão entre nós. Nos amávamos e respeitávamos o suficiente para isso.

Pedi que voltasse. Que tudo poderia ser revisto daqui.

E assim foi feito.

Ele chegou na noite do Dia dos Namorados, quase dia 13, Dia de Santo Antônio.

Estamos namorando, revendo emoções, situações e ações.

Às vezes, estamos ao lado da pessoa todos os dias, pensamos que está tudo bem tudo bom, e vem insatisfação e questionamentos.

O importante é ficar juntos e tentar fazer e estar melhor.

Dar e receber. Adaptar se á cada mudança do mundo, da vida e das pessoas.

A gente nunca conhece alguem totalmente, nunca.

E isso é que torna a vida nova, sempre. È por isso que uma história de 28 anos de vida conjugal, pode ser nova sempre. Porque á cada dia, é uma nova pessoa que acorda ao seu lado, que se apronta para viver mais um dia com você.

E essas novas pessoas, juntas, têm que se descobrir e apaixonar um pouco, de novo, outra vez.

Admirar o novo de cada um, fortalecer os sentimentos já estabelecidos.

Estamos namorando.

Ampliando sentimentos, preservando espaços.

Começando tudo outra vez. De novo e sempre.

criado por picida_ribeiro    23:45 — Arquivado em: relacionamentos

12/6/09

PRIMEIRO AMIGO II

No post anterior deixei de escrever algumas coisas que acho importante na história dessa grande amizade.

O Negrine, era o melhor amigo, quase irmão, do meu primeiro amor totalmente platônico, Osvaldinho, que já um rapaz universitário, tratavam os meus sentimentos com respeito e delicadeza.

Ele reparava e elogia roupas novas e mudanças no cabelo, numa fase em que a auto estima está em formação, onde a gente não é menina, não é mulher, desengonçada total, ele sempre tinha um olhar e palavras carinhosas.

Embora nunca falasse sobre religião, ele ia todos os domingos á missa pela manhã.

A carta que ele escreveu, os conselhos que ele me deu, fizeram toda diferença em todo o resto de minha vida.

Acendeu uma luzinha de "alerta", "fique esperta", me sentí querida e importante, e não queria decepcionar. Voltei a andar na linha rápidinho, quando já calçava as sandálias para trilhar uns caminhos, sabe-se lá…

Nunca falamos sobre a carta, nem agradeci, mas ele sabia que era o amigo mais querido.

O que ele nunca soube foi a importancia que teve e da diferença que fez em toda minha vida. 

criado por picida_ribeiro    11:13 — Arquivado em: relacionamentos

10/6/09

PRIMEIRO AMIGO

Espalhado nos escritos de 3 anos de existência de meu blog, há registro de histórias e pessoas  significativas da primeira fase de minha vida.

As primeiras lembranças da infância, até 1970, quando com quase 15 anos, me mudei de Tabatinga para Ibitinga.
Cidades vizinhas, 30 Km de distancia, mas estilos de vida muito diferentes.
No interior de SP, não sei sei se ainda é assim, mas existe uma diferença enorme entre o estilo de vida em uma cidade de com uns 10.000 habitantes (Tabatinga, na época), e Ibitinga, já cerca de 40.000.Entre as histórias, há uma que foi muito forte na minha vida. História de um amigo muito especial, sobre quem eu nunca tive coragem de falar aqui.
Não me sentia preparada para retratar com verdade meus sentimentos em relação á ele e sua história.
Não me sentia capaz de transcrever meus sentimentos em relação a sua importância para mim, ainda tão menina.
Mas, lendo um post no blog Lucy in the Sky, onde ela fala sobre um amigo especial, criei coragem para me atrever, para tentar.
No inicio da adolescência, a gente procura ídolos.
Aqueles do cinema, da TV, e os que conhecemos na vida real.
O primeiro ídolo da minha vida, meu primeiro ídolo real, naquele universo tão pequeno em que eu vivia nessa fase ( Tabatinga), era o Negrine. José Negrine.
Tudo que escreverei sobre ele, foi visto com meus olhos de menina encantada.
Primeiro, ele se tornou alvo de minha admiração, porque era bonito.
Já falei de sua beleza, no post Beleza Interior.
Era alto, quase 1,90, ombros largos e atléticos, barriga tanquinho, muito antes da fase das academias de ginásticas.
Era sua natureza, aliada aos esportes que sempre gostou de praticar.
E como era bom atleta.
Goleiro do time oficial da cidade, do colégio, jogava basquete, futebol de salão, corria nos campeonatos dos Jogos Estudantis.
Era bem humorado, sorria, com os olhos, que fechava á cada sorriso.
Richard Gere não perde, mas empata.
Apesar de ser 7 anos mais velho que eu, ficamos amigos.
Cada vez que ele ia jogar, eu pedia para segurar sua mochila, cuidar de seu relógio, segurar seus cadernos.
Ele sempre participava dos grêmios estudantis.
Ele carregava votos. Dos rapazes, porque era amigo, simpático, gente boa.
Das meninas, porque era tudo isso e … bonito.
Eu gostava da maneira que ele me tratava. A gente conversava muito, as vezes sobre amores, planos e muitas vezes piadas e muito risos. Ele era bom nisso.
Eu ria muito com ele.
Ele me tratava com respeito de gente grande. Eu gostava disso.
Ele tratava as pessoas com respeito.
Era um cara simples, hoje vejo que sua postura ética com as pessoas, com o mundo, ele não aprendeu. Nasceu sabendo.
Uma prova definitiva? Eu sempre fui adolescente desinibida, alegre, festiva, mas careta. Não fumava, acreditava que virgindade era para sempre, ou quase isso, beijar na boca era pecado, e dançar de rosto colado, proibido!.
Resultado: Não tinha namorado. Eu via todas minhas amigas namorando, menos eu, sem contar que não tinha nem um pretendente.
O que omaginei? Não namoro porque sou careta, vou ficar mais liberal, como minhas companheiras.
Não fui muito alem, mas comecei a sair com as meninas mais descoladas, que fumavam, dançavam agarradinhas, davam uns beijos. Estava me enturmando.
E nos bailes, quando vinham garotos das cidades vizinhas, comecei a dançar juntinho, estava liberando…
O Negrine, que estava fazendo Faculdade de Matemática em Bauru, e vinha todos os fins de semana para Tabatinga, começou observar minhas atitudes.
Não me disse nada. Escreveu uma carta, onde dizia para eu viver meu tempo, ser eu mesma, escolher as melhores amizades, que eu era diferente, para eu não apressar as coisas e continuar a ser aquilo que eu acreditava.
Uma carta linda. Três paginas, com sua letra grande, firme, forte, de professor. Li a carta para minha mãe, mesmo me arriscando a levar bronca por estar então, tentando “maus caminhos”.
Ela ficou encantada com ele.
Naquele tempo, na minha cidade não havia carteiros. Você passava no correio e perguntava: Tem carta para mim? Não precisava dar o nome.
A emoção indescritível de receber uma carta surpresa. Quase nunca ninguém escrevia para mim. Eu era uma menina de 13 anos. Ele um universitário de 20 então.
Que se preocupou como um irmão com meu futuro. Não me esqueci disso nunca.
A carta veio para mim: Maria Aparecida Ribeiro (Picida.)
Dos 12 aos 15 anos fomos amigos íntimos.
Com 15 anos mudei me para Ibitinga, mas férias e feriados, eu viajava para Tabatinga para rever os amigos especialmente o Negrine. Mantivemos o contato próximo até meus 18 anos quando fui morar em SP.
Então os encontros passaram a ser esporádicos.
Em 1976, no feriado de Finados 01/11 morando em SP, vim passar feriado em Ibitinga e fui passear em Tabatinga.
Eu, na porta do clube com amigos, ele na praça em frente com sua namorada Eunice.
Calça jeans, camisa branca. Chamei seu nome, ele acenou.
 Foi a ultima vez que o vi.
Eu estava com 20 anos. Ele exatos 27.
15 de novembro haveria eleição para prefeito, ele já tão novo, era candidato a vice .Se não me engano, ele foi bem votado, mas não se elegeu.
Duas semanas depois, num sábado a tarde eu vinha de ônibus para Ibitinga passar mais um final de semana. Na parada que o ônibus faz na rodoviária de Araraquara, entrou um antigo colega de classe João Marquesi e me disse que soubera que um Negrine havia morrido.
Pensei em irmãos, primos dele. Jamais nele. Para mim, ele era infalível, e imortal.
Quando o ônibus fez parada em mais uma cidade, Nova Europa, a confirmação: Era o Zé Negrine, e com tiro. Como tiro? Em Tabatinga tinha revolver? Nem guardas eu via armado por lá.
Na parada de Tabatinga, exatamente ás 17 hs, saia o enterro, uma multidão na rua, as pessoas transtornadas.
Eu quis descer do ônibus por lá mesmo, o motorista e mais um amigo de Ibitinga não deixaram
Segui mais meia hora de viagem. Minha mãe e minha irmã me esperavam na rodoviária, queriam ser as primeiras  a me contar. Já imaginavam o choque e a perda que seria para mim.
Foi a primeira vez na minha vida que alguém que eu amava, morria.
E elas me contaram a historia incrivel e trágica. Quase inacreditável.
Na sexta feita a noite, ele deu aulas no Colégio da cidade de Itápolis, e ao contrario do que era habito fazer, avisou na casa do amigo onde costumava se hospedar que após a aula, iria embora para Tabatinga, embora não gostasse de dirigir a noite naquela estrada de terra.
Avisou aos pais do amigos que não esperassem por ele.
Mas os alunos após as aulas da sexta feira, convidaram para um choppinho. Ele foi, conversaram ate tarde, ele se sentiu cansado, mudou de idéia: iria para Tabatinga no sábado pela manhã;
Quando foi para casa do amigo, todos estavam dormindo, ele não quis acordar. Ele já tinha sua cama, seu quarto reservado e sabia o segredo de abrir a porta:
Era só forçar, o trinco baixava, a porta abria.
Quando forçava a porta, o amigo, dono da casa, descia as escadas, perguntou quem era, ele não deve ter ouvido, não respondeu, o amigo que era cadete, deu um tiro para assustar o possível ladrão.
Acertou o amigo. Antes mesmo que ele abrisse a porta, seus pais, desceram correndo para avisar: “Ouvimos o Negrine colocar o carro na garagem.”
Era tarde. Um tiro só. Ele só teve tempo de dizer: “Deus tenha pena de mim”.
Acho que ele falou isso num pedido de socorro.
Depois eu soube, que no enterro, já quase 19 hs, começando a escurecer, o padre teve que pedir a população que deixassem que ele fosse enterrado, que estava escurecendo. AS pessoas se recusavam a aceitar o fato.
Fui á missa de sétimo dia.
A igreja lotada de uma maneira nunca vista.
Os amigos chorando, murros na parede, uma dor escancarada.
Naquele natal e muitos depois a cidade não se enfeitou, não acendeu luzes nem os piscas,
Durante muito tempo, sozinha no meu apto em SP, eu ouvia as musicas do cantor italiano Gianni Morandi, que tocava no cinema de Tabatinga e me lembrava dele, e chorava muito, muito. Tanto que uma vez uma vizinha perguntou quem chorava tanto a noite?
Confessei e assumi.
A dor foi passando, a foi ficando sua falta, saudades e lembranças boas.
Apesar de lamentar sua perda, agradeço a sorte de te- lo conhecido, por ele ter feito parte da minha vida.
E desde então, fiquei pensando intrigada: Pessoas especiais morrem mesmo mais cedo e desse jeito trágico?
Nunca o esqueço.
Voltando á morar no interior, fui passear com o Décio em Tabatinga, e no topo no Ginásio de Esporte seu nome: GINÁSIO DE ESPORTES JOSÉ NEGRINE.
Merecido. Tudo a ver com ele.
E Na TV TEM, Globo regional, quando há campeonatos de futebol de salão são disputados nesse ginásio, ouço seu nome mil vez na TV, lembro dele, de sua historia.
Lembro de tudo que ele foi, penso em tudo que ele poderia ter sido.
Uma saudade doce, melhor das lembranças.
E assim, como o blog lucy in the sky, encerro com Canção da América:
AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR, DO LADO ESQUERDO DO PEITO, MESMO QUE O TEMPO E A DISTANCIA DIGAM NÃO.
 
 
“Das lembranças que trago na vida, ele é a saudade que gosto de ter”.
 

 

criado por picida_ribeiro    21:35 — Arquivado em: relacionamentos
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