DIARIO DE UMA JOVEM DE 50 ANOS

DIARO DE UMA MULHER DE 50 ANOS DO INTERIOR, SUA FAMILA SUA SEUS AMIGOS, SUAS HISTÓRIAS DE VIDA

20/7/10

ACALANTO II

Muitos comentários sobre o texto anterior. Não os comentários educados e simpaticos ali postados.

Os comentários "ao vivo".

Alguns parentes e amigos, dizendo que exagerei, mil exclamações e mais mil gozações. Tudo com muito bom humor.

Quando escrevi não pensei se seria brega, cafona, exagerado.

Nada original, claro.

Escrevi com muita simplicidade sobre um momento muito especial: o momento em que o companheiro dorme.

Quando seu companheiro (a) dorme ao seu lado, e voce olha para ele, o que sente?

Atenção para a resposta , que não precisa ser ´publica, basta ser sincera, muito sincera.

Nesse momento, voce tem a oportunidade da mais exata resposta e avaliação de sentimento.

Porque nesse momento?

Porque, ali, ao contemplar o companheiro, o sentimento que brotar é o que conta.

Porque voce estará inteira, sincera, tranquila, sem se importar com julgamentos. Ninguem para ver sequer o seu olhar. 

Nem ele.

E ele ali, desarmado, desatento, é o mais verdadeiro. Com o quê, ou com quem ele sonha, não conta.

È ao seu lado que ele repousa para voce ser e fazer o que quiser. Prova de confiança maxima.

Acredito que muitas pessoas ao olhar para o lado na cama, sinta ternura, saudade, gratidão, respeito, tesão.

Algumas podem sentir, cansaço, desilução, indiferença.

Quando eu ainda era adolescente e morava em Tabatinga, a pequena e tranquila cidade ficou chocada com um crime barbaro.

A mãe do Gonzaga, meu colega de classe, matou o marido a facadas, quando esse dormia ao seu lado.

Sem querer ser mórbida, mas imagino a cena. Ele descansado e confiante, momento maior da tranquilidade no seu lar: dormindo.

Ela: deve ter olhado, pensado, planejado. Quanto tempo de sentimento sincero ?

O ódio, a raiva, são sinceros. E nesse momento, não são camuflados, se tornam evidentes. 

Numa  noite de sono, tudo é revelador. Nada é velado.Tudo transparente.

E para não encerrar com tragedia, penso em cantarolar:

"Quero ternura de mãos se encontrando, para enfeitar a noite do meu bem";

Dolores Duran, pensou nisso tudo, muito antes de mim.

E escreveu bem melhor.

criado por picida_ribeiro    3:13 — Filed under: relacionamentos

10/7/10

ACALANTO

Me deito na minha confortável cama Box, coberta pelos lençois de não sei quantos fios, que ganhamos no nosso aniversário dos amigos do trabalho.

NOSSO aniversário, porque por um desses inexplicáveis e misteriosos designios dos céus, aniversariamos no mesmo dia.  
Voltando aos lençóis: bonitos, macios e com cheirinho de Confort.
Então tenho uma sensação boa de conforto, bem estar, que me faz espreguiçar devagar e com gosto. Humm... muito bom...
Melhor ainda porque olho ao meu lado e o vejo dormindo.
Sono profundo, calmo, respiração compassada, rosto tranqüilo.
Sensação boa vê-lo ao meu lado nesse momento.
Sensação muito boa, poder olhar você ali, sem saber que está sendo observado. Só eu estou ali, olhando com ternura você nesse momento.
Ternura por ter você comigo agora e sempre.
Olhar de gratidão. Olhar de respeito.
Olhar de todo meu amor.
Quando você se deita ao meu lado, costumo me aninhar em conchinha e dizer com suspiros: “humm... (sempre falo hummm, antes de uma coisa boa) melhor hora do meu dia”.
Quantas vezes eu já lhe disse isso? Sempre com muita verdade.
Sua respiração, em um sono sem roncos, seu calor, seu cheiro.
Depois de trinta anos, como seria não ter você nessa hora, todos os dias?
Enquanto você dorme, contorno seu rosto com a ponta dos dedos, bem de leve, quase sem tocar, para não acorda-lo.
Olho de perto a expressão calma, as marcas do tempos mais acentuadas , e gosto do que vejo.  
Em cada noite, quando vejo você dormindo ao meu lado, olho você e vejo nossa história. Nossa vida. Juntos.
Olhar derramado de carinho enquanto voce dorme e eu zelo e velo seu sono tranqüilo e doce.
Seu sono dos anjos. Sono dos justos.
 A noite do meu bem
criado por picida_ribeiro    13:10 — Filed under: relacionamentos

5/7/10

RAÍZES E ASAS

Tempos corridos e dificieis, desses de ás vezes, não saber para onde correr.

Então, sem saber para onde correr, páro.

Páro e penso. Tento pensar e acreditar no futuro melhor, na força e capacidade de luta de cada um seguindo seu caminho. Todos podemos. Verdade. Isso é só o começo.

Comecei a semana com reflexos e reflexões sobre o show "This is it" do Michael Jackon.

Talvez se ele estivesse vivo, eu assistiria com outros olhos, outro olhar, um olhar mais desatento para um show legal.

Mas como ele morreu, a ótica muda.

Vi talento nunca visto. Não desse tamanho...

Que era aquilo? Dançar daquele jeito? Cantar daquele jeito?

Realmente, um talento excepcional, desses que o mundo vai ficar procurando substituto e nunca mais vai achar. Feito o Pelé. À cada jogador goleador que surge, pronto: Novo Pelé, que se tudo correr bem, dura uma temporada de bons jogos, uma ou duas jogadas geniais e pára por aí.

E para não ficar só com papo de "no meu tempo" tento achar mudanças para melhor na vida das pessoas, na qualidade do ser humano.

Tecnologia ao alcance de todos: teria o mundo mudado para melhor?

Onde? Me convençam, please...

Revi no google imagens uma palestra do teologo Mario Sergio Cortella, ex Secretario da Cultura de SP, onde ele fala das mudanças na vida das pessoas. Fala sem julgamento, só constatação.

Antes da chegada da TV, a familia se reunia á mesa do jantar, e a comida era servida para todos no mesmo horário.

AS pessoas se viam, se falavam. Hoje cada um chega num horário, e segundo ele vão para sua "tóca".

Cada quarto com sua TV e seu computador

Comem quando tiver fome, esquentam no microondas, cada qual no seu horário.

Na sala de visita, as poltronas e o sofá ficavam virados um para o outro. As pessoas se reuniam  para conversar. 

Se chegasse uma visita, seria bem vinda, trazendo noticias, assunto, conversa.

Hoje uma visita, na maioria das vezes, incomoda .

As pessoas querem seu tempo, seu espaço, sua TV, seu programa.

Se um amigo ligasse para falar com o filho, o pai ou mãe, sabiam quem era,

Hoje, o amigo do  filho, liga direto no celular dele e muitas vezes não se sabe com quem ele fala, o que fala.

Os pais de hoje, as vezes nunca andaram de avião e mandam o filho para Disney. Expectativa na chegada, os pais perguntam ansiosos :" E Então fiilho, como foi? Gostou?" Ele responde blasé : "Legal. Normal." 

E segundo Cortella, acontece a "despamonhanização" da familia.

Dei muita risada quando o vi falar sobre isso e explicar, porque vivi a fase da pamonha em familia, e tinha esquecido completamente.

Fazer pamonha, era um evento onde toda familia participava.

Havia a turma da colheita (os homens), as crianças descascavam o milho, tiravam os cabelos, as mulheres se dividiam em grupos para o preparo, costuravam os saquinhos, e a degustação envolvia até os vizinhos.

Hoje não há uma atividade que envolva todos dessa forma. "Pamonha, pamonha, pamonha de Piracicaba".

E agora uma avaliação minha: Porque agora os pais tem que cuidar dos filhos para todo sempre e sempre?

Eles não amadurecem, não se comprometem nunca?

Não vejo casos isolados, vejo todos assim.

Onde existe a falha? São os pais que não os libertam, não os preparam? São os filhos que não querem? Um pouco de tudo? 

Aos 18 anos eu fui morar em SP para trabalhar e estudar. Ninguem me deu nada de mão beijada, e eu não esperava que me dessem. Não que eu fosse melhor que qualquer outra de minha geração. Era todo mundo assim. Todo mundo na luta pelo seu espaço, sua vida.

Tanto é, que por muito tempo dividi apto com outras garotas, dividindo casa, sonhos, trabalho, responsabilidade, compromisso.

Ainda existe "republica de estudantes"? pelo que vejo, hoje cada estudante, quando sai da casa dos pais (quando sai) móra sozinho, as vezes mora em flat, e o pai e a mãe continuam ralando.

Trabalhei por mais de vinte anos no bairro do Bom Retiro em SP, quando era domínio de judeus.

Por conta disso, acabei tempo uma convivencia muito próxima com o estilo de vida desse povo.

Nem tudo são flores, mas haviam coisas á serem admiradas e copiadas.

Todo filho e filha de judeus, ao completar 17 anos passava uma temporada em Israel em "Kibuts", a comunidade onde aperfeiçoavam a lingua, conheciam melhor sua história, sua cultura e trabalhavam.

Vi filhos de pais ricos, passarem um ou dois anos trabalhando por lá nas atividades que melhor se adequassem.

Filhos de pais muito ricos, lavavam roupa, louça, chão.

Exercitavam o hábito de servir um ao outro, em prol de todos.

Filho de judeu, nunca vi entrar na empresa do pai, como "filho do dono".

Melhor sala, melhor mesa. Nããõo.

Entrava como ajudante, carregando pacotes, fazendo bancos, conhecendo a empresa desde o trabalho mais simples. Só depois de experiente, decidia se em qual atividade ele iria se fixar e aí então comandar.

E  atualmente a maioria dos pais quer dar para os filhos tudo aquilo que não tiveram.

 Isso é melhor?

Como disse Cortella, o mundo que vamos deixar para nossos filhos amanhã,  será o que estamos construindo para eles hoje.

E como disse Liliana, minha irmã, que leu não sei onde que o maior legado que um pai pode deixar para os filhos é RAÍZ E ASAS.

criado por picida_ribeiro    0:42 — Filed under: relacionamentos

25/6/10

BRINCADEIRAS Á PARTE

 Ontem, uma amiga de infancia, Verci foi com sua filha Isadora jantar em casa e nós rimos muito imaginando a reação das crianças de agora, se assistissem as brincadeiras de nossa infância.

Com certeza, estupefatos, duvidariam de nossa sanidade mental.
Imaginem a geração de agora, desligando seus celulares e computadores, parando para ver um bando (sim, porque se brincava em turmas) de crianças alegres, felizes brincando de:
 
·        RODA : brincar de roda, por hoooraaass nada mais era que ficar de mãos dadas (geralmente meninas) rodando saltitante cantando: “ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar. Ou então: “você gosta de mim...? eu também, de voce ...vou pedir ao seu pai....para casar com você”. Ter o nome selecionado e cantado nos versos, era a consagração suprema!
 
·        CABRA CEGA: olhos vendados, tinha que sair caçando um dos adversários estrategicamente espalhados pelo ambiente, e o primeiro a ser pego, castigo supremo: ele seria o próximo “cabra cega”.
 
·        PASSA ANEL: formava se um circulo, todos sentados, com as mãos juntas, como em uma prece, no centro alguém com as mãos fechadas contendo um anel. Ia passando as mãos fechadas, nas mãos também fechadas, dos amigos. O barato da brincadeira, era a cumplicidade com aquele que você escolhia em que mãos depositar o anel, sem que ninguém percebesse. Testava se a esperteza ao trocar o anel de mãos sem notado, e ao receber o anel com cara de paisagem, sem ninguém notar, porque o momento máximo da brincadeira era : escolher de surpresa um dos participantes e fazer a pergunta chave : “fulano, com quem está o anel?” Suspense... se acertasse, o premio era ser o passador do anel. Se errasse... o castigo era nenhum... ficava como estava. Ninguém acertou. Fazia se tudo de novo.
 
·        PULA SELA: uma criança se agachava , com as mãos no joelho. O Outro tinha que saltar sobre ela. Mais procurada pelos meninos.
 
·        LENÇO ATRÁS: o máximo da elaboração: os participantes formavam um circulo, com uma criança no centro, com um lenço. Ela corria no circulo disfarçando e deixava cair o lenço atrás de um dos participantes, de maneira sutil, evitando que ela percebesse, quem tivesse sido escolhida tinha que perceber o lenço, pega-lo, correr, alcançar a criança que jogou o lenço e dizer “peguei”. Se isso acontecesse, ela era vencedora, era a proxima criança a ir para o centro, se não percebesse que o lenço estava atrás dela, era eliminado do jogo.
 
·        PULA CORDA : esse é mais conhecido: Era preciso três pessoas: uma para cada ponta da corda. E a outra pulando.. Quando a corda batia nas perna, “queimou”, saía, ia ajudar bater a corda para o outro. Treino de parceria e disciplina. Esperar sua hora e sua vez.
 
·        QUEIMADA: Esse era mais agitado. AS meninas se misturavam com os meninos, formando dois times. Um traço de giz na rua, um time de cada lado. Era só jogar a bola com MUITA FORÇA, tentando atingir o adversário. O atingidos eram eliminados. O vencedor era quem tinha mais agilidade para fugir e driblar a bola, e/ ou boa pontaria para acertar o arremesso.
 
·        AMARELINHA: De vez em quando pode se ver alguma amarelinha riscada em alguma calçada. Era uma brinaceira muito, muito comum. Meninos e meninas. Agilidade nas pernas, nos pés, coordenação motora nos lançamentos, cuidados para não queimar.
 
·        ESCONDE- ESCONDE : Uma criança escondia o rosto, tapava os olhos com as mãos, e contava até 10, dando um tempo para as demais se esconderem. A ultima a ser encontrada era a vencedora. As vezes essa brincadeira ia loongeee..
 
·        SAQUINHO: Cinco ou seis saquinhos, não me lembro ao certo. Destreza e coodernação motora. Eram feitos de panos, recheados com arroz. AS vezes era jogado com pedrinhas. Fazia se uma ponte com a mão esquerda, colocando polegar e indicador numa base, que podia ser em uma mesa, no chão, Os saquinhos eram passados por essa “ponte”, enquanto simultameamente, um era jogado ao alto,e tinha que ser pego com a mão direita? Derrubou? Perdeu. Era vez do outro. A Isadora, filha de Verci, com 17 anos, disse que se hoje eu convidar alguém para brincar de “saquinho “, vão pensar em drogas: saquinho de maconha, saquinho de cocaína. Pedrinhas? Só se forem de crack.
 
Eu e o Decio dizemos, que se uma criança ou adolescente  de agora, visse algo assim diria: “ Por favor, me leve a seu Mestre”.
 
 
 
 
          
 
criado por picida_ribeiro    13:01 — Filed under: relacionamentos

6/6/10

ALTAS HORAS. ALTOS PAPOS.

 

Quem como eu, estiver com mais de 50 anos, deve ter  adorado o programa ALTAS HORAS de sabado passado. (05/06)

Uma homenagem justa e merecida á Erasmo Carlos, que comemorava 69 anos de idade ( o cara está acabadão) e 50 anos de carreira.

Ele tem uma cara de gente boa, e os elogios recebidos confirmam isso. Deu para sentir que não eram  frases feitas, discursos pre- fabricados. Eram sinceros.

Com muita espontaniedade e verdade falou Vanderlea, linda, provando que existe sim, vida para as mulheres com bem mais de 60 anos...

E com mais uma vantagem: agora, alem da boa presença no palco, aprendeu a cantar. 

Ele  foi amigo de infancia de Tim Maia, Jorge Benjor, e no inicio da juventude se uniu a Roberto Carlos, para juntos fazerem história.

Só que ele, ao contrario do Roberto, não ficou parado, em tempo e lugar.

Ele segue e ousa.

Canta com Marcelo D2, Marcelo Camelo, Roberta Sá, Marisa Monte.

Rita Lee, o chama de Gigante Gentil.

Mas, para os fãs cinquentões, fica o registro EMOCIONANTE da presença de MARIA BETHANIA, que cantou; "AS Canções que voce fez pra mim, " e "Sentado á beira do caminho". Duas das mais belas canções da dupla.

E a voz da Bethania? E sua presença?

Tão natural, tão sincera, tão forte!

Como já bem disse Belchior ,"o novo sempre vem, mas meus idolos continuam os mesmos, e eu digo que depois deles, não apareceu mais ninguem"...

VEJAM

 

 

criado por picida_ribeiro    22:10 — Filed under: relacionamentos

3/6/10

TRILHA SONORA

 

Li no blog  ABACATE BATIDO sobre a experiência da autora ao ganhar seu primeiro CD.

Pela narrativa, ela já é da geração que não conviveu  discos de vinil. Já pensa em como e quando vai conseguir se desfazer dos seus CDs e passar tudo para esses novos aparelhos technos.

E mais histórias: “eu sou do tempo” e lugar onde até o disco de vinil demorou á chegar. Em Tabatinga, durante todo tempo que morei por lá 1961 a 1971, nem loja de discos tinha. Nenhuma. Nunca.

 Mas o rádio era de uma força e uma importância, sem medidas.

À cada lançamento, cada musica nova dos nossos cantores favoritos, a gente ficava com papel e caneta para ir anotando a letra. Saber a letra e cantar junto, fazia parte do pacote.

As vezes a gente deixava em uma estação de rádio, em um  programa, onde já sabíamos que a musica seria tocada, outras vezes, ficávamos procurando pela musica no radio. Dias e horas. Barros de Alencar e Hélio Ribeiro.          Uma vitrolinha e alguns discos, a maioria Compactos, já virava bailinho.    

Emprestar um disco para um amigo, convidar uma turma  para ouvir os discos em casa, compartilhar.

Era emocionante! Eu esperava pelos discos do Roberto Carlos a cada final de ano, que o Tio Rosalvinho dava de presente para Tia Vera infalivelmente. As 14 Maisno meio do ano.

Beatles sempre. Bee Gees. Jovem Guarda. E as musicas dos Festivais.   Ouvir discos era um ritual, um momento mágico, onde você juntava (cada um levava os seus) e depois repartia, a gente ouvia junto, era uma lição de respeito ao outro, porque ouvia se gostos diferentes, mas você esperava e curtia esperar, a sua vez. Havia respeito, admiração pelas capas, você esperava um tempão para vê-las,

Eu disse VE-LAS. TE-LAS já era outra história...

Prazer compartilhado com amigos e que reunia a família. 

Quando comecei a trabalhar em SP, em dias de pagamento de salário, era praxe dar uma passada em uma loja de discos. Todo bairro tinha uma boa loja, ou mais. O prazer de procurar, como se tivesse garimpando os lançamentos, as promoções.

As vezes comprar um LP por causa de uma única musica.  Minha loja preferida era no Top Center na AV Paulista, ao lado do Cine Gazeta. Um bom acervo e bons preços.

Mas havia os verdadeiros Templos....MUSEU DO DISCO, HI-FI 

Nesses, eu ia só para passear, os discos eram mais caros.  O cuidado para não riscar, envolver no papel de proteção, e só depois colocar na capa.  Na casa das minhas tias, o limpador de discos, era uma almofadinha de veludo vermelho.  Ouvir musica, era um fato agregador importante .

O primeiro som que comprei (de novo no Mappin), três em um, sabe o que era? Toca discos, toca fitas e radio AM/FM. Caixas de som. Gradiente          No pequeno apto da R Eduardo Prado, para mim, aquele era o som máximo.      Uma sensação de conquista inesquecível. Momentos muito bons, ao som de festas, e momentos de solidão boa . A musica e você, nada mais.

Gal Costa, Djavan, Caetano, Milton, e Roberto Carlos.

Uma fase em que ouvi muito Elis Regina e John Lennon.

Walkman nunca gostei. Qual a graça?

Já estava casada com o Decio quando chegou  CD.

Ganhei o primeiro aparelho portátil a ultima das novidades, do meu irmão Zé Luiz, que estava de mudança para Londres, e deixou o dele comigo.

A principio, o mercado oferecia pouquissimas opções de CD. E era muito caro. Só os cantores com publico mais sofisticado gravavam CDs.

Peguei a fase dos “piratas”,  eu adorava.

O prazer de garimpar de novo, e escolher, escolher. Consegui valiosas preciosidades na pirataria:

Zizi Possi “Para Inglês Ver” Rod Stewart cantando clássicos da musica americana, e todos os Roberto Carlos com que sempre sonhei em CD.

Depois foram rareando, e não tanto pelo policiamento, e sim pela falta de mercado. Ninguém mais compra CD pirata. Agora, cada um faz o seu.

O Decio, meu marido, totalmente dependente da tecnologia, já tentou me enredar pelo I POD, MP 1/2/3... Pen Drive, sei lá mais o que. Tudo muito variado, tudo muito individualista.

As pessoas “baixam” as musicas, muitas, milhares, e nem tem oportunidade de ouvi-las. Por enquanto, vou curtindo meus CDs,  saudosa dos discos de vinil, e das musicas e das histórias vividas com com as musicas, vividas através delas.  

As histórias ficarão sempre comigo, já os hábitos... talvez os mude...    

Resta descobrir a vantagem do novo, nesse caso.  

Juro que estou buscando.

 

criado por picida_ribeiro    11:22 — Filed under: relacionamentos

26/5/10

MICOS MICOS MICOS

Dessa vez, vou falar sobre os micos alheios. E vou falar da campeã, medalha de ouro: Minha irmã Liliana

 

Poderia fazer um blog  só com os micos que ela já pagou, com os que ela paga todo dia.

Mas vamos economizar e só passar uma idéia básica da situação:

 

Um de seus micos inesquecíveis, quando organizamos uma festa junina na casa de campo da amiga Silvia Hirata, em Bom Jesus dos Perdões, perto de Atibaia.

Um lugar lindo, espaçoso, nossa festa já era tradicional.

Quentão, bandeirinhas, fogos de artifício, quadrilha, e trajes tipicos, ou seja traje caipira, as vezes misturávamos com alguma coisa bem brega.

A irmã de uma grande amiga nossa, recém chegada de uma cidadezinha, do interior do Paraná, era uma pessoa muito simples, totalmente desligada de moda ou coisa assim.

Estávamos na cozinha, Liliana chega toda alegre e simpática para Sonia, e vendo seus trajes simples, meio desconjuntados comentou: “ Nossa, você já está pronta pra festa?”

A Sonia respondeu: Não ainda vou tomar banho e “me arrumar”.

 

Morávamos na R. Eduardo Prado, inicio Av Angélica e trabalhávamos no Bom Retiro.

Dava para ir de taxí todo dia, uma corrida curta.

Nos tempos do táxi mirim, fuscas sem o banco da frente, ela acenou, carro parou, deu endereço: Rua Silva Pinto.

Ao chegar endereço, bateu olho onde deveria estar o taxímetro. Nada.

Ela perguntou pelo taxímetro, o moço educado respondeu que não era táxi. Apenas tinha tirado o banco da frente para consertar, mas achou engraçado a distração dela, ia para aqueles lado, levou e não cobrou!!

Ela ser avoada e bonita, ajudou...Queria ver se fosse uma baranga...

 

Certa vez, passando férias no nordeste, com amigos, ela foi visitar uma tia de sua amiga Helena

Passaram o dia por lá, almoçaram, com a hospitalidade clássica do nordestino. Depois do almoço farto, a Tia se espreguiçou, disse que estava com uma leseira, a Liliana falou: “Nossa (ela sempre fala:Nossa), a senhora está com uma INHACA .

Ficou um silencio, a mulher sem graça, abaixou o braço, conferiu discretamente o cheiro: inhaca no nordeste é cheiro ruim, fedor , por essas bandas, é preguiça.

Tudo esclarecido, deram muita risada.

 

Já morando em Ibitinga, Messias, então, seu marido, que sempre teve muito zelo por seus cabelos, pediu a Liliana que fosse á perfumaria e comprasse uma touca térmica para que ele pudesse fazer uma hidratação, mas conhecendo a figura, meio sem graça em assumir que usava esses apetrechos, pediu para ela ser discreta e fingir que era para ela, e deu uma faixa de preço. Exemplo: Se custar até R$ 20,00, pode comprar, mais que isso, deixa prá lá, e ressaltou de novo a discrição.

Ficou no carro esperando. De dentro da loja, uma loja grande, com muitos clientes (cidade de interior) ela perguntou aos berros: Messias, custa R$22,00 posso levar???
Duas coisas:  a diferença de preço era mínima e indiscrição foi grande. Micão!

Revivemos e contamos essas histórias, sempre com muito detalhes e risadas. Não é bom,???    

criado por picida_ribeiro    23:32 — Filed under: relacionamentos

20/5/10

MICOS & MICOS

 

Li sobre os “micos” que a gente paga no decorrer da vida, no sempre inspirado blog LUCY IN THE SKY.
Sei que já paguei verdadeiros King Kongs, mas a vantagem de ter mais de 50 anos de idade, é que a memória já não registra com muita eficiência, ou então a gente a partir dessa idade já nem se importa mais...
Mas alguns merecem registros:
 
Em 1975, quando me mudei para SP, ainda exista garoa, neblinas. Eu, recem chegada, ao abrir a janela do décimo andar do apto em que morava, imaginei que era quase neve, dia muito frio.
Calcinha, sutiã, meia calça, uma bonita bota marrom, comprada a prazo na Lojas Peter, e um casaco de veludo vinho, feito por minha tia Cleide.
As produtoras de moda de agora, chamariam de Trench Coat.
Sem conhecer o ditado paulistano ”Dia nublado, calor dobrado”.
As 11 horas, sol a pino, eu já não agüentava o calor, e não tinha como tirar o casaco: só calcinha e sutiã por baixo.
Em tempos de raros aparelhos de ar condicionado, passei o dia todo trabalhando embrulhada em veludo . Ninguem entendeu nada...
 
Depois de um ano de empresa, minha primeira férias, fui com minha irmã Liliana, minha amiga Antonia Landi para Rio de Janeiro.
Eu já conhecia  praia, tinha passado uma temporada em Caraguatatuba com a família Bocca, mas era uma casa isolada, só caminhar um pouco na areia direto para o mar.
Mas agora, era minha primeira vez em hotel.
A Antonia, paulistana da gema, até tinha apto na praia, já sabia como podia e devia se portar.
No café da manhã, desceu de saída de praia, chinelo.
Eu e minha irmã impecavelmente vestidas: calça jeans, camiseta e sapato.
A Antonia tentou com toda sutileza, como é de seu feitio, nos convencer a irmos mais a vontade.
Sem acordo. No restaurante, no saguão do hotel, assim, quase sem roupa??? Nem pensar...
Só tiramos a roupa ( o biquíni por baixo), depois de estendermos a toalha na areia.
Mas valeu: á noite show do Roberto Carlos no Caneção
Me parece que foi a primeira temporada dele lá.
 
No inicio dos anos 80, quis mudar o visual de forma radical: ficar loira.
Clareei os cabelos, assim fiquei por cerca de uma  hora, estranhei, pedi para voltar ao castanho de sempre.
No dia seguinte, resolvi alisar.
Em tempos pré escovas progressivas, passei uma pasta sabe se qual, sabe se lá o quê , e minutos depois, comecei a sentir o cabelo derreter. Liguei para Marta minha cabeleireira, com aparente calma e perguntei com voz tranqüila: “Marta, agora que escureci o cabelo, posso alisar?”
Ela: “Nem pensar, não faça isso de jeito nenhum”.
Corri para o chuveiro, com roupa e tudo, ele ficou esquisito, mas deixei secar naturalmente e fui dormir.
Na manhã seguinte, meu cabelo estava cor de abobora, armado tipo Dong King, não havia tiara que segurasse, eu não tinha um lenço para amarrar e não dava para sair daquele jeito.
Pus um chapéu preto, desses de festa, casamento, e assim peguei taxi para ir ao cabeleireiro, que só pôde  ser cortado raspadinho.
Gastei para ficar loura, gastei meia hora depois para voltar a ser morena, gastei no conserto, e paguei o mico de pegar taxi com chapéu de festa as 8 hs da manhã .
 
Morando em Ibitinga, um amigo de meu irmão, convidou Decio, meu marido para um carneiro assado no buraco que seria feito em uma chácara.
O Decio achou que era um convite, aceitou na hora, nem desconfiamos que teria que ser pago.
O Neto, meu irmão, percebeu nosso engano, e muito sutilmente, comprou 2 ingressos, que eram bem caros, por sinal, me parece que era uma festa beneficente.
Quando ele nos entregou os convites, vimos os preços, ficamos meio sem graça, nós jamais pagaríamos aquele valor para um passeio assim.
Na noite do tal “carneiro do buraco” caiu uma tempestade na cidade, eu me lembro de ter ligado para meu irmão e dizer que achava que nem ia ter , porque imaginei:como assar um carneiro no buraco, com   chuva?
Meu irmão me confirmou que ele já estava lá.
Acabou a energia elétrica no meu bairro.
Nós não pensamos em desistir por causa do preço que meu irmão pagou, iria parecer desfeita.
Fomos a casa das minhas Tias Cleide e Lucia, tomamos banho, lavei o cabelo, pus uma saia jeans, sapato baixo, uma blusinha simples, cabelo molhado, (coisa que nunca faço).O Decio, sem grandes problemas: calça jeans e camiseta OK.
Imaginava uma cena simples e bucólica; alguns poucos amigos, ao redor de uma fogueira, na chácara, curtindo um churrasco, conversas intimas, coisas de filme americano.
Quando chegamos a chácara nos impressionamos com a quantidade de carros estacionados, mais ainda com o luxo do guarda roupa dos convidados.
Paetês, brilho, salto alto, musica ao vivo, jantar dançante.
Foi um susto.
Como chegamos atrasados, todos pararam e ficaram olhando.
Ninguém veio falar conosco, nos sentamos numa mesa isolada, ficamos lá quietinhos.
Não vi buraco, não vi carneiro.
Vi garçons, maitre, essas coisas.
Uma das garçonetes, Jussara Mancini, era uma velha conhecida, e é uma pessoa muito divertida, bem humorada, foi com ela que conversavamos, quando ela tinha uma folga.
Eu perguntei para ela qual era a carne de carneiro, porque não iria comer, que não comeria carneiro jamais, porque me lembra um poodle.
Ela me respondeu que comeria um poodle, se alguém lhe dissesse que era carneiro...
Ficamos por lá cerca de uma hora, saímos de fininho...
 
Esse mico é mais recente:
Estava no Shopping de Ribeirão preto, fui ao banheiro, saí as pressas, com a saia presa na calcinha. Um rapaz, simpático, veio me avisar.
 Dia desses, estava no supermercado, encontrei o cunhado da Denise, uma amiga e colega de trabalho, com sua filha de 2 anos no colo. Uma fofa.
Nós só nos tínhamos visto uma vez, estranhei um pouco, quando ele veio, me cumprimentar, perguntou do trabalho, falamos da sua filha, e só na hora do tchau, ele me avisou que minha saia estava presa na calcinha. DE NOOOVOOO!!!. Mas eu já tinha dado uma boa volta pelo supermercado...
 
Querem mais???... Vejamos...
criado por picida_ribeiro    17:55 — Filed under: relacionamentos

11/5/10

COMO DOIS E DOIS SÃO CINCO

Período de tempo que passou voando, rápido demais para meu gosto. Não gosto disso. Gosto de ver o tempo passar, pode até passar depressa, mas gosto de saber em que e com que ele foi gasto.

 

Não foi dessa vez...

Passou 19/04 aniversário do Roberto Carlos, sem nenhuma referencia, passou 02/05 meu aniversario e do Decio, que nesse ano caiu num domingo de sol, de churrasco, de família.

Passou Dias das Mães, com almoço na casa do meu irmão Neto. A família dele, minha mãe, minha irmã e seus dois filhos, tia Cleide e Tia Lucia.

Fiquei pensando nesse dia, o segundo maior dia de vendas no comercio.

Homenagens para mães, quase sempre merecidas.

Agora os presentes são para nossas mães, as dos outros, a sogra...

E lá vem história de “no meu tempo”...

Mas era assim, pelo menos em Tabatinga, interiorzinho de SP.

A mãe ganhava um buquê de flores do jardim, envolto em papel celofane e um laço de fita, feito pelo filho mesmo.

Ou então, coraçõezinhos recortados em cartolina, com a letra infantil: “MAMÃE  AMO VOCE”

Fiquei pensando em um fato tão básico e tão simples e tão comum mas que a gente releva.

O discurso das santidades das mães. Nem todas são santas, nem todas são boas.

Na verdade não existe boas ou más mãe, bons ou maus filhos.

Existem boas e más PESSOAS

O resto, é tudo consequencia.

Minha mãe não é um doce de criatura, um exemplo de candura, uma fofa, mas é uma boa mãe, “enquanto boa pessoa”.

FAMILIA. Sempre foi seu nome e sobrenome.

E todos seus filhos lhe são gratos e reconhecidos por isso.

Bom demais te-la por perto, tão inteira.

Para festejar mesmo.

A Graça, minha cunhada, também é uma mãe com muito a festejar, especialmente nesse ano.

Está tendo a possibilidade de ver de perto o verdadeiro crescimento, amadurecimento e desabrochar dos filhos.

Quando a mãe os entrega para vida, lhes mostra o mundo.

È um segundo parto.

Minha irmã LIliana, com empenho, força e dedicação, criando e muito bem , seus dois filhos.

Trabalho e carinho só seus. 

E das “mães dos outros” que convivi no decorrer da vida, me veio a lembrança de uma mãe especial, talvez a primeira que tenha despertado minha atenção e admiração.

Dona Dirce Falsetti Stornioli, mãe do meu amigo Jacó.

Quando ela faleceu há alguns anos atrás, eu procurei o jornal da cidade, com um texto onde falava da minha admiração por ela, desde sempre.

Eu admirava o jeito que ele recebia os amigos dos filhos, quando isso era ainda um fato raro, admirava o jeito que ela sempre tratou todos da mesma maneira. Numa cidade sectária como Ibitinga, sua casa era um território de real igualdade, ela o fazia assim  

Era amiga dos filhos com cumplicidade e mãe com a dose exata de autoridade.

E soube como ninguém criar uma verdadeira família, Tinha filhos moços e formados, ao mesmo tempo em que  tinha filhos adolescentes,e essa diferença não os separou.

Teve filhos metódicos, outros mais relaxados, tranqüilos.Todos  bem sucedidos, uns mais, outros menos, que diferença isso faz? Cada im realizado á seu modo. Teve filhos extremamente preocupados com tudo, e os preocupados com nada. Zen. Stressados, de humor complicado, outros de sorrisos e temperamento fácil.

São assim, cinco irmãos, diferentes entre si, que se amam, convivem, se ajudam, se respeitam, e principalmente não JULGAM  um ao outro.

Convivem, se amam, se aceitam.

Família não é isso mesmo?

Pensei muito nisso nesse Dia das Mães.

 

criado por picida_ribeiro    22:52 — Filed under: relacionamentos

23/4/10

ANIVERSÁRIO DE 80 ANOS III

Seguindo com mais flashes, mas o mais importante é o que ficará na lembrança e no coração.  PRIMEIRA FOTO:

Tio Aderson,mesma cara que meu pai.

E na coroação de uma vida, como minha mãe, que com simplicidade e sabedoria criou uma familia de verdade.

A maior realização de todas as realizações.

EU, ZÉ LUIZ, LILIANA, MÃE E NETO

criado por picida_ribeiro    15:33 — Filed under: relacionamentos
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