DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

6/12/08

Amor Amigo


Faz 28 anos que conheço o Decio. E ele fez toda diferença na minha vida. Não foi amor á primeira vista.
Mas entendimento a primeira vista. Total. Nós sempre tivemos uma amizade e parceria muito grande.
E o amor nasceu dessa afinidade e só foi crescendo, inclusive até hoje, costumo dizer pra ele: ”gosto de você, cada dia um pouco mais”.
Eu digo isso todo dia pra ele, e é verdade. Tem uma porção de músicas que gosto de cantarolar pra ele, assim do nada. “Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nosso destino estava traçado na maternidade”.
Você é mais que pensei, é mais que sonhei, é mais que esperava”
" Eu nem sonhava te amar desse jeito”.

Eu tenho uma vida inteira de histórias com o Decio para contar, e elas virão naturalmente, mas agora quero falar da companhia que fazemos um ao outro. Até nossas brigas acabam virando piadas depois. Sempre que posso, faço  jantarzinho só para nós dois. Preparei um nessa semana.
Comidinha simples. Preparei uma berinjela á parmegiana que a mãe dele me ensinou.
Não sei se todas as mulheres já descobriram o que uma receita de mãe faz por um relacionamento…
Executar uma receita de mãe, no capricho, vale mais que anos de terapia de casal …
Tomamos um vinho italiano, ouvimos Jhonny Rivers,The Platers.
E acima de tudo, conversamos muito.
Nós temos um genuíno prazer em ficarmos conversando sobre historias passadas e fazemos planos para o futuro, sonhamos juntos.
Às vezes viajamos por cidadezinhas da região aos domingos, Só a sensação de viajar num dia ensolarado, ouvindo uma boa música, já é um presente…
Passeios simples, um lanche simples, e voltamos para casa felizes.
Ontem o Decio passou suas horas de folga, fazendo um arranjo de natal para mim, outro para minha mãe.
Vocês conhecem muitos genros que fazem enfeitinhos para sogra? Pois é. O Décio faz.
Ele se OFERECE para lavar a louça porque eu estou vendo novela.
Se eu faço escova no cabelo, invariavelmente ele nota e me diz que estou bonita.
Ele é gentil, cavalheiro, e acima de tudo parceiro e companheiro.
Se falo sobre tudo isso, é também para desmentir o estigma que casais de 50 anos, muito tempo juntos, vivem vida de rotina, que o casamento acaba com essas coisas.
Pode ser muito bom, a gente pode chegar a achar até a rotina muito boa, uma sensação gostosa de segurança.
Sinto isso, quando vou me deitar,ele já está dormindo, ressonando, (sim, o Decio não ronca).
Acho gostoso, reconfortante me deitar ao seu lado, sentir seu cheirinho, seu calor. Respirar fundo.Aí que bom ele está aqui….
Mulheres tirem o olho gordo.
Homens, mirem se no exemplo.

criado por picida_ribeiro    21:27 — Arquivado em: Sem categoria

30/11/08

Transição

Eu não sei se com todo mundo acontece assim, mas eu tenho na memória o dia, hora, exatos, em que senti que a fase da infância estava acabando, e que a vida adulta se iniciava.
Para mim, isso aconteceu no primeiro dia de aula do curso ginasial.
Equivale a 5º série.
Nos quatro primeiros anos, o curso se encerrava quando os alunos tinham em média 10/11 anos, e as escolas eram separadas, nas escolas de curso primário, portanto só estudavam crianças.
Era apenas um professor ministrando todas as matérias.
Ao chegar no colégio,onde os cursos iam até o final do colegial, quando os alunos já estariam com quase dezoito anos, me vi cercada de pessoas mais velhas, com estilo de vestir diferente do meu, das minhas amigas.
Vi casais de namorados,
A hora do recreio, virou intervalo.
E nos intervalos, não havia brincadeiras, corre corre. Havia conversas, risadas, paqueras, tudo muito diferente.
Um professor para cada matéria. Aritmética virou matemática, linguagem virou português, comecei a aprender francês,inglês.
Um caderno para cada matéria, livros.
Um outro tanto de responsabilidade.
Lógico que continuaram as brincadeiras, mas elas foram mudando.
Eu, de olhos arregalados para o mundo, para a vida, feliz com cada surpresa, com cada mudança, fui descobrindo e mudando sozinha.
Adeus sainhas rodadas, bem vindas as mini saias, uma sombra azul, batom cor de rosa e viva!!! Meu sapato marron de saltinho.
E la´estava eu, querendo ficar bonita, espichando os olhos para os mocinhos, convencendo meus pais a me deixarem sair á noite aos domingos.
Sabe ,o Kevin,do seriado “Anos dourados”?
Eu vivi todas aquelas histórias, numa cidade como aquela, amigos como aqueles.
Tudo isso em Tabatinga, uma cidade muito pequena, onde todos se conheciam, onde era muito fácil e muito bom, passar por essa transição.
Onde os pequenos acontecimentos se agigantavam ,e as amizades pareciam eternas.

criado por picida_ribeiro    16:41 — Arquivado em: Sem categoria

28/11/08

Aniversario LOJA MIX

A loja de modas MIX, comemorou seu quarto aniversário, com um dia todo de festas para clientes e amigos.
Com novas instalações, sempre visando o bem estar de cada cliente, estoque renovado, com grande variedade de estilos e preços.
Apresentando modelos profissionais num trabalho perfeito de “manequins vivos” na vitrine, Liliana, sua proprietária, alem do coquetel , regado á bom vinho frisante gelado, ofereceu “bem casados” com a marca da loja. Pura criatividade. Puro charme.

Após um tempo para conhecer seu público e seu mercado, Liliana navega com segurança, no mundo da moda, ambiente onde sempre circulou, tendo feito um trabalho de destaque por mais de 20 anos na Capital.

Além da área comercial, fez trabalhos de criação em marcas de destaque no mercado como Cashier, Chocoleite, Laser Jeans, Vida Bela,Cóz Cóz, e na área do Varejo desenvolveu coleções para C &A e para Gregory marca sofisticada, presente nos principais shoppings do país.
Com vitrines originais, e criativas, a Mix recebe lançamentos semanalmente.
Por sua experiência e bom gosto, costuma afirmar que o cliente Mix, é um cliente seguro, com personalidade, que não escolhe modelos pela marca, mas pelo visual.
Seus clientes não gostam de ser mais um á ter determinado produto, ou marca. Preferem ser os primeiros á ter belas peças.
Gente de estilo.

MATERIA PUBLICADA NA REVISTA MULTIVISÃO NOV/2.008

E eu como irmã coruja assumida, reproduzo

criado por picida_ribeiro    18:37 — Arquivado em: Sem categoria

23/11/08

Amanhã eu faço ……..

Em outras ocasiões,escrevi sobre o amanhã,sobre como pode ser bom você esperar o que virá.
Já escrevi toda otimista,sobre meu lado Scarlet O’Hara,”penso nisso amanhã”.
Só que o problema é que PENSO no amanhã,não FAÇO o amanhã.
E segundo li na revista Saúde,essa história de “Amanhã eu faço”,se chama procrastinação,e pasmem,isso num grau elevado,numa coisa muito constante(é meu caso),é considerado doença,associada á depressão.
“Quanto maior a angústia,maior o alivio.È um esquema análogo ao da dependência de drogas”.
As pessoas com esse problema,acabam por deixar tudo a resolver,numa situação limite,num tempo limite.
Há pessoas que deixam exames sérios de saúde,problemas financeiros,compromissos profissionais,pessoais,tudo para amanhã.
“Muita gente não visualiza a recompensa do seu esforço e fica protelando porque não tem clareza dos seus objetivos”.
Eles dão dicas para amenizar o problema:
1.Estabelecer objetivos claros
2.Organizar seu tempo
3.Usar bem agenda
4.Comemorar as conquistas
Isso me pegou em cheio.
O que mais tenho feito na vida é adiar,e isso tem tomado uma proporção muito grande,o meu marido já vinha fazendo observações á respeito.
Posso até não ter a “doença”,mas com certeza,tenho problemas com a tal procrastinação.
Agora,ciente disso,vou correr atrás do prejuízo,mas claro,começo amanhã rsrsrsrsrs.

criado por picida_ribeiro    16:49 — Arquivado em: Sem categoria

12/11/08

O Tempo não pára

Outubro passou tão depressa e novembro segue no mesmo compasso.

Dezembro então, os dias parecem não ter 24 hs, as tarefas se acumulam, os compromissos aparecem em dobro.
Mas eu gosto da correria de fim de ano. E está apenas começando…
Nesse outubro que passou tão rápido, estive com minha irmã e meus sobrinhos em SP, fazendo compras para a sua loja de roupas, já em clima de fim de ano.
Fim de semana em SP, é muito bom: rever amigos, circular por ambientes onde morei, trabalhei por anos. È meu habitat.
Passear pelo Shopping Iguatemi, só para olhar tudo, comer docinhos na Cristallo, almoçar no Almanara…
Minha irmã Liliana, organizou um coquetel para comemorar o quarto aniversário de sua Loja.
Encomendou salgadinhos, contratou garçon, decoração com muitas flores, prosecco gelado,
e eu cismei de fazer bem casados para oferecer para os clientes.
Os papéis para embalar, tive que comprar pela internet, assim como pesquisei receitas. Fiz a que achei mais prática, ficaram gostosos, mas principalmente, ficaram lindos. Arrasamos!!!
Numa noite linda de quinta feira, fomos convidados pelo Neto, meu irmão, para irmos para Ribeirão Preto, assistir um concerto de pianista ANDRE MEHMARI, grande destaque na música instrumental, e dessas coisas que a grande maioria dos brasileiros, nem fica sabendo: indicado a´Grammy Latino na categoria .
Meu irmão, é amigo de sua mãe, que é pianista no bar do Flat, onde ele fica hospedado
Eu não tenho gosto musical sofisticado, não tive oportunidade para isso, mas fui formando meu critério de qualidade, que bastante eclético, me fez manter uma distância saudável dos sertanejos de agora, esses pagodes, a maioria dos axés, e me permitiu aproximação com o melhor da verdadeira MPB.
O Décio teve uma formação diferente. Uma boa base de música clássica, jazz, instrumental.
Meu irmão, sabendo disso, fez questão de sua presença.
Foi um pouco mais de uma hora de show, no Teatro Municipal, lotado. Lindo.
Mesmo com ouvidos não muito educados, tive a sensibilidade de perceber, avaliar, que estava vivendo um momento, único, especial.
Respirei fundo, abri bem olhos e ouvidos para um momento raro de desfrutar um verdadeiro TALENTO.
TALENTO. Desses muito acima da média. Desses que você sabe que não encontrar em qualquer bar, qualquer esquina.
Talento. Sabe, desses que se destacam, ganham medalhas de ouro em Olimpíadas?
Ele toca e compõe. O delírio foi tamanho que imaginei versos meus, naquelas músicas.
Ele é tão jovem! Tem uma carreira inteira para percorrer. Que todos possam ouvir falar dele e ouvi-lo tocar.
Parei para imaginar, naquele momento, como fica o orgulho da mãe?
Tem a real noção do que está ali? Talento. Tão grande que quase é possivel toca-lo
Talento real. Talento concreto.
Voltei num outro fim de semana para SP.
Minha mãe aproveitou para rever suas irmãs, Liliana fez algumas poucas compras, e fomos todos numa festa de um primo do Decio que completou 60 anos e teve uma festa muito legal, organizada por seu único filho, numa casa descolada nos jardins. Tudo muito elegante e simpático.
Que sente um pai, que estudou sempre em escolas publicas, formou se em Economia e Geografia na USP, fez mestrado, doutorado, construiu uma carreira e ouve de seu filho: “Muito do que sei devo á meu pai, muito do que sou devo á ele”.
Carinho, admiração, gratidão. Momentos família, desses de verdade.
Nem tudo foi mar de rosas. O Decio se desentendeu com Rodrigo, seu filho.
Excessos de bebidas, e não do Decio. Essa história é longa..
E começo novembro, já escolhendo cardápio da ceia de natal, decoração, essas coisas.
Já comprei alguns presentes, algumas roupas, estou no clima.!!!
criado por picida_ribeiro    21:24 — Arquivado em: Sem categoria

22/10/08

LEMBRANÇAS DO CORAÇÃO E DA MENTE

À princípio, eu observava-a de longe. Vestindo sempre com os modelos da “última moda”, alegre, sorridente, conversando com todo mundo.
Observava-a e queria ser sua amiga.
E nos tornamos amigas íntimas, de ficar sempre juntas, na base do “só vou se você for”.
Às vezes ela pedia que eu ficasse na sua casa até mais tarde, que depois me levaria até em casa, e assim fazíamos. Quando chegávamos, ela dizia que não ia voltar sozinha. Eu voltava com ela.
E juntas íamos para o colégio, depois horas e horas de conversa que não acabava nunca, muitos risos e piadas, muitos choros de amores intensos e platônicos.
Estávamos sempre vivendo uma paixão, quase sempre á distância, vivíamos as histórias dos amores idealizados, a imaginação voando.
Sonhos e desilusões da adolescência. Juntas fizemos planos, vivemos os encantos e desencantos da idade.
Ela vivia as emoções de forma intensa. MUITO feliz, MUITO triste.
Ela era engraçada, fazia rir.
Sempre contava a história, de quando era criança, e saía com sua mãe para fazer visitas, e a mãe orientava que não pedisse nada, esperasse ser oferecido.
E numa dessas ocasiões viu numa cristaleira, uma travessa com doce de abobora que não foi oferecido. Sem querer desobedecer a mãe e parecer mal educada, não pediu, mas queria o doce.
Ficou em pé na cadeira, ergueu um braço e perguntou:”quem gosta de doce de abobora? E ela mesmo respondeu: Eu gosto, eu gosto.” Então a dona da casa ofereceu.
Ela contou essa história mil vezes, e em todas ríamos muito. Essa era a Silvana.
Amava sua família. Tinha orgulho enorme das irmãs, do talento da Arlete para desenhar, da sua personalidade forte e assertativa.
Tinha orgulho da Rosa, sua elegância, sempre bonita, criando o filho, estudando á noite.
O Fábio, seu sobrinho lindo, era um orgulho á parte. Ela assumia a corujice.
Às vezes eles brigavam, mas ela não prolongava a discussão.
O máximo de protesto que ela esboçava era dizer¨” OFábio está na idade da gaveta”. O que era isso?
Segundo ela, era quando a criança deveria ficar guardada numa gaveta, até a chatice passar.
Depois caía na risada. Imagino o orgulho que sentiria o ver a bela carreira profissional que ele tem agora.
No auge do sucesso do conjunto “Secos e Molhados”, fomos convidadas ela professora Ivone Custódio Vilela, á dubla-los numa concorrida gincana em Itápolis.
Ela sabia que só nos seríamos doidas de topar o desafio.
Depois de ensaios sérios e dedicados, com maquiagem da Arlete, música cantada pelo conjunto “Pedras Romanticas”, consagração total: ganhamos a prova com tanto sucesso, que viramos celebridades.
Fomos convidadas para apresentação em Itápolis, Tabatinga, e em todas as escolas de Ibitinga.
Aceitávamos todos os convites.
Ela era incapaz de magoar alguém, preferia até camuflar uma dura verdade.
Certa vez, conversávamos sobre nomes, e eu disse que achava Silvana um nome bonito, mas que não gostava do nome Maria Aparecida ( o meu). Querendo ser gentil, me disse que se eu me chamasse apenas Maria, seria feio, só Aparecida também, mas Maria Aparecida não ficava bonito.
Quando viu a trapalhada, ria e tentava consertar, não era isso que ela queria dizer. Mais risos. Essa era a Silvana.
Eu admirava seu jeito de tratar as pessoas. Foi a primeira pessoa da minha idade que conheci que de verdade, tratava todos da mesma maneira. Era amiga dos meus irmãos, dos meus pais. De ricos, pobres, jovens, velhos, crianças, feios, bonitos, modernos, antiquados, esportistas, intelectuais.
Seu universo era amplo, seu interesse pelas pessoas, irrestrito.
Boa aluna, tinha cadernos caprichados, escritos com letra bonita, redonda, sempre igual,
pedagógica.
Boa amiga, sabia ouvir, doar tempo e carinho. Sabia doar alegria
Em Ibitinga, uma geração inteira frequentou sua casa, estratégicamente instalada bem na esquina do colégio.
Sua casa era refugio, todo mundo ia lá para estudar, namorar no portão, ouvir música, e apenas conversar.
Formou se em Enfermagem, não gostou, optou com sucesso pela carreira pedagógica.
Perdeu se nas emoções, nas fortes e confusas emoções, e hoje sabe se que era portadora de Transtorno Bipolar.
Acho importante sua história ser contada, ser lembrada, para que não fiquem registrados apenas os momentos e situações confusas.
Acho que ela tem que ser lembrada, reverenciada até, pela pessoa especial que era, a amiga fiel e constante.
Sua sensibilidade, inteligência, têm que ser registradas.
Silvana Gaion. Um nome para não ser esquecido, uma pessoa e uma história para serem sempre lembrados, em corações e mentes.

criado por picida_ribeiro    20:21 — Arquivado em: Sem categoria

15/10/08

ENSINAR

Ensinar

Sendo hoje o Dia dos professores,acho ideal registrar a importancia que muitos dos meus professores tiveram em minha vida.
Pode parecer frase feita,mas realmente lecionar,é um sacerdocio,e não vou ganhar nenhum premio Nobel por afirmar que o país só vai se firmar num patamar de dignidade,quando a educação tiver sua importancia realmente reconhecida.
E a educaçaõ,realmente está nas mãos dos professores.
Faz toda diferença no resto de nossas vidas,os professores que a gente encontra pela vida.
Eu tive sorte.Tive oportunidade de estudar numa época em que as melhores escolas eram do estado.
A carreira de professor era valorizada,eles ganhavam bem,eram bem preparados,e nos educavam de verdade.
Não era apenas ensinar matérias,era ensinar comportamento.
Era uma corrente: eles eram bem formados,liam bons livros,viam bons filmes,músicas,eram elegantes na maneira de ser e no espirito.
Tinham noção de sua missão,de seu compromisso.
E ensinavam mesmo,e recebiam de maneira adequada para isso.
Nós tinhamos que aprender,senão ás vezes por causa de uma matéria,por causa de um ponto na nota, teríamos que cursar um ano novo inteiro.
Quando o professor chegava à sala de aula ,a classe toda ficava em pé para recebe-lo.Havia um respeito e admiraçaõ por eles.
E todos esse meandros esquisitos da politica,foi tirando deles,o salário,a dignidade,o respeito,dos alunos e da sociedade.
Agora o professor ganha mal,não consegue se vestir como gostaria,ler os livros que queria,ver seus filmes,viajar.
Geralmente sua formação é rasa,por isso acaba não tendo muito o que acrescentar para o aluno.
Nas escolas particulares,que hoje proliferam pelo país,se eles chamam a atençaõ do aluno,muitos pais vão reclamar,e a escola pede para relevar,não quer perder o aluno-cliente,e cliente tem sempre razão…
Nas escolas do estado,o aluno sabe que não vai repetir de ano,a autoridade que se faz necessária perde o sentido,e professor é só uma tia como qualquer pessoa mais velha.
Parabéns aos professores que ainda hoje conseguem exercer sua profissão com todas as dificuldades que lhe foram imputadas.
E obrigada aos professores especiais que passaram pela minha vida,que ajudarm na minha formaçaõ,que fizeram de mim uma pessoa melhor.
Em Tabatinga,aprendi muito com o SR Dirceu,prof,História e Geografia,as professoras de Portugues,que me incentivaram a ler,a escrever,
Tenho cada um deles na memória,e muitos deles,no coração,prá sempre.
criado por picida_ribeiro    22:14 — Arquivado em: Sem categoria

3/10/08

O inicio de tudo

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criado por picida_ribeiro    22:57 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:,

28/9/08

A MINHA PRIMEIRA VEZ

No blog da Tatiana Rezende fala do publicitário Washington Olivetto, e da campanha histórica do primeiro sutiã, que “a gente nunca esquece”.
Olivetto acaba de lançar um livro sobre a primeira vez que nunca foi esquecida de muita gente.
No blog, Meridiano Sangrento também é narrado uma “quase primeira vez”.
Recomendo as duas leituras. Os dois estão entre meus favoritos, é só acessar.
E inspirada no que li, resolvi escrever sobre várias primeiras vezes da minha vida.
Aquele instante primeiro que ficou na lembrança para sempre.
Lógico que existem outros, existem muitos, mas esses que cito agora são inesquecíveis, eternos.
Fique á vontade para acrescentar os seus.

Começo com a fase de transição menina /mulher e o momento marcante do primeiro sutiã,
Eu era muito magra, mas desde os tenros 10 aninhos, os seios já davam sinais.
Como foi considerado muito cedo para que eu usasse sutiã, seria como dar um atestado de que eu era uma “mocinha”, e na minha casa ninguém queria isso, eu ganhei um corpete de manha canelada, com alças finas de cetim, com recortes no busto, enfeitado com rendinhas.
Só uns dois anos depois, meu sutiã chegou.
Eu morava em Tabatinga, minha Tia Cleide, levou logo três. Eram moderníssimos.
Já tinham o novo formato com bojo arredondado e com listras delicadas. Um de cada cor.
Listras amarelas, outro verde, e azul.
Os tres sutiãs colocados sobre a cama dos meus pais. Eu sozinha, escolhendo qual iria ser o primeiro.
Listrinhas amarela. Eu sozinha, fechada no quarto, num momento de total privacidade, coloquei a blusa branca do uniforme, rodopiei só de sutiã, olhando para o espelho, um momento inesquecível,
e fui para escola.
Fui me sentindo diferente. Alguma coisa tinha mudado. Eu estava diferente.
Era o ano de 1968 quando ganhei o primeiro sapato de salto alto.
Salto alto era maneira de falar, era um saltinho, só para anunciar que você estava quase chegando lá. Mas nunca esqueci, já falei sobre isso em outro post, era marron, bico fino, um lacinho.
Ele fez parte da transição. A primeira menstruação, que eu nem desconfiava o que era aquilo,achei que eu estava morrendo, que teria apenas mais algumas horas de vida.
O que era aquilo, sangue saindo de lá, do naaadaaa???
Depois de horas de choro compulsivo, com todas minhas tias perguntando o que estava acontecendo e levantando as hipóteses: “saudades da sua mãe? Brigou com as amigas? está doendo alguma coisa?” e eu só respondendo não com a cabeça e insistindo no choro, até a Tia Cleide perguntar “ por acaso, aconteceu isso, aquilo?”. Siiimmm. E em seguida, os cochichos com os vizinhos “ela está mocinha” .

E nessa fase de transição e descobertas, nada como a emoção do primeiro beijo
Eu tinha 13 anos, já estava com meu sutiã e sapatos de saltinho, morava em Tabatinga, vim passar férias em Ibitinga e estava de olho num menino de 15 anos. Mirinho Catalano, baixinho, magro, de óculos, mas eu gostei. Tinha senso de humor, era falante e inteligente.
Ele mandou um recado pelo amigo Orlandinho Raineri, se podia sentar ao meu lado no cinema.
O coração já ficou aos pulos, concordei na hora.
Sessão de cinema das 6, Cine Rio Branco, filme “Mogli, O Menino Lobo”
“Necessário, sómente o necessário, o extraordinário é demais…”
Entrei primeiro, guardei um lugar, e só quando as luzes se pagaram, ele sentou se ao meu lado.
No meio do filme, segurou minha mão. Senti um frio na barriga, e ficamos de mãos dadas, sem falar nada, sem nos olhar, inclusive.
Um tempo depois, um selinho, que quase nem selinho era, de tão sutil, tão rápido.
Durante semanas quando lembrava aqueles momentos, sentia tudo de uma vez.
Coração aos pulos, frio na barriga, mãos geladas.
Durou só essas férias, não houve outro selinho, mas nunca esqueci, principalmente as emoções que senti.

E das emoções inesquecíveis e primeiras, faz parte o primeiro baile, que era acontecimento máximo, escolher roupa mais social, maquiagem, saber dançar, de rosto colado até…
Primeiro baile de réveillon, primeiro amor, desses platônicos, da gente escrever nome no caderno, rodeado por um coração.
Gelar só em vê-lo passar. Passar em frente á casa dele, só para ver se ele está lá.

E das lembranças de amores, guardo com carinho, a primeira vez que dormi com o Decio.
Eu tinha 25 anos, ele já era um homem de 32, divorciado, um filho, sabia como teria que ser.
Nós já namorávamos há quase um ano.
Ele morava sozinho, assistimos “Casablanca” na Globo, Creedo, ainda não existia vídeo cassete.
Ele foi o primeiro homem com quem eu dormi, o primeiro com quem eu acordei. Aliás, primeiro e único.
Ele levou café da manhã na cama, com florzinha e tudo. Esse homem não é o máximo?
Para não esquecer mesmo.
Já contei aqui, que nunca esqueci, a primeira geladeira que meu pai comprou, branca, arredondada na sala, que eu nem acreditava que tinha, que acordava para ver.
Já contei também da primeira vez que vi o mar em Caraguatatuba. Isso ninguém esquece.
Nunca fui de viajar muito, mas não esqueço quanto tirei as primeiras férias, depois de um ano trabalhando na Transport em SP, e fui ao Rio de Janeiro, de ônibus, com minha irmã Liliana e minha amiga Antônia.

Conhecer o Rio, as praias, primeira vez que me hospedei em hotel, foi inesquecível e inenarrável.
E coroando a viagem, primeira vez na casa de shows Canecão, ver um show do Roberto Carlos.
Tem noção? 19 anos e descobrir tudo isso?

E a primeira vez que, aos 18 anos, chegando á SP?
Ver semáforos, trânsitos, elevadores, escada rolante,primeiro Shopping Center Ibirapuera recém inaugurado, tudo ao mesmo tempo, agora?
Eu nunca tinha visto nada nem parecido.

Andar de avião pela primeira vez também a gente nunca esquece.
Minha primeira vez de avião, foi uma ponte aérea para o Rio de Janeiro, á trabalho, mas deu tempo de ir conhecer o Bar Garota de Ipanema, e depois num outro bar comer casquinha de siri olhando para o mar.
Com 52 anos acompanhei o surgimento das novidades tecnológicas e algumas surpreenderam, a ponto de eu não me esquecer nunca.

O primeiro gravador, desses de fita cassete que vi, eu tinha uns 12 anos, morava em Tabatinga, e um amigo do Neto, um irmão, que morava em SP, Vilson (Marinheiro), gravou eu cantando no banheiro. Quando eles me mostraram eu não acreditava no que via, ou ouvia.

Tempos depois, um primo de minha mãe, Gerson, de SP, foi passear num Galaxie, com toca fitas no carro, e nos levou á passear de carro, ouvindo música. Nooossaa, demais!!!

Também nunca esqueci a primeira vez que vi vídeo cassete. Um amigo, Rene Ferri, um dos donos da loja de discos Woob Boop, gravou um show de Elis Regina e fui assistir.
Ela tinha acabado de falecer, e eu tentando entender. Ele me disse que deixou gravando, com a TV desligada, nem estava em casa ????????
A primeira vez que um caixa eletrônico, expeliu dinheiro, quase enlouqueci. Adorei!

E tantas coisas, tantas emoções e lembranças…
Contarei depois… Contarei tudo.

criado por picida_ribeiro    21:32 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/08

NO TOPO DO MUNDO

Esse grande ibitinguense, eu conheci criança.
E entre risos e sorrisos ouvia seus pais falarem da paixão que ele tinha pela música “O Menino da Porteira”, quando a musica sertaneja ainda era restrita aos que moravam na roça e ouviam o programa de rádio do Coitelo.
Ele já era diferente. Ouvia a musica mil vezes por dia, todos os dias, seus pais ao mesmo tempo em que já se cansavam da música, achavam divertido, e inusitado
Na ocasião, Sergio Reis veio se apresentar num circo aqui em Ibitinga, e lá foi Dr Carmelo seu pai, levá-lo para assistir. O Rodrigo fez questão. Ele pediu um disco com a musica, ouvia muito…
Com um detalhe: toda vez que a musica estava caminhando para seu final, ele dizia entre lágrimas “pai, o menino vai morrer”.
Ele devia ter uns 5 anos. Já era diferente. Sentimentos e emoções mais fortes.
E então, vejo-o escalando montanhas, o que já seria um esporte arrojado, diferente, mas não para ele. Não era escalar montanhas, divertir-se e ponto.
Era vencer limites, desafios.
Ainda menino descobriu o sabor das aventuras, cachoeiras, natureza, e passeios em Brotas.
Estudou e formou se pela Unicamp em Ciências da Computação. O menino das aventuras, emoções formou se em Ciências Exatas .
E escalou montanhas, bateu recordes, derrubou barreiras.
E com a resiliência pertinentes aos atletas olímpicos, atingiu o Everest, a maior montanha do mundo.
Para quem consegue só enxergar o feito como aventura, loucura até, vale destacar o que se faz necessário para realizar algo assim.
Primeiro, há que se ter muita coragem, um pouco de loucura também, porque não?
Mas, antes de tudo, e mais que tudo, há que se ter obstinação, organização, empenho, tudo isso e muito mais, numa dose extra que só os grandes vencedores têm.
Suas conquistas o levaram para manchetes dos principais jornais, revistas e programas de TV.
Suas conquistas o levaram á alegria de lugares nunca alcançados, e conheceu a dor infinita da perda do grande amigo Vitor Negrete, companheiro de jornadas, tentando realizar seus sonhos, concretizar seus planos.
Ele se mantem o homem tímido, sempre pé no chão, por mais alto que esse chão esteja.
Cabeça com idéias centradas, por mais que a cabeça alcance as nuvens.
Com pessoas assim, nunca sabemos o limite, o desafio será sempre constante, com metas estipuladas e riscos calculados.
Desafios e riscos que tiveram que tornar seus pais mais fortes, desafios e riscos que fizeram dele vencedor.
Eu imagino que seus pais o preferiam vê-lo sempre aqui embaixo, mas imagino também que sabem que sentem, que ele tem algo a mais, que ele quer mais.
Pergunto-me para alguém assim, qual o ponto de chegada? Qual o limite? Se o limite for esse que vimos, já é o máximo.
Ele saberá a hora de parar, o lugar onde chegar.

Para ele o gosto de sonhos alcançados, para nós Ibitinguenses, o orgulho de um conterrâneo, que foi longe, que foi alto.
E como no anúncio da Escola de Idiomas Wizard, onde ele aparece com o amigo e companheiro Eduardo Keppke chegando em 25 maio de 2008 no alto do Monte Everest dou “Parabéns aos alpinistas Rodrigo Raineri e Eduardo Keppke por esta conquista. Eles acreditaram em si mesmos, acreditaram em seu sonho e alcançaram o topo do mundo.”

Texto Publicado na revista Multivisão 09/2008

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